sexta-feira, fevereiro 01, 2008

"Olha, Desculpa Lá..."

Foi ainda esta semana. Tinha apenas regressado a Lisboa, começado a revisitar de rotinas. Levantar mais cedo, comprar bilhete de metro, almoçar no café, e ter a inteligência ofendida ao comprar o bilhete de volta. Sim, eu sei que fui eu que me meti na parte de trás das máquinas, mais resguardada, ao jeito deles. Apeteceu-me. "É que falta-me dinheiro para o bilhete, se não te importasses...". Depois do meu sermão, o desabafo ao calor (andara um belo esticão ao sol), já era "ando na metadona". 70 cêntimos. Só não recusei em absoluto porque seria também soberba. Também não trabalho ainda, não faço dinheiro, não tenho a legitimidade completa. Hoje era o tal dia cada 2 meses em que eu pagava alguma soberba. Tiveste sorte. "Desculpa lá". "Não tenho nada a desculpar. O problema é teu". Voltei as costas, subi para o metro.

Compromisso: sermão até ele torcer por vergonha, mas 70 cêntimos consentidos. Estou-me nas tintas para os 70 cêntimos, honestamente. Vejo alguns que desperdiçam dinheiro em hedonismos que eu não acompanho, e me vêm pregar "questão de princípio". É a sua puxada à Presidente dos EUA. Em vez de "este país não negoceia com terroristas", é "não se dá dinheiro a essa gente". A solenidade é a mesma. Ficam todos satisfeitos pela sua rigidez contra-intuitiva, com a SWAT ou os trocos ali à mão para provar a sabedoria.

Mais bem é falta de coração digo eu. Não são 70 cêntimos a quem está perdido que me compram um lugar no céu, é certo. Mas também não sei dizer que não todos os dias. Algures no meu sistema de débitos e créditos, um funcionário do Tesouro manda a mensagem para a "mainframe": "tudo bem, o sistema está carregado, suporta a perda." E o secretário de estado da Trouxice (que felizmente pouco faz neste Governo) assina o despacho. Vai à Assembleia. O líder da oposição, que tem o pelouro da Mesquinhice corrige: "tudo bem, desta passa. Mas só 70 cêntimos".

O princípio que mais me terá chateado foi o de orgulho ferido, talvez. Aquele "toni" nem sequer se perguntou, não disse a si mesmo "não, este está a jeito, mas é inteligente demais para a coisa... Não dá mesmo." É certo que há a sede estúpida de prazer, mas caramba: saibam escolher os vossos otários s.f.f.. Como é que é? Não, não soube, acreditem. Aqueles 70 cêntimos foram o esforço de um dia. "Então como é que foi o teu dia a pedinchar humilhantemente no metro, querido?". "Ehh..., não me digas nada mulher [descalça os sapatos]. Apanhei um gajo que devia voltar cansado ou qualquer coisa, para me dar 70 cêntimos parece que tinha morto alguém, ó caraças. E ainda disse que tinha tido sorte. Decidi que por hoje chegava, era mau dia". "É assim, Nico, já se sabe... Há aí gente sem educação nenhuma".

De futuro exijo, como cliente pagante (de 70 cêtimos cada 2 meses), variedade. Não chega sempre a mesma frase repetida por todos. Já sei que "a velha" está no hospital, coitada. E que "falta só X para o bilhete", que coincidência. Já terei algumas saudades do "para comer"... Da próxima quero algo como "estou com uma granda fezada que é desta que ganho o Euromilhões", "preciso de mais moedas para estacionar a nave espacial. Aqueles gajos da EMEL são lixados", "pretendo fazer uma Lisboa em miniatura com moedas de 50 cêntimos", ou mesmo "é que tenho ali uma miúda... sabes como é. Precisava de uma moeda pra fazermos à sorte quem fica por cima".

Arcaica Força Centrípeta

A propósito da música que faz o último, brilhante, post do Edu neste blog, leio no comentário do utlizador que o colocou no YouTube:

"It's about different generations in Quebec and what kind of life possibilities they had. I suppose it could apply to anywhere but the transition in Quebec from Catholic backwater to liberal modernity was particularly quick and harsh".

Não posso deixar de me rir interiormente. Faz lembrar outro país que a gente sabe, não?

Cruzo o pensamento com o Rio das Flores, de Miguel Sousa Tavares. Tenho constatado que, ao longo dos meus tempos, a maior parte das pessoas não é capaz de perceber essa obsessão telúrica, quase vertigem, dos seus avós. Mesmo os que ainda conheceram os avós do campo. É certo que o país era atrasado, e é certo que para muitas pessoas não havia, em muitos casos, outra hipótese que não perseguir essa vida rural. Mas o ser humano era, por muito que nos custe, tal como hoje. E alguma razão haveria de ter.

Quando passar o complexo surgido num cosmopolitismo balofo a uma ditadura paternalista e rural, como a salazarista, as pessoas ainda um dia vão perceber esse sentimento. E o sentimento de liberdade e independência absoluta que ser "landowner" dá. Alas, para tantos deles, tarde demais. Andam mais entretidos em jogar as Liasons Dangereuses da vida (e de algum modo contra mim falo também...).

Mas, voltando a Sousa Tavares, ele sempre percebeu esse sentimento da sua infância, em parte, campesina. E aproveitou-o bem para este romance. É que a coisa, está visto, vem de muito, muito longe. E parece que não vai mudar assim tão cedo, também - que este música vem de algum lado. Desde os Sem-Terra brasileiros à Tara de Scarlett, haverá por aí sempre gente a sonhar com essa vida.



É que da Babilónia, ao contrário do que eles pensam, também está tudo visto e revisto. Há só variações de tema. Talvez o futuro ideal seja conjugar a universalidade e prazer intelectual do Cosmos com essa ruralidade e regularidade na vida, se pudermos. E, com boas estradas, Internet, Tv Cabo ao nosso dispor, há sempre isolamento que se perde, há sempre mundo que se ganha. Estes tempos, malgrado a nossa desenvolvida depressão, são dos melhores que a Humanidade tem vivido, meus caros. Volto ao senhor Flaiano, deste post, que dizia que
quando "l'uomo non ha più freddo, fame e paura è scontento". Aproveitem cada dia. Non si sai mai.

Dégénérations




Ton arrière-arrière-grand-père, il a défriché la terre
Ton arrière-grand-père, il a labouré la terre
Et pis ton grand-père a rentabilisé la terre
Pis ton père, il l'a vendue pour devenir fonctionnaire

Et pis toi, mon p'tit gars, tu l'sais pus c'que tu vas faire
Dans ton p'tit trois et demi bien trop cher, frette en hiver
Il te vient des envies de devenir propriétaire
Et tu rêves la nuit d'avoir ton petit lopin de terre

Ton arrière-arrière-grand-mère, elle a eu quatorze enfants
Ton arrière-grand-mère en a eu quasiment autant
Et pis ta grand-mère en a eu trois c'tait suffisant
Pis ta mère en voulait pas ; toi t'étais un accident

Et pis toi, ma p'tite fille, tu changes de partenaire tout l'temps
Quand tu fais des conneries, tu t'en sauves en avortant
Mais y'a des matins, tu te réveilles en pleurant
Quand tu rêves la nuit d'une grande table entourée d'enfants

Ton arrière-arrière-grand-père a vécu la grosse misère
Ton arrière-grand-père, il ramassait les cennes noires
Et pis ton grand-père - miracle ! - est devenu millionnaire
Ton père en a hérité, il l'a tout mis dans ses RÉERs

Et pis toi, p'tite jeunesse, tu dois ton cul au ministère
Pas moyen d'avoir un prêt dans une institution bancaire
Pour calmer tes envies de hold-uper la caissière
Tu lis des livres qui parlent de simplicité volontaire

Tes arrière-arrière-grands-parents, ils savaient comment fêter
Tes arrière-grands-parents, ça swignait fort dans les veillées
Pis tes grands-parents ont connu l'époque yé-yé
Tes parents, c'tait les discos ; c'est là qu'ils se sont rencontrés

Et pis toi, mon ami, qu'est-ce que tu fais de ta soirée ?
Éteins donc ta tivi ; faut pas rester encabané
Heureusement que dans' vie certaines choses refusent de changer
Enfile tes plus beaux habits car nous allons ce soir danser...

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Um Lema Para Portugal

A propósito do post anterior, visitar este blog, de Beppe Severgnini, que anda à procura de um lema para o seu país. Aliás, ao que ele diz, foi ele que criou o "L'Italia è una repubblica fondata sullo stage", remodelação irónica do artigo 1 da constituição italiana, "L'Italia è una repubblica democratica fondata sul lavoro". Está na letra da pungente música de Christicchi (já apresentado neste blog) "laureata precaria" (basicamente, "licenciada a recibos verdes"):

"(...)
L’Italia è una Repubblica fondata sullo Stage

Corsi di formazione, Master e New Age
I licenziamenti sono all’ordine del giorno
Avere un posto fisso è come fare Terno al Lotto…
(...)"

(não há vídeo no YouTube, só estas gravações).

Mas voltando ao blog, e antes de entrar nas outras sugestões para Itália, pausa só para as preciosidades que o Herald Tribune recolheu para o Reino Unido (daí vem o desafio de Severgnini):

"One mighty empire, slightly used"

"We apologize for the inconvenience"

"No motto, please - we're british", d'aprés o célebre "No sex, please - we're british"

Então e para Itália? Eis as primeiras sugestões:

"L'onestità è un optional" ("A honestidade é um extra")

"Non si sai mai" ("Nunca se sabe", ou "Nunca fiando")

"Libera curva in libero stadio" (tomado emprestado do "Livre Igreja em livre Estado" pelos amantes do futebol)

"Uno per uno, Tutti distrutti." ("Um por um, Todos destruídos", remetendo para a individualidade egotista, "trademark" italiana. Hiperbolizando poder-se-ia dizer que um italiano só pára de ser egoísta se obrigado. A sua liberdade acaba onde choca de frente com a do outro. Não há cá "sociedades").

