quarta-feira, março 26, 2008

Arrivederci 12

Arrivederci 11

Arrivederci 10

Arrivederci 9

(direito de autor: Edu)

Arrivederci 8

(direito de autor: Edu)

Arrivederci 7

(direito de autor: Edu)

Arrivederci 6

Arrivederci 5

Arrivederci 4

Arrivederci 3

Arrivederci 2

Arrivederci 1

Fotossensibilidades 4

Praia de Alvor

Fotossensibilidades 3

Praia de Alvor

Fotossensibilidades 2

Praia de Alvor

terça-feira, março 25, 2008

Fotossensibilidades 1

Praia de Alvor

Não Fui Eu...

Não olhem assim para mim. Mas qual taberna? A Moric e a Yespica são senhoras com classe - não vão por aí. O que é que eu disse antes? Não fui eu - inocente! Eu até desconfio que foi o PGuerra ou o Edu que puseram o post em meu nome. A sério, não fui eu...


Pecado Original 26



Bom, tenho a dizer em minha defesa que não fui eu quem começou. Se o E Deus Criou a Mulher pôs a foto, eu posso pôr a continuação, este "baletto" sublime da Moric e da Yespica. Adoro tango. Mas não fui eu (quizás...gostava de ter sido).

P.S.:Vota Berlusconi! (ah, tantos que gostavam de ter uma Mediaset em Portugal. Tantos...)

terça-feira, março 18, 2008

A viagem continua

Dia memorável. Siena. Não sabia o que ia encontrar. A bela Toscana. Excelente. Para mais a visita deu-se num dos dias mais importantes da cidade. O Pálio. A imagem foi tirada ao fim da manhã, quando acabaram as corridas matinais. Ainda hoje posso sentir o cheiro a terra batida molhada, no meio da pista, no centro do mundo, regava-se o piso. À tarde havia mais.


Mais

Verona. A casa não parece ter nada de especial, mas o coração grafitado é um indício.
O berço do amor. Romeu e Julieta.



Parece um coliseu, mas garantiram-me que é um anfiteatro, estilo Mérida. Na altura estava em obras. Dulce Pontes já lá cantara.

segunda-feira, março 17, 2008

Itália continua...

Florença. Uma das praças mais mediáticas da Europa. Ganhou maior destaque aquando do filme Hannibal. As multidões de Agosto à caça da melhor foto.



O Arno. As pontes. Algures o palacete do Antigo presidente da Fiorentina.



domingo, março 16, 2008

Histórias de Itália IV

Passávamos pela noite de Florença, em busca do restaurante que nos haviam recomendado. Chegámos a uma praça, numa zona mais distante, mas que eu tive a estranha impressão de já termos visitado. Seria da noite, talvez. Não a reconheceria bem a esta hora, pensei.

Mas... havia uma igreja imponente, e nós tínhamos por regra, até então, visitado todas as igrejas daquele calibre. Àquela não tinha memória de ter ido. Não podia ser. Foi então que olhei para a estátua de Dante e me ocorreu: o "Tuttodante"! Sim, o programa de televisão, apresentado por Roberto Benigni, que passou na Rai, e que eu vira, na recôndita aldeia portuguesa, para treinar o meu italiano. Estava incrédulo com a coincidência. Tive que ir perguntar logo a um senhor que passava. Que sim - que ali, na praça, estavam as pessoas sentadas, e aqui, em frente à igreja, estava o palco e a loquacidade de Benigni, na explicação do clássico "Divina Comédia". Fantástico. Pensar que, apenas duas semanas antes, eu estava a ver aquele programa na televisão, numa aldeia que até há poucos anos nem estrada alcatroada de acesso tinha. É a globalização, deveras. Fantástico...


Aqui vos deixo as fotos deste feliz encontro (nem sequer havíamos planeado visitar a dita praça, não fora pelo restaurante), e um vídeo da leitura de Benigni (o italiano, sendo italiano literário, é especialmente rarefeito, só incluo o vídeo pelas imagens da praça ao princípio).



E aqui terminam as pequenas histórias, publicáveis, de Itália.

Love To Say I Told You So

Passe a imodéstia, "quem sabe, sabe".

Diz o Pacheco Pereira, (aqui e aqui) como eu dissera justamente no Genorosità: ouro. Mas nem todos sabem que o têm à frente.

sábado, março 15, 2008

Histórias de Itália III

Passámos pelas célebres masmorras venezianas, na Ponte dos Suspiros. Ao contrário do que se poderia supor, não é, de todo, romântica a origem desse nome - parece que, sendo a ponte para as Prigioni Nove, os prisioneiros suspiravam por ser a última vez que viam o mundo exterior. Terá sido aí "residente" e conseguido memoravelmente escapar, Giacomo Casanova (essa referência). Olhando as paredes ocres, constatámos que vários visitantes não resistiram a marcar (com pouca arte, diga-se) a sua passagem.


Eis que, entre os registos, encontramos uma referência portuguesa. Nem mais nem menos que o Farinha, de Sacavém. Bem visível o país, que é para os compatriotas em geral, e camaradas do chavascal em particular, identificarem. É certo que remete para 1963, mas gostaria de deixar este pormenor, dos calabouços infames de Veneza, à atenção dos leitores do Generosità sitos em Sacavém (que os há).

É claro que, por camaradagem, os dois bloggers viajantes tiveram que deixar também a sua marca, inocentemente, sem beliscar muito as paredes. A bem da posteridade, dos portugueses vindouros.

Histórias de Itália II

10h, cerca, da noite, na pequena estação de Siena, para apanhar o comboio para Florença. Cansados, depois de ter tido que esperar sob um frio gélido, entrámos finalmente no comboio. Tive que perguntar a um "jovem" initrigante para onde ia aquele comboio. Sempre bom confirmar. Digo intrigante porque não chegava a perceber se o estilo seria a puxar mais para o indiano ou para o cigano. Nem quis saber. Mas o facto de ele ter um pequeno gang com ele, de personagens igualmente intrigantes, não me tranquilizou.

Entrámos na carrugem, para o merecido repouso depois de tantas peripécias diurnas. O frio e o cansaço... Mas ainda não era para ser. Subitamente, entram na carruagem um par de "poliziotti", e pedem-nos os documentos. Totalmente inusitado, "out of the blue". Lá lhe expliquei em italiano que éramos estrangeiros, portugueses, em "vacanze". Disse que sim, mas não ficou muito convencido. Levou os nossos B.I. e esteve a confirmá-los na parte final da carruagem, com o colega, uns bons 10 minutos. Como o confirmou não sei ao certo, haveria um computador, talvez, ou algo menos sofisticado. Ficámos desconfiados com aquela demora. Deram-nos os B.I.s, finalmente, depois de nos termos levantado quando o polícia saiu com eles da carruagem. Tudo em ordem. Mas estavam à espera do quê?

Não... não se metam nisso... Estes portugueses não os apanham vocês. 100% limpos. Vejam lá se apanham os verdadeiros criminosos, que aqui a "Coisa Nossa" continua seguramente.

sexta-feira, março 14, 2008

Histórias de Itália I

Havia que ir à Accademia de Florença visitar o David de Miguel Ângelo. Uma obra-prima, realmente. Por serem proibidas, tive que tirar uma foto furtiva, por detrás do pilar, enquanto a segurança (das que fazem o curso do grito "no photo!" ou "no flash!"), falava com outra pessoa, distraída.


Miguel Ângelo concebeu David com formas intencionalmente desproporcionadas (refiro-me nomeadamente às mãos), exactamente para permitir uma visão mais poderosa, de baixo para cima. Esses pormenores de génio fazem a estátua parecer bem mais alta do que realmente é. O voo da mente, mais uma vez, na mão do artista.

