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terça-feira, junho 30, 2009

Good Things Come To Those Who Wait

Como vos havia prometido, chegou a hora de voltar à web, à escrita neste formato blog.

Agora, quem sabe, talvez a idade da Generosidade esteja passada. Mas há coisas que nunca mudam. Como as incluir numa palavra? Bom, é difícil. Diria, no meu caso... BioBiblioFilia.

Eis o novo blog, que vos espera.

domingo, maio 10, 2009

Interregno

[***]

A razão porque activei a subscrição RSS, no entanto, prende-se com uma outra razão simples - este blog vai entrar em interregno. Agora sim, a sério.

Espero que volte ao activo - sinceramente. Não sei quando, porém. Pode ser uma questão de semanas, ou de meses. Por isso, peço aos leitores do blog que subscrevam os 'feeds', para saberem exactamente quando a reactivação - a ocorrer - terá lugar.

Desde logo, expresso os meus mais sinceros agradecimentos a quem me tem vindo a ler ao longo do tempo. Fiz o meu melhor para partilhar o que fui sabendo e descobrindo. Fiz o meu melhor para criar algo. Fiz o meu melhor para responder a um certo apelo de generosidade. Parece que não ganhei nada com isso, de repente. Mas não estou certo que seja assim.

Ciao.

[***]

segunda-feira, maio 04, 2009

Histórico(zinho...)

No outro dia fiquei, em futebol de cinco, na equipa de quatro jogadores (faltava um para os dez), contra o adversário completo.

E a desvantagem (em futebol de cinco, bastante significativa), fez-me lembrar a batalha das Termópilas.





Um exagero a comparação, dizem vocês? E com razão, com razão, meus amigos. Porque, afinal, nós ganhámos o jogo em desvantagem - e os espartanos perderam.

Não Há

Dias pesados. Mas todos em torno do mesmo, parece que sempre o mesmo.

E só me lembro de uma canção, de uma excelente banda portuguesa, os Quadrilha, estranhamente ignorada pelo 'mainstream'.

Não Há Dinheiro

"Esta vida é como vês
É sempre a ver se chega ao fim do mês
Mas por muito que eu não queira
Acaba sempre da mesma maneira

Falta isto, falta aquilo
E eu já não sei o que é que me falta primeiro
Se é o dinheiro que falta
Ou a falta que me faz ter o dinheiro

A jorna não dá pra nada
E a gente sempre a dizer que tem que dar
Já passaram mais uns dias
E o dinheiro está outra vez a acabar

Não há dinheiro, não há dinheiro
Andamos nesta conversa o ano inteiro
Não há dinheiro, não há dinheiro
É cada um que se amanhe, não há dinheiro

Eu queria falar contigo
Mas nem sei como é que te hei-de dizer
Eu fui sempre teu amigo
Não sei se já me estás a perceber

É que a coisa está difícil
Eu até tenho vergonha de contar
Acabou-se-me o dinheiro
E este mês ainda demora pra acabar

Deixa lá, não penses nisso
Não ter dinheiro não é defeito nenhum
Não fiques envergonhado
Que eu também ando a ver
Se alguém me empresta algum."

(Entre Luas, 1997)

domingo, abril 26, 2009

You Say Goodbye, I Say Have A Nice Weekend

Sexta-feira normalíssima na vida de Zé Júlio. Vou a uma papelaria, peço, pago, saio. Mas espera: sou educadinho: "Bom fim-de-semana". Logo.

Onde é que está aqui o problema? Existe um. É que eu não conhecia ninguém naquele respeitável estabelecimento comercial. E dou comigo a pensar que o 'bom fim-de-semana' exige uma certa familiaridade. Se os não conheço - porque me apoquenta assim a sua felicidade domingueira, hum?

Dizes que são preocupações da treta. Entendo. Mas eu chamo-lhe 'dramas da vida surreal', ou 'amizade com a vacuidade'. Mas o Seinfeld fez uma pipa de massa com isso - e eu estou aqui a lançar-me.