E, pergunto eu, um lema para Portugal? Ou, melhor, um lema para os portugueses?

A Situação é Deseperada, Mas Não é Grave

Diz Maurizio Costanzo (também não conheço) num livro que anda por aí: "Un paese anormale: l'Italia che non ci piace", que pertence ao jornalista Ennio Flaiano (idem, mas se se derem ao trabalho, este senhor tem algumas frases excelentes, "à la Millôr") a frase: "La situazione è disperata ma non grave".

Realmente, com as peripécias da política italiana (dou comigo a invejar a Espanha na sua tranquilidade democrática, de legislaturas para cumprir, no meio destes dois insanos países verticais), não há frase que se lhes aplique melhor. A situação é desesperada, mas não grave. E, se nós tivéssemos alguma lucidez, quem sabe, acabaríamos a dizer o mesmo de algumas coisas por cá.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

A Luxúria do Pensamento

Santo Agostinho de Hipona escreveu algures sobre o "eros da mente". Referia-se ao desejo da mente humana de compreender, de tornar os fenómenos inteligíveis. De alguma forma, de usar a surpresa causada por uma situação para a poder prever no futuro, acrescento eu (alguém o terá dito antes, seguramente...).

A luxúria do pensamento, a paixão por perceber, o prazer intelectual que daí advém é, parece-me, um bom pilar para uma vida (digamos que há luxúrias bem piores e menos úteis). E, claro, é tão boa justificação para este blog como qualquer outra.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Estilos de vida





"Success is so forbidding
But it makes me think I'm winning
Quiet
Dim the lights
Adopt another lifestyle"


Perdido entre uma sempre turbulenta época de exames, habituais burocracias típicas da Lusófona e demais obrigações pessoais, opções foram feitas ainda que de forma inconsciente ou irreflectida pelo frenesim constante dos dias.
O equilíbrio perdeu se, para trás ficaram o desporto e a escrita outrora indispensáveis, quase sagrados. Salvou se apenas a leitura, que do mal o menos, felizmente resistiu.
E o corpo ressentiu se das noites sem dormir, do trabalho exagerado, da insana vontade de fazer tudo depressa e bem.
"É altura de mudar o estilo de vida"; disse o médico, amigo pessoal e conheçedor da minha vida de estudante universitário.

E como depois da tempestade se costuma avizinhar a bonança, sobre muitas formas se pode expressar esta. Agora situa se nos espaços da possibilidade de uma viagem a Itália. Vamos ver.

Estou de volta, e agora vou dormir (ordens do médico!).

Estes Italianos


Só conhecendo bem a idiossincracia dos italianos e, principalmente, dos seus políticos se compreende na plenitude estas atitudes.
Prodi, lider fraco, lá se foi... será que volta? Talvez... estamos em Itália.

Shot 11

O governo decidiu alterar as regras dos certificados de aforro. Tive analisar o prospecto e ainda estou incrédulo. A maior fonte de investimento/poupança da classe média leva um rombo sem nome. E chamam a isto um governo socialista... já estou a ver como o défice vai ser controlado para o ano, tantos estudos e depois fazem contas de merceeiro para ajustar valores, uma vergonha.
Se o PSD fosse inteligente creio que esta seria uma das grandes bandeiras em que devia pegar em vez de estar preocupado com assuntos de lana caprina. Eu confesso que tenho pena de acertar tanto. Nunca dei o benefício de dúvida a Santana, como nunca o dei a Menezes. Ambos confirmaram e confirmam que o PSD bateu no fundo.
O PP tem feito a melhor oposição de que me lembro nos últimos 10 anos, não passa uma. Chama com acuidade ao Parlamento o cowboy da ASAE, toca na ferida do fanatismo fiscal, defende os efeitos nefastos de algumas medidas estruturais para a classe média, em suma, se pegassem nesta questão dos certificados estariam mesmo atingir a excelência. Só é pena que a comunicação social portuguesa seja tão esquerdolha e não realce suficientemente o mérito de quem o tem. Aposto que se fosse o Bloco de Esquerda a fazer um décimo do que o PP tem feito era levado ao colo pelos jornalistas.
Sócrates (leia-se governo), ultimamente, tem feito asneira atrás de asneira, apesar de algumas sondagens serem optimistas, e mesmo com um Menezes fraquíssimo, estou convencido de que neste momento se houvessem eleições Sócrates ganhava mas sem maioria absoluta, o que no seu caso é dificil, Sócrates só sabe governar sozinho e aí é que eu queria ver...
Acorda PSD, acorda... esta é das últimas oportunidades para fazer a diferença e mostrar que ainda há factores distintivos entre os dois partidos... se nada fizerem, o meu voto calma e conscientemente deslizará mais para a direita.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Pausa: King of The Bongo

E às tantas andamos rezingões (diz que é dos exames). Na verdade, só precisamos de um pouco de sol e de música. "Descojonar, tío!" como dizem os espanhóis. E que tal esta versão de Robbie Williams (de quem nem sou especial fã) da música de fusão de Manu Chao? Talvez não à primeira, mas ficou mais interessante, é a minha opinião. Pena não haver videoclip, para ter que aturar esta colagem de outros clips do dito (blargh...). O visionamento, desta vez, é perfeitamente dispensável.


A Quadratura do Círculo

A quadratura do círculo é um problema muito antigo para os geómetras. O desafio seria construir um quadrado com a mesma área do círculo, com um número finito de passos, usando somente regra e esquadro. Tal feito foi provado impossível, porque o número π não é um número algébrico, pertence antes à categoria dos números ditos transcendentais, como o célebre e. Escapa-me a matemática, claro (sempre me escapou), mas ficou-me a metáfora de empresa impossível. Ou antes, talvez, a de empresa aparentemente, quase concludentemente, impossível - mas de que nós suspeitamos haver uma ínfima possibilidade de ser conseguida. Esse desafio entreteve muito matemático na busca da dita solução. E as provas que vamos tendo na vida, de impossibilidades que julgávamos absolutas, mas que o não são tanto, na verdade, levam-nos a suspeitar, às vezes, que andam por aí mais "quadraturas de círculo" que afinal são bem mais possíveis que aquilo que pensávamos. E, às vezes, pode ser que o que aparenta ser um juízo objectivo, seja na realidade uma prisão mental - seja uma barreira psicológica, mais do que física.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Quelle Vulgarité!



Bela actuação de Fiorello, talvez o mais popular cómico italiano destes dias, imitando Carla Bruni. Afinal também os italianos criticam os franceses pelo seu nariz empinado: "Che vulgarità!". E também chamam à atenção a sua "estrangeirada" a Paris, para não se "armar" demasiado (embora nutram por ela um secreto fascínio...). O vídeo é de 2004, bem antes do fenómeno actual. Brilhante o tocar de viola com a sobrancelha e os pêlos do nariz. Se se é francês é-se elegante - não se toca com a mão! Seria "vulgarité".

Shot 10

Era insuportável ouvi-lo comentar jogos de futebol nacional, o seu portismo primário era abjecto. Não era um jornalista que se podia dizer que era imparcial, antes pelo contrário, era daqueles que vestia a camisola. Era indiscritivel a sensação de mau estar que me causava ( eu que não gosto de ouvir e ver jogos sem som), principalmente, quando ouvia jogos por ele comentados nas Antas e mais tarde no Dragão. O seu nome era e é Rui Cerqueira, o jornalista da RTP. Já não o ouvia há algum tempo. Ontem percebi porquê. Agora é director de comunicação do Porto. Depois de tanto esforço teve o seu prémio. Que fique por lá e não volte.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Another One

E pronto. Mais um exame. Ah, mas ainda longe de me despedir deles nesta fase da vida, neste formato, com este sofrer.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Diz Que Faz Bem aos Dentes

Então o Chávez masca coca todos os dias (não sei porquê a suspresa...). E depois? Ao menos não é tabaco!

domingo, janeiro 20, 2008

O Sarkozy Português

Reparo que Menezes está a tentar ser o Sarkozy português. Pelo menos há uma estranha coincidência numa tentativa de transparência, que parece a quem está deste lado excessiva, uma revelação de intimidade bastante enjoativa. Só que no caso de Menezes, trata-se dos meandros do "bloco central", agora na praça pública ("ó mãe, o zé tem um banco e eu não!"), ao passo que com Sarkozy é a relação com Carla Bruni. Mas isso, suponho, deve ter a ver com a diferença de países. Embora - agora que penso nisso - com um gajo como o Ribau na direcção, esperar-se-ia algo mais.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Reality Show Menezes: Isto é Política

Janeiro 2008. Nave PSD, Capitão Menezes, cruzando o desconhecido. Log 00000001.



Menezes está, curiosamente, a procurar a transparência do partido. E eu nunca pensei dizer isto, mas... é demais! Essa transparência não interessa a nenhum português. É de quem não se enxerga. Primeiro vem reclamar lugares de compensação, para manter o equilíbrio de jobs - peço desculpa, de "cargos de confiança política". Depois vem dizer que o comentariozinho não está bem justinho, se a gente for lá ver benzinho. O Marcelo não é "ortodoxo", o Vitorino é. O Alegre não é, nem o Seguro. Mas ninguém os coloca lá, ah pois é!... (delicioso pormenor, de Menezes a sugerir Seguro para a Quadratura do Círculo porque "é mais jovem"). O "camarada" Pacheco Pereira também não é ortodoxo. Ora, estamos claramente a ser lixados. Quer dizer, dos nossos escolhem os desconfiados. Dos deles escolhem os atinados. Brincamos, não? É que isto salta à vista dos portugueses, que andam preocupadíssimos com isso.