O que é interessante reflectir nesta obra é o facto de ser a antítese da história bíblica, em que Golias era o gigante, derrotado pelo pequeno David. Aquilo que me ocorreu, nessa perspectiva de baixo para cima, foi a ideia de Miguel Ângelo em querer representar a última imagem que teria visto Golias. Eis a ironia captada na história real. Aos pés de David, o gigante no solo vê o seu antes pequeno adversário em formas gigantescas. É um aviso à soberba, à arrogância. Uma espécie de representação excelsa do adágio "quanto maiores são, maior é a queda".

Achei piada a ter tentado entrar, desta forma, nas intenções de Miguel Ângelo. Não tenho a presunção de ser pioneiro nessa observação, mas o certo é que, realmente, não a li em nenhum outro lado. Seguramente, existirá.

Ainda assim, não deixa de ser bela esta ironia de Miguel Ângelo e (e isto, sim, estava escrito algures) um hino à vitória (às vezes são poucas, mas ainda assim existem) da inocência, e da mente, sobre a bruteza. Quando a mente voa, agiganta-se sobre qualquer gigante que exista. Essa é a mensagem da história mítica, e a ironia é captada pela sensibilidade de Miguel Ângelo: afinal, a altura é só uma questão de perspectiva...

A Idade da Culpa

Antes era tudo tão fácil, aqueles escapes à "sacaninha" sempre à mão. Aqueles adiamentos sem pagamento pessoal. Mas depois chega a tal idade, a idade da culpa, por mais que não queiramos. Ganham-se algumas coisas, perdem-se outras, suponho. Mas os actos passam a ser mais contabilizados, e a consciência encontra inevitavelmente uma forma de se manifestar, de nos avisar - e aos outros.

Ah, a culpa. Alguém a dizia uma invenção judaica. Fundamental na vida em sociedade, está visto.

"Welcome..."

Nestes tempos de grande incerteza e de insatisfação pessoal, de falta de dinheiro, e de perspectiva de futuro, parece que, sendo jovens e (talvez) ingénuos, cada vez que entramos num "covil", onde as pessoas trabalham, onde têm suas histórias e contas bem presentes, onde nós desconhecemos todas as linhas invisíveis que eles não ultrapassam entre eles, onde se é novidade, se entra a fresco, parece que, algures numa dimensão parelela, ouvimos claramente "Welcome..." (said the spider to the fly...).

Mas como dizia um grande sábio: "Não se metam nisso... Não têm vida pra isso..."

A SuperVisão

Os nossos pais têm sempre necessidade de produzir, nas suas mentes, uma qualquer teoria daquilo que se passa connosco. Têm as etapas da vida decoradas na sua memória e tentam adivinhar quais são aquelas que estamos a viver. Normal. Às vezes podem mesmo confrontar-nos com essa opinião, uma espécie de "eu sei, eu sei, o que estás a passar. Não te deslumbres com isso que depois são importantes outras coisas". Mesmo que eles próprios se tivessem deslumbrado com isso, malgrado os erros que eles próprios tenham cometido, mais ou menos graves, e que o Tempo comeu.

Esta visão, da sua parte, daquilo que é o nosso desenvolvimento, quando explícita, passa a supervisão. Para o caso de nós pensarmos que andamos a descobrir a pólvora, sem antes ter disparado um cartucho seco.

Mas são tantas as variáveis novas, como o são as verdades sobre aquilo com que lidamos e que guardamos para nós mesmos. A análise dos pais peca sempre por não ter tudo em consideração.

Ficamos sempre divididos, pois é deles a boa-intenção, e estamos em idade em que julgamos mal em causa própria. Embora, na intensidade do momento tudo soe a controle em excesso.

quinta-feira, março 13, 2008

A Era do Vazio

Há alturas em que em torno tudo parece árido ("Welcome to the desert of the real"). Parece não haver gente, juventude - verdadeira juventude (e eu sei ver a diferença). As ruas e os espaços parecem todos esvaziados de vitalidade, de virtude - de futuro. Como se, pior que a incerteza com o presente, fosse a incredulidade num melhor futuro, numa espécie de projecto. Nada de bom pode vir daí, claro. Quando a sociedade só pensa em repartir o que há em vez de criar mais, quando os mais velhos se demitem e os mais novos não se afoitam, nada de bom pode vir daí.

O Pecado do Costume

Desço uma rua do Bairro Alto e deparo-me com um carro estacionado frente a uma casa. Como não sou um "habitué", nem sei se aquilo é comum. À porta estava uma rapariga presa. Estavam a tirar o carro os... bom nem sei bem o nome da profissão. - rebocadores? Vestiam macaco azul, a morrer de chique com o estilo macambúzio. Por acaso conhecia a rapariga - vejam bem a situação. E fiquei a falar um pouco com ela à porta, curiosamente à distância de um eixo de rodas. Sendo estrangeira, falei consigo na sua língua natal. E falei também com os rebocadores (na nossa), ofereci-lhes a minha ajuda. Já que estava ali, e esperava para cumprimentar a minha amiga, não via porque não me fazer útil (não tenho talento para ser senhoril). E sinceramente, claro, não era um "pronto, eu ofereci-me mas os senhores não querem, não é verdade? Eu tentei". Já tenho feito trabalhos mais árduos. Nem me responderam. Nem um indício de continuar a conversa. Enfim, um estilo que, em bom nortenho se diz "morcão". Infelizmente, eu suspeito que a questão seja somente a mais típica. Mas porquê ter inveja de eu estar para ali a falar noutra língua? Ou não o devia fazer "em solo nacional"? Se eu gosto e acho que isso me enriquece? Limpem essas cabeças, reboquem a parvoíce convosco. Se querem invejar, invejem o que vale a pena.

Somos um povo com grandes qualidades, é certo. Mas somos humanos, e temos a face negra que decorre dessa natureza. Agora, eu continuo a achar que não há direito de, quem aja de boa-fé, ser subrepticiamente condenado. Talvez o problema seja o de pensarem que quem utiliza cultura faz necessariamente "show-off". Talvez não dê para ver a diferença. Nesse caso, a crítica deles é justamente a quem, sabendo das regras, anda a induzir, criminosa e vaidosamente, inveja.

Maldito pecado.

terça-feira, março 11, 2008

A minha Itália 2

Veneza na hora de ponta.


A minha Itália 1

São Marcos. Oito da manhã. O despertar de uma das praças mais conhecidas do mundo.



Veneza. Iremos no futuro de Norte para Sul.

PS: Para ver as fotos em todo o seu esplendor, é favor clicar sobre a imagem.

A minha Itália

Como já anteriormente disse, nos próximos tempos vou deixando as minhas memórias de Itália.
Serve de contraste com a recente viagem realizada pelos meus companheiros de blogue. Com 6 anos de diferença a Bella Itália permanece intemporal. Talvez a maior diferença se resuma às estações do ano, agora no Inverno 6 anos atrás na azáfama do Verão.


Entre o passeio de gôndola e os afazeres de um dia de manhã.

Shot 13

E não é que até o Pacheco Pereira já colocou fotos da viagem no abrupto?!

segunda-feira, março 10, 2008

Intermezzo

Findo o tema nas fotos falta fazer a selecção por entre as centenas, quais aquelas que merecem estar no Generosità. E falta toda a descrição perdida em notas. Logo verei quanto mais do que tenho escrito pode ser incluído no Generosità.

Com os últimos posts encerro momentaneamente o assunto viagem a Itália. Há bastante trabalho a fazer esta semana. Altura de ir tocar o intermezzo.