A questão é que um 'boa-tarde', mesmo um abrangente, equívoco 'bom-dia' teriam bastado. E eu ando a esbanjar cumprimentos. Nesta economia, não dá.

Mas bom, sempre é um motivo simples para reparar que falta Beatles a este blog.


sábado, abril 18, 2009

A Minha Vida: Para Sempre Um Garoto

Se eu tivesse que escolher um anúncio para definir a minha vida, não teria a mais pequena dúvida - é este. Este é, tem sido, o resumo da minha vida: um garoto a tentar aproximar-se de mulheres.



Tanto - tanto! - tempo, desperdiçado nessa demanda. Irrita. Só há uma coisa que irrita ainda mais: é, sendo homem, ver as coisas demasiado banais. Prefiro o mistério que está antes. Prefiro andar a procurar mulheres pelo canto do olho toda a minha vida. Prefiro ser assim - garoto, malandro, feliz - para sempre.

sexta-feira, abril 17, 2009

Didn't Need To Hear That

Portugal vive um momento absurdo da sua história. Assim uma espécie de deserto existencialista. Estou certo que Camus adoraria escrever sobre este Portugal.

Quando se vive no absurdo, quando não há regras ou limites distintos, a estupidez momentânea - essa que passa pela mente num 'vibe' - sente-se em casa. Dorothy: estamos definitivamente no Kansas.

Dei comigo a pensar nisto no outro dia quando ouvi uma rapariga dizer um palavrão de camionista. Ou de puto rebelde que quer chocar os pais. Não é que eu não diga palavrões, ou seja sexista - e daí talvez eu seja um bocado sexista nesse aspecto. Mas o chocante ali foi a gratuitidade e o 'out of the blue' da coisa. Enquanto os demais cumprem regras de convivência e civilidade, há quem as fure, e deite cá para fora o que não deve. Uma espécie de incontinência verbal.

Esta incontinência, parece-me, está muito em voga, em virtude justamente desse 'normal absurdo', e vai além do palavrão gratuito e chocante, para chegar à excentricidade repetida da falta de lógica, ou de moralidade básicas (mesmo para humor). Tem, assim, outro sinal patognomónico - a boutade. Em suma, delicia-se com este deserto de lucidez que se tornou Portugal.

Um dos temas favoritos da boutade é, nesse mantra de 'espantar o burguês', a sexualidade. Nomeadamente das formas de perversão da sexualidade*. Clássico: dar a entender (levando nós uma 'sheltered life') que certas realidades chocantes existem bem vívidas, e que nós nos cruzamos com elas todos os dias.

Se alguém perguntar por factos - não há. 'Fact-checking' é só um estrangeirismo manhoso usado por indivíduos de óculos que perdem tempo com blogs. Se alguém aprofundar a conversa (uma surpresa, aliás, dado que o tema é supostamente 'para não mexer ainda mais', a não ser por uma espécie de desejo necrófilo), é-se sempre desviado, sobretudo com a justificação subentendida de 'não nos perturbar mais' com a dura realidade - quando o maquiavelismo está, exactamente, em deixar tudo suspenso, difuso, ambíguo. À boa maneira portuguesa, o subjectivo é senhor do objectivo.

Seja pelo palavrão gratuito, seja pela boutade de conteúdo explícito, perverso, incompleto, configura-se na sociedade portuguesa, no microcosmos de uma conversa aquilo a que eu gosto de chamar o 'movimento streaker'.

Tens um pensamento perturbador? Conheces uma notícia sórdida? Então manda cá para fora, quando as pessoas estiverem a comer ou a pensar em coisas sérias! É despires tudo e mostrar 'your stuff' para o público. São os teus quinze minutos de fama, a libertação! Uuuuiiiiii! Bora lá.

A gente tira logo o preconceito do civismo e mostra a realidade nua e crua aos olhos preservadinhos desses copos de leite! Nem interessa se sabemos da coisa, ou se ela é verdade! Estamos com a coisa a roer na mente. Os jornais e a televisão também não seguram as cuecas - porque haveríamos de o fazer? Interessa é que fica na retina essa corrida em pêlo pela falsa moralidade! Está cá fora... Uff... Que alívio!