"- Não vejo as coisas bem no emprego, Maria."
- Então?
- As encomendas não chegam, e o pessoal nota o Sr. Viegas com um ar estranho. Ele diz que a empresa é para continuar, mas...
- Mas o quê, Jorge?! Vão perder o emprego? [Jorge olha fixamente para o televisor]
- Pera. Isso é o Vitorino? Tira-me a tv daí fachavôr! Não posso com ele. Ele não é o meu PS. Esse gajo não estava lá no primeiro dia do congresso de 1995 em Regueira dos Vales. Lembro-me bem! Vá mas é pó [beeeeeeep]! Como é que é possível meterem este gajo na tv? Metam um Seguro, pá!
- Ó Jorge, deixa lá isso.
- Não me digas que isto não é importante para o nosso futuro!
- Para o nosso futuro? Se é o Vitorino que fala ou não?
- Sim!
- Claro que é, Jorge. Mas sabes que eu acho que o Alegre tem mais legitimidade que o Seguro. Afinal, ele era a "voz de Argel". E depois há a questão da barba. A barba... [continua com douta tese sobre a relação do pêlo facial com a doutrina marxista]"

Até parece que se ouve as pessoas a falar sobre isso todos os dias, caramba. Menezes deve deixar de lavar a roupa suja do PSD fora de casa. Eu até admito que eles possam ter essa opinião. Não concordo com ela, acho um receio estúpido, quase esquizofrénico face às reais questões a resolver. Mas que ficasse "em casa". Agora, andar a exibir isso pelos media, fazendo disso a intervençao política desta direcção, só a torna, essa sim, uma perfeita nódoa. Depois não se enpantem se alguém disser que nódoas dessas só saem com um pano embebido em directas antes de 2009. Que é para não estragar o fato todo.

"- Então e essas contratações de Inverno?
- Eh pá. Os gajos queriam um Alegre para a defesa, mas ele já tá em final de carreira.
- É mais seguro.
- Também gostava do Seguro, mas esse é mais arriscado. Muito jovem. Ainda se mexe muito a favor deles e nos lixa.
- Não, eu estava a dizer que o Alegre era mais seguro.
- Pois, Sócrates é que não é concerteza. Por isso é que a gente o queria.
- A nossa defesa é que anda uma miséria... Totalmente vendida ao adversário. O Marcelo, já se sabe: só tem jogo de cabeça.
- E o Pacheco? Esse primeiro que remate contra os gajos tem que passar sei lá quantas vezes ao adversário. Eu sempre disse pra gente não o ir buscar aos maoístas.
- É. O gajo agarra-se um bocado à bola. E tem a mania que joga em todas as posições.
- Vês um Coelho a jogar - é uma maravilha. Não há passe que atrasem que o gajo não chute prá frente. Vês um Vitorino, que, enfim, quem olha pra ele até pensa que ele também pode dar o seu quê de independente e tal, mas nada. Esta época tá impecável. Sem comprometer.
- Por isso é que eles, mesmo com um avançado fraquinho como o Sócrates, vão ganhando.
- Claro. Vê lá se eles jogam como nós, com um Menezes isolado e um Santana Lopes à mama. Não - tudo joga em equipa, claro.
- Eu acho que aquele puto das camadas jovens, como é que ele se chama? - o Ribau, devia jogar mais.
- Não sei se já tem estofo. Tem bons pormenores, lá isso tem, mas eu acho que ele tá naquela fase um bocado de deslumbrado "Ah, agora tou num grande" e tal. Esse quer é gajas boas comó milho.
- [risos]"

É como se tivéssemos a ver um "reality show" da política. Em directo da Casa PSD. "Uhhh... O Ângelo Correia tá a coçar o sovaco. Olha práquilo. Que horror... Nem consigo ver. Olha, anda cá João, depressa. Olha, o Menezes tá a falar no confessionário sobre os lugares na administração de empresas. E sobre os comentadores da RTP. E das privadas. Anda cá João, a sério. Esta gente não existe."

General Review of the Sex Situation

De novo em desacordo. De novo, malgrado, prestando homenagem.



General Review of the Sex Situation


Woman wants monogamy;
Man delights in novelty.
Love is woman's moon and sun;
Man has other forms of fun.
Woman lives but in her lord;
Count to ten, and man is bored.
With this the gist and sum of it,
What earthly good can come of it?

Dorothy Parker (1893-1967)

Encher Chouriço

Primeira página de "O Jogo" de hoje: "Sporting gastou 19,35 milhões no ataque em 8 anos". Revisitar do trabalho de Carlos Freitas. E, claro, surge-me a pergunta, absolutamente inevitável: e quanto, nesse período, não gastaram Porto e Benfica? Sim, que seja só para o ataque. Porque, passe a quantidade, alguns dos "dromedários" que Freitas foi buscar para o ataque nos últimos anos vieram a custo zero. Eis uma bela primeira página, realmente.

" - João, olha, afinal o Farías não pode dar a entrevista sobre como cultivar couves no relvado a partir do banco.
- Ai é?... Eh pá, mas isso era a nossa primeira página...
- Queres pôr alguma coisa sobre o recorde de Jesualdo de menos cuspidelas dos jogadores numa época?
- Hum... talvez não. Olha, e se fôssemos bater mais naquele badocha do Sporting, o dos óculos foleiros?
- O Freitas? Boa! Mas como?
- Eh pá, fazemos um apanhado de quanto tem andado o homem a gastar.
- Mas olha que o Sporting é o que gasta menos dos 3...
- A gente faz um apanhado dos últimos 8 anos e junta tudo! Que tal?
- Lindo. E vamos lá despachar isso antes de almoço, que hoje é tripas na Maria Alice!"

Efectivamente, não era preciso uma página a encher chouriço para O Jogo ser considerado um jornal tripeiro...

Natureza Humana

Hoje tive que dizer a um amigo que não podia aceitar um convite, para uma saída. Pois é - exame na terça-feira. Ainda assim, custa muito dar esse braço a torcer. Talvez no fundo, se puxássemos mesmo por nós, conseguíssemos fazer várias coisas. Talvez no fundo, seja possível "ir a todas", se o exigirmos a nós mesmos. Mas a verdade é que "first things first": o exame tem prioridade, e tive, por mais que custasse, de ser honesto. Aliás, excepto quando mentimos por causas nobres, a honestidade é mesmo a melhor política. Como diria o Billy Joel. Eu sempre a tomei assim, e sempre me chateou quem não o fazia comigo. Até, porque são fácilmente detectáveis a desonestidade e a segunda intenção. Natureza humana, diria Agatha Christie (grande professora) - natureza humana.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Auch...

Isto dói muito. Dói muito mesmo - parece que fala para mim. Não serei dos piores, mas que consolo é esse, de qualquer forma? Era para dar-lhes com o Philip Larkin, mas não seria correcto, pois não?

A Nau de Teclas

Ainda hoje não consigo deixar de me deslumbrar com a maneira como a Internet permitiu aos portugueses fazermos aquilo que sempre quisémos e gostámos intensamente: a importação de cultura primeiro, e, segundo, termos espaço. E tudo isso grátis (ou quase), e sem limite. Um mar nas nossas mãos, realmente. A Internet revolucionou este país, pergunto-me se mais do que os outros. A nossa necessidade de frescura, de novidade, de escapismo mesmo está aqui, na ponta dos dedos. Nunca os nossos antepassados puderam ser tão "navegantes" sem sair do mesmo sítio. Nunca o mítico desassossego foi tão fácil de consumir. Há uma parte de solução do mundo português, de saciação da nossa curiosidade e desejos individuais, que foi revolucionária para a geração que acolheu a Internet e que está, concerteza, ainda mal estudada. Talvez por isso também sejamos uma geração menos empreendedora, e mais comodista. Se temos o sortido da vida perante os nossos olhos, porque sair para o conhecer in loco? Isso, claro, é um grande erro (que pagaremos caro), mas parece-me inevitável.

Entropia

Não chego a uma conclusão certa quanto ao efeito das mulheres nos homens. Será que elas desorganizam ou organizam a nossa vida? Os dois casos são possíveis. Eu diria que a desorganização está mais relacionadas com a paixão, o sexo, a relação mais precoce. E que a ordem, afinal, estará relacionada com o amor, a partilha, a relação mais tardia. Mas, como ainda tenho dúvidas, justifica-se, em absoluto, muito mais investigação sobre a matéria.

This Be The Verse

É óbvio que, mais não fosse pelo meu sentido de auto-crítica (nem vale a pena falar da minha opinião sobre a natureza das coisas), não concordo com o célebre poema de Philip Larkin. Mas não posso deixar de admitir estar tão bem concretizada essa rebelião de juventude. Só do ponto de vista artísico, merece o post no Generosità.




This Be The Verse


They fuck you up, your mum and dad.
They may not mean to, but they do.
They fill you with the faults they had
And add some extra, just for you.

But they were fucked up in their turn
By fools in old-style hats and coats,
Who half the time were soppy-stern
And half at one another's throats.

Man hands on misery to man.
It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
And don't have any kids yourself.

Philip Larkin (1922-1985)

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Almoços Grátis

Uma das coisas que eu tento usar como antídoto para a inveja é a invevitabilidade da natureza humana: "não há almoços grátis". Tudo na vida tem um preço, senão as pessoas afluentes seriam muitíssimo felizes. O que lixa a coisa, do ponto de vista português, é que nós não somos um povo especialmente ambicioso e empreendedor, para ser eufemístico. Donde, se um sacana (ou uma sacana) chega a um patamar agradável de conforto, sem quebrar as regras, a mais das vezes não tem muita preocupação em evoluir mais e arriscar noutros patamares.

Por exemplo, se um português se casou com uma mulher "podre da boa", que até gosta dele, e ficou rico, digamos, por herança, mantendo o seu círculo de amigos, a maioria das vezes não tem o sonho de ir além. "Hum... agora vou fundar uma empresa para dar emprego às pessoas ou vou curtir a vida com o dinheiro que tenho? Hum...". É nisso que dá uma sociedade que não valoriza a inteligência, o patamar intelectual. Uns quantos "lucky bastards" e muitos outros invejosos.