Fiquem vocês com Brahms, pelas mãos de um virtuoso.



Ciao.

Inspiração

Dou comigo a pensar que o poema anterior, no meu registo, releva acima da média. E dou comigo a sorrir - não é por acaso.

Picasso dizia que não sabia o que era essa coisa de inspiração - mas que quando viesse o apanharia a trabalhar. Como eu não sou o melhor trabalhador, reconheço definitivamente a benção de uma inspiração.

A Primeira Questão e A Problemática da "Pochette"

Não me esqueci da primeiríssima questão acerca da viagem a Itália. Vá, digam lá que não é... Mesmo que não seja a primeira, como está lá sempre, vem logo a seguir ao "Então? Gostaram?".

Sim, as italianas correspondem ao mito. Para mim até superam o mito. E digo isto sem qualquer tipo de provincianismo - as portuguesas, se quiserem (somos um povo de "se quiserem"), dão-lhes luta. A beleza italiana está muito mais padronizada, a quantidade é maior (eles são 60 milhões...) e é suprema, quase que concebida para "encher o olho". É como se a beleza italiana fosse (ou devesse ser) resultado de cuidado absoluto, onde a beleza portuguesa é (ou deve ser) natural... Aliás, Itália é um país em que o sentidos dominantes são, claramente, os da visão e do tacto. Não é tanto assim para o nosso país.

O "sguardo" aqui é a arma fundamental (e espanta o à vontade com que os italianos nos perscrutam com o olhar). Elas adoram que falemos (bom) italiano (eles nem por isso, mas com os taxistas fui a falar todo o caminho, desde e até Malpensa), são admiravelmente hospitaleiras, em geral, e exemplarmente afáveis. Não há uma única mulher italiana a quem um "grazie" não seja seguido de um "prego". De uma educação irrepreensível e desarmante.

Quanto aos homens, há-os mais velhos de uma candura e cavalheirismo notáveis. Já os de meia idade (40s, 50s), quando interpelados, podem ser simpáticos ou hostis - não se sabe bem o que sai dali. Os mais novos (até aos 35s), bom... digamos que não é fácil encontrar um italiano "normal" (leia-se remotamente parecido a um português). Há gente bem parecida, elegante, seguindo suavemente com a parceira, mas parecendo pouco à vontade. Há jovens, desde cedo (secundário), muito "metro", e irritantes. E uma fauna onde sobressaem carecas, e fãs de sapatos castanhos claros, estranhamente perturbadores. Só em Florença dei de caras com alguns jovens que podiam passar por portugueses (a viagem, devo dizer, concentrou-se no Norte e Centro). E depois, há a quota parte da chamada "bicheza" (é o povo que diz, não sou eu). Particularmente em Milão, nestas alturas de pouco emprego, há um português que, no seu mester, não teria mãos a medir (como apontou o Edu sabiamente):



É preciso exportar o negócio, portanto.

Há algo de muito interessante na coincidência de tanta feminilidade desarmante e este percentual de clientes do Fernando (todo um outro post). Não admira, portanto, que tenhamos chegado à conclusão de que elas gostam de portugueses - de alguns, pelo menos.

São mais "go and get girls" que as portuguesas, isso é certo. Estavam estes dois alegres bloggers, na sua serenidade lusitana, percorrendo as ruas de Florença, já perto da uma da manhã, quando são interpelados por duas italianas. Vindas de trás, haviam reparado nas nossas (inteiramente masculinas) malas a tiracolo (para guias, máquinas, carteira). Mas não nos perceberam turistas por causa disso, ou não o quis a sua disposição festiva. "Ragazzi, avete delle pochette?", perguntaram pela primeira vez, e eu nem sabia que era para nós (não notou o Edu a interpelação). "Ragazzi, avete delle pochette?" (e como soava divinal, com o típico acento final, o "pochette"), outra vez, passando por nós, sorrindo, apercebendo-se naquele segundo que talvez não fôssemos italianos, e nós de quão simpática era aquela troça. "Ó diacho..." - estavam a falar connosco...

E uma conversa, uma interpelação com uma italiana quase nem é só uma conversa, passa a ser uma espécie de bailado, de encantamento momentâneo, qualquer que seja a trivialidade. Se formos fluentes, claro. A beleza da coisa, é que não é só da nossa parte. Elas gostam genuinamente de "chiaccherare" - vale a pena aprender a língua só por isso.

Em suma, não esteve brilhante o panorama masculino, e bem se queixaram as nossas colegas. Já o feminino, coincidem estes vossos cronistas: imaculado.

Variações de Um Tema 8

Fachada da Basilica di San Marco (Piazza San Marco) Veneza

Variações de Um Tema 7

Claustro do Palazzo Ducale (Piazzetta di San Marco), Veneza

Variações de Um Tema 6

Vista do Palazzo Vecchio (Piazza della Signora) e do Duomo de Florença a partir da Uffizi

Variações de Um Tema 5

Piazza Salimbeni, Siena

Variações de Um Tema 4

Duomo de Siena, perspectiva exterior lateral

Viaggio in Italia

São bem-vindas as impressões do PGuerra de Itália, claro. O bem bom quando nasce é para todos. Siamo tutti tiffosi.

Venha mais Itália, até porque desta viagem eu tiro não uma satisfação, não um fim, mas um feitiço, um começo.

Shot 12

Zapatero lá ganhou como prognosticara. Convenhamos que o prognóstico não era dificil.

PS: Com tanta foto de viagem no blog, não posso deixar de sentir uma certa inveja e nostalgia. Eles no bem bom e eu em Lisboa... Que saudades de Itália, há uns 6 anos atrás percorri todo país de norte a sul, mais de 10 cidades, tantas recordações. Se bem me lembro na altura fiz um CD de fotos digitalizadas, se o tempo me permitir, se encontrar o dito CD, e se não aparecer eu ou alguém da minha familia nas fotos (o que será dificil), brevemente postarei também aqui as minhas memórias fotográficas de Itália. No limite, poderei deixar aqui o meu testemunho escrito, que Itália tem muito para contar.

Variações de um Tema 3

Pormenor da Piazza del Duomo, Siena

Ó Diacho...

O registo fotográfico está seriamente comprometido, acabo por concluir. Parece que tirei as fotos quase todas em "macro", sem de tal me aperceber. Muito menor qualidade. Mas, enfim, serve o fundamental, e quem sabe seja possível algum tipo de conversão. A ver vamos. Apresentá-las-ei assim mesmo, porém, malgrado o tempo que demoram a carregar.

Variações de um Tema 2

Pormenor do Duomo de Siena

Variações de Um Tema 1

Entrada da Igreja de Santa Maria delle Grazie, em cujo convento dominicano se encontra o cenáculo vinciano

domingo, março 09, 2008

Fotossensibilidades

Das fotos que trouxémos escolherei apenas as melhores, e publicáveis, para o Generosità. Faltou melhor domínio da máquina digital, a divisão de tarefas por provar ser benéfica. Das centenas de fotos que trouxe, haverá tantas que denunciam o amadorismo - na mesma medida que a paixão pela imagem.

Florença: feira local, a caminho do Duomo

Mas a propósito de fotos, antes de entrar na parte monumental, tipicamente de viagem a Itália, let's go thematic. Já vão ver o que quero dizer.

E Um Agradecimento Especial...

... às nossas colegas, que foram insuperáveis na sua simpatia, companheirismo, flexibilidade, e, claro, paciência, para dois atrasados e distraídos crónicos. Davvero.