Ah, todos os 'streakers' portugueses fossem como este senhora, com o perfil ideal para a primeira 'streaker' de Wimbledon...



Na verdade, a metáfora mais ajustada seriam aqueles senhores barrigudos em meias, fugindo de outros senhores fluorescentes, com "ultra-mega-über-casino.com" toscamente pintado nas costas. Urghhh... "didn't need to see that".



E o mesmo se aplica na perfeição aos 'streakers' tugas hodiernos: urghh... "didn't need to hear that".

quarta-feira, abril 15, 2009

Nerd-Wannabe

Uma das coisas mais... fixes de toda a minha vida foi a realização de um sonho: confessar 'I'm a nerd', a uma representante da 'nerd-nation' USA.

Foi a propósito de uns cartoons 'nerdy' (famosos, embora) que eu conhecia e esta simpática americana não, e lá lhe disse: 'Well, I'm a nerd... You've probably caught up on that'.

A verdade, porém, é que eu não sei se ainda sou um 'nerd'. Já fui, sabia imenso de imensas coisas - mas depois parece que me desleixei. Mas porque é que eu fui jogar à bola?...

Fiquei a modos que um 'pseudo-nerd', um 'nerd-wannabe' (so sad...). Mas... sei lá. Ela pareceu aceitar a coisa, fazia-lhe sentido. Toma lá: 'certified nerd'. I hereby state that Zé Júlio... etc, etc.

Riam-se, riam-se. O certo é que se eu um dia for ao Kentucky tenho uma amiga. Pode acontecer - porque não?

sábado, abril 11, 2009

Os Faróis Ligados, Metáfora e Desconforto

Lá ia eu, feliz na estrada. Mas ao parar numa bomba de gasolina, as pessoas olham estranhadas, para o parque de estacionamento. Diacho. Saberão elas da minha célebre inépcia na condução? Virá nos jornais, ali nas prateleiras? 'Indivíduo de Óculos Espalha o Pânico Novamente Com Reinvenção da Lei de Prioridade'? Ou mesmo: 'Escândalo: Polícia Deixa Solto Condutor Que Demorou 30 Minutos Para Estacionar de Lado' (eu disse-lhes que era agora, à próxima, mas a presença deles só aumentava os nervos...).

Mas não. Depois de sair da bomba de gasolina é que eu percebi esta inusitada atenção. Eram os faróis, Zé Júlio! Estavam ligados, home. Méképossível...? É - comigo até é. Mas aquele olhar a criticar o desleixo alheio - o meu, no caso - lembrou-me uma metáfora genial: os faróis ligados na altura errada são a 'berguilha aberta' de um condutor. 'Ehhh... que vergonha! Fecha isso, pá!'. O quê? 'Os faróis, pá! Os faróis! Então levas essa m**** ligada ao meio-dia?! Fecha isso, pá. Hoje não é dia de enevoamento! [risos]'.

É um desleixo juvenil que ninguém gosta de ver. 'Que vergonha!'. A não ser que seja numa estrela de rock excêntrica, que faça disso um 'fashion statement'. Ainda assim, duvido que possa andar com os faróis sempre ligados.

sexta-feira, março 27, 2009

O Estado

Dou comigo a pensar como na minha vida, dessas coisas que o Estado dá a tantos portugueses: bolsas, subsídios, ajudas, etc., em nada creio ter sido - directamente, pelo menos - agraciado.

Para mim a 'mama' do Estado é como aquilo dos acidentes - só acontece aos outros. Pode ser que eu um dia, se não tiver cuidado, dê uma guinada na direcção e vá parar a uma avença confortável. Ou não respeite um vermelho e entre numa repartição amena.

Nada de grave, claro - só uns princípiozitos partidos, só umas escoriações superficiais na moral. Nada de sério. Mas é que eu ainda teimo em ter cuidado. Raios.

