quarta-feira, julho 30, 2008

Caras-Metade

É estranho pensar como a natureza das relações é importante para o nosso bem-estar pessoal, e para a nossa serenidade.

É por isso, suponho, que se eu fosse religioso, e a minha primeira oração fosse a de uma namorada para mim, a segunda seria, certamente, a de um namorado para a minha irmã.

Não - por cá não mora nenhum Gonçalo Mendes Ramires, pelo contrário. Ia ser um descanso (como eu, emparelhado, o seria para ela) - é a minha convicção.

Gostava de saber o que é que dirias a isso, Eça.

terça-feira, julho 29, 2008

Incha... Desincha e Passa

Pergunto-me se alguma vez na História da Humanidade terá havido tanta disparidade entre a atracção, o apelo ao sexo, e o acto propriamente dito. Não deve ter havido nunca tanta gente a estalar de sensualidade (eu arrisco dizer que as miúdas da minha adolescência não eram como as de agora... se não parecesse bota-de-elástico em vez de discernimento analítico). Mas... parece que tudo se fica por aí. Acreditem - não é só por experiência própria que o digo...

Há aqui uma decaláge muito interessante. A riqueza e o bem-estar, a Saúde generalizada, trouxeram uma classe média que se pode perfeitamente perder em ligações mais ou menos perigosas. Mas acabo por constatar que entre a promessa, o quase tão perto que nem parece real, e o real propriamente dito, vai uma distância enorme, e essa é a verdade. Pergunto-me se devido a uma espécie de sucessiva desilusão, de desapontamento com o real face ao onírico. Não sei.

Mas tudo bem. É o Verão. Como dizem as velhotas de aldeia, a época em que tudo 'incha, desincha e passa'.

Os Impostos Atraem-se

Penso em ir de carro ao Algarve. Preciso de abastecer o carro, pagando ISP, IVA e IVA sobre ISP. Depois, seguir pela auto-estrada. Mais €20 de portagem para cada lado. Dou comigo a pensar quanto dinheiro tenho que levar para umas refeições, que teria que comprar. Antes, 2000$00 era um almoço já a fugir para o caro, hoje €10 quase não dá para um. E temos um IVA de 20%, só para não haver dúvidas que se gasta dinheiro à séria.

E eu, que sempre fui um nefelibata, um contemplativo, e distraído, dou comigo a ir ao supermercado e a perceber que, realmente, com €20 não se compra quase nada. Isto não pode acabar bem...

Mas mesmo que o petróleo não estivesse a tocar máximos, uma crise podre de longa, e uma inflação mal percebida, os impostos tiram-nos demasiado dinheiro. É como se, obscenamente, não tivessem mesericórdia pelo aumento do custo de vida. É como se não bastasse levar o mesmo que antes - têm que levar mais. Parece que não há vedar a este vício de cobrar pelo Estado. E, pensando comigo, acabo a formular mais uma lei para a vida: 'Os Impostos Atraem-se'.

segunda-feira, julho 28, 2008

You Got Women On Your Mind III

Estava a pensar noutro post, mas esqueci-me dele. Começei a pensar de novo em mulheres. O que é que hei-de escrever agora?

You Got Women On Your Mind II

É por isso que vale a pena acrescentar a versão de Shaggy, onde a estética, passe a voluptuosidade mulata, estará mais próxima de como a coisa deve ser.

Raparigas e mulheres, ânsias e saberes, olhares e corpos. Maldito Verão.


You Got Women On Your Mind I

E nada mais tenho a dizer sobre o Verão. É como se esta canção estivesse a passar sucessivamente na minha cabeça, a cada decote, a cada deslumbre de costas imculadamente bronzeada, a cada... bom fiquemos por aqui. Maldito Verão.



P.S.1: Como a menção ao inebriante feminino se mistura com um vídeo-clip de grandes planos a burgessos mal-vestidos, a barbas, patilhas e narinas, é algo que só a magia da música pode explicar. Bem podiam eles pensar em mulheres que a coisa, não fosse pela música, nunca passaria dali. É como se, passados 30 ou 40 anos, ainda apetecesse dizer: 'Bela música, mas tomem um banho - a sério. Vão ver que elas preferem.'

P.S.: Ah... women. On your mind - can't help it.

Time Travel: A Cara da Voz Off

Uma das poucas razões porque me deparo perante uma telenovela por alguns magros minutos, por uma novela portuguesa (nas brasileiras é microsegundos), é a de ter a curiosidade presa por algo que nada tem a ver com a cena emitida: antes pelo seu som. Mais concretamente, por algumas vozes.

É que há vários actores que chegaram às novelas de produção nacional (e refiro-me sobretudo às da TVI) depois de, por vários anos, terem permanecido no anonimato. Não no anonimato total, que também os há, mas depois de terem exclusivamente emprestado a sua voz - fazendo de 'voz-off' - dos meus (e vossos) desenhos-animados de infância. É uma sensação muito estranha, e curiosa, como que uma curta viagem à infância. E pelos caminhos da memória tentamos localizar o desenho-animado, a manhã concreta, a hora a que passava, em que olhávamos, fascinados.

Essa memória remota liga agora uma cara àquela voz tão antiga, a uma voz que parecia não ter cara, não ter gente, ser só a própria voz.

Pára o tempo, de repente. Feita a pequena viagem-surpresa, é hora de mudar de canal. Afinal, continua a ser uma novela da TVI.

Time Travel: Os Imortais

Eis o genérico de uma das melhores séries de que me recordo. Quem não se lembra de Duncan MacLeod? Belos tempos, de boa televisão, e temas criativos. Saudosismo dos 90'? Talvez, quem sabe... Foi a minha década, afinal.



P.S.: Não percebo como aquela gente da Sic Radical, tão afoita a repor séries medíocres, não se lembra de trazer de volta 'Os Imortais'. Sucesso garantido, meus caros. Suponho que não tenha a mesma magia, profundidade, e cadência que um excelso 'Curto Circuito'. Otários.

domingo, julho 27, 2008

Esquizofrenia Bizantina II

O problema da esquizofrenia bizantina dos nossos dias é só e apenas o mesmo: a Natureza. Deixem os bombeiros demasiado ocupados a discutir de quem é aquela noite no quartel, e um fogo violento traz o castigo como uma surpresa. Deixem médicos entretidos pelos corredores de um hospital, a fazer tempo para se irem a seus consultórios, e a doente morre naquela noite, porque ninguém o pressentiu, analisou devidamente.

A questão é que há funções, profissões, vitais, onde uma falha tem piores consequências. E, não raramente, essas funções estão entregues, num Estado paquidérmico, a secções sem rei nem roque. Devia haver liderança do lado desses sectores, e mais noção - do resto da sociedade - de que a maior responsabilidade corresponde maior remuneração. Quem não quer ou não consegue - não faz.

Mas a coisa acaba sempre com um estudo, justamente a remunerar principesca e obscenamente os grandes escritórios de advogados e consultoras, porque aqueles quadros de Arte Contemporânea, fatos, e BMs não se compram sozinhos. E também é durinho estar num escritório todo o dia só com boa mobília e ar condicionado. Nem sempre há café à altura.

Brinquem à vontade, que a Natureza vem aí. Não se esqueçam: "Chassez le naturel, il revient au gallop".

Esquizofrenia Bizantina I

Um dos sinais claros de decadência da sociedade - e neste caso inspiro-me na nossa, portuguesa, é o esquecimento das prioridades, do fundamental, do básico. Chamo-lhe a "esquizofrenia bizantina". Olhem em vosso redor: quantos casos não conhecem de gente que discute e se consome em questiúnculas quando o fundamental passa ao lado?

Vejam se não encontram enfermeiros a escusar-se a fazer algo, por não ser o seu turno. Ou médicos num hospital, que, assim que o ponto está picado, se vão. Ou políticos de 3ª e 4ª linha nas câmaras que desviam ardilosamente pequenas porções de dinheiro, assignadas a coisas importantes. Ou professores que deixaram de querer inspirar alunos, que fazem das aulas o suplício das suas investigações e culturas, ou - pior - das suas vidas mundanas, iguais às de todos os outros que não precisam ser criativos e inspiracionais. Ou polícias que rastejam incomodados pela zona que patrulham, em vez de procurarem o que está mal, confrontá-lo, assegurar que, naquele perímetro, nada de mal acontece, em vez de estarem a pensar na esquadra, na sua casa, nas suas escapadelas, na sua não-função. Ou adolescentes que experimentam sexualmente por absoluta revolta com o mundo, porque não vale a pena esperar por este mundo, e a televisão não mostrar ninguém que pense o contrário? Ou colunistas presos nas próprias colunas por cordéis que nem suspeitamos? Ou futebolistas que se esquecem de que são a selecção de 1/milhão de avos de pessoas, que se comportam como mercenários? Ou de velhos que estão abandonados por toda a gente, em finais de vidas tão tristes que não há palavras? Ou crianças que não têm, qualquer dia, protecção especial, que são sujeitas a mundos adultos que não estão preparadas para compreender?