Acrescento somente uma apresentação das regras com que fazemos este blog. Aqui.

sábado, março 08, 2008

The Bourne Lunacy

Ó bandido..: c'è l'abbiamo fatto! Dois gajos da aldeia (para quem Lisboa é desafio) por Milões e Florenças como gente grande. Melhor que gente grande... Ali, por histórias tão antigas como os tempos. Ali, pelos percursos, pelas pessoas, pelos olhares, pelas dúvidas. Ali, por "vias", comboios, autocarros e táxis.

Sem pisar, sem fazer barulho. Nas barbas deles - sem que o suspeitassem. And laughing all the way.



Venha a próxima.

Ó Diacho!... Um belo Tour

De volta após uma viagem absolutamente memorável, a surpreender pela positiva. Tentarão regitar impressões e sentimentos de almas viajantes, neste blog, os seus dois autores graciosamente fugidos.

quinta-feira, março 06, 2008

Despojos do Dia

Depois de uma surpreendente jornada da Champions, eis como o título do filme de Hopkins e Emma Thompson faz mais sentido do que nunca.
Os despojos do dia sobraram para Mourinho. Ele ansiava este momento. A sua shortlist há muito que já está feita. Recusou Bayern e Lyon. Para mim só lhe interessam 4 clubes. Real Madrid, Barcelona, Inter e Milan, e quase todos deram o flanco. E Mourinho levantou-se do sofá. E já o imagino a telefonar ao inefável Jorge Mendes. "OH Jorge! Está na hora!".
O Real caiu na champions e não tem o campeonato seguro, Schuster segue fiel à sua tradição particular de começar bem e acabar mal. O Milan enquanto projecto de uma década acabou terça-feira aos pés de Cesc Frabegas. O Inter claudica internamente e na Champions só lá vai com alma, mas Mancini é um flop. O Barça com um plantel só comparável ao dos gláticos de Florentino parece ser um gigante com pés de barro... e chegou a hora de recolher os despojos... Mourinho já deve estar farto da pacatez de Setubal... e vai mexer os cordelinhos.

terça-feira, março 04, 2008

Fino Adesso

Milao, Florença, Pisa, Siena. Comboio, autocarro, metro, taxi, pé - muito pé. Italiano, ingles, frances - sem macula, recurso idiomatico do grupo. A agradavel durpresa de saber que percebo quase tudo, e que me faço perceber com qualquer pessoa, muito bem. Passando algures por italiano, por italianos, os dois autores deste blog.
Milao: negro e cinzento, electricos ruidosos, brasoes, olhos de milanesas, inquietudes e duvidas, maos, cavalheiros e camuflados, simpatia e rudeza, graça, e a redençao da luz do sol. Planura - nao como Lisboa ou Roma.
Florença: solta, colorida, rindo-se, de gelado na mao, em bicicleta. Arno, variedades, negros, eslavos. Dourados, convivencia com a Arte, japoneses. Ocres. Portas imponentes.
Pisa: triste (dia cinzento), com vazios subitamente cheios - de olhos, de ragazze, de curiosidades incontidas, de flama, de risos, de cores. De todas as cores possiveis, so igualmente intensos. Estroinices na Torre, fotos, despiques, silencios.
Siena: "carina", secreta, preciosa, reliquia de outro tempo. Surpresas, cansaços.
Por todo o lado, a altura, a verticalidade, o chao negro, o andar, o pormenor, o cuidado meticuloso, a conduçao concadenada, os negros, quefros, falsidades, simpatias, linguas, sabores, e tanto, tanto nao dito - so intuçao. E a surpresa nos olhos deles, que eu sei e percebo. Desarmantes simpatias nuns, hostilidades e demissoes irritantes noutros.
Nada em Italia me desiludiu até agora. Naquilo que tem de melhor e no que tem de pior. Bate tudo certo.
Recolha de dados, truques, para o futuro. Estudo profundo do terreno. Tao perigoso quao interessante. Até ja.

segunda-feira, março 03, 2008

Artigos

A semana passada foi excepcional ao nível de artigos nos jornais.

Sábado - O José Pacheco Pereira escreveu um magistral artigo sobre o PSD, no Público, está lá tudo o que penso sobre o partido neste momento.

Sexta - Li um artigo da Alexandra Lucas Coelho ( filha do já falecido Prado Coelho), sobre as eleições americanas. Eu não sabia que ela escrevia, pensava que só fizesse reportagens, aliás, o artigo até estava no suplemento do Público.
Não só concordei, como assino por baixo o que escreveu. Mas mais. O artigo era tão genial que até me deixou com pele de galinha, algo que ao lêr um artigo já não me sucedia há uns bons 6 anos, quando o MST ainda era o MST.

sábado, março 01, 2008

(Exams/I&D Project)^2weeks

Nestes dias em que travar batalhas contra o tempo é das poucas coisas que sabemos e podemos fazer, existem sempre pequenos prazeres, pequenas agonias, desesperos, dores de corpo e outras;

Vontades de vençer e ... desistir.
É curioso o desiquilíbrio de humores que nos caracteriza, que nos puxa e confunde as opções. Não há mundo mais triste do que aquele em que só uma direcção importa, em que não há crédito à criatividade, imaginação, experimentação, troca e partilha de ideias, aceitação da vitória e da derrota, mas por outro lado é muitas vezes esse mesmo mundo que permite a sustentação do avanço que todos querem, mas pelo qual poucos lutam.
O isolamento, o trabalho constante, o sacrifício, capacidade de luta, persistência, perseverança, a luta contra a dor física e a exaustão, e claro a significância, tem tudo de ter um significado. Para muitos somente chegar ao fim e sobreviver, para outros aprender e evoluir.
São as leis da terra a oporem se às leis do homem, ambas com força desmesurada a puxarem o melhor de nós, muitas vezes ao limite da sanidade.
Muitos dizem que as leis da terra não podem ser vencidas, outros que as do homem não podem ser quebradas.

Resta nos então apreciar o melhor trabalho alguma vez feito por ambas.



Ps.


quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Brb

Dois dos autores deste blog estarão impedidos de dar o seu contributo a este projecto nos próximos dias. Levamos o nosso terceiro colega espiritualmente no "giro" planeado. Onde vamos? Pela estrada que passa ao café do Caniço e à mercearia da Ti Lourdes, como quem vai para a Chamusca ou Lagoa da Palha. Depois é sempre em frente, passar a duas aldeias ainda granditas, para lá chegar. Tá aqui o mapa.


Diz que tem boa couve - da lombarda. A seguir é andar mais para baixo e perguntar pelo Miguel e pelo Leonardo, que eram dois gajos porreiros, trabalhavam nas obras, não sei se ainda serão vivos.

Seguramente haverá algo a trazer para o Generosità, como "souvenir". Até já.

Da Paranóia

O problema que se afigura ao paranóico, ao conspirativo, surge quando ele acerta (ou pensa que acerta) uma em dez. Essa vitória suprema, inusitada porque nenhum dos pares "relaxados" a previam, dá-lhe energia para mais dez. Ou vinte. Ou trinta.

Q-max? Já não me lembro da Física...

Diz-me um amigo que anda a fazer "Q-máx". Surpreendido, pergunto por esclarecimentos. Parece que se tem entretido a dar socos a um saco de boxe (o Q-max é aquilo que antigamente era chamado "dar socos a um saco de boxe"). Vendo-o aos socos, nesses trabalhos, perante o saco de boxe, com o seu físico... parecido com o meu!, não resisto a perguntar por entre os risos: "Então e quem é que venceu?".

É por estas e por outras que ninguém aparece nas minhas festas de anos (mas ao menos resisti ao link para o Rocky).

No fundo, é também uma auto-crítica à minha própria inércia, que não faço desporto condignamente há meses. É melhor começar com um Q-min..