Da Vaidade

É sabido que a inveja é, de facto, um dos maiores defeitos dos portugueses. A inveja não olha ao esforço do outro - tudo o que o outro tem nada lhe custou, nem sequer a manter. Mas a inveja é um defeito passivo, geralmente (e é perigosa quando deixa de o ser) - e isso diz muito de nós como povo.

Talvez, no entanto, não seja a inveja o pecado supremo em Portugal. Tomemos a vaidade. Por vaidade pretende-se exactamente induzir inveja, exibir alguma riqueza ao outro. Propositadamente. Ora, querer induzir inveja num povo naturalmente invejoso tem contornos de especial obscenidade. Ou, mais raramente, de pura estupidez. Deve ser por isso que o povo português, se bem que bastante invejoso, é igualmente muito discreto.

Talvez a inveja seja o nosso pecado mais comum. Mas pergunto-me se a vaidade não será um dos mais graves (certamente que a luxúria, a gula e preguiça são bastante aceites).

Burn One Down

"- Lembra-me que eu ofereço-vos um charuto para vocês levarem.
- O quê? Arranjas-nos um charuto???
- Sim. Deram uma caiza ao meu pai, e ele não fuma aquilo, eu também não... E está a apanhar humidade.
- Eu quero! [estado de súbita alegria]
- Ok, é só lembrarem-me.
- Vai ser lindo. Ao menos é tabaco. Há outros que vão para lá fumar coisas piores...
- Ai é? [sorriso] Não sabia. [surpresa do advogado das drogas comercialmente disponíveis]"

Operação STOP

Há umas semanas, fui apanhado na minha primeira operação STOP. No meu entusiasmo de incipiente condutor, tinha, pouco antes de ser parado, conduzido a cerca de 120 km/h, numa zona com limite de 100 km/h. Pensei para comigo que aquelas figuras do livros de fadas - os radares - afinal existiriam mesmo, e agora eu tinha que explicar aos "leprichauns" da GNR (que afinal também existem, mas só mesmo na estrada) porque é que não estava a respeitar esse belo livro de ficção, ao estilo de Carrol, Tolkien, e La Fontaine, que dá pelo nome enigmático de "Código da Estrada". "Então o senhor não parou ali quando o relojoeiro maluco estava a passar? Veja lá se quer ir passar a noite ao País das Maravilhas, amigo. Agente Dorothy, venha cá dizer a este senhor que já não está no Kansas, faz favor. E, já agora, peça à Sininho para trazer o teste do balão."

Agito a cabeça de repente - a situação é bem real. "Boa noite sr. condutor. Os seus documentos fachavôr." pediu-me o GNR de colete amarelo, enquanto olhava sempre para trás, buscando não sei exactamente o quê. Estaria a rir-se para os colegas? ("Este tá no papo..."). Mas onde é que estão os documentos? Estou sempre a ser tramado pelos pormenores. ("Olha, Amílcar, este aqui nem os documentos tem!"). Calma - estão aqui, no porta luvas. Um porta-cartões de plástico onde eles estão, mal dobrados, volumosos. "Ora aqui tem...". "Eu pedi-lhe os seus documentos", e volta a dar-me tudo aquilo. É agora - estou lixado com F grande (tantos anos de educação esmerada...). Mas não - podia ser que ele estivesse só a ser [nome mitológico associado ao macho caprino]. E estava. Ah, então tenho que os tirar do plástico, descascar a maçãzita. Tome lá homem. (Nota: como é bonito revisitar a situação como se não estivesse ali acagaçado e sabiamente obediente).

Lá vê um registo, outra licença, passa pela recomendação, vê a data da procuração, analisa o alvará e vira a notificação ao contrário. E eu observava o silêncio na expectativa da contra-ordenação. Cassação? "O seu seguro acaba a [dentro de dois dias]". ("Toma Amílcar! Continuo à frente. [Faz dança de vitória abichanada meneando as ancas, com os braços juntos]. Quem é o maior? Quem é o maior?"). "Saia do veículo, fachavôr. Coletes e triângulo". Conectores de discurso - zero. Lá mostro essas preciosidades (tanto plástico no meu carro, caramba). "Pode seguir". A sério? Assim sem mais? Muito agradecido. E pá - lindo. Deixa-me cá fazer tudo segundo o canon. Primeiro o cinto, desengatar, ignição, engatar, destravar. Tá tudo não é? Adeuzinho! "Ligue as luzes". F*****! "Ah, [riso apologético]. Obrigado". Mas, tudo bem, agora estávamos entre amigos. Até à próxima honorável defensor da Lei. Desculpe lá aquilo da dança. Cumprimentos ao Amílcar.

E pronto. Lá me fui embora, pensando como deve ser mau o nível médio do condutor português. Ora ali estava um condutor ainda tão inábil, tão trapalhão, que nem sabia o que eram "documentos", que por acaso tinha a inspecção feita, que andou a acelerar (a 12o, que eu quando exagero é até ao limite) antes de ser parado, que nem sequer o banco tem bem ajustado, que não liga as luzes - e passa assim pelo crivo?! Parece que estava a ler a primeira página do jornal (publicado em inglês, para ser internacional) The Life of Pedro Times: "Little Bastard Gets Away With It (Again!)".

Foi assim a primeira operação STOP. Validado como cidadão, suponho - nada demais. É fazer sinal e entrar na faixa, que a estrada - e a vida - continuam.

O Profeta da Sociobiologia

Um dos aspectos da teoria sociobiológica aplicada a humanos é a selecção sexual. Se a perpetuação dos nossos genes é o objectivo final, então a competição entre "machos" é um aspecto fundamental da sociedade. E não faltou quem o relacionasse com a sociedade capitalista. E mesmo com a Arte, e a Inteligência humanas, que seriam alguma espécie de "strutting about", de "mating ritual". Uma tentativa, no fundo, de encontrar parceiros.

Acho a teoria muito discutível em vários aspectos (há competição entre mulheres, a colaboração entre indivíduos, o fascínio da beleza, o objectivo parental e não somente reprodutivo, etc.) mas não deixa de conter algumas verdades. E, se for verdade que há competição entre homens, e isso estiver na base da sociedade capitalista, e na base da criatividade intelectual, lembro-me de um teórico que não está entre os grandes nomes da Biologia, e que, na realidade, resumiu a coisa de forma muito precisa, do ponto de vista masculino.


P.S.: Pequeno conselho: afastem-se um pouco do ecrán, para não estarem tão em cima das narinas do profeta.

Perspectivas

Dou comigo a pensar que um dos grandes erros de política em Portugal tem sido a perspectiva do país. Durante muito tempo havia um País, um "Portugal" mítico, quase divino, pelo qual tudo era justificado. Em retrospectiva, acho que os portugueses que partiram dessa noção acabaram sempre desiludidos e frustrados o resto das suas vidas. É que antes de Portugal estão os portugueses, seres humanos, com suas virtudes e defeitos. Talvez defeitos toleráveis e virtudes admiráveis. Mas isso é outra história.

Para não repetir erros do passado, há que pensar primeiro nos portugueses, no que somos e no que queremos, e só então no País. Portugal, a noção de sociedade portuguesa sucede a nossa genética, e não a antecede. Ou, pelo menos, assim creio, assim me parece. Espero não estar enganado.

terça-feira, janeiro 15, 2008

O Pacheco Pereira Italiano


Nome do senhor: Antonio Caprarica. Já o tinha achado parecido há alguns meses, também na Rai. Hoje à noite esteve no "Porta a Porta". Não sei bem como explicar melhor este post que dizer que... parece-me estar perante um sósia do Pacheco Pereira! Está ali o estilo, a cadência na oralidade, inclusive no gesto. A análise da realidade é igual: fria e cortante, mesmo de forma empática com os outros ("que me desculpem, eu sei que sou insensível, um cínico [semi-sorriso], mas acho que..."). Extraordinário.


Fui investigar na Internet. Antonio Caprarica é jornalista, correspondente da Rai (diz-se fascinado pela informação). Antes tinha sido comentador de política interna. Formação universitária? Pois é - Filosofia. Também escritor (embora de ficção, que eu acho JPP não se aventurar fazer nesta fase da vida). E, por coincidência, no programa de hoje lá estava a criticar uma certa maneira de ser francesa (discutia-se o affair Sarko-Bruni), e resmungou mesmo, a meio da conversa, "como sabem a divisão direita-esquerda saiu da assembleia francesa" - a mesma divisão que JPP tantas vezes critica como nos cegando para a realidade. Leio numa entrevista que tem grande filiação pela Grã-Bretanha (onde, aliás, foi correspondente da Rai), tendo escrito um livro para "convencer" os italianos às virtudes anglo-saxónicas.

Veja-se um pequeno excerto da entrevista, onde é interpelado (é da praxe...) também a propósito da comparação gastronómica dos dois países:

"Lei attualmente dirige la sede Rai di Parigi. Se non altro dal punto di vista gastronomico, a mio avviso, ci ha guadagnato….Ma a parte la cucina, che differenza ha riscontrato tra il popolo francese da quello inglese?

No, non ci ho guadagnato con la cucina. Se uno non ama la panna, in Francia rischia di morire di fame.Per quanto riguarda la differenza tra i due popoli, la più importante è nel concetto di libertà. Per gli inglesi è soprattutto quella dell’individuo, per i francesi quella dello Stato, anche contro l’individuo."

O que é que nunca falta sempre na sua mala? Adivinhem lá... livros, muitos livros! E o que é que levava para uma ilha deserta? A mulher e uma biblioteca.

Tudo isto a partir de uma semelhança de estilo. Muita Agatha Chritiezinha, muita Miss Marple. É um dedo que adivinha. Um dia hei-de descobrir uma maneira de capitalizar este talento.