Mas não. Não há problemas. Não há obscenidades. Olha, está ali aquela brasa na televisão, ui... E o Ronaldo está de férias acolá. E a Bruni lançou um CD novo. E amanhã há bola. Não exagerem. Não há problemas, eu não os vejo. E se os vir- mudo de canal.

A Segunda Derrota, o Tsunami do Ânimo

Pior que uma derrota pessoal - e isto não é um cliché de filme série B - é a não-reacção, a entrega. A absoluta falta de criatividade pessoal para conceber uma maneira de dar a volta, de vingar, ou mesmo só de minorar essa derrota. Eis a palavra-chave: criatividade.

A falta de luta pela redenção, sem nada sacrificar da nossa opinião de nós mesmos, da nossa auto-estima, o encontrar de um ânimo pessoal particular, que nos dê objectividade e discernimento, é, sim, a verdadeira derrota. Eis como o problema nunca advém da primeira derrota - antes da segunda. Como um tsunami, em que a segunda vaga é muito mais destrutiva que a primeira.

They Can't Take That Away From You II

Pequeno precalço no calendário - mas continua a faltar um mês e uma semana para estar aqui. O tempo está a contar.

quarta-feira, julho 23, 2008

Mrs. Robinson



Boa tarde, Mrs. Robinson -
Todo o prazer
Em a conhecer.
E às malhas em que teceu intrigas
E que despe...
Como às minhas inocências,
Demasiado antigas
Para as não reconhecer.



Mas... engane-me ainda
Como se eu soubesse escolher.
Por favor.
Nas malhas em que me prende
Os sentidos
Há mais diabos que os seus -
Acredite.

Porque, Mrs. Robinson,
Mesmo que eu soubesse
Escolher...
Nunca pensou
Que eu pudesse só querer
Antes, esse prazer
De a conhecer?

Pedro Oliveira


Irrequieto, Constante e Feliz: O Adeus a João Pinto

Um adeus sentido a João Pinto. Pequenas notas: sempre me pareceu gostar, verdadeiramente de 'jogar á bola', sempre me pareceu estar muito confortável na sua portugalidade - de tal forma que escolheu fazer carreira em Portugal, ao contrário de seus co-aureogeracionais, sempre me pareceu um pouco mais genuíno em campo (de tal forma que raiava a agressão).

Constantemente irrequieto em campo, constante também na sua vida, na sua carreira. Sem deslumbres ou quimeras, passando pela vida como pelo jogo - com esforço, simplicidade, discernimento, e... prazer, felicidade.

Para a história, o melhor golo de cabeça que me lembro de ver (a desafiar a Física), no melhor jogo de sempre, para mim da selecção.

Estupidimetria

Tenho a noção de como o que escrevo é, recentemente, alterado pelo calor. Mas os posts, mesmo assim tostados, são para ser escritos. A vós a paciência.

Batman

A propósito do blog, e daquilo que eu escrevo no blog, tenho repetido que não gosto de misturar o 'real' com o 'virtual'. Partindo do princípio que todas as pessoas com quem lido diariamente sabem do blog, peço que percebam que ele é escrito por uma espécie de 'alter-ego' criativo, como que um Batman, entretendo Gotham City (Brandoa, em português) a partir da sua Batcave.

Serenidade

Explicava eu como, na sociedade actual, de competição e stress constante, é sempre necessário a um rapaz, a um homem, ter uma contra-parte feminina na sua vida. Porque senão - assim vai a teoria - com os níveis de testosterona nos píncaros do desassossego, não faltam pequenas agressões no dia-a-dia que os possam concretizar em algo desagradável.

Escolher uma parceira, para nos garantir essa serenidade de espírito é evitar, ao tomar o pequeno-almoço de manhã no café, pensar 'Este gajo serviu-me o café a escaldar de novo. É hoje que lhe vou à cara'. Ou, à tarde: 'Aquele gajo olhou duas vezes para mim. Está f*****'.

Sem mulheres não há, provavelmente, paz, não há serenidade. E a coisa aqui é toda ela afectiva - está além do sexual. O sexual, convenhamos, é fácil de resolver nestes tempos.

O problema, claro, está na pessoa que, por sortes na vida, temos a oportunidade de acolher, e ela a nós. Nessa pessoa é feito um investimento demasiadamente importante, como o ela o faz em em nós. Mas que esse é um destino inescapável, para a maioria, numa sociedade civilizada e intelectualizada, tenho-o como praticamente certo.

terça-feira, julho 22, 2008

O Momento Chimpanzé

Já o disse algures, neste blog: como humanos (e a expressão não é minha) somos, assustadoramente, um híbrido: somos chimpazés intelectuais. Às vezes mais chimpazés, outras mais intelectuais.

Serve esta recapitulação para vos falar daquilo a que chamo 'momento chimpanzé', no sentido de um assomo, justamente, da porção mais primeva e bruta da natureza humana. Ora, o momento chimpanzé é um desvio momentâneo do comportamento socialmente, correcto, para revelar instintos primários. Tem várias modalidades, mais ou menos graves, mas pretendo aqui tratar um favorito pessoal (porque nele incorro), perfeitamente inofensivo, e que chamarei de 'esgar ao decote'.

Antes de continuar, um apelo à vossa total complacência estival para as linhas que se seguem. Muito obrigado.

Ora bem, o 'esgar ao decote' é um movimento súbito, um desvio da linha do olhar de um indivíduo do sexo masculino para o decote de outro indivíduo, do sexo feminino. Já estão escandalizados? Esperem que a coisa piora.

É assim mesmo. De repente a cabeça dele está descaída, os olhos fixos num decote à sua frente. E o pior é que, na maior parte das vezes, ela nota, e ele nota que ela nota. Que me perdoem a honestidade, mas todos sabemos que esses desvios involuntários, masculinos (creio que exclusivamente masculinos) para uma porção do corpo feminino - acontecem. Literáriamente, poderíamos dizer que o 'esgar ao decote' seria uma sinédoque: consiste em tomar a parte pelo todo. Os olhos ficam, desconcertantemente, presos numa área que lhes é interdita, e o tempo pára até ao ao alarme da vergonha (para quem ainda o possui).

A mim, que desde logo me confesso padecer deste mal, a coisa acontece-me sobretudo em jantares. De repente, desocupado de conversas com quem quer que seja, os olhos viajam por vários lugares, e acontece pararem, sem aviso, a sua viagem, no lugar onde não devem. É como se estivessem a fazer um 'scanning', à Robocop, do ambiente para registo na 'drive', e, na inocente contemplação, e não se apercebessem de que, num segundo, nada é já inocente - ou pelo menos aparenta não o ser.

Era uma vez, portanto, um ingénuo sr. Robocop, a inventariar, a 360º, a realidade em torno de si. 'Log In': [Prato], [talheres], [metade de carcaça com migalhas na mesa], [faca suja de manteiga], [prato com azeitonas], [copo de sangria meio-cheio], [toalha laranja], [jarro de sangria], [amigo X, ao meu lado, falando com amiga Y, à minha frente], [K falando para G, do doutro lado da mesa], [R olhando para o ménu], [D rindo-se com a amiga F], [quadro foleiro sobre a parede ocre], [candeeiro por cima da amiga Y à minha frente], [seios de Y], [seios de Y], [seios de Y?], [seios de Y!!!], [WARNING: DESVIAR OLHAR], [WARNING: DESVIAR OLHAR], [vazio embaraçado], [vazio embaraçado].

É aí que o Robocop tem um assomo de vergonha e culpa angustiante, que o levam a aumentar o ritmo cardíaco e a sudorese palmar. É aí que o Robocop é humano, demasiado humano. Tantos anos de Civilização a tentar programar o chimpanzé, e o chimpanzé foge assim, dança provocativamente em frente a nós, aproveitando um descuido.

Vem depois a fase do 'Damage Control'. Entenda-se: ela percebeu ou não? Geralmente, percebe sempre. É uma chatice. A questão que realmente me intriga na coisa é que este fenómeno embaraçante é absolutamente indiscriminado. Por exemplo, acontece-me sucessivamente com raparigas, ou mulheres, que não têm, para mim, um certo apelo. Quer dizer, que não são impactantes, não me despertam tanta curiosidade.

Vou só fazer aqui um aparte: para o caso de me considerarem pedante, perceber que eu, como rapaz (por um momento ia escrever homem) não tenho a pretensão de aguçar qualquer curiosidade feminina. Quer dizer, há algumas que se interessam - misteriosamente - mas depois, ao ver a peça mais ao perto, logicamente mudam de ideias.

Digo somente que, se fosse possível - e correcto - assignar um 'coeficiente de atracção' imparcial (sabendo eu do quão miserável é o meu, masculino), às mulheres, acontece-me mais esta 'fuga do símio' com as que não, tendo toda a dignidade de mulheres embora, não me obrigam a tão alta classificação. O que não deixa de ser curioso.

É como se o chimpanzé, fugindo, ainda por cima o fizesse por forma a lixar-me ainda mais. Quer dizer: no extremo absurdo de uma rapariga até se sentir... lisonjeada, o sacana do macado só me compromete com quem não deve. Raios o partam.