Reading List 1


"Ensaios sobre Eça de Queirós", de Maria Filomena Mónica.

Há sempre Eça sobre o que escrever. Há sempre análise psicológica a ser tentada sobre o analista distinto. Subsiste a pergunta: porque morreu Eça tão só e desiludido em Paris, que era o seu sonho? Amava verdadeiramente o seu país? Luzes sobre a célebre polémica com Pinheiro Chagas (por quem fiquei com mais consideração). Quem eram os amigos de Eça? Teve algum amigo de verdade, íntimo?

Eis (interessantes) ensaios sobre um personagem com tudo para nos fascinar. Eis nova luz sobre Eça como o foi realmente: misterioso, contraditório - brilhante.

Nós

E nós, portugueses? E nós, as nossas pequenas memórias? Vão deixar que as levem políticos que ofendem a nossa inteligência, cinismos profissionais, globalizações, guerras longínquas tão próximas? Vão?

Engraçado - eu não.

Grazie Italia - Noi II

Grazie Italia - Noi I

Há tanto que eu procurava algo assim. Obrigado, Itália. Tens os teus defeitos (sabemo-lo bem) mas o "cuore" é o "cuore", e quem com ele nasce nada pode fazer. Talvez, quem sabe, em Portugal, eu esteja menos sozinho do que penso.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Google - Translate "Yes We Can" - Enter

"Yes we can" (YWC) escolheu a campanha de Obama como "moto" oficial. Logo diz Veltroni, em Itália: "Si può fare". Repete Sócrates, entusiasmado, "Nós vamos conseguir!" numa conferência. E também Zapatero, a propósito do post do PGuerra, anda em "estilo Obama" (a ler aqui), embora face ao seu "Defender la alegría", mais valia, apesar de tudo, ter traduzido o YWC...

Eis a globalização da idiotice. De repente, lembro-me de um cartoon de Gary Larson, em que Deus está a "cozinhar" o mundo, e cede à tentação de adicionar uns pózinhos de idiotas, "só para fazer as coisas interessantes...".

(The Far Side®, by Gary Larson)

Espanha

Fiquei triste. Há 15 anos que não se realizava um debate entre dois candidatos a presidente em Espanha. Ontem foi o primeiro round, para a semana haverá outro.
O PP espanhol é um partido em que me revejo, e que desejava que houvesse em Portugal. Há 4 anos foi apeado do poder por um cruel atentado e agora chegara a altura de tentar recuperar algo da ilusão perdida. Rajoy não é um candidato entusiasmante, mas eu particularmente não desgosto, se bem que há quatro anos tivesse preferido um Rodrigo Rato. Mas os tempos eram dificeis, e para aguentar o barco talvez Rajoy fosse o indicado, não contesto.
Ontem, Zapatero não perdeu, o que na conjunctura actual significa que a 9-M vai ganhar. A menos que haja um forte atentado da ETA para o PP capitalizar, o "bambi" continuará mais 4 anos no poder.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Os Meus Filmes 10: The Bourne Ultimatum

Para mim a trilogia Bourne é capaz de disputar com a do Senhor dos Anéis (muito distintos, bem sei) em termos de "achievement" cinematográfico desta década. Eu, claro, prefiro a Bourne - de longe. Pela história em si, somente. Não consigo gostar tanto da fantasia do Senhor dos Anéis, embora reconheça que, fosse eu mais criança (cronologicamente, pelo menos, chamem-me jovem adulto s.f.f.), talvez fosse fã aguerrido. Por esta idade, parece-me muito adocicado, enjoativo de fantasia. E depois há que perceber que, se uma história de fantasia captura o nosso interesse, é porque há um motivo profundamente humano sob a mesma. A partir do momento em que cremos tê-lo descodificado, o interesse já não é o mesmo.

Bourne foi para mim uma história interessante, desde logo. Não se lembrem, peço-vos, logo da vertigem das perseguições - que isso diz-me tanto ou tão pouco como as batalhas para chegar a Mordor. Eu passo bem sem o ênfase dado a essas partes do filme. Por ser preguiçoso? Talvez.

Mas devo elogiar a saga Bourne pelo prazer intelectual, o enredo bem conseguido. E, para mim o mais importante, a consagração de Bourne como o Bond da nossa geração. Porque nós somos assim, no extremo dos extremos, se a nossa sobrevivência estiver em risco, se estivermos num país estrangeiro, sem ninguém conhecido, só com dinheiro no bolso e a nossa inteligência para voltar a casa. A minha geração solta já frases básicas em várias línguas (ou deve), domina o telemóvel, os trâmites aeroportuários, o PC em qualquer lugar, o carro em qualquer lugar, etc. Bourne é o "super-homem" de uma geração que se fez à pressa, assimilando velozmente muitas literacias, com uma típica ira de inteligência rápida, de execução trivial de algo que os nossos pais diriam complicado e exigindo preparação.

Nós desenrascamos: acolhemos a maior parte dos seres humanos pelo mundo fora como muito parecidos, querendo as mesmas coisas, gostando do mesmo que nós. Tratamos por igual, desconfiamos por igual, desejamos por igual, tememos por igual, amamos por igual. Os códigos básicos estão inseridos na nossa "mainframe", e o digital, o virtual, é desde logo uma extensão do nosso "self". Precisámos de aprender a movermo-nos pelo campo virtual tanto quanto o físico. Em simultâneo, em várias línguas, com várias novidades a surgir.

Bourne é o herói de uma década - de uma década vazia, em que ninguém liderou, em que a esperança na nobreza do ser humano, face à nudez crua da globalização, do terrorismo, da guerra já viu melhores dias. É esta fusão do físico e informático, no sentido lato de informático (todos os formatos, desde o papel ao PC), da quase robotização, que eu acho apaixonante em quanto é uma hiperbolização da nossa vida real. Há profundidade em Jason Bourne, e eu gosto sempre de profundidade.
E, bom, se a isso juntarmos, como em Bourne Ultimatum, uma Julia Stiles, intensamente "lovable", também sozinha, agora rendida, e condenada, ao "lado" de Bourne - temos um excelente filme (quem é que disse aí "tinha que ser..."? Eu ouvi isso.).

A cadência mecanística das cenas de luta terá o seu interesse; mas, volto a insistir, é, para mim, suplantada por pormenores como os de "desenrascanço" (ponham "make do" para ficar menos tuga), de Bourne, com o seu auto-controlo prodigioso, orientado somente para o fim. Absolutamente brilhante.

De tal forma é absorvente este filme que damos por nós, chegado o genérico, na ressaca do final, a arrumar o DVD de forma também mecanística na caixa. Da forma mais "basic-task-what's-next?" possível.

Ah, e... excelente música.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Saco Cheio

Em Portugal, as pessoas bem-intencionadas andam sempre a ver a sua paciência testada, dia após dia. É por isso que, quando o "saco enche" e a coisa transborda, é um espectáculo tão cobiçado.

Atenção À Estrada

Uma das coisas que me intriga nas estradas/vias portuguesas é o "ele é que tem de...". Peões que não têm receio de ser atropelados ("ele é que tem de ter atenção..."), carros que não têm medo de atropelar ("ele não pode passar agora..."). Com uns filhos de qualquer coisa à mistura. Uma modorra irritante, desesperante, para o "meu sistema" - "só me desvio minimamente da minha rota divina se ele estiver a 5 cm de me bater", é o que eu oiço, de peões e condutores. Fé nas regras e fingir que não se vê. Quando muito pregar um "sustozito".

Não percebem que não basta nós cumprirmos as regras, temos também de atentar em quem não cumpre? Suponho que essa crítica vem, também, de gostar de pensar que os outros me dão algum espaço de manobra, caso eu erre. E vem, claro, de eu estar a dá-lo aos outros - constantemente.