Como é que é? Ando com tempo a mais nas mãos? Não é bem isso - consigo é fazer tempo para o que não interessa muito à minha vida (objectiva). Um dia alguém me vai dar razão.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Agora Que os Gato Fedorento Vão Para a Sic...

Mais uma piada importada directamente da Tailândia. É que se não fosse daí, eu juro que não saberia de onde é que vem. E continuo a culpar o tempo.

"-Parece que o director da ASAE agora, antes de qualquer refeição, benze-se.
- Então porquê?
- Depois de ser apanhado a fumar no primeiro dia da lei anti-tabaco, anda assim.
- Um homem tão controlador... foi dar em supersticioso.
- É. Deve ser para afugentar os mau olhados e bruxedos que o desautorizam. Sabes como dizem os espanhóis sobre as bruxas?
- Como?
- «Yo no me lo creo. Pera que la ASAE - la ASAE!»"

Eles deviam proibir na alfândega estes produtos no nosso país.

O Bom Jogador

Hoje, numa (rara) incursão em Lisboa, aconteceu-me talvez o meu segundo grande susto como condutor. Só que este, um desleixo perigoso, foi culpa minha. E tinha, tenho, várias atenuantes para o justificar, mas nem sequer vale a pena. Após análise cuidada, percebo que é o estado nervoso da acumulação de exames, decisões importantes, e reflexões acerca do futuro, que se acumularam e pressionaram um descuido. Chamemos-lhe fim do curso (o célebre fim da travessia), e "paroxismo" de exames.

Encartado há apenas um ano, e com um certo orgulho no meu zelo enquanto condutor até agora, estudo o que aconteceu e tiro as ilações devidas. Em período de exames, destes exames finais antes da euforia do FIM, o carro fica parado (na cidade), excepto se for ao serviço dos outros. Venha o metro, fiel amigo.

Lembro-me daquela frase, já nem sei ao certo onde a escutei: "O bom jogador é aquele que sabe quando deixa de jogar". Afinal de contas, era também isso que dizia o saudoso Zé.

Windmills of Your Mind

Quando estamos a estudar para exames, cismando com o papel. E quando chove lá fora. Quando vemos diante de nós só os moinhos da nossa mente.


quarta-feira, janeiro 09, 2008

Querer e Poder

Na estrada, a conduzir, somos sempre confrontados com os célebres "chico-espertos", "fura-regras", nómadas das estradas. Por vezes o esforço - mesmo a satisfação - em cumprir as regras, é de tal ordem que esse tipo de incursões hostis na rotina de condução desperta... ira. Afinal, não é que nós, se quiséssemos, não soubéssemos fazer exactamente o mesmo.

Seguem atrás deles as palavras interditas, às vezes só pensadas. Alguém me terá dito um dia que devemos sempre ter a ambição de ter um bom carro, se pudermos. Não é para ir atrás deles (embora hajam sempre "vibes"...). É antes para, em último caso, dizermos a nós mesmos: "Ok, este gajo ultrapassou-me à fuinha. Mas eu tenho um carro melhor que ele, tenho a capacidade, sei fazer. Não vou atrás dele, não lhe dou essa lição porque não quero." Nunca porque não posso.

Comments

Uma opinião qualificada sobre o Generosità: "O vosso blog até tem posts muito interessantes, a sério. Mas... torna-se difícil encontrar as gajas boas no meio de tanto texto."

O Homem Pobre

Falávamos de um rapaz que anda, inutilmente, atrás de uma rapariga que não lhe presta atenção. Ela é gira demais, se bem que educada e simpática (demais para ser clara?). Ele é capaz de escrever um livro sobre o tom de voz dela nesse dia, garimpando por um sinal. Saboreia esperanças vãs, e aqueles em seu redor não se atrevem a elucidá-lo. Parece que as coisas em casa não estão famosas, alguém me diz. Parece que academicamente também não. Parece que não anda a rodear-se das melhores pessoas. Nada de positivo no futuro próximo, a que ele se possa agarrar.

Dou comigo a pensar em como alguém um dia vai convidar aquela miúda a sair, de como alguém, quem sabe do seu círculo, vai namorar com ela. E ele verá talvez as suas esperanças desfeitas. Pergunto-me como irá ele reagir, que vê nela o único capital da sua vida (mesmo que não o possua realmente). Que, homem pobre, vislumbra nessa obsessão a sua riqueza. Terá pouco mais. Como reagirá se outro a conquistar? Nunca se deve mexer com a única riqueza de um homem pobre - essa é uma regra básica. Será que os outros a irão respeitar?

Correcção

Não pretendo entrar em discussões sobre a minha opinião em relação a Santana Lopes no Generosità. Mas o erro foi meu - e a nota sobre o mesmo foi removida do post anterior. É indiferente para o propósito do texto se é a opinião geral sobre Santana Lopes que é negativa, ou se é a minha que vai nesse sentido.

Shot 9

Já se advinhava.Pacheco Pereira não gosta que invadam a coutada onde ele é rei, a blogoesfera. Marcelo tentou mas não durou muito. Agora, Santana Lopes vai tentando ganhar espaço e Pacheco não resistiu. Já vinha avisando que o mundo dos blogues vinha decaíndo e no seu artigo de Sábado não resistiu e lá desancou novamente em Lopes. Santana sabe que está em território inimigo mas não se conteve, no seu blogue ataca Pacheco forte e feio. Isto promete, ou talvez não. Pacheco quando as coisas se pessoalizam demasiado tende a refrear os animos. A seguir com atenção.

PS: Não resisto a constatar um facto. O PDuarte sabe tão bem como eu, que defendia a continuidade de Santana não apenas numa mera prespectiva de estabilidade e de evitar potênciais efeitos económicos nefastos para o país. O PDuarte tinha esperanças... e acreditava nele.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Países Verticais

A propósito do último post, dou comigo a pensar também na comparação de 2 povos. O povo português é, genericamente, muito inteligente, mas com pouca cultura (no sentido clássico). Já, por exemplo, acho o povo italiano muito menos inteligente, genericamente, mas com uma cultura superior. Dois países verticais - um mais atlântico, o outro mais mediterrânico. Temos as nossas virtudes, eles as deles.

Ser do Povo

O que é o famoso “ser do povo”? Passa por pertencer a uma classe com posses a menos para poder ter luxos, veleidades, etc.? Talvez uma interpretação mais correcta do “ser do povo” seja o não poder ser romântico, estúpido, sonhador, contemplativo. Como estando acordado para a realidade das coisas - sabendo lidar com ela. “Ser do povo” é, no fundo, ser minimamente inteligente. E eu sou dos que acha o povo português um povo inteligente. “Ser do povo” tem grandes defeitos – mas é também o caminho geralmente mais saudável e sincero. Não é o único, é certo. O que eu acho falacioso é dizerem que “ser do povo”, nessa acepção intuitiva, tem a ver com classe sócio-económica. Há pessoas pouco recomendáveis em todas as classes, bem como homens e mulheres “feitos”, seguros, do "povo" em todas as classes.

Fico-me Aqui Pelo Restelo

Como eu me sinto cada vez que digo que "provavelmente, não devo ir à viagem de finalistas". Fico-me aqui pelo Restelo, pode ser?

94
"Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:


95
- "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

96
- "Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!


97
- "A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?"

in "Os Lusíadas", Luís de Camões (1524-1580)


Habitat Natural

Mais uma citação, mais uma obervação bem feita, desta vez por António Barreto. Dizia no Expresso, a propósito da história recente dos partidos, que o PS é um partido descaracterizado no poder - tal como o PSD é um partido descaracterizado sem poder. Uma questão de habitat natural, se me é permitido acrescentar.

O Símbolo e o Mistério

No outro dia, a propósito de Soraia Chaves, Pedro Mexia acertou exactamente no que penso. Para quem a elege como sex-symbol, dizia que decorre de todo o símbolo a noção de mistério. E que, portanto, Soraia Chaves não poderia ser um símbolo - tudo nela é óbvio, não há qualquer mistério ali.

Imagens

Se vamos ser invadidos por imagens, mais vale que sejam por imagens destas, com retoques de arte. E com Adriana Lima.

Zeitgeist: A Última Década e o Imperialismo da Imagem

Brilhante artigo de Pacheco Pereira, disponível no Abrupto. Fala de duas ideias em que eu tenho também insistido:

1) Os nossos tempos não estão "certos", não estão de acordo com a natureza das coisas. E, por isso, não podem durar muito. A década de Guterres a Sócrates, que me coube a mim viver, e à minha geração, foram anos sem referências, sem sonhos, sem alma. Não está aqui em causa os próprios protagonistas - as circunstâncias ultrapassaram-nos. Começou com a desilusão na nova esperança de Guterres, passou pela tragédia de Entre-os-Rios, pelo 11 de Setembro, pela Guerra do Iraque, pelo escândalo Casa Pia, pelo drama dos incêndios, pela fuga indigna de Durão Barroso, pela subida de Santana Lopes ao poder, pela eleição de Sócrates. De repente, Portugal ficou mais árido, mais seco, mais triste. De repente as pessoas desconfiaram mais. Depois veio a indústria em peso do lazer individual: DVDs, livros, PC, TVCabo, etc. Não para todos, é certo, mas para muita gente, apesar de tudo. O aumento do lazer individual torna as pessoas mais ensimesmadas, mais solipsistas, menos generosas. Parece ser tudo uma questão de dinheiro, de prazer, do "eu".

Foram anos medíocres, vazios, chocos, mantidos por aqueles que não se quiseram esforçar mais sem ser obrigados, e aqueles que não estiveram para se esforçar sem serem glorificados. Faltou espírito. Houve pouco sentido de País, de comunidade, das nossas virtudes colectivas, do nosso melhor. Em retrospectiva, uma péssima escola de vida. Às vezes posso até ter a tentação de a invocar se não atingir alguns objectivos "maiores" durante a vida, como bode expiatório. Mas não quero.