É assim, o célebre 'Estado'. Farto de ouvir dele na TV e jornais, mas - lá está - tantas vezes parece ser coisa só 'dos outros'.

sábado, março 21, 2009

O Esforço

E pronto - amanhã é o dia da Mini.

Mini Anden



Vai custar - mas valer imensamente o esforço.

quinta-feira, março 19, 2009

Sentire

Ele falava em alto tom propositadamente. Com os amigos, discorria sobre as 'damas' que conhecia em jogos na net. Qual era o nome daquela? "Só quero afogar o ganso. Falei com ela, disse que já tava farto de ir para os copos com os gajos. E ela disse que tinha vodka".

De repente trocava, já não falava de 'damas', 'cena', 'chaval'. Falava brasileiro? Imitava o sotaque. Porquê? Ah. Mas 'o gajo', 'a dama', 'ya', 'ya', 'ya', 'tás a ver?' voltou, voltaram.

E à distância o mitrês trocava com um sotaque brasileiro. Propositadamente a fazer-se sentir. Aliás, em italiano, 'ouvir' é 'sentire'. E há conversas, tons, rumores, dúvidas que se querem fazer 'sentir' em redor - às outras pessoas.

Mas depois, só, houve ainda um galão a beber. E apontou ao empregado como um colega se esquecia de um pormenor no serviço da bebida.

Talvez tantas vezes, ao nosso jeito, usemos o nosso qualquer 'mitrês' ou 'pseudo-brasileiro' para nos fazermos ouvir. Não - ninguém é perfeito. Talvez só nos distingamos se, realmente, ainda damos atenção a esse pormenor, a essa pequenice de que gostamos. Somos portugueses respeitadores enquanto gostarmos desse pormenor. É o nosso modo de melhor expressão - involuntária, silenciosa - pelo rumor que quisermos criar, com que quisermos dar a entender aos outros - aquilo que somos, aquilo que podemos ser.

terça-feira, março 17, 2009

Pode Ser Chato, Mas Pior é Não Ter Prefixos

Uma coisa que me apoquenta especialmente são as 'chain letters'. No entanto, as que apelam a maldições, promessas de felicidade, cheias de testes, historietas, e moralidades 'feel good' não me incomodam minimamente. Ignoro-as com gáudio.

Mas... deparo-me sempre com as 'chain letters' de pedido de ajuda, pessoas supostamente em desespero, para encontrar alguém perdido, ou com problemas médicos. Aí, muito a custo, tenho que abrir uma excepção. Detesto ter que incomodar pessoas que conheço, melhor ou pior, com tal missiva, mas... no caso de tal ser efectivamente verdade, não tenho, nem os recipientes, o direito de ignorar um genuíno pedido de socorro. Ninguém tem.

Certamente, nem tudo será fidedigno. Mas... outros fins menos nobres escondidos a uma primeira vista, quem somos nós para ignorar o que quer que seja? Eu acabo por não gostar de receber estas cartas - porque sinto o dever de incomodar outras pessoas enviando-a também. Às que leiam este blog, ficam as minhas desculpas.

Peço somente que concebam como é ser um familiar assim em desespero. Todos temos, como humanos, de ser feitos de um mínimo de empatia, de compaixão. E todos temos que esperar, também, nunca nas nossas vidas ficarmos sem os prefixos "em-" e "com-" - nunca ficarmos a sós com a dor, e com a ânsia.

sábado, março 14, 2009

Generosidade

Eu não me importo com a interdição ao olhar. Eu não me importo com o desconforto e estranheza da atitude de levantar para dar o lugar a alguém. Eu não me importo com o clima - desde há anos - depressivo, nem com o Império do Não-Me-Toques. Eu não me importo com a vigilância tácita, com a estranheza entre seres humanos. Eu não me importo com as ideias maquinadas, com os pensamentos que não deviam, mas que voam pela mente. Eu não me importo com a diferença, os tons, as palavras, os toques de telemóvel. E não me importo com os odores, os barulhos, as má-educações. Com as distâncias, os pequenos códigos. Eu nem me importo com os bêbados demazelados que passam por mim vociferando, usando "wife-beaters" e rastas, um deles reclamando de garrafa na mão ser "o Rei de Cabo-Verde". E eu não me importo com os mesmos cegos de sempre, que conheço de cor.