É assim que a coisa funciona, de facto, meus amigos. O chimpanzé está sempre lá. E não me venham rapazes que leiam este texto dizer que a eles não, que eu bem vejo como isto não me acontece só a mim. Anda para aí muito chimpanzé encapuçado, é a verdade. É uma selva, lá fora. Uma verdadeira selva.

domingo, julho 20, 2008

Conhece as Pedras da Calçada - Conhece o Teu País

Ainda a propósito da tal 'Obrigação de Saber', pergunto-me se essa será, na nossa sociedade intelectualizada (mas pouco intelectual, por vezes), a derradeira moralidade. Quer dizer, uma moralidade pela sexualidade, neste 'day and age' já não faz efeito. Durante muito tempo o tentou a Igreja Católica. Se pegarmos na obra de cada qual... bom, numa sociedade de 'showbiz', que glorifica 'Big Brothers' e Cirstianos Ronaldos (leia-se êxitos instantâneos), acho difícil. Depois, há muita gente, demasiada, que se sabe ou suspeita fazer má obra, sem por isso ter o mínimo castigo (houve em tempos uma coisa de Justiça, mas deve ser um mito).

Portanto, o comportamento em sociedade das pessoas não é sujeito ao juízo moral devido. É uma coisa do nosso tempo, em termos de regressão da sociedade, mas também decorre da própria complexidade que se ajuntou a essa sociedade. Se antes um ladrão roubava um pão, e era óbvio, hoje desvia dinheiro do Estado - e ninguém o detecta.

Podemos considerar o aspecto físico, e a riqueza pessoal. Mas esse 'capital pessoal', nas várias formas, não é verdadeiramente, uma questão sujeita à moral. Uma pessoa pode ser extremamente rica ou extremamente atraente sem para isso fazer o menor esforço. Sem ter mérito ou culpa, portanto. E a questão da moral anda toda à volta do mérito e da culpa.

Talvez reste a 'obrigação de saber'. 'Eu não o posso recriminar por isto, ou aquilo, ou aqueloutro (demasiados telhados de vidro por aí), mas espera... ele tinha a obrigação de saber isto'. Saber=bom=mérito. Não saber=mau=culpa. E, como sempre em Portugal, a moral é aproveitada para o 'bota-abaixo', mais do que para o elogio. Quer isto dizer que muito mais vezes o mérito passa sem elogio que a culpa sem uma recriminação.

O problema, realmente, está na difusão do que se tem, realmente que 'saber', e na avareza com que o conhecimento fundamental é transmitido... É que há muitas lacunas onde tropeçar. É como se determinado corpo de conhecimento fosse a típica calçada portuguesa. Parece simples, e bem bonita. Suave, convidativa. Mas... não convém a ninguém entusiasmar-se a andar por ela. Não correr, não pensar que se é 'o maior'... Há sempre uma pedra solta a amandar ao chão quem gosta de tentar correr por aí.

Da mesma forma, por mais consistente que seja o domínio de um tema, há sempre quem tenha um facto solto para com um 'obrigação de saber' (tentar...) amandar-nos ao chão. E esse é um problema, sobretudo, para a juventude. É o paradigma da 'obscenidade do erro', no extremo oposto do 'nacional-porreirismo'. São como dois afluentes, vindos de direcções diametralmente opostas, a desaguar num mesmo rio. E às vezes as pessoas jovens basculam de ambiente para outro, como joguetes dessas diferentes 'ordem das coisas'.

Ofender a Inteligência

Um fenómeno curioso de observar é o de um certo conflito de gerações, quando os filhos tentam enganar os próprios pais. Não é algo raro, esse fenómeno, nem de agora. Mas os filhos, quando não mentem, mormente ocultam a verdadeira intenção por detrás das suas escolhas aos próprios pais. Às vezes quase há a tentação de trair a própria geração, e avisar: 'cuidado! olhe que o seu filho/sua filha está a ofender a sua inteligência! Eis aquilo que, verdadeiramente, está por detrás do que ele/ela lhe diz'.

Não tenho presunções de ser perfeito, claro. Mas a cada dia que passa percebo que, nesse capítulo, pelo menos, sou melhor que a média. E ninguém me furta esse orgulho.

sábado, julho 19, 2008

I Call It Art, Actually

Agora sim. Depois do último exame - espero - dentro de alguns meses, posso então publicar este post, de carácter mais lúdico e estival, caros telespectadores. De carácter... garúpeo. Uma publicação - curiosa ambiguidade - retroactiva.

P.S.: Remeter crítcas, injúrias e processos judiciais para o mail devidamente não identificado ao lado, como sempre. Muito agradecido.

Republicano

No outro dia alguém me dizia que eu 'tinha jeito' (não sei exactamente porquê), e que devia seguir 'política' (assim, com P pequeno). Eu disse que não, obrigado.

Há somente uma nação pela qual eu tentaria uma carreira, e uma candidatura. Mas não consta que alguém nessa tal 'República da Cerveja' ande à procura de um primeiro-ministro.

sexta-feira, julho 18, 2008

Triângulo das Bermudas

Se uma árvore cai na floresta e ninguém vê, será que caiu mesmo?

E se alguém foi a Bora-Bora, e eu me estou positivamente borrifando - será que foi mesmo?

A nossa indiferença é o triângulo das Bermudas da vida dos outros. Pode fazer desaparecer, como se nada fosse, a mais entusiasmante viagem.

quinta-feira, julho 17, 2008

Síndrome Choldríco

De súbito, reparo que tendo a ser mais crítico com o país (condição fundamental da portugalidade), com os modos e as pessoas, antes de almoço. Depois de almoço parece tudo mais suportável. É como se o 'choldrismo' atacasse pela manhã, fosse pré-prandial. Terapia: tomar 2 Patriotex Rapid ao pequeno-almoço. Se a coisa piorar, fazer 1,143 mg de Lusitanol ao deitar.

Ou então ler. Também resulta.

quarta-feira, julho 16, 2008

'Maskéstamerda???'- Requiem Pela Barbárie

O meu espírito obsessivo joga mal com o temperamento da maior parte das pessoas. Repetidamente, vou confirmar pequenas informações, do género de datas, horas, etc, minudências que fazem a diferença no calendário e na planificação. Primeiro, porque sou cronicamente distraído. Depois porque tantas, tantas vezes têm sido alteradas ao bel-prazer de alguém (que nunca eu).

Ainda assim, sou recebido com a resposta muda de que tudo aquilo são coisas que estão disponíveis algures, que não mudam nunca, que eu devia saber, o tal 'tinha a obrigação'. E isto mesmo de pessoas a quem pago serviços, quer dizer, não só naquele favor 'à la função pública'. Pois se busco somente a confirmação?...

'Que frete'. 'Este indivíduo pesadíssimo outra vez... oh não.' Então... então mas eu não estou no meu direito? Tenho que assistir à volatilidade da organização a que pertenço sem poder, ao menos, precaver-me contra ela? Isto é demais. Mas enfim, o que é que não é demais nestes tempos?

Ah, que saudades do homem do Campo, abruptamente entrando pela Civilização lisboeta adentro, vociferando os seus 'raistapartam' e 'maskéstamerda???'... Já não há poesia assim.

Direito a Ser Traste (Silly Season)

Uma das coisas recorrentes ouvir em mulheres, e mulheres atraentes, é um lamento, a certo ponto, dos seus 'erros' com os homens. Pode ser uma coisa mais íntima, e secreta (que até não é abertamente assumido) ou mais bem um tema de conversa repetido, auto-flagelante, martirizante. Os homens por quem elas se deixaram enganar, que elas nunca pensaram ser assim, que as desiludiram. E eu oiço tudo sem pio, claro. Serei o amigo certo, que não se mete nessas coisas. Serei?

É que, caramba, tenho que pensar: mas que homens são esses? É que eu gostava de ter mais mulheres a errar comigo, a desiludirem-se comigo. Não acho a coisa bem, honestamente. Então eu não tenho direito a ser chamado de 'traste'? A ser mal-dito nas minhas costas no discurso entre elas? A maledicência quando nasce deve ser para todos, minhas amigas. Até vou deixar aqui uma crítica predilecta, para servir de inspiração: "O Pedro é bom na cama, sim, mas como pessoa... ui!". Porque não? Não se riam, se faz favor. Não se riam. Assim estragam tudo.

segunda-feira, julho 14, 2008

Tiros no Escuro

Um dos inusitados problemas de estar no Campo, à noite, é que, ao ouvir algures tiros na noite, e fora da época, não sabemos nunca ao que é tal coisa. E não deve ser coisa boa.

Embora, valha a verdade, a televisão mostre que, pela Cidade, a coisa não anda muito diferente...

Ética do Trabalho

É engraçado reparar - para quem conheceu outro país - como chegámos a um paradigma, como sociedade, em que as pessoas vivem o trabalho demasiado. Criticam de sobremaneira quem não trabalha, fazem sacrifícios pessoais que julgam imensos (e eu não o estou a negar) pelo seu trabalho, pensam no trabalho.