Olhem em vosso redor para esse "medo de existir". Como diz Pacheco Pereira, o preferir o remediado, com medo da pobreza. Quentinhos à lareira com o "diabo que conhecemos", que esse "diabo que não conhecemos" diz que pode ser pior. Onde estão os bons alunos? Onde os portugueses jovens brilhantes? É preciso chegarem aos 40 como Mourinho (e no futebol, de que eu gosto, mas que é inútil)? E a gerontocracia narcoléptica da nossa sociedade (qualquer dia estamos como os italianos)? E o sonho de infância? E a virtude, o "eu nunca farei"? E os empresários que conseguiram? E os priveligiados que tiveram classe, que quiseram desenvolver a sociedade? E o nosso imenso património intelectual, a nossa cultura? A literária, digo eu, mas a outra também, porque não? E o esforço em equipa de pessoas inteligentes e motivadas? Onde estão as ideias? Onde está a força de vencer? Onde está o génio, a criatividade? O talento? Onde estão os jovens que querer quebrar barreiras impossíveis, e os mais velhos que os ajudam?

2) A outra ideia fundamental: a imagem, a invasão da imagem, a sua omnipresença e a subjugação do conteúdo. Tal como diz Pacheco Pereira, ela ocupa os outros meios. É como se houvesse uma espécie de "imperialismo da imagem": ela invade os outros meios; deixa-os viver, é certo, mas está sempre lá.

Na música parece que a Internet asfixiou a indústria discográfica: há menos produção nacional (como é que é possível fazer carreira em música?). A leitura, o livro, passou a ser só um "hobbie", uma vertente de "entretenimento", uma escolha diferente do DVD, da Internet, da televisão. Nada mais que um "meio".

Um exemplo muito simples na nossa prática laboral são os slides de PowerPoint (sim, servem bem como exemplo). Podem até ter conteúdo, mas está incorporada a ideia de que isso nada vale sem imagem. Não há paciência para o conteúdo sem imagem. Às vezes nem para o conteúdo com imagem. Há razões profundas que estão por detrás desta paixão do ser humano. Este complexo de corvo é muitas vezes o que nos engana. Mas também o que nos faz feliz. Quer-se a imagem, a beleza, como posse, capital. Nunca houve tanto desse capital como hoje. Mas é um capital fictício, não dá para nada - só entretem o nosso "comboio de corda".

domingo, janeiro 06, 2008

Pecado Original 25



Isabel Figueira*. Bom, não são precisas grandes apresentações, suponho. Casada com quem? Não, peço desculpa - estão separados. Pois é. Uma mulher absolutamente divinal: bonita, simpática, alegre, sempre presenteando os outros com um sorriso e boa-disposição. Aquilo a que se convencionou chamar de "boa onda". Aqui há uns tempos andava - tolamente, que me desculpe - a tentar corrigir a rouquidão da voz. Para quê, Isabel? A voz rouca é ainda um "plus". A sério. Vale mais a preocupação com a camada de ozono. Para esta sportinguista de boa cepa, e bela mulher, as devidas saudações leoninas, bem como os parabéns pala entrada no Top + do Generosità.

*fotos roubadas a um blog amigo

(Micro-) Mecenato do Bom

Até que enfim um uso útil para as mensalidades que pagamos na nossa universidade. Belo patrocínio a um projecto que interessa. Assim sim.

Olivus 2007: Livro do Ano

Passaram-me pelas mãos dezenas de livros ao longo do ano. A minha cadência de leitura, pergunto-me mesmo se o meu tempo, a minha paciência, não chegaram para ler mais que uma ínfima parte. Por isso não vou eleger um livro para um conjunto de categorias. Mas posso bem arriscar escolher um livro do ano. Aí não tenho grandes dúvidas: o vencedor é Orlando Furioso, o clássico de Ludovico Ariosto, traduzido do italiano pela especialista Margarida Pequito, com a chancela da Cavalo de Ferro.


Nunca antes este absoluto clássico da literatura mundial fora integralmente traduzido para português. A sua versão final data de 1532, e tem 46 cantos e cerca de 40.000 versos rimados. Rimas - e aí esta tradução torna-se impressionante - que esta tradutora conseguiu manter na passagem para português. Leio numa entrevista que o fez ao longo de um ano inteiro, em regime quase monástico. Já várias vezes eu ouvira referências a este clássico, do qual Camões chegou a copiar frases (sim - pensam que o luso plágio é de agora?). Um conselho pessoal, e generoso (conferir nome deste blog): comprem-no. É preciso saber reconhecer ouro quando se o vê à nossa frente. E quem sabe quando volta a oportunidade.

Mas informações sobre esta obra aqui.

sábado, janeiro 05, 2008

Espírito de Aventura

Está decidido. Demorei a superar o meu comodismo, mas decidi que, dê por onde der, hei-de um dia fazer um Dakar...


...assim decida eu levar um dia o meu carro para Lisboa. Aquilo deve ser duríssimo, nas estradas portuguesas. E tenho sempre medo de encontrar aqueles beduínos a meio da viagem... Como é que eles se chamam? Exactamente - taxistas.

Sugiro ao Euromilhões fazer um novo anúncio em que o premiado entra no 56 e sai na paragem a seguir. Pagando o bilhete! Granda excêntrico. Esse sim, seria o excêntrico português.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Shot 8

Omaba ganhou as primárias em Iwoa. Grande sinal. É certo que no próximo dia 9 a senhora Clinton leva vantagem.
Mas parece-me ser um grande prenúncio para 5 de Fevereiro.
Como diria o José Cid, depois do Sarkozy, Já só me falta o Omaba para me fazer feliz.

Shot 7

Segundo a revista Tiempo, a monarquia espanhola custa 19 cêntimos ano a cada cidadão espanhol.
Entre investimento e retorno deve ser uma das operações com maior rentabilidade de sempre.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

2007

Mais um ano que passou. Como é natural por estas alturas é hora de fazer um pequeno balanço.
Uma vez que já temos os Olivus Awards, vou só deixar umas pequenas pinceladas sobre as figuras que (me) marcaram mais em 2007. Obviamente, que esta pequena reflexão não pretende contraditar as análises do PDuarte, é tão só uma visão ligeira e diferente.

Figuras- Na TV -Gato Fedorento - para mim, são brilhantes. Não partilho a visão Vasco Pulidiana. Ser consensual está longe de significar que buscam consensos. Para mim, é certo, também já em 2006 tinham sido grandes figuras. Em 2007 continuaram a sê-lo. Para mim, o seu sucesso não é dificil de explicar. Comumgam de um background de experiências e gostos que são os do mainstream e exploram-no com inegável piada. Claro que, o Herman nunca o poderia fazer. Não tem o dominío da escrita que eles têm, nem, principalmente, a capacidade e argúcia de observação que o quarteto apresenta. Herman também capta tudo, só que vagueia por uma realidade diferente. O seu mainstream é próprio. Não vê futebol, não deve ser grande espectador de telejornais e, não " absorve" os sentidos e sentires da "rua" porque não passa por ela. Herman vive no seu mundo, o das Ibizas, da Chanel, da 5th Avenue, que não coincide com a maior parte do mundo dos portugueses. Para se fazer rir sobre actualidade é preciso fazer parte dela, e é por isso que Herman entrou em declínio. A realiade dele é outra, e quem lhe descrevia a realidade nos textos que interpretava (sempre bem, diga-se), são agora as estrelas que o ofuscam.

Figura Desportiva - Cristiano Ronaldo. Eu pessoalmente não gosto dele. Não gosto de Cristianos Reeinaldos. O seu estilo irrita-me. Mas não lhe retiro o mérito. Joga bem e é(quase)sempre decisivo.

Figura Política - Sarkozy - Comungo da visão do PDuarte. Passe a imodéstia, podem ler um artigo que escrevi neste blog aquando da sua eleição. Não me enganei em nada.

Figuras da Imprensa - Bem... para mim a imprensa portuguesa é miserável, claro que os que nela contribuem têm uma grande quota de responsabilidade nesse facto.
Que saudades de outrora... Talvez tirando o artigo sobre o BCP, o MST continua mau. O Vasco Pulido Valente só escreve sobre o que quer, o que significa que 95% do que escreve não me interessa... Tudo somado dá quase nada.
Bem, de momento ( há sempre esperança), só me dou ao trabalho de seguir 3 colunistas, para mim os melhores: José Pacheco Pereira, Domingos Amaral e Pedro Guerreiro.

Olivus 2007: Música

Ao ouvir as Xaile, tive somente um comentário a fazer. Foi mais ou menos: "Maskéiistoou???". Estranhamente interessante, porém. Primeiro estranha-se, claro. Gosto de as lançar no Generosità agora no Inverno, para apressar a vinda da deusa Ceres. Quanta mais novidade e frescura, melhor. Novos tempos precisam-se.



Uma loira, uma ruiva e uma morena (qual é palavra? "sassy"? - exactamente, é mesmo isso). A diversidade e a alma da mulher portuguesa. Se souberem seguir o seu caminho, não ligando a comentários cínicos ("espécie de Spice Girls para militantes do BE"), têm potencial. Cessem quezílias e passados, e escutem - fala a Natureza.

Aposta Generosità. Mais informação aqui. E aqui.

terça-feira, janeiro 01, 2008

No Meio Está o Vício

Às vezes parece que tudo aquilo que eu critico na sociedade, e os meus próprios defeitos, são uma repetição do erro de Marx: não ter concebido a classe média (daí um certo "racismo" comunista contra o pequeno-burguês). Não ter concebido que o ser humano podia viver bem enquanto classe média. É que eu, sendo classe média, gosto bastante da existência - é a súmula do conforto, indecisão e preguiça. O problema é que a vida gosta mais de quem se defina claramente, sem "meias tintas". E convencer-nos disso?