Devo dizer com honestidade que não concebo melhor local que as nossas estradas para treinar tropas de elite para missão no estrangeiro. Lograr uma condução bem feita pelas estradas portuguesas, com gente que salta para a estrada quando quer, que não faz sinal quando vira, que deixa os carros estacionados pelo meio da estrada, que ultrapassa violentamente, em que há estradas e estradinhas mal iluminadas, sem espaço, marcas apagadas no chão, uma sinalética que não é 100% fiável, e tendo sobretudo (falo com a esperança de um amador esforçado) tanto veterano condutor que não tem paciência, simplesmente. Pior que os mais jovens. Não sei bem de que lhes serve a idade.

A verdade é que, com grande perigo, a estrada serve como escoadouro de frustrações, de violências contidas. Eu sempre soube isso, e por isso mesmo não queria tirar a carta. É que, muito simplesmente, o acto de condução, bem feito, é por si só complexo o suficiente para não estar a ser feito num "hunting ground", com gente tão imprevisível, com velocidades, códigos, tão diferentes. Sobretudo, as cidades, das 18 às 20h, nos meses, como agora, em que já é de noite, são terríveis. Há momentos de selvajaria pura.

It's a jungle out there, meus caros. Por mais prevenções que a gente tome. O pior é se, mesmo assim, ainda fazemos algum erro terrível, algo que atormente a nossa consciência (os que a têm). É que parece que, mesmo que exijamos tanto de nós, a estrada portuguesa é um perigo constante, e virtualmente indomável. Parece não haver no horizonte o dia em que possamos dizer "Ok, tenho a experiência suficiente. Daqui em diante isto para mim é canja. Já não preciso de andar sempre de olho vivo, stressado.". Há sempre uma criança, um velhote, uma passadeira, um sinal, um otário. Sobretudo, há sempre um otário.

Socrates

Apenas algumas notas sobre a entrevista de ontem:

- Coitado do Nicolau Santos nem sabe onde se mete, tão forte no Expresso e tão fraco na TV;
- o Ricardo Costa dava a sensação de ter as perguntas combinadas com o PM, para o fim lá tentou mostrar alguma independência, mandando algumas bocas à socapa, mas Socrates dizia três vezes "posso falar" e ele acanhava-se logo;
- Sócrates tem aquela atitude de "ou me deixam falar ou levam já um murro";
- Sócrates fala como se tivesse a ler um template de power point, vai enunciando três medidas em cada área e chuta para a frente;
- O PM tem descaramento, o à vontade com que mentiu sobre os certificados de aforro é espantoso;
- Sócrates já se apercebeu como tem que lidar com jornalistas e oposição, principalmente, quando colocam em causa o seu passado, eleva a voz, mostra-se sem medo, e adopta uma atitude à Major Valentim " quantos são". A agressividade é tanta que quem vê de fora pensa, " não, se fosse verdade o que diziam dele ele andava pianinho".
- O nosso PM está desfocado, já não vê o país real, o caso da educação onde se dá baldas e ele vê um aumento da exigência é paradigmático.

- Mas o que me preocupa mais são os comentadores, que pobreza, o titulo do expresso online é elucidativo " Ele safou-se".

Isto está bonito está, o PS neste momento já mandou a sua maioria absoluta ao ar, não há alternativas no PSD; o PP sempre que faz boa oposição tem um título de jornal no dia a seguir a falar sobre escutas de casinos e sobreiros. Não me digam que o Louçã ainda chega ao governo e vai ser a muleta a partir de 2009? Já estou a tremer.

domingo, fevereiro 17, 2008

De Humanis Corporis Fabrica

Face às capacidades que temos que desenvolver na Vida Moderna, às literacias que adquirimos (leitura, teelvisão, PC, telemóvel, Internet, condução, etc.), tendemos a esquecer o fundamental, o biológico, o corpo humano, que ainda é a mesma máquina de há séculos. É quase como se, nestes tempos intelectualizados, e em que parece haver pouco Amor, o Corpo tenha razões que a Razão desconhece.

Tirar o Tapete

Talvez o problema da minha geração, a falta de sonho, empreendedorismo, golpe de asa, será, à falta de um comodismo nunca antes possível aos portugueses, a desilusão com as gerações mais velhas. Não houve muitos portugueses a "puxarem o nível para cima", a darem o exemplo, que me lembre. Demasiados, porém, foram os exemplos daqueles que só pensam em "tratar da sua vidinha", nos últimos anos. Que lixaram o Estado (a nós), a sua empresa, os seus empregados, os seus eleitores, que racionalizaram faltas de amizade, e que não têm qualquer orgulho ou prazer em ser português, por mais que vivam cá, que querem somente "estar por cima", com os "seus". Telejornal após telejornal após telejornal.

É como se, à minha geração tivesse sido tirado o tapete. Velhos pouco generosos, jovens cínicos. A solução: a economia, o dinheiro, os empregos. Só isso? Nada mais?

Policiamento de Proximidade (À Parvoíce)

Hoje numa bomba de gasolina, um polícia estaciona à frente da loja, as marcas delimitam 4 lugares. Quando sai do carro, com uma energia fiscalizadora, a primeira coisa que diz, como um disparo, é ao homem do jipe que estacionara ao seu lado para mudar o veículo. Parece que estava com meia roda no lugar de deficientes. Já se sabe que os há tantos, por aquela estrada deserta, e a pararem naquela bomba. E depois teriam dificuldade com aquela meia roda: o homem podia demorar-se ainda uns 5 minutos, não podendo vislumbrar a situação senão a 2 metros da dita, por meio de um enorme vidro transparente. Uma situação de perigo à espera de acontecer, portanto. É para estas coisas que servem os nossos afoitos agentes policiais.

Será das botas, pergunto-me? Eu também não gostaria de andar todo o dia com aquelas botas (era um GNR). Porque anda tanto polícia com esta postura irritada? De zelar pelo ridículo e chamar-lhe lei? Proteger o cidadão? Duvido. Um polícia sem bom-senso é um autómato. Um polícia que precinde de bom-senso é um pequeno ditador, e são esses que dão razão aos argumentos contra eles. Esse espírito de "caça ao homem" devia ser evitado, em primeiro lugar, pelos próprios polícias. Felizmente acho que ainda são muitos os dotados de bom-senso.

O rapaz do jipe, com um ar "boa onda" - de surfista, se não estivéssemos no meio do Ribatejo - lá retirou o carro, meio estupefacto, mas guardando o sentimento para si. Faz ele bem. São estes repentes de fiscalização fascizante, que se multiplicam pela nossa sociedade, com tantas pequenas formas, que fazem de Portugal não um país que mata - mas que mói bastante.

A Ironia

A ironia de o meu leitor de mp3 da Creative (vamos chamar-lhe iPod para que todos percebam) deixar de funcionar, as teclas não responderem mais ao toque, quando no ecrã, congelado, a próxima música a tocar era "You Can´t Touch This" de MC Hammer.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Torga

Se não se pode ir ao Campo, por contingências, deixá-lo então vir ter connosco. Na forma de poesia de Torga, porque não? E então já nem é só uma lição de Campo - é uma lição de Vida.

Canção do Semeador


Na terra negra da vida,
Pousio do desespero,
É que o Poeta semeia
Poemas de confiança.
O Poeta é uma criança
Que devaneia.

Mas todo o semeador
Semeia contra o presente.
Semeia como vidente
A seara do futuro,
Sem saber se o chão é duro
E lhe recebe a semente.