Mas, na realidade, se formos ao pormenor, as pessoas até trabalham, na sua maioria, menos que os seus antepassados. E, sobretudo, têm muito menor prazer naquilo que fazem. O trabalho tornou-se maquinal, mero ganha-pão, fonte do precioso dinheiro.

A questão essencial é que aumentaram exponencialmente as opções do não-trabalho, do lazer. É verdade que já antes quem não queria trabalhar se divertia, e a frase de "***** e vinho verde" (passe a obscenidade) vem de longe, muito longe. A questão é que as pessoas têm muito mais vidas de sonho que não estão a viver.

Não é só uma questão de jogar à bola, andar no engate, comer e beber até não poder mais. É ser isto ou aquilo profissional e socialmente (a tal ansiedade do 'status'), viver algures, ir àqueles sítios, conhecer aquelas pessoas, ter aquelas experiências.

Há demasiadas vidas oníricas que passam ao lado. E isso gera frustração. A frustração torna o trabalho mais maquinal, mera fonte do dinheiro, que permite a bissectriz a essas vidas de sonho. E assim o trabalho perde realização pessoal e, claro, perde qualidade. Ninguém ama mais aquilo que faz, antes o tolera para perseguir aquilo que ama, ou que pensa que ama.

Uncanny

E, de repente, vejo o que parece ser o Paulo Madeira, na televisão a interpelar em francês, e num estilo 'cocky', o embaixador francês em Portugal sobre a libertação de Ingrid Betancourt. Que estranho, penso comigo. Mas, bom, o Humberto Coelho também se casou com uma francesa... Olha para a cultura destes centrais do Benfica, hã?... Sim senhor. E logo o Paulo Madeira. Mas espera, não pode ser. Ah, afinal foi só o Nuno Rogeiro que cortou o cabelo. Uncanny resemblance...

Carácter Garúpeo (It Wasn't Me)

Eis-nos, portanto, no Verão. Subcutâneas, todas as folias e pequenas parvoíces. Preguiças e iras mansas, sob o calor. Talvez por isso, nestas alturas, haja gente a publicar coisas nos seus blogs, que pareceriam dissonantes... ou talvez não. E, perante a desfeita, há somente duas hipóteses explicativas: ou a ousadia resulta, efectivamente, de uma folia estival, como tantos têm, de um sobressalto irritado pela falta de uma sesta, que o sol exige, ou... é feita com toda a intenção, a coberto dessa complacência. "Olha só para isto... Bom, deve ser da silly-season".





Mudando agora para algo totalmente diferente, eis um estudo comparativo sobre a evolução do traseiro, ou do lado B, de Michelle Hunziker, há uns dias apresentada aos leitores do Generosità (rever aqui). A questão justifica-se porque Michelle foi a madrinha, emprestado a sua... presença ausente, a sua segunda pessoa, digamos, à marca de lingerie Roberta. Que mais tarde iria, justamente, recorrer ao forte carácter garúpeo (inventei agora) de Natalia Bush, que também passou pela nossa redacção (pois foi). Ei-la abaixo.



Ora bem, e estas doutas imagens parecem falar connosco, não? Há como que uma pergunta que delas emana. Deixem-me interpretar: "Sabem qual é a única coisa mais desavergonhada que este blogger? Os seus leitores fiéis".

Vemo-nos quando, depois desta, me salvar das malhas da Justiça (hum... será que a Justiça usa Roberta?...)

P.S.: Tenho a alegar em minha defesa o seguinte: 'It wasn't me'. Alguém anda a usar o meu nome, e a abusar da minha excelsa reputação intelectual, para publicar neste blog posts que vão em contra de tudo aquilo que eu não gosto.

domingo, julho 13, 2008

Non Mollare Mai/O Nome e a Coisa

É para mim verdadeiramente difícil responder a um elogio assim, por parte do PGuerra. A verdade é que me tenho habituado a escrever no blog para praticamente ninguém, e não tenho feedback algum. Até vivo bem com essa realidade. É como se cada post fosse um pouco uma mensagem numa garrafa vazia, que eu atiro para o Pacífico.

Às vezes, por isso, se cria uma grande distância entre o que está escrito, a 'persona' que daí se intui, e aquela que se encontra pelos dias. Daí eu ter sempre avisado que não respondo, no mundo físico, por aquilo que está publicado no espaço virtual.

A minha preserverança no blog, contudo, nada tem de monástica. Aliás, quem ler os posts da série 'Pecado Original' perceberá que eu tenho, realmente, muito pouco de monástico (graças a Deus). A verdade é que sempre concebi ter neste blog um laboratório de escrita, um espaço de liberdade criativa, que me permitisse experimentar e e evoluir. Talvez, quem sabe, algo que eu sentia vedado no mundo físico. Eis porque, também, me reservo o direito de aqui escrever as coisas mais estapafúrdias, esquizofrénicas, mesmo obscenas. Eis porque me reservo o direito de aqui errar a meu bel-prazer.

Sempre tentei, contudo, resistir a usar o blog para o desporto favorito de quem escreve: dizer mal de outrém, destilar o veneno que se acumula pelos dias. Não é que eu não diga mal de outrém, não é que eu o nunca tenha feito ou não volte a fazer no blog. Não é que eu não tenha mais que razões. Mas este blog surgiu 'first and foremost' como um projecto artístico. E isso dá-lhe uma nobreza especial, que também não convém beliscar demasiado.

Embora tente colocar o que aqui escrevo com alguma marca de qualidade, não faço disso uma obsessão, porque o fim, neste caso, é infinitamente mais importante do que o meio. E essa é a razão por detrás da publicação de poesia e outros textos de cunho mais... pessoalmente comprometedores, que a maioria não tem a coragem de publicar, de arriscar a vergonha da condenação alheia.

Eis-nos chegados então à questão: sendo um escape criativo, o blog tem qualidade ou não? Não sei ao certo. Eu tenho orgulho nele. Acho-o divertido e refrescante, como sempre pretendi. Acho que pode ser provocador, no bom sentido. E isso basta-me.

E merece reconhecimento da blogosfera? Também não sei. Neste momento, dispenso esse reconhecimento. A blogosfera vive muito ensimesmada em questiúnculas de comadres, e pouco preocupada com a qualidade. Eu não me importo de continuar como até agora: por simples prazer e desporto, sem qualquer ganho ou reconhecimento. O que, claro, parece uma estupidez nos tempos que correm. Mas eu tenho os meus objectivos, as minhas próprias motivações.

Este blog nasceu há cerca de 2 anos atrás, pouco depois de eu ter assistido a uma conferência do Pacheco Pereira sobre blogs. E houve uma frase que ele nela proferiu que me ficou na memória:

"O que é bom, mais cedo ou mais tarde, chega ao 'mainstream'. Não tem sentido a ideia de que alguém está, secretamente, a fazer o melhor blog do mundo".

Hoje essa frase soa-me a um desafio: eu quero fazer, à margem do 'mainstream' o melhor blog do mundo. É uma espécie de teimosia pessoal, de provar errado um pioneiro, um especialista, uma referência.

Apesar dessa vontade, não sei já quanto tempo mais irá existir. Um blog vive da cadência com que é actulizado, para além, obviamente, da qualidade com que é actualizado. E talvez, no futuro próximo, não possa manter esta disciplina de publicação. Ou, quando não disciplina, necessidade.

É sempre assim feito um projecto: às vezes satisfaz-nos, outras exige-nos. Este blog é um projecto pequeno, não merece tanto elogio de obra feita. Mas é um projecto, ainda assim, e eu tenho tentado mantê-lo além das duas semanas de vida que normalmente teria. A princípio esperava mais posts dos meus colegas de blog. Mas também, por os conhecer bem, respeito os seus constrangimentos. E a ideia de fazer um blog de autor também não me aflige. O importante é mesmo fazer, é mesmo escrever.

A verdade é que gosto de pensar que não desisto nunca do que gosto realmente. Posso desistir daquilo que não gosto, onde só a obrigação me prende. Mas não daquilo que gosto. 'Non mollare mai'. Nem que chovam picaretas. E, recentemente, até têm chovido bastantes na minha vida.