"Occam's Razor"

Aquilo que, na cultura anglo-saxónica é enunciado como "Occam's razor" (a navalha de Occam) refere-se a um princípio enunciado por William de Ockham, ou Guilherme de Ockham, um frade franciscano do séc. XIV. De acordo com o mesmo, na explicação de um fenómeno devemos fazer o menor número de assumpções possível, eliminando todas aquelas que não decorrem directamente da teoria ou hipótese explicativa. O princípio é mais bem enunciado como: "as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário". Uma espécie de "keep it simple, stupid!" ou "não compliques". Mas a forma mais popular de apresentar este princípio é esta: "a explicação mais simples é geralmente a explicação correcta", ou "a explicação mais simples é geralmente a melhor". É aí que a navalha de Occam entra na cultura popular. Leonardo da Vinci também resolveu o princípio de forma elegante: "a simplicidade é a derradeira sofisticação".

Muitas vezes, nos cruzamentos da vida, não nos faz mal parar para pensar um pouco. Talvez se limparmos a mente de toda a confusão e emoções apareça uma resposta simples, tão simples que é ridícula. A maior parte das explicações na vida são simples. Complexo mesmo é explicar porque é que nós, tantas vezes, não as vislumbramos.

Olivus 2007: Personalidade Nacional

Para mim, claramente Vanessa Fernandes. Sim, também tem sido escolha noutros balanços. Não me interessa. Eu até diria que não faz muito o meu tipo de pessoa. Não me esqueço do seu "em Pequim vou partir tudo" depois das primeiras boas prestações nos jogos de Atenas 2004. Sou mais fã do atleta humilde. Mas ela realmente, tem "partido tudo" desde então. E a arrogância, quando é suportada por resultados, quando não é gratuita, deixa de ser arrogância para ser auto-estima e convicção. Há que reconhecer que ela é uma desportista excepcional, e primeira representante do país no atletismo. O que ela faz requer muita abnegação e vontade de vencer - uma disciplina muito superior à de 99% dos futebolistas. Há que respeitar isso acima de tudo.

Defender a Minha Década: Manifesto Anti-Kitsch

Vejo a geração portuguesa dos seus 30 muito revivalista em relação aos anos 80. E percebo porquê. Era um ambiente de muito maior espaço para a juventude que este. Agora... esquecem-se, nesse revivalismo (como decorre do revivalismo), do pior dos anos 80. A estética kitsch. Sim, o foleiro... basta ver o vídeo da Sabrina Salerno do post anterior. Eu, que sou dos 90, tenho que dizê-lo, e defender a minha década com um bocado de presunção. Anos 80 sim senhora e tal... mas calma. Havia mais grito de juventude, é verdade. Mas e os 90? A paz, a prosperidade, a ciência, o pc, a excelente televisão? Aquilo é que foi bonito. A gente cunhou o "so 90s!" por alguma razão.

Vem isto a propósto do revivalismo dos Gato Fedorento no especial de ontem, de reveillóns. E que é comum a outros trintões ilustres pela blogosfera e jornais. Aliás, eu sempre percebi, mesmo na Sic Radical, a influência dos anos 80, da Tv dos anos 80 nos Gato Fedorento, que eles levaram a outro nível com os "Tesourinhos Deprimentes". E, pensando bem, é isso também parte da matéria-prima do que eles são. São um grupo - partilham um background de cultura popular urbana comum. Também é essa partilha que os mantém juntos. E, quem sabe, a amizade seja isso mesmo.

Aqui Há Gato

Por falar em Gato Fedorento, não resisto a por o vídeo da música que tornou a semi-diva pop Sabrina Salerno famosa nos 80. E que os "gatos" foram ontem buscar para o programa de revéillon. Estou sempre a aprender. Sempre a aprender.


Olivus 2007: Televisão

Necessariamente, Gato Fedorento. Escolha repetida, bem sei. Mas a minha, ainda assim. Foi o programa mais influente ao longo do ano. Não existe ali o humor genético de Herman, nem o seu "one man show", mas vale a pena, apesar de tudo. O que eu acho na análise dos Gato Fedorento é que existe uma conjuntura que os ajuda. Um sucesso é sempre maior se em seu redor as pessoas não têm grande optimismo. Depois, esta sociedade de repetição favorece-os, estranhamente. Os seus sketches são repetidos "ad nauseum" na net, e na própria televisão. Mas acontece que estão bem feitos, têm uma certa qualidade que os faz resistir a essa repetição. Ao dedicarem-se a fazer cada pequeno projecto com qualidade, a re-visão traz às vezes um pormenor que se não notou, uma noção de qualidade superior à que se teve com o primeiro visionamento. Não os acho brilhantes - não podem ser porque são consensuais, não fazem ondas. Mas, numa "arte" muito volátil, cheia de "picos", souberam manter um registo constante bastante bom. O próprio Eduardo Cintra Torres, que os declarou acabados com o "Diz Que É Uma Espécie De Magazine", teve que dar o braço a torcer e elegê-los para o melhor de 2007.

Pessoalmente, gosto também muito de rever os Friends, para mim a melhor série de sempre. De resto, valeram a pena algumas entrevistas de Mário Crespo e Ana Lourenço (faz falta João Adelino Faria) na Sic Notícias. É justo mencionar tão bem alguns Prós e Contras, no início do ano. Por grande mistério, o programa tornou-se muito menos interessante com o passar do ano. Alguns pormenores interessantes no RTP Memória, cuja programação me parece sempre algo inconstante.

No global, acho a televisão portuguesa muito pior que há 5, 10 anos. Menos filmes e documentários de qualidade (saudades da melhor RTP2, do "Lugar da História", do "5 noites, 5 filmes"). E parece que mesmo o cabo não salva a coisa. Não sou grande fã das novas séries "Grey's Anatomy", "House" (cujo conceito de Medicina me repugna), etc. Falta inteligência (sim - mesmo ao House), verve (sim - mesmo ao House), falta originalidade. Não só as banalidades de "boy meets girl". Falta uma espécie de novo "X-Files". Faltam séries "de culto", não só de massas.

Olivus 2007: Jornal/Revista/Colunista

Melhor jornal: "Expresso", apesar de tudo. Apesar de menos interessante, com um caderno principal "sofrível" (haja Sousa Tavares), e uma "Única" banalíssima (ofensiva para a "Revista" de outros tempos), tem ainda o melhor suplemento cultural e o melhor suplemento de economia (a milhas do "Sol"). Sempre útil o caderno de "Emprego".

Quanto ao "Sol" padece de, como algures escreveu Pacheco Pereira, querer ser tudo, para acabar a não ser carne nem peixe. Quis ir buscar os orfãos do "Independente", os fiéis de Saraiva no "Expresso", os saturados do excesso de informação, os que buscam frescura na leitura de fim-de-semana, mais que mera revisão da semana anterior. Com uma revista "Tabu" mais interessante que a "Única", Saraiva perdeu-se no seu egotismo, e a sua originalidade de clarividência, no "Expresso", ficou, na nudez do "Sol", só superficialidade, só truísmo. Para além dos ridículos artigos sobre as suas vicisstiudes pessoais. Como se alguém "gave a damn", honestamente. Saraiva, amigo, quer andar a fazer teses de doutoramente em redor dos seus episódios rotineiro? Lance um blog, é o meu conselho (mas escreva de forma mais... sexy - não há paciência). A redacção do jornal sofre de uma espécie de complexo nepotista, na defesa do próprio Saraiva (sobretudo quando Sousa Tavares foi criticado por Pulido Valente - logo Mário Ramires comparou o episódio com uma crónica de Sousa Tavares a arrasar o livro de Saraiva sobre a vida no "Expresso", como se fosse comparável) - e isso só os desqualifica como mentes independentes.

O "Publico" quis-se fazer moderno e perdeu um leitor. Nunca mais li o jornal com a regularidade de outros tempos após esta renovação gráfica. A este modernismo eu chamaria, em relação ao jornal anterior, "pornografia da imagem". Enche-se o jornal de imagem, perde a compreensão do conteúdo. Para além da mania de tornar o jornal num pseudo-blog, com "links" no topo de cada página para outras notícias. Um dia ainda hão-de perceber que o formato anterior era muito melhor, e as pessoas já andam cheias de imagem pela televisão e pelo pc. Ninguém quer isso no seu jornal. Um jornal é um meio, não um fim, não um objecto a guardar. Com tanto "bling", o inconsciente até critica o leitor por deitar tanta bela imagem e boa folha para o caixote. Esta é uma luta pessoal, e terei apenas comigo alguns outros puristas. Eu digo que o "Público" tem que ceder e retroceder. A ver vamos quem ganhará.

Revista: "Sábado". A mais criativa, de muito longe. Consistente no seu estilo. Muito boa a explorar a vida real, prática dos portugueses, que esteve durante muito tempo alheada do "etéreo" das revistas de referência. Vai buscar, muito astutamente, os temas de que os portugueses falam entre si. É cusca. Sabe que os portugueses gostam de ler os pormenores mais comezinhos, da rotina do dia-a-dia da pessoa, seja um humorista ou um banqueiro, e isso interessa o leitor para o resto do tema. Conseguem assim aligeirar sem banalizar. Melhor publicação a surgir no panorama mediático português dos últimos anos. Não é a "Sábado" que precisa de melhorar, o seu estilo está correcto. à volta é que os outros não fazem a função que lhes compete.