Miguel Torga (1907-1995)


Bucólica


A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga (1907-1995)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A Maldição Pedro Oliveira

Por curiosidade, constato que a maior parte dos amigos com quem mais estou nestes dias é benfiquista. Não seria preciso ir mais longe que os próprios co-autores deste blog. A minha lucidez analítica de sportinguista não sabe exactamente porquê - serão efectivamente mais, suponho (raios!).

Vou, por isso, aproveitar para, amigavelmente, lançar uma maldição ao Benfica. Só por amizade. Bom, não é exactamente uma maldição - mais bem é uma previsão, que deve inclusive agradar a muito benfiquista. Nem eu preciso de ser anti-benfiquista para ser sportinguista, felizmente (nos jogos é cada um para seu lado - e aviso já que sou muito mais sportinguista quando stressado ou provocado). Sou até bastante moderado - e às vezes, supremo crime, perfeitamente indiferente ao futebol nacional.

A maldição decorre de uma análise das coisas que suplanta o futebol. Pois bem, fica escrito neste blog, neste dia, a esta hora (ver abaixo), que Pedro Oliveira cunhou esta previsão:

O Benfica só voltará a uma final da Liga dos Campões quando apenas uma equipa portuguesa puder ir a essa competição

Está enunciado. Ensaio de justificação: decorre da psique benfiquista que é necessário, primeiro, limpar a frente interna, doméstica, para então conseguir a expansão. O modelo existente favorece, claramente, as aspirações de Sporting e Porto, e prejudica o Benfica. O modelo de Taça dos Clubes Campeões Europeus seria muito mais favorável à natureza do Benfica.

Quando eu falo de aspirações do Sporting na Liga dos Campeões - bom... faço-o por cortesia com o meu clube. O Sporting, também pela sua natureza, não está talhado para ir muito longe nessa competição específica (já uma Taça da Liga, doméstica, é perfeita para ser coutada leonina - ok, eu percebo a diferença. É preciso é ganharem das outras e cá estaremos para os campeonatos). De essa capacidade julgarão alguns os dois clubes. Mas, pessoalmente, eu tenho orgulho, como sportinguista, nos jogadores que o meu clube consegue formar, no seu desenvolvimento de talento, e, nos melhores anos, numa estética de jogo que suplanta o resultado final (riam-se à vontade).

O que me interessa realmente é verificar se esta maldição se verifica. E reparem que eu digo "final", porque ganhá-la é mexer com uma maldição que precede a minha, e eu quanto a essa anda posso fazer. Não se esqueçam, pois, deste post. Ah, e, já agora, peço somente o favor de remeterem como autor, algum dia, desta inusitada opinião.

"Dá-lhe Falâncio!"

Faltava, apesar de tudo, neste blog. Alguns bons momentos (nestes clips há pormenores geniais - veja-se a ideia para a Campanha Agrícola do séc. XXI no Alentejo) merecem o convite a Neto e Falâncio para o Generosità, que tem a mania de ser da reacção. É favor mandar as crianças para a cama - a linguagem pode ter contornos revolucionários (dispensáveis na parte do fado, mas é o ardor da luta).



É preciso ir para o Governo - mudar o rumo deste país. E o das nossas contas bancárias.

Nota: repare-se na alegria e cooperação de Falâncio ao ser levado pelo segurança no treino de Portugal. É que, por alguma razão, o homem era discriminado - os seguranças têm uma apetência especial pelo Neto/Jel. A reacção quando nasce não é para todos.

Tempo

Há coisas que me espantam, verdadeiramente, na vida. Algumas obras de Miguel Ângelo, por exemplo. O seu Moisés, a sua Pietà, a sua Capela Sistina, o seu David. Mas, talvez quase tanto, é o facto de, tendo feito tão glorioso trabalho, e tornando-se mítico, por exemplo, o seu esforço físico ao pintar a Capela Sistina, tenha vivido quase 90 anos (!). Incrível.

"Olha, Desculpa Lá..."

Foi ainda esta semana. Tinha apenas regressado a Lisboa, começado a revisitar de rotinas. Levantar mais cedo, comprar bilhete de metro, almoçar no café, e ter a inteligência ofendida ao comprar o bilhete de volta. Sim, eu sei que fui eu que me meti na parte de trás das máquinas, mais resguardada, ao jeito deles. Apeteceu-me. "É que falta-me dinheiro para o bilhete, se não te importasses...". Depois do meu sermão, o desabafo ao calor (andara um belo esticão ao sol), já era "ando na metadona". 70 cêntimos. Só não recusei em absoluto porque seria também soberba. Também não trabalho ainda, não faço dinheiro, não tenho a legitimidade completa. Hoje era o tal dia cada 2 meses em que eu pagava alguma soberba. Tiveste sorte. "Desculpa lá". "Não tenho nada a desculpar. O problema é teu". Voltei as costas, subi para o metro.

Compromisso: sermão até ele torcer por vergonha, mas 70 cêntimos consentidos. Estou-me nas tintas para os 70 cêntimos, honestamente. Vejo alguns que desperdiçam dinheiro em hedonismos que eu não acompanho, e me vêm pregar "questão de princípio". É a sua puxada à Presidente dos EUA. Em vez de "este país não negoceia com terroristas", é "não se dá dinheiro a essa gente". A solenidade é a mesma. Ficam todos satisfeitos pela sua rigidez contra-intuitiva, com a SWAT ou os trocos ali à mão para provar a sabedoria.

Mais bem é falta de coração digo eu. Não são 70 cêntimos a quem está perdido que me compram um lugar no céu, é certo. Mas também não sei dizer que não todos os dias. Algures no meu sistema de débitos e créditos, um funcionário do Tesouro manda a mensagem para a "mainframe": "tudo bem, o sistema está carregado, suporta a perda." E o secretário de estado da Trouxice (que felizmente pouco faz neste Governo) assina o despacho. Vai à Assembleia. O líder da oposição, que tem o pelouro da Mesquinhice corrige: "tudo bem, desta passa. Mas só 70 cêntimos".

O princípio que mais me terá chateado foi o de orgulho ferido, talvez. Aquele "toni" nem sequer se perguntou, não disse a si mesmo "não, este está a jeito, mas é inteligente demais para a coisa... Não dá mesmo." É certo que há a sede estúpida de prazer, mas caramba: saibam escolher os vossos otários s.f.f.. Como é que é? Não, não soube, acreditem. Aqueles 70 cêntimos foram o esforço de um dia. "Então como é que foi o teu dia a pedinchar humilhantemente no metro, querido?". "Ehh..., não me digas nada mulher [descalça os sapatos]. Apanhei um gajo que devia voltar cansado ou qualquer coisa, para me dar 70 cêntimos parece que tinha morto alguém, ó caraças. E ainda disse que tinha tido sorte. Decidi que por hoje chegava, era mau dia". "É assim, Nico, já se sabe... Há aí gente sem educação nenhuma".

De futuro exijo, como cliente pagante (de 70 cêtimos cada 2 meses), variedade. Não chega sempre a mesma frase repetida por todos. Já sei que "a velha" está no hospital, coitada. E que "falta só X para o bilhete", que coincidência. Já terei algumas saudades do "para comer"... Da próxima quero algo como "estou com uma granda fezada que é desta que ganho o Euromilhões", "preciso de mais moedas para estacionar a nave espacial. Aqueles gajos da EMEL são lixados", "pretendo fazer uma Lisboa em miniatura com moedas de 50 cêntimos", ou mesmo "é que tenho ali uma miúda... sabes como é. Precisava de uma moeda pra fazermos à sorte quem fica por cima".