Mas volto à premissa incial: é para mim difícil responder a tal elogio por parte do PGuerra. Já não me é, contudo, perceber porque é que o faz. E não estou a falar da minha qualidade pessoal. Pelo contrário, falo da dele. A pergunta que se deve fazer é: quantas pessoas da nossa idade, nesta sociedade voraz e egoísta têm a capacidade, a nobreza de espírito de assim elogiar? Poucas, muito poucas mesmo. O PGuerra é capaz de o fazer porque está acima da média, e é mais honesto com os outros que a média, como sempre foi. Eis aí a confirmação daquilo que eu sempre soube - que ele era o parceiro ideal para este blog. É que, perante uma noção do que é a realidade das coisas, há-os que guardam para si suas análises positivas, e há-os que as convertem em congratulação. No segundo grupo, a que pertence o PGuerra, estão as pessoas generosas. Pois é - que têm a virtude, e a coragem, da Generosidade. Vejam, pois, como ao fim de contas, o 'nome' bate certo com a 'coisa'.

sábado, julho 12, 2008

Pedro Duarte

Há muito que já não escrevia neste blogue. Os afazeres vão se multiplicando e o tempo não estica, infelizmente.
Não sei se é inusitado existir um post com o nome de um dos autores do blogue, mas também não me importa... o blogue é pluralista e plural... e pareceu-me que fazia sentido.
Este era para ser um projecto partilhado mas tem vindo a ser assegurado quase exclusivamente pelo Pedro Duarte (eu diria uns 99%).
Posso não escrever, mas leio sempre.
E leio não porque sinta qualquer obrigação ou remorso, do género, não escrevo lá nada mas vou supervisionar para ver como param as modas. Não, leio, simplesmente, porque me dá prazer.
Leio porque encontro aqui textos notáveis, visões argutas da realidade que embora sendo sujectivas, muitas vezes reflectem o que eu penso. No quotidiano, nos pormenores, é que está o ganho, e como bom observador o PDuarte retrata-os como ninguém. Pode soar mal o elogio, mas só o faço porque é merecido.
Dos muitos blogues que já li, leio, ou já vi, este é um dos melhores, e de certo não é pelo que eu cá escrevo. Não, o mérito é do PDuarte. Quanto mim, sou da opinião que só o Estado Civil de Pedro Mexia é tão bom, mas capta um público e uma realidade diferentes.
É pena que este blogue não seja mais conhecido, algo que a sua qualidade justificava de sobra. A modéstia do seu autor principal não o permite, se bem que acho que está na altura de transpor essa barreira. O que aqui vem escrito merece ser partilhado, e a nobreza dos textos do Autor merece ser conhecida. De certo que, o reconhecimento que depreendo pelos textos do blogue, não seja alcançado na área onde o PDuarte navega por ora, lhe adviria daquilo que ele sabe fazer melhor, escrever.
Já não o vejo à algum tempo, mas este blogue funciona tambem para mim como um diario de bordo, para saber ou pelo menos inferir de como se vai passando a vida do Pedro. A leitura é obrigatória, e eu não dispenso, nem mesmo a poesia, e eu que só conseguia gostar da de Pessoa.
Espero que continues, se a escrita não te der o reconhecimento que por si só justifica, ao menos serve para me alimentar a alma.
Pelo menos tens um leitor fiel que espera que a caneta e a tinta nunca acabem... seria uma pena a tua qualidade ficar fechada numa gaveta (ou num blogue)... não sou suficientemente egoista... outros merecem ler o que de bom aqui se faz.
Numa palavra: continua.

Obrigado.

Espanha

É impressionante o poderio que a Espanha vem conseguindo a nível desportivo, não lhes escapa nada...

Campeões europeus de futebol. Nadal a ganhar Roland Garros e até, pasme-se, Wimbledon. Têm Gasol e são campeões mundiais de basquetebol.
São campeões de hóquei patins em tudo.
Ganharam há não muito o europeu de andebol... TÊm Contador, que ganha o Tour e o Giro...
Têm o Barça e o Real...
É o dominio absoluto... já lá vão os tempos em que as únicas alegrias eram dadas por Indurain...
Há quem diga que agora é que se está a colher os frutos do fenómeno de massas que foi Barcelona92. Não creio que seja só isso. Tudo advém de uma visão própria da sociedade e da forma como se encara a posição que se tem no Mundo, um dia talvez escreva a fundo sobre isto, por ora, fica só a nota.

PS: Se o Bambi não estivesse onde está, e aonde nunca deveria ter chegado... hoje haveria uma cimeira do G9 e não do G8. Mas enfim....não se pode reescrever a história.

sexta-feira, julho 11, 2008

Menopause Prison

Estou farto do barulho de mulheres. Sobretudo do barulho das mulheres erradas. Não oiço um único som, doce, natural, melífluo, das raparigas que acho giras - não conheço nem uma.

Uma vez que sempre vivi muito para o trabalho, dou comigo constantemente rodeado de mulheres quarenta e cinquentonas, com toda a acidez menopáusica, com todo o pormenor castrador, a palavra no final da frase, o tom gélido, a condenação do erro como uma obscenidade. Oiço só o som do desespero, do cinismo, da hipocrisia e crueldade. É como se um ouvido sedento por Vivaldi sofresse à lágrima todos os dias com giz a magoar um quadro de ardósia...

Que merda, isto - sinceramente. Esta não é uma situação natural - um rapaz novo rodeado de mulheres na desilusão da menopausa. Nada de bom pode sair daqui, é essa a cruel verdade. Nada de bom. Depois queixem-se. Eu lavo daqui as minhas mãos.

They Can't Take That Away From You

Falta um mês e meio para chegar aqui. O tempo está a contar.

quinta-feira, julho 10, 2008

O Zé Urbe e a Obrigação de Saber no País do Não-Erro

Ainda a propósito dos erros, e de como eles surgem, vou aqui registar um tema recorrente: o conhecimento, a cultura.

Eu não tenho qualquer problema em medir a minha cultura, no sentido mais clássico, com qualquer pessoa da minha geração. Absolutamente nenhum. Mas, claro está, a cultura é uma coisa profundamente democrática e fluída. Obedece, contudo, a diferentes valorizações, dependendo da pessoa. Por exemplo, eu facilmente sou criticado com um suspiro pelo Zé Urbe por não saber onde se tira um qualquer documento, sem no entanto me conceder o luxo de me divertir introduzindo na conversa uma referência a Tântalo, ao falar de burocracia. E o que diz Zé Urbe sobre o Tântalo? Não, não era jogador da bola...

O que me leva à questão do que é, realmente, o cânon das nossas vidas, o 'basic'. O que é que 'é uma vergonha' não sabermos? Isso está mal definido, a coisa varia com a pessoa. Pessoalmente, gostava muito de ter tido na faculdade a cadeira de 'Introdução à Obrigação de Saber'. Em vez disso, tive uma introdução à Economia e Gestão. Acho que perdi, em retrospectiva.

Mas eu gostava de ter tido essa cadeira. Devia ser optativa. E não consigo encontrar o equivalente do Apostol em livro. Será que não há em português? Mas em que outro país se usa a expressão? 'Introduction to The Duty of Knowing'? Não encontro.

É que isso deve ter passado na TV para muita gente e eu, por acaso, perdi. Raios. Assim vou ter que ir descobrindo pelo caminho, a cada erro. Danados dos outros, que viram o programa e sabem tudo o que é fundamental. Como eu gostava de dar essa resposta pedante: 'Você tinha obrigação de saber'. Seria um sonho feito realidade.

E pronto. Amanhã é outro dia neste país do Não-Erro.

Paternalitica

Um fenómeno curioso quanto à minha pessoa (é um tema recorrente deste blog), diz respeito ao fenómeno de ter coetâneos a gozarem com os meus erros. Por várias razões, é frequente serem paternalistas comigo, por vias mais ou menos encapuçadas, mas que hoje servem somente para me garantir entertenimento intelectual.

A coisa não varia muito. "Então tu não sabias...", "Só tu...", "Mas como é que tu..." [risos]. Dependendo da pessoa, claro, o veneno por detrás das palavras. Mas eu conheço as palavras melhor que eles...

A questão, que eles só mais tarde na vida perceberão totalmente, é que eles comentam paternalisticamente erros que eu próprio confesso - antes, faço gala de divulgar. Que eles os têm de calibre igual ou pior - assim vou ouvindo, intuindo pelos anos. Ainda assim, passe esses telhados de vidro, ei-los galifões, professores Marcelo em terceira mão.

A questão que sempre lhes escapará é que eu não falo dos meus erros para lhes enviar 'soft balls', com que possam brilhar na tacada e sacudir frustrações. A questão é que eu tendo a assumir os meus erros, e a viver com eles. Felizmente, têm sido risíveis, mais que graves. E enquanto assim for, não há problema. Não há aqui masoquismo nem - acreditem... - falta de inteligência. Há, quando muito, excentricidade.

E eles nunca perceberão isso. Pois é - erro deles.

Solidão



"I walk a lonely road
The only one that I have ever known
Don't know where it goes
But it's home to me and I walk alone"

Ir Aos Colchões

Há algo de parecido entre um conjunto de mulheres de meia idade, trabalhando há algum tempo juntas, e uma cidade partilhada por mafiosos: de vez em quando, é preciso limpar o 'mau sangue'. Há um tempo de 'go to the mattresses'. Começa tudo a disparar entre si, saltam os exageros, até a conciliação e a nova ordem. Assustadora, a semelhança.

quarta-feira, julho 09, 2008

Umbiguismo

Volta ao tema, de quando em vez, a problemática da minha barriga. A minha resposta, essa, é invariável: estou muito confortável com ela, obrigado. Eis a questão: esta não é uma barriga qualquer. Não é uma barriga feita a 'junk food' e 'couch-potating'. É uma barriga composta a (muita) boa cerveja, alguns vinhos (obscenamente, para a tenra idade) excelsos, muito queijo e presunto do bom, e uma miríade orgásmica de boa comida, nacional e internacional. Ora bem, dada a situação nestes termos, acho que é fácil de perceber que eu também não posso, vilmente, separar-me de algo tão elaborado e tão surpreendentemente valioso. E estou na área da Saúde por alguma razão, para me assitir - ou seria para assistir os outros?...