Mas ao sair do metro estão três crianças, três raparigas, a pedir para a Caritas. Se eu não tenho moedas para lhes dar elas, pequenas, sabem explicá-lo ainda melhor do que eu ("o sr. não vai dar uma nota, não é?" diz uma delas à outra). Mas eu arranjo algo. Só não percebo bem como no meio daquilo tudo estão assim crianças, ao calor, a pedir para os outros. Ou antes, eu percebo, e muito bem. Só não percebo porque é que a maioria, desde há tantos anos, deixou de perceber.

Afinal de contas, e digam de mim o que disserem, e faça eu o que fizer nesta vida, que o negue por vontade ou contra mim, não foi nunca por acaso que eu escolhi o nome para este blog.

segunda-feira, março 02, 2009

Eye Candy (But Life Is Sweet For Real)

Há uma coisa que eu não gosto no perdão - pode tornar-se um hábito. Pode-se ganhar o hábito de perdoar tudo, quase tudo, por mais que custe acreditar. E eu não gosto disso. Gosto de pensar que tenho a minha medida. Nem preto, nem branco - cinzento, o meu tom. E a maior parte das pessoas terá o seu, suponho.

Mas, para muitos, o perdão é apanágio dos fracos. O perdão é uma virtude bacoca, de alguém que não se assume. Nunca foi assim que eu nele pensei. Descontando os casos em que o não dispenso - segundo o tom - o perdão é um grande auxiliar à vida. Permite-nos não perder energia com a parte insignificante da vida, permite que não nos ceguemos por uma qualquer minudência. Permite que andemos em frente, e isso faz-nos muitas vezes pensar na vida como ela realmente é, sem espelhos, ilusões. O perdão ajuda a não estarmos cegos, e nesse sentido só pode ser atributo de um homem sábio - aquele que ama a vida, e o melhor que ela tem.

É que a vida tem mesmo muita coisa que ajuda a perdoar, que ajuda a não ficar cego. A vida vale a pena viver - vale a pena ver. Vale a pena perdoar.


Always

Pergunto-me quantos são os defeitos que notamos nos outros. Quantos pormenores, falhas, diferenças de nós mesmos. 'Tudo bem que eu isto e aquilo - mas aquilo nunca me aconteceu'.

As pessoas são pessoas - estão sujeitas a pressões, internas, externas, sobre as que podemos elaborar, adivinhar, mas estão - inevitavelmente - cheias de pequenos defeitos. Pelo menos aquelas que não têm grandes, sérios, defeitos.

Quantas figuras tristes vimos ou fizemos? Quantas inanidades? Quantas ofensas à inteligência? Foram muitas, concerteza. Mas, mesmo os mais cínicos devem ter por esta altura percebido, a 'sujeira' é uma moeda de que pouco serve no mundo que aí vem. Quem não é inteligente, ou sólido o suficiente para 'passar por cima' de alguns detalhes, ficará para sempre preso a uma outra realidade.

Mais importante será talvez, para o melhor e para o pior desse futuro, fazer uma análise honesta. Quais são os fios de algodão que nos prendem, e quais são os motivos de uma vida. Quais são os sonhos, as capacidades, e ousadias. Quem são as pessoas de quem nem vale a pena lembrar, e quem são as pessoas que, pelo meio de todas essas figuras, dichotes, pecadilhos, nunca saíram, realmente, do primeiro lugar da nossa mente.


domingo, março 01, 2009

O Jogo da Sedução

No outro dia fui jogar futebol de cinco.



E posso-vos dizer que não foi para meninas.