Arcaica Força Centrípeta

A propósito da música que faz o último, brilhante, post do Edu neste blog, leio no comentário do utlizador que o colocou no YouTube:

"It's about different generations in Quebec and what kind of life possibilities they had. I suppose it could apply to anywhere but the transition in Quebec from Catholic backwater to liberal modernity was particularly quick and harsh".

Não posso deixar de me rir interiormente. Faz lembrar outro país que a gente sabe, não?

Cruzo o pensamento com o Rio das Flores, de Miguel Sousa Tavares. Tenho constatado que, ao longo dos meus tempos, a maior parte das pessoas não é capaz de perceber essa obsessão telúrica, quase vertigem, dos seus avós. Mesmo os que ainda conheceram os avós do campo. É certo que o país era atrasado, e é certo que para muitas pessoas não havia, em muitos casos, outra hipótese que não perseguir essa vida rural. Mas o ser humano era, por muito que nos custe, tal como hoje. E alguma razão haveria de ter.

Quando passar o complexo surgido num cosmopolitismo balofo a uma ditadura paternalista e rural, como a salazarista, as pessoas ainda um dia vão perceber esse sentimento. E o sentimento de liberdade e independência absoluta que ser "landowner" dá. Alas, para tantos deles, tarde demais. Andam mais entretidos em jogar as Liasons Dangereuses da vida (e de algum modo contra mim falo também...).

Mas, voltando a Sousa Tavares, ele sempre percebeu esse sentimento da sua infância, em parte, campesina. E aproveitou-o bem para este romance. É que a coisa, está visto, vem de muito, muito longe. E parece que não vai mudar assim tão cedo, também - que este música vem de algum lado. Desde os Sem-Terra brasileiros à Tara de Scarlett, haverá por aí sempre gente a sonhar com essa vida.



É que da Babilónia, ao contrário do que eles pensam, também está tudo visto e revisto. Há só variações de tema. Talvez o futuro ideal seja conjugar a universalidade e prazer intelectual do Cosmos com essa ruralidade e regularidade na vida, se pudermos. E, com boas estradas, Internet, Tv Cabo ao nosso dispor, há sempre isolamento que se perde, há sempre mundo que se ganha. Estes tempos, malgrado a nossa desenvolvida depressão, são dos melhores que a Humanidade tem vivido, meus caros. Volto ao senhor Flaiano, deste post, que dizia que
quando "l'uomo non ha più freddo, fame e paura è scontento". Aproveitem cada dia. Non si sai mai.

Dégénérations




Ton arrière-arrière-grand-père, il a défriché la terre
Ton arrière-grand-père, il a labouré la terre
Et pis ton grand-père a rentabilisé la terre
Pis ton père, il l'a vendue pour devenir fonctionnaire

Et pis toi, mon p'tit gars, tu l'sais pus c'que tu vas faire
Dans ton p'tit trois et demi bien trop cher, frette en hiver
Il te vient des envies de devenir propriétaire
Et tu rêves la nuit d'avoir ton petit lopin de terre

Ton arrière-arrière-grand-mère, elle a eu quatorze enfants
Ton arrière-grand-mère en a eu quasiment autant
Et pis ta grand-mère en a eu trois c'tait suffisant
Pis ta mère en voulait pas ; toi t'étais un accident

Et pis toi, ma p'tite fille, tu changes de partenaire tout l'temps
Quand tu fais des conneries, tu t'en sauves en avortant
Mais y'a des matins, tu te réveilles en pleurant
Quand tu rêves la nuit d'une grande table entourée d'enfants

Ton arrière-arrière-grand-père a vécu la grosse misère
Ton arrière-grand-père, il ramassait les cennes noires
Et pis ton grand-père - miracle ! - est devenu millionnaire
Ton père en a hérité, il l'a tout mis dans ses RÉERs

Et pis toi, p'tite jeunesse, tu dois ton cul au ministère
Pas moyen d'avoir un prêt dans une institution bancaire
Pour calmer tes envies de hold-uper la caissière
Tu lis des livres qui parlent de simplicité volontaire

Tes arrière-arrière-grands-parents, ils savaient comment fêter
Tes arrière-grands-parents, ça swignait fort dans les veillées
Pis tes grands-parents ont connu l'époque yé-yé
Tes parents, c'tait les discos ; c'est là qu'ils se sont rencontrés

Et pis toi, mon ami, qu'est-ce que tu fais de ta soirée ?
Éteins donc ta tivi ; faut pas rester encabané
Heureusement que dans' vie certaines choses refusent de changer
Enfile tes plus beaux habits car nous allons ce soir danser...

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Um Lema Para Portugal

A propósito do post anterior, visitar este blog, de Beppe Severgnini, que anda à procura de um lema para o seu país. Aliás, ao que ele diz, foi ele que criou o "L'Italia è una repubblica fondata sullo stage", remodelação irónica do artigo 1 da constituição italiana, "L'Italia è una repubblica democratica fondata sul lavoro". Está na letra da pungente música de Christicchi (já apresentado neste blog) "laureata precaria" (basicamente, "licenciada a recibos verdes"):

"(...)
L’Italia è una Repubblica fondata sullo Stage

Corsi di formazione, Master e New Age
I licenziamenti sono all’ordine del giorno
Avere un posto fisso è come fare Terno al Lotto…
(...)"

(não há vídeo no YouTube, só estas gravações).

Mas voltando ao blog, e antes de entrar nas outras sugestões para Itália, pausa só para as preciosidades que o Herald Tribune recolheu para o Reino Unido (daí vem o desafio de Severgnini):

"One mighty empire, slightly used"

"We apologize for the inconvenience"

"No motto, please - we're british", d'aprés o célebre "No sex, please - we're british"

Então e para Itália? Eis as primeiras sugestões:

"L'onestità è un optional" ("A honestidade é um extra")

"Non si sai mai" ("Nunca se sabe", ou "Nunca fiando")

"Libera curva in libero stadio" (tomado emprestado do "Livre Igreja em livre Estado" pelos amantes do futebol)

"Uno per uno, Tutti distrutti." ("Um por um, Todos destruídos", remetendo para a individualidade egotista, "trademark" italiana. Hiperbolizando poder-se-ia dizer que um italiano só pára de ser egoísta se obrigado. A sua liberdade acaba onde choca de frente com a do outro. Não há cá "sociedades").

E, pergunto eu, um lema para Portugal? Ou, melhor, um lema para os portugueses?

A Situação é Deseperada, Mas Não é Grave

Diz Maurizio Costanzo (também não conheço) num livro que anda por aí: "Un paese anormale: l'Italia che non ci piace", que pertence ao jornalista Ennio Flaiano (idem, mas se se derem ao trabalho, este senhor tem algumas frases excelentes, "à la Millôr") a frase: "La situazione è disperata ma non grave".

Realmente, com as peripécias da política italiana (dou comigo a invejar a Espanha na sua tranquilidade democrática, de legislaturas para cumprir, no meio destes dois insanos países verticais), não há frase que se lhes aplique melhor. A situação é desesperada, mas não grave. E, se nós tivéssemos alguma lucidez, quem sabe, acabaríamos a dizer o mesmo de algumas coisas por cá.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

A Luxúria do Pensamento

Santo Agostinho de Hipona escreveu algures sobre o "eros da mente". Referia-se ao desejo da mente humana de compreender, de tornar os fenómenos inteligíveis. De alguma forma, de usar a surpresa causada por uma situação para a poder prever no futuro, acrescento eu (alguém o terá dito antes, seguramente...).

A luxúria do pensamento, a paixão por perceber, o prazer intelectual que daí advém é, parece-me, um bom pilar para uma vida (digamos que há luxúrias bem piores e menos úteis). E, claro, é tão boa justificação para este blog como qualquer outra.