Base de Refugiado

Hoje ouvia o 'Pessoal e Transmissível' de Carlos Vaz Marques, em que era entrevistada uma senhora, actriz, se bem me recordo, refugiada em Portugal aquando da guerra dos 90s na sua ex-Jugoslávia natal. A certa altura, por razões que me ultrapassam, eis que começa a descrever na entrevista, qual Filipa Vá Com Deus, a receita de um prato tradicional dos balcãs. Apresenta, porém, a coisa com vegetais cortados, a fritar no óleo do tacho para se obter um... 'refugiado'. Acto contínuo, emendou a mão no seu português com bom humor: 'refogado'. E o que é que este blogger tem para dizer da inusitada confusão semântica? Deliciosa, meus caros - deliciosa.

terça-feira, julho 08, 2008

Pobre Pedante

É como se o último poema, para quem me conhecer, dissesse: 'O velho imundo que dá comer aos pombos junto à estrada jejuará até que lhe paguem um Gambrinus'. Não, é só um poema qualquer. Nem mesmo eu reclamo tanto pedantismo.

Playboy

Uma portuguesa no Verão, uma italiana no Inverno,
E segue à mais natural paixão o afago mais terno.

Homens de todas as estações
São homens de todos os prazeres,
Homens de todas as mulheres.

Pedro Oliveira




P.S.: A primeira convidada não é portuguesa. Brasileira, adivinharam. Mas, pergunto eu, não serão algumas brasileiras que 'aparecem' neste mundo de imagem publicada, justamente as portuguesas, belíssimas, que - por ora, pelo menos - não se atrevem ainda a ocupar esse patamar no nosso país, por pudor?

Sensualidade Estival, Sorte de Todas as Estações

Uma coisa para mim intrigante nas mulheres, no Verão, é que andam todas infinitamente mais apetecíveis, é certo. Mas também, de algum modo, não mais disponíveis. É como se exibissem a sua sensualidade numa montra. A distância que se sente é tão gélida como no Inverno. E a sensação que fica é exactamente a mesma: só dá para falar sequer com elas se estivermos no seu meio, como amigos, estudantes do mesmo curso, o que seja. Isto é, só dá para as conhecer mediante um factor de sorte, muito particular. E esse, meus caros, continua a ser um problema de todas as estações do ano.

P.S.: As referências que aponto aqui a um dos sexos, serão, provavelmente, igualmente aplicáveis aos homens, por queixa delas, suponho. Talvez. Muito honestamente, não sei avaliar se há diferença ou não, embora tenha a convicção de que os homens parecem sempre mais receptivos a qualquer abordagem, mais bem elas a não fazem... De qualquer forma, a coisa, honestamente, pode muito bem não ter a ver com diferenças entre sexo, só com os 'de cima' e os 'de baixo' de cada sexo. Mas, claro está, como aquilo que me interessa não vai mudar, continuarei no mesmo tom. Quem não goste, que se queixe no seu próprio blog.

segunda-feira, julho 07, 2008

Há Sempre Alguém Que Diz Não

Pensando, muito seriamente, até que ponto este poema vai - ou não vai - definir muito do resto da minha vida.

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre (1936 - )

quarta-feira, julho 02, 2008

Verão II: Mudar a Corrente

Gostava de propor aqui um inquérito aos leitores do Generosità. É o seguinte: quero saber quantos de vós estão na mesma exacta situação que eu, no que a mulheres diz respeito.

Já se sabe que há mulheres e mulheres, e ser excessivamente romântico é ser estúpido. Não ter romantismo em si, por outro lado, é canalha. Ora bem, a mim acontece-me esta triste situação: parece que todas as miúdas giras, de olhar inebriante, de decotes perfeitos, de pele tisnada, suave, de risos estonteantes, secretos, de 'toillettes' só aparentemente simples, de pernas com uma presença que entra pelo nosso dia, de vidas ricas, de curiosidade pela inteligência, de dúvida prazenteira vão para um lado. No metro, na rua, no pseudo-trabalho, etc. Elas vão para um lado - que não o meu. Que não o meu! Sempre no sentido contrário. Não conheço nem uma!

Já no meu lado, comigo, a falar comigo, juntam-se bizarramente mulheres na zona amarga dos 40, solitárias, com problemas pessoais, a transportá-los para o emprego (onde lido com elas), a, positivamente, lixarem-me a merda do juízo, sob o calor. Ele há de tudo, acreditem.

Como é que é possível esta situação? É como um rio que tivesse duas correntes contrárias. E eu não conseguisse sair da merda de uma, para enfim fluir pela outra. Esbraçejo, esbraçejo, mas a corrente onde eu ando é muito forte, caramba - não abdica de mim.

Mas que é isto? Não, não pode ser. Eu hei-de trocar de corrente. O quanto isso me irá custar, ainda não sei ao certo - mas é um facto que acontecerá, mais tarde ou mais cedo.

Podem enviar as respostas a este inquérito para o mail que eu não tenho indicado ao lado, quando clicarem sobre o meu nome. Muito agradecido.

terça-feira, julho 01, 2008

Verão

Como falar do Pedro e da cerveja no Verão? Talvez haja alguém que descreva a coisa como ela é.



sábado, junho 28, 2008

Basta!

Espero que, agora que é a Monica Bellucci a dizê-lo, acreditem: basta de dietas, senhoras. Acreditem - não é por aí o caminho para a vossa felicidade...

quarta-feira, junho 25, 2008

Mandamentos do Bibliófilo

Se existissem, lá estaria concerteza: 'Não cobiçarás o livro do próximo'.

segunda-feira, junho 23, 2008

Tough Love

Sem mulheres não há perdão. E conseguir perdoar os outros homens - eis uma medida de quanto se gosta, realmente, de mulheres. Mais além das dedicatórias gráficas, ou textos encomiásticos.

Pecado Original 29





Ora, e já que estamos (não estamos? Estou eu!) numa de elogiar mulheres suíças, vamos lá tratar um tema mais vivaço. Refiro-me a La Hunziker, ou Michelle Hunziker, modelo e 'showgirl', que, tendo nascido no cantão italianófono da Suíça, se mudou para Itália para arregalar os olhos do povo em geral, e os de Eros Ramazzotti, de Antonio Cassano, ou do Lippi júnior (entre outros, seguramente), em particular. Confesso que sempre que a vejo a apresentar o que quer que seja a acho com uma simpatia excessiva, ingénua - e enjoativa. Mas, realmente, 'who cares'?

Porque não, pergunto eu na minha humildade, permitir que Michelle arregale também os olhos dos leitores do Generosità? Eu e o meu primo Joaquim seguramente merecemos esse obséquio. Ei-la aqui, apanhada (que bela palavra) em férias, algures longe demais. Lá onde existe a felicidade - a voluptuosa, loira, esbelta e vital felicidade. Poderia dizer algo mais de interessante sobre Michelle, um certo depoimento que denota grande honestidade - mas isso vão ter que procurar vocês...

O Maestro (parte II)

Realmente, a eliminação de Portugal é algo de desagradável. E a causa próxima é, para mim, absolutamente cristalina: a perda de João Moutinho no meio-campo. Isto é, a perda do meio-campo.

Repassando as coisas, talvez não seja assim tão desagradável a eliminação de Portugal. Ou antes - não me trucidem - há aspectos menos maus. Desde logo, parou o efeito mediático que, provavelmente tornaria ainda mais irresistível a venda, por parte do meu clube, daquele que, para mim, como jogador português, está ao nível de Ronaldo (cuidado com essas pedras, olhem que isso magoa!), e digno sucessor de Rui Costa (mas blasfémia aonde? - é um jogador fundamentalmente honesto, como o foi Rui Costa):



Ok, eu não nutro ilusões. Eu sei que, eventualmente, o meu jogador favorito sairá do meu clube. Até lá, porém, é aproveitar. Até porque convém perceber esta coisa tão simples: Miguel Veloso dificilmente será mais jogador em Portugal: para ele é vital sair. Moutinho sabe ser grande cá dentro - e seguramente sê-lo-á também lá fora. É certo que não dá o espectáculo de Ronaldo, mas tem uma fusão de carácter, regularidade, técnica e táctica que o tornam um jogador - a seu tempo - também fabuloso. E há que recordar que, tendo 21 (!) anos é o capitão do Sporting e tem centenas de jogos nas pernas.

E, fosse eu capaz de não pessoalizar toda a questão que apresento no blog, evitaria estar a reproduzir as palavras que passam pela minha mente: "Sacana! Mais novo que eu e tão grande jogador. Sacana!". Com todo o respeito. É o maior.