Como é que me saí? Bom, estranho um bocado a pergunta, mas... realmente confesso que estava um bocado perro. É possível que estivesse num nível uns furos abaixo do resto dos jogadores. Como? Sim... ainda eram uns quantos furos.

A propósito de furos, a seguir à enésima "cueca" dei comigo a reflectir nesta realidade: eu até conheço o perfume da bola, mas - lá está - ela passa tão rápido, que só fico a conhecer -lhe o perfume. Eu tenho a técnica toda, ela deve saber que sim. Tenho o toque de bola, quando quero, o passe, a desmarcação. Mas... ela não me liga muito. É assim uma mulher caprichosa, passa ligeira por mim, nem me dá tempo de inventar uma deixa. E fico só a olhá-la. Não me resta senão olhá-la, quando ela passa... linda, cheia de graça.



Mas é uma mulher que não me dá bola. Ou uma bola que não me dá conversa. Diz que não gosta de rapazolas imberbes e com barriga. É assim cruel comigo: não diz barriguinha, não usa eufemismos desses. É logo: barriga!

Face a esta rejeição, fica só um amor platónico. Involuntário, porém - que eu sou bastante aristotélico.

Para mais, diz que se dá bem com os outros jogadores, já os conhece há mais tempo, e eu sou ali um estranho, etc.. Tudo bem. Ainda assim, gostei bastante do jogo em si - foi um excelente exercício físico.

Depois, o melhor do meu futebol é aquilo que eu gosto de chamar - e que o Valdano deve ter escrito um dia, para o Luís Freitas Lobo citar enchendo os seus artigos - o 'jogo invisível'. À base da táctica. Gosto de defender, cortar linhas de passe, possibilidades furtivas, complicar o esquema dos atacantes. Em suma, trabalhar, suponho.

Uma das coisas mais interessantes que aprendi neste jogo foi fechar um passe para a entrada entre dois defesas, em coordenação com o outro defesa. Ora, a maior parte das pessoas acha isto aborrecido, mas encontro nisso uma certa beleza táctica, um perfume a futebol à italiana, de 'calcio', defesa sólida, inteligente.

Quanto ao resto, quanto ao meu 'jogo visível'... bom, diria que, bastantes vezes, era melhor que fosse invisível. Ainda assim, lá estive, a aprender com quem sabe. E deu para marcar um golo em defesa da honra - nada mau.

Mas a evolução é sempre possível. Melhorar é inevitável para quem se esforce. E... aprender a seduzir uma bola não deve ser assim tão diferente de aprender a seduzir uma mulher. É só preciso gostar dela acima de qualquer outra coisa, naquele momento.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Tudo Bem

Decidi remover o post sobre a 'D. Armanda'. Tinha lá umas coisas raras, fazia confusões, levantava dúvidas. Tudo bem.

domingo, fevereiro 22, 2009

O Clã no Ecrã

É um sentimento curioso, o de termos uma pessoa da família num programa de televisão. Neste caso uma prima, que está a começar, e de quem eu me recordava apenas remotamente. Como ela decerto não se recorda bem de mim. E, ainda assim, é um sentimento curioso.

Aqui ficam os desejos de maior sucesso nessa aventura.

Ser Sportinguista

É difícil, tantas vezes, ser sportinguista. A maior parte das pessoas que conhecemos até são benfiquistas, sobretudo benfiquistas que não acreditam que, ao dizermos que um Luisão nunca foi um bom central (já Sidnei parece-me muitíssimo melhor que Luisão ou David Luís), ou que o presidente deles é menos bom do que canonizam, não o fazemos enviesados por clubite. Até porque os sportinguistas, tantas vezes, são os primeiros a 'desancar' na própria equipa.

Ontem fui ao Sporting-Benfica, e confesso que deve ter sido um dos melhores jogos da minha vida. Excelente companhia, acesso fácil, grande ambiente, magnífica visão para o relvado. Qualidade, é a única palavra que me ocorre.