Colunistas: tento ler, sempre que "os apanho": Pacheco Pereira, Vasco Pulido Valente, Miguel Sousa Tavares, Pedro Mexia, António Pinto Leite e Ferreira Fernandes. Esporadicamente, Marecelo Rebelo de Sousa, em que a quantidade de pormenores pessoais e os "diabinhos" ao serviço do que anda o homem à procura não compensam a diversidade, qualidade e destaques merecidos (para mim, pelo menos). No meu top pessoal estaria Pacheco Pereira na profundidade, mas vou escolher Miguel Sousa Tavares pela proximidade ao meu gosto pessoal, pela conjunção de espírito, discernimento, e, ultimamente, até mesmo algum estudo. O colunista que mais me faz dizer "na mouche - é mesmo isto".

De qualquer forma, não há um registo brilhante, uma certa frescura. Falta gente jovem a despontar, gente com talento e inteligência a emeergir pelo meio desta gerontocracia de "opinion makers" (Sim, sim, estou disponível! "Maria"?... hum, talvez não... fico-me pelo Generosità).

Em geral, o panorama nos jornais e revistas portugueses, que me desculpem, é pobre demais para ser verdade. Quem os lê há alguns anos como eu, embora jovem, vê perfeitamente uma perda de densidade, de esforço por simplicar o que é difícil, a falta criminosa de originalidade, de variedade. Tanto factõide internacional traduzido até mete pena. Tanto "profissional" da escrita táo superficial... não vive de todo aquilo que escreve. Escreve como aparte da sua vida. Em Portugal, isso não faz sentido. Falta um novo Miguel Esteves Cardoso, uma nova Filomena Mónica, falta o "Público" dos 90, falta gente jovem do "Independente", falta um "Expresso" mais generoso e interessante. Não é o "Sol" ou o novo "Público" que lá vão. Assim, vejo-me a perceber porque é o Correio da Manhã o jornal português com maior tiragem. Tem notícias a sério, por mais escandalosas que sejam, e alguma opinião dieferente, até com alguns escritores como José Luís Peixoto e Gonçalo M. Tavares. Panorama muito triste, realmente. Mercantilização excessiva, padronização excessiva, repetição excessiva.

Olivus 2007: Figura do Ano

Nicolas Sarkozy. Pela capacidade de fazer reformas, pela inteligência emocional, pela convicção, pelo carisma. Por ser a derradeira figura da direita europeia neste momento.Por ir buscar conceitos caducos como honra, respeito, sentido de comunidade, sentido de Justiça. Por não ter medo. Por não ter medo de enfrentar a canalhice. Por acreditar no seu país, na sua comunidade, nas suas pessoas. Por ser um homem de acção e, tudo somado, dar um líder, na verdadeira definição do termo. E, depois, claro, por ainda ter o bom gosto e o desplante de fazer Carla Bruni apaixonar-se por si. Bravo!

Começa este semestre a presidência francesa da UE. E os desafios para Sarkozy serão cada vez mais complexos. Conseguirá resistir? Não nos desiludirá? No final de 2008, se ainda existir este blog, faremos contas.

Olivus Awards

Não tendo (ainda) enriquecido como Alfred Nobel, não tendo (ainda) qualquer impacto na sociedade, não tendo (ainda) uma vivência do mundo, não tendo (ainda) uma cultura e erudição fabulosas, pareceria estúpido estar a criar prémios para o melhor de 2007. Mas há uma razão bastante forte para o fazer, e é talvez a razão que mais explica o ser humano: porque me apetece. Ah, e porque estou na posse de um blog. Não é qualquer idiota que tem um blog, atenção. É preciso passar por provas duríssimas, algumas envolvendo inclusive a inalação e expiração de azoto, e oxigénio, entre outros gases raros.

Vejo-me assim como parte de uma elite, e só posso reclamar o direito supremo aos meus Olivus Awards. Em coerência absoluta com a razão que presidiu à sua génese, as categorias e a selecção dentro das mesmas obedecerá às directivas rigorosas do "porque me apetece". Donde, as categorias poderão mudar com o tempo (na ilusão de que este blog sobrevive mais um ano). O douto júri, composto, entre outros, por mim e por mim mesmo, assegurará a idoneidade destas escolhas. Todo o processo obedecerá aos estatutos, redigidos em sede própria, por Pedro Duarte.

Os congratulados com a eleição ver-se-ão presenteados com um prémio pecuniário no valor de P.D. 2 000 000, i.e., dois milhões de pedro-dólares, correspondentes (câmbio a 1 de Janeiro de 2008) a 1 000 000 de microeuros. De acordo com os estatuos, é também estipulado que "vencedores que correspondam ao perfil communmente referido como 'mulheres', ou 'raparigas', dentro das categorias de 'gira', 'sexy', 'boa-comó-milho', 'interessante' ou mesmo 'querida' poderão exercer o direito de escolha em relação a um evento de degustação nocturno, vulgo 'jantar', com o próprio júri, deliberado pela Assembleia reunida a 1 de Janeiro de 2008 sob a égide de Pedro Duarte, composto por Pedro Duarte, em observação dos desejos do benfeitor e mecenas Pedro Duarte".

sábado, dezembro 22, 2007

Boas... Festas


Eis a minha ajudante de Natal no Generosità. Ou aquilo que eu pedi este ano... Já não me lembro bem - é uma das duas. Nada como uma noite tranquila, o bom jantar de tradição, o calor quente da lareira a acariciar toda a sala, e os humildes presentes sob a árvore, nomeadamente uma Laetita Casta em lingerie (portei-me muito bem este ano...). Não gosto de desembrulhar os presentes antes - mas este eu adivinhava.

A todos os leitores do Generosità, os meus desejos de Boas Festas e um Ano Novo cheio de novidades, risos, pequenas e grandes alegrias. Que o próximo ano seja generoso para todos vós. Um abraço.

Pessoas Movediças

"- Por que é que eles não se calam ao falar com ela [professora]? Estão ali a discutir inutilmente, nai vai dar em nada. Não percebem que ela é areia movediça - quanto mais se mexem, mais se afundam."

terça-feira, dezembro 18, 2007

Cáfila

Olha... Notícia curiosa. Querem ver que Francisco George se vai dedicar em exclusivo à docência? É uma cruzada difícil, e eu não estou exactamente de acordo com ele. Embora não-fumador, tenho-me por extremamente tolerante. Desde que lidando com pessoas de bom-senso, não participo em "caça às bruxas" a fumadores. E acho que esta é uma lei que não vingará, mas é saudável, pelo menos, o esforço.

Aprende-se muito a ler o Correio da Manhã. Não é que esta coisa de não fumar às vezes ainda pode ser pior para as pessoas? Realmente, sejam eles fumadores ou não fumadores, os farmacêuticos têm sempre soluções, estão sempre a lucrar. Essa gente é uma cáfila autêntica.

Não Sair de Cima

Com o assédio invernil a Edgar, jogador que o Porto foi buscar naquele afã típico de o roubar ao Benfica (mais do que ao Sporting, é o Benfica que tem tido a guloseima que o Porto cobiça), relembro que, num plantel tão extenso, a sorte tem permitido uma paz podre.

Com tantos jogadores, o Porto criaria sempre "ghettos" no plantel. Existem vários jogadores que, este ano, ainda nem "cheiraram" o relvado. Não fosse a sorte de uma série vitoriosa, haveria certamente um barril de pólvora a explodir para aqueles lados. Se bem se conheço o Porto, entre os jogadores que saírem e entrarem no Inverno, o saldo não andará muito longe de 0.

É caso para dizer que o Porto "rouba" os jogadores para os inutilizar, os "secar" abaixo dos titulares. É uma espécie de política de contratações "não **** nem sai de cima" (é o povo que diz, não sou eu)...

O problema é que o Porto, por agora, pode-se dar ao luxo de a reclamar como inteligente, que não é, porque, no que respeita ao campeonato e às conquistas desta época, não aparenta, "sair de cima" tão cedo.

Da Nobreza

Julgo que, numa sociedade onde impere o livre-arbítrio (e não é uma condição assim tão simples), a nobreza está em, percebendo quando o outro está, de alguma forma, menorizado, não se aproveitar da situação. Não só perguntar se outrem está em plena liberdade na decisão que faz, perguntar tão bem se a faz em plena lucidez.

A nobreza está, genericamente, no pormenor. É de uma alma nobre deixar de exercer direitos legítimos, escritos, em função de regras não-escritas. E, tantas vezes, os beneficiários nem de tal se apercebem.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Pecado Original 24


Carla Bruni. Nascida de "boas famílias" italianas (e os italianos prestam antenção a esse pequeno pormenor), e educada pelos pais, na "villa" de campo, a falar igualmente com o mais douto dos homens como com os alegres camponeses que cuidavam da propriedade. Sempre em paz com o elemento natural, Carla cedo teve que se confrontar com o elemento humano: a família teve que fugir da Itália natal para França, na altura das "brigatte rosse", em plenos "anni di piombo"... (1970s). Lá foi a pequena Bruni crescer numa Paris que a veria afirmar-se por entre a primeira geração de top-models internacionais (Schiffer, Campbell, Evangelista). Aproveitada essa época de ouro, partiu então para a música, tendo lançado dois albuns, um deles o ano passado. Abaixo está o belo tema "Quelqu'un m'a dit".

Bruni tinha lugar marcado neste Pecado Original, era realemente uma questão de tempo. Mas foi a descoberta, ontem (noticiada hoje), de que pode estar envolvida com "monsieur le presidént" Sarkozy, que precipitou a justa dedicatória. Como é que se diz "bem fisgada" em francês? Hum... se o soube não me lembro.

Bravo, Sarko! Assim, estás cada vez mais próximo de seres o político-ícone da minha geração. Sempre a marcar pontos - trazes contigo a vitória do bom gosto. E no entanto (não resisto)... sacana, pah! Mais uma beldade que eu não sabia disponível e que nunca conheceria, nem se interessaria por mim, que eu deixei escapar incompreensivelmente. Malandro! Quer-se dizer, vens a Lisboa falar com o boçal Khadafi e não trazes a "dame du coeur". Depois anda cá pedir ratificações de Tratados sem referendo que a gente diz-te. Bandido.