A Sequóia e os Pilrriteiros

Relendo o artigo que publicou Vasco Graça Moura aquando da saída de Cavaco Silva do Governo, a conclusão, a frase final que alguém me contara, e que ficou na na retina:

"Este homem foi um estadista grande de mais para a mediocridade de um País entretanto transtornado pelo ódio, pela vociferação e pela vontade do ajuste de contas. Tomei de Alexandre O'Neill o título deste artigo [Um Adeus Português]. Vou buscar uma imagem de Jorge de Sena para o seu remate: este homem é uma sequóia num jardim de pilrriteiros."

Acho curioso pensar no tempo que marcou Cavaco Silva, e continuo a achar o personagem muito interessante. Talvez já não o admire como antes... Foi um grande político, e um patriota, isso é certo. Tentou fazer o que pensava justo, como podia. Marcou um tempo, ficou na história. Apesar disso, diverte-me pensar como esta marca literária, esta frase, ficou mais vincada em mim que o resto. Afinal, eu sei apenas vagamente o que foi "o resto".

Quem sabe, talvez venham por aí tempos em que aprenderemos a dar muito valor novamente a esse "resto".

Exótica Inteligência II

Acho curioso pensar em como é mais comum as raparigas acharem atraentes homens mais velhos, estabelecidos e maduros.

Porquê? Ah, meus caros: simples resposta. Porque elas tendem a valorizar e a achar sensual essa misteriosa coisa a que chamamos, sem já a perceber bem, de inteligência. Na nossa sociedade, a inteligência e a cultura são exóticas. E o exotismo pode ser, conforme os tempos, irresistível.

Exótica Inteligência I

Já não sei ao certo se achar uma mulher mais velha irresistivelmente atraente é um sinal de decadência da sociedade, de decadência pessoal, ou simplesmente do calor absurdo e, claro, do subcutâneo desespero.

quarta-feira, junho 18, 2008

Clausura: Saudades do Silêncio

Eis a palavra que mais soa na minha cabeça, permeando barulho citadino, trabalhos maquinais, má-educação e canalhice, ausência de beleza e frescura, trânsito, aridez emocional, velhice, ausência de divino, desilusão com o próximo, projectos por cumprir, pressões de vária ordem, de várias partes, descompensações de exigência pessoal, notícias enervantes, cautelas, esforço psicológico - "saco cheio".

Clausura: silêncio, recolhimento, reflexão. Fechar as portas durante uns tempos, depois voltar.

O Paradoxo do Começo

Ocorre-me esta semelhança paradoxal entre mulheres bonitas e empregos: em ambos é valorizada (talvez inconscientemente no caso feminino) a experiência prévia.

Ora, como começar a angariar uma história de experiência prévia se ninguém dá a oportunidade de começar?

O Ovo e a Galinha

Um homem faz-se enquanto tal porque está ao lado de uma mulher excepcional, ou merece-a porque se cumpriu antes enquanto homem?

Gratidão a posteriori ou conquista a priori?

Works Magic

Ainda a propósito do tema "mulheres", um conselho, ou um aviso: muita cautela com o poder imenso do melhor chocolate suíço. Works magic. Assutador. A eles, que não o usem maquiavélicamente. A elas, que não se deixem instrumentalizar. A ambos, que aproveitem as delícias que vida vos oferece.

O Regresso do Rei (Versió Catalana)

Por mais que o admire, e especialmente por ser português, a relação de grande amor ao seu clube por parte de Rui Costa não é um caso único. Do outro lado da península, Rui Costa es diu 'Pep' Guardiola - o puto que fazia de apanha-bolas aos ídolos, e depois conquistou o coração dos adeptos. É o novo treinador do Barcelona. Curioso como o melhor da geração de 90' anda a voltar a casa.

Nerd To The Bone 2

Porquê estas sucessivas opiniões e ensaios sobre mulheres? Bom, nunca ouviram dizer que o cientista acantonado numa festa, sem meter conversa com nenhuma mulher, é justamente aquele que vai para casa escrever um artigo científico explicando porque não conseguem os homens meter conversa com mulheres?

E Deus Criou a Mulher

Já que se anda neste vício de análise feminina (era isso ou falar dos combustíveis), ao menos recorrer a especialistas, como a senhora Perrot, que escreveu este interessante livro, comprado de fugida em Genebra:


A Rainha Vai Nua

Há coisas sobre as mulheres que só elas ousam dizer numa conversa entre sexos. E às vezes também, só elas ousam pensar.

Falava no outro dia com uma amiga sobre uma mulher com tiques de personalidade muito difíceis de digerir. Solteirona, e com a idade avançada, sob o espectro do não-retorno. E encontrando noutros aspectos da vida o "surrogate" para não ser mãe. Mas, por muito que andem à volta da coisa, há poucas maneiras de substituir o que é natural - e isso nota-se. Foi a minha amiga que saltou a conversa para um comentário clássico - entre conversas masculinas. "Ela tem é falta de homem". Vindo dela, soou desconcertante - mas também estranhamente libertador.

A mesma amiga critica-me alguns dias mais tarde por eu ser tacitamente contra esse hábito de pintar as unhas. Pois é. Pois sou. Quem é que falou aí em Salazar? Calma. Mas qual bota-de-elástico?... Então não posso não gostar de ver mulheres com unhas de cores berrantes - e às vezes num trabalho tão imperfeito que realmente só pode prejudicá-las? Não é que eu não goste de mulheres com unhas pintadas. Nada tenho contra cores suaves, de todo. Custa-me, sim, ver o encanto de certos vermelhos e pretos. Para não recorrer ao náuseo roxo. Pergunto-me muitas vezes se eu próprio tenho legitimidade para criticar. Raramente o faço. Acontece somente que tendo a gostar mais de mulheres que não pintam as unhas - e é só isso. Como se existissem mulheres óbvias para homens óbvios, e mulheres discretas para homens discretos. Não vamos meter tudo no mesmo saco.

De qualquer forma, e retomando a tese inicial, eis que a minha amiga me acusa, a certa altura de conotar o pintar as unhas com as "mulheres da vida". Tão repugnante me pareceu a associação - dado o banal que é o enfeite em si - que fiquei novamente surpreso. Não faço, de modo nenhum essa violenta correlação. Como expliquei acima, as minhas razões são originais. Agora, divirto-me em reparar como, mais que um preconceito da minha parte, existe um preconceito contra a minha posição. Isto é, não se pode ser contra, sem ser conotado com essa razão. Vêem como as coisas às vezes são, curiosamente, tão circulares? Mais que praticar o preconceito, sou eu vítima dele! E, só para esclarecer as coisas, quando eu acima falo de mulheres "óbvias" - da mesma forma que falo de homens "óbvios" - refiro-me a um conceito de normalidade, muito mais amplo que esse bas-fond.

Mas eis de novo o tipo de comentário que eu, creio, nunca puxaria para a conversa com ela. E, provavelmente, nem sequer entre homens o faria.

Sacudir a Culpa

É curioso reparar em como, desde Eva a Pandora, passando pela irmã do Zidane, os homens tendem a atribuir às mulheres tudo o que de mal acontece na sua vida. No fundo, era o que dizia o profeta.

terça-feira, junho 17, 2008

Dies Irae

Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga (1907-1995)

domingo, junho 15, 2008

Generosità: Maintenance Report

Desconfio que podem existir alguns vírus a colocar publicidade no blog. Não estou certo, terei que verificar. De qualquer forma, desde logo apresento as minhas desculpas por algo que seja (muito) fora do normal.

Não haverá problema de maior, contudo. Não é nada que não esteja acautelado.

Pecado Original 28


Extremamente bem impressionado com as mulheres suíças (quem diria que havia coisas ainda melhores que os chocolates, relógios, bancos?), fica aqui a homenagem àquela que será talvez a sex-symbol suíça mais bem conhecida de todos os tempos: Ursula Andress.


Honneur

Em jeito de agradecimento pela exemplar hospitalidade suíça, admito que não lhes fica nada mal este vitória sobre Portugal. Desde logo, do ponto de vista de futebol jogado, é provavelmente merecida...

Fica bem puxar pelos galões da honra, de dar essa alegria ao país. Como no seu lema nacional: "Unus pro omnibus, omnes pro uno", ou "um por todos, todos por um".

Cheiro Setembrão

Veio mais cedo o cheiro que antes era setembrão, a a terra seca libertada pela chuva... Entra pelo blog adentro... Não o sentem?

Como os Salmões

"Eh pá, honestamente. Aquilo é um ambiente tão 'feminino', tão 'ar condicionado', tão 'cuidado senão pisas-me' que eu sinto-me elefante em loja de porcelana. Às vezes até parece que sinto os colhões a subirem, a fazer o caminho de volta. Como os salmões."

Orishas

Já que não os conseguimos apanhar no Rock in Rio (com inefável pena, eram os meus preferidos nesse dia), que ao menos no Generosità haja a sonoridade desconcertante, porque poderosa sem deixar de ser suave - como um charuto cubano - dos Orishas.