1-1: empate após a primeira parte. Não vi o penalty para o Benfica. Não sei. O resultado é talvez justo, não sei ao certo - honestamente. Ao intervalo, saímos, vamos dar uma volta. De repente, passa por nós o líder de uma das maiores - e melhores - empresas portuguesas. Na minha plebeia bancada - que nada tem de VIP, atenção. De repente, num relance, passa por nós a miúda mais desconcertantemente gira que vi nos últimos tempos... Tem que se adorar, este estádio de Alvalade.

2ª parte. Entrou o Pereirinha. Não me entusiasmou, mas também já o respeito o suficiente para não sentir a sua entrada como ameaça à equipa. Num lance, fintou um jogador - hei! Mas não tem continuação... Só que... só que ele ainda corre com a bola. Ah, mas chegou ao fim, linha de canto... Súbito: grande nó sobre o defesa: hei!!! Ah, mas agora seria preciso pé esquerdo. para centrar. Pois, a bola vai meio alta... Espera: está ali o Liedson! Ah, mas ele dali é impossível, não dá para... GGGOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!
F***-se!!!!!!!!!!!!!!!! Granda jogada! Que jogada! Graaanda goooolo...!



E, bom, perguntam vocês: mas porque é que isto está em francês? Je ne sais vraiment pas. Mais c'est jolie, ça... Bien sûr, on perd les commantaires d'un Gabriel Alves, d'un Rui Santos... c'est la vie, mes amis! On ne peut pas tout avoir. Mas eu concordo numa coisa: c'est magnifique!

Mas retomando a coisa: eu penso sempre na vitória do Sporting, na vida so Sporting, e muito menos na vida dos outros, mas não preciso de ser hipócrita com ninguém: eu gosto que o Sporting ganhe, e gosto, obviamente, que o Benfica e o Porto não ganhem. Está dito. Que me desculpem a ofensa, leitores benfiquistas, portistas - eu prefiro ser honesto convosco. Venha daí esse 'hate mail', para os revoltados leitores imberbes. Força. Knock yourselves out.

No entanto, com a mesma honestidade digo que sei reconhecer perfeitamente quando o Sporting não merece - ou quando o Benfica, o Porto merecem. Tudo bem. Não vale a pena estar a mandar areia para os olhos. Eu não vivo disso, eu não vivo do futebol. É só um complemento, mais nada. O Sporting não é campeão? Perdeu um jogo? A vida continua.

José Diogo Quintela dizia n'"A Bola" de ontem que teria escolhido ser sportinguista para não ser conformista. Para ser... do contra. Vamos ser honestos. O Benfica tem consigo tudo: tem a Lei dos Grandes Números. Mais adeptos, mais dinheiro, mais palmarés. Tem tudo. E é fácil querer ter tudo, gostar de ter tudo. Querer ser do Sporting corresponde a uma grande fé. A fé de que outros valores podem derrotar - ou mitigar - a Lei dos Grandes Números. É mais do que uma fé clubística. Como diria o José Diogo Quintela, é uma fé em como as coisas podem ser... feitas de forma diferente, que pode haver uma outra maneira. Que pode ser de uma outra forma. Tem que haver um qualquer engenho, uma outra maneira de jogar o mesmo jogo.

As coisas são mesmo assim: várias vezes, em confronto, essa abordagem vai perder. E, como sportinguista, no jogo, na vida, é preciso estar pronto para isso. Mas... quando ela consegue ter sucesso, quando ganha contra tudo, quando persiste, quando arranja outra maneira... então é a fusão de beleza, técnica, dinâmica, inteligência e criatividade. É algo que só acontece de tempos a tempos - mas para um sportinguista é algo tão intenso, tão fantástico, que vale a pena esperar todos os outros jogos, todos os outros anos.

Já se sabe que é mais provável o Benfica e o Porto ganharem títulos. Mas ser sportinguista é mesmo assim. É ser do contra, ter esperança em algo diferente, ter paciência. É vencer as 'odds'. Só de tempos a tempos, é certo. Mas tudo bem: It's still the best thing I've seen.

Ah, e a Sporttv acertou no tom do anúncio:



Belo jogo.