Ao Balcão

Uma das coisas curiosas em trabalhar numa farmácia é perceber a extraordinária amplitude na possibilidade do erro. Podem não acreditar, mas existe uma burocracia absolutamente insana a cumprir - o estalinismo no seu melhor - por causa das comparticipações a receber do Estado. A probabilidade de errar em vários aspectos - sejam de ordem burocrática, sejam na vital correspondência do medicamento com a receita, e na melhor terapia para o doente - é enorme.

Juntemos a isso uma farmácia cheia de gente a olhar para nós, com toda a pressa para sair dali, e o cansaço por estar constantemente em pé, e eis que a consciência, o dever de fazer tudo bem, gera um stress muito próprio. A que, devo avisar, os cardíacos se devem escusar. Acreditem. É como fazer malabarismo. No ar estão suspensas as bolas de receita correcta, comparticipações a fazer, entidades oficiais, número de medicamentos, objectivo, dosagens, stocks, preços, indicações, dinheiros, facturas, etc., etc.. E nós não podemos deixar cair nada no chão. Nada mesmo. E parece que a nossa formação está tão longe de tudo aquilo que assusta. E depois há a cortesia profissional, a defesa contra a chico-espertice alheia, a estranheza pelas pessoas, de tipo tão variado, que é preciso atender. Mas há momentos engraçados, pessoas muito simpáticas, incipientes aplicações de raciocínio clínico.

A esse propósito, contudo, devo dizer que esta é realmente uma era líquida para a Medicina, e a Clínica. As certezas, os dogmas parecem esfarelar-se. Façamos marcha-atrás. Antes o médico era reverenciado e as universidades guardiãs do Saber. Hoje tudo está democratizado, e o doente sabe (ou pensa que sabe) muito sobre a sua condição, e tende a bombardear o médico, ou o farmacêutico com as perguntas mais ridículas. Eu sei lá se não há problema em comer abacaxi às 3 da tarde quando faz esse medicamento! O problema é que a honestidade é algo de fundamental nesta área. Um erro é fatal, e nestes pormenores ridículos existem por vezes questões de relevo. É como se 99% das questões fossem, com efeito, inúteis, mas o 1% fosse perigoso demais para as ignorar. Uma falta de atenção, concentração, esforço de raciocínio em Saúde pode ser fatal.

Mas eis que, ridiculamente, em simultâneo, existe cada vez menos dúvida filosófica, capacidade de interpelação a nós mesmos se a regra está certa ali, se a parte ou o todo são o problema. A ignorância, de facto, tem por filha dilecta a arrogância. É tão triste ver fugas para a frente, um "não sei ao certo, mas aposto que é assim, e ponho todo o meu ser nisso. Ai de quem contestar." Tanto pé de barro...

Falta talento, enfim - e isso diz tudo. E o talento na Saúde das pessoas é algo de primordial. Perguntem à maioria da população portuguesa, e ela vos dirá o quão preza essa arte. Eu tinha a mania que tinha essa capacidade de raciocínio em mim, e fiz a minha função. Candidatei-me antes a Medicina, e não fui aceite. Tenho a minha consciência tranquila. Nunca poderei ser enquanto farmacêutico o que seria enquanto médico - faltaram os mestres - mas posso ser mais livre, ter uma vida totalmente diferente. Às vezes, olhando a maneira como as coisas são feitas, ainda tenho a impressão que estejam fundamentalmente erradas... Mas já não é a mim que compete mudá-las. Convém somente ser o melhor farmacêutico possível, puxar por toda a qualidade, mesmo sem o reconhecimento social que tem (e justamente) um médico.

São assim difíceis e intrigantes estes dias. Mas o treino é de ouro. E está quase completo.

Reading List 2



"Leonardo", por Martin Kemp, especialista britânico. Uma boa apresentação geral, mais que uma biografia propriamente dita. Inícios, motivos, obras, alusões, impressões. Um livro que se diria ligeiro, estivesse em português. 246 páginas em inglês, claro, fazem-no mais duro. Primeiro livro de um tema, um personagem direi antes, que se tornará recorrente, depois de uma "provocante" viagem a Itália e a algumas de suas obras.

Intermezzo: Confundir a Confusão

Maracaibo.

"(...)Si ma c'era Pedro
con la verde luna
l'abbracciava sulle casse
sulle casse di nitroglicerina(...)"


Instantâneo 1

Ele não torcia tanto por Portugal, a não ser quando a equipa ganhava. Antes fazia gala da sua equipa ser a Itália. Esguio, fino como quem passa pela estupidez alheia, os olhos azuis, grandes e vivos - como todo ele fosse olhos - não alimentava conversas fátuas, e ao balcão daquele café pedia, naturalmente, uma "bica curta". Com o obséquio de o fazer em português, porquanto não soubesse italiano. Mas era fluente no estilo, e isso bastava. Assim andava, esgueirando-se pelos dias estúpidos dos outros, vivendo talvez confortavelmente de um subsídio de desemprego, bebendo café, e torcendo pela "sua" Itália, esquecendo a ingrata gravitas da vida, que o prendia àquela árida terra a que os outros portugueses chamavam de "Odivelas".

Zé Morandi

Ele há coisas curiosas. Uma delas é como ser possível haver na minha aldeia um sósia perfeito do Gianni Morandi. Só não tem a mesma voz. Ah, estes países verticais...


Intermezzo: Confundir a Confusão

Uff... Vida confusa e veloz. Fazer uma pausa, confundir a confusão.


sexta-feira, junho 13, 2008

Regime

Eu confesso-me, realmente, um grande admirador de mulheres. Mas não dá para lidar com o desejo de algumas em controlar a vida de alguns homens. E não digam que estou a inventar.

Em coerência, não tenho qualquer desejo de controlo sobre a delas. De todo, acreditem. Mas esse traço feminino, repuxado pelo calor obsceno do Verão, e pelas dietas sazonais (sistema nervoso em "breakdown") pode levar ao paroxismo masculino. De repente temos perante nós um SS a vociferar coisas incompreensíveis, em posturas que não aturaríamos a nenhum homem. Mas ali ficamos na dúvida como reagir.

E eis que nos damos conta do quão preciosa pode ser, por vezes, a companhia masculina. Todos temos problemas parecidos, afinal.

Encore Une Fois!



Oh la la... Nous avons gagné encore une fois, mon ami. Et la selection aussi! Super...

Missão cumprida. Eu já fui dar o meu apoio à selecção, contra a República Checa. Passo agora a bola aos próximos portugueses.

Esta foi bem mais entretida. Na noite do jogo, eu não podia mais sair da Suíça, e hoje já estou a trabalhar como normal. Histórias. A relatar bientôt.

terça-feira, junho 10, 2008

The Times They Are A-Changing

Inadmissível. E muito, muito preocupante.

Fellini

Mas antes... só mais um pequeno elogio da erudição: Fellini sobre o que é Arte.


Out There

Mais uma ida à barafunda, à aventura. Com diferentes contornos, é certo. Como é que era mesmo?

A Relatividade das Coisas

Dou comigo a pensar que tudo é, realmente, dependente de uma perspectiva, se tivermos a capacidade de a descobrir. No outro dia, com uns amigos, fomos abordados por 3 gandulas, um deles apresentando-se carinhosamente com as palavras "Vê lá se queres ver a minha 9.", e apontando para o bolso. Educadamente, declinámos.

Naqueles diálogos memoráveis, a certa altura um deles pergunta-me se eu estou nervoso. Eu disse-lhe que não, e bebi mais um golo da cerveja que tinha a meio. Talvez por algum audaz desprezo, talvez uma tentativa ingénua de "contra-bluff", mas seguramente por causa de uma coincidência muito simples.

No dia anterior, eu tive, como parte das minhas funções na farmácia, necessidade de medir a tensão arterial a um esquizofrénico (escreverei esse dia em detalhe num outro post). Sem saber que ele era esquizofrénico. Essa sim, foi uma experiência de nervos. E seria difícil explicar, verdadeiramente, àquele cordial chunga da "9." que eu não podia estar mais nervoso com ele - o meu nível basal tinha sido muito bem testado no dia anterior. Ele teve azar - foi só isso.

Exortação ao Destino

Uma característica nas outras pessoas (quem sabe se eu não a terei às vezes também) é a imprudência. Não há coragem na imprudência, há somente demissão. De pensar, de se esforçar, de puxar para que algo aconteça. Há só o "deixa arder...", o horrível "deixa arder...".

E esta época estival presta-se a isso, claro. É como se houvesse uma exortação ao Destino, desafiando-o a trazer tudo o que de pior tem, para que tente abater-nos, fulminar-nos com um raio, passar-nos por cima com um carro. Há quem lhe chame desespero ou depressão, ou mesmo tipicamente português. Eu chamo-lhe humano e sinal dos tempos. E não gosto desse sinal.

segunda-feira, junho 09, 2008

Crónicas do Zé Piolho 1

O Zé Piolho nasceu um dia. Cerca de dois dias antes, ou talvez dois dias depois, do mundo começar. Diz que havia umas coisas antes do Zé Piolho, mas o Zé Piolho diz somente: “chaval, não estejas com histórias”, sempre que alguém se lembra de falar em História ao Zé Piolho.