terça-feira, setembro 30, 2008
Meio-Mundo
Ciclotímico
E o problema é que, às vezes, marra contra o que não deve, que provavelmente não tem nada que ver com a picada que sente. Nada mesmo. Mas é um touro ciclotímico, dessa ganadaria lusitana, e tinha que marrar. Por isso, de tanto marrar mal, um dia só lhe restam cabrestos - para voltar ao mesmo sítio de onde partiu.
domingo, setembro 28, 2008
Quem Se Ri Por Último?

Tenho simpatia por outras equipas italianas, é certo. Mas fiquei com a 'fama' de interista, e não a consigo já sacudir. Não é algo como o Sporting, se eu quisesse mudava, e quis mesmo fazê-lo, quando da conquista do penúltimo 'scudetto', por rebelião contra as folias gastadoras, tudo o contrário do que fazia o Sporting, e tudo o contrário do que eu defendo.
Mas, na verdade, não consigo sacudir ainda bem a coisa. Especialmente agora, que está lá aquele que, para mim, é de facto o melhor treinador do jogo (juntamente com Marcelo Lippi e Alex Ferguson), embora discorde de algumas abordagens, bem como um dos melhores jogadores, que está no pódio (juntamente com Messi, Ronaldinho, Ronaldo e Kaká): Ibrahimovic, e o meu jogador português favorito (além de Moutinho): Ricardo Quaresma.
Portanto, Inter, nada te prometo. Mas que vou seguir com interesse, lá isso vou. Afinal, depois de tantos anos a ouvi-las por causa da gestão alucinada e das sistemáticas derrotas, malgrado mastodônticos orçamentos, acho que mereço.
Ah, e já agora, acho que, também, por exemplo, a minha dedicação merecia ter conhecido essa musa interista que é a Debora Salvalagio, antes do namoro (ainda dura?) com o português Pelé (sacana!), porque, dizia ela, até andava à procura de homens intelectuais (mas porque é que elas nunca me chegam a conhecer?):



Ui. Mas enfim, isto tudo (ui!) para dizer que, nestes dias, é tudo isto o Inter.
É que nem é preciso sequer mencionar o Figo, vejam bem a coisa. Mourinho, Ibrahimovic, Quaresma e Salvalaggio: um mestre, um melhor-do-mundo, um mágico e uma musa. Haveria, realmente, que re-editar as conversas de secundário acerca do Inter.
Eu até diria, para concluir, que quem se ri por último ri melhor. Mas, na realidade, quem anda com a Salvalaggio é o Pelé, pelo que, tanto os meus críticos como eu, na minha glória revanchista, ficamos soterrados pela constatação de que deveríamos ter investido as nossas vidas a tentar ser jogadores da bola. É que talento não faltava.
sábado, setembro 27, 2008
Reading List 6

"Mon Histoire des Femmes", de Michelle Perrot. Esta senhora, historiadora francesa de lastro, escreveu, uma sua história das mulheres. Sua, diz-nos, porque alarga o espectro do estudo - de que é pioneira - para, até, elaborar uma história do género, das relações entre sexos, integrando a masculinidade.
A História que nos é ensinada é sobretudo uma história de homens, feita por homens. Na realidade, porém, toda a História começa nas mulheres, e é, aliás, sustentada pelas mulheres. É a exploração por esse mundo - imenso - do silêncio das mulheres, da sua condição, das suas valências, às suas paixões e conquistas.
Por exemplo, já alguma vez tinham pensado no facto de as mulheres escreverem muito menos memórias do que os homens? Mais facilmente levam consigo as suas vidas do que eles. Não precisam de marcar o mundo tanto quanto os homens - porquanto tenham seus desejos, defeitos, virtudes e ambições.
Não posso deixar de referir alguns pormenores tão interessantes como uma explicação com sentido biológico para o que seria uma "bruxa" medieval, ou mesmo a razão para que alguns termos sexualmente explícitos fossem ditos em latim ao longo dos tempos (sim, esses em que vocês estão a pensar).
Um livro muitíssimo interessante, fundamental para qualquer um - como este vosso blogger - que goste de mulheres. Alguém disse um dia que onde a generosidade é a qualidade mais masculina, onde a feminina é a humanidade. As mulheres, atenção, são tembém diferentes, mas eu sempre apreciei nelas (para além de outros óbvios) a sua humanidade.
Au bonheur des dammes, mes amis! Au bonheur des dammes! Que para outra coisa (espero eu) não andamos cá.
Kilometragem em francês: 230 páginas.
sexta-feira, setembro 26, 2008
Reading List 5
"Sostiene Pereira", de Antonio Tabucchi. Uma narrativa interessante acerca de como um homem de cultura, no Portugal salazarista, se vê envolvido - malgrado a sua vontade de distância - na política. Tem, sobretudo, uma técnica literária elaborada, bem gizada, criativa. Boa leitura, desde logo, para desenvolver o conhecimento da língua. Daria origem ao filme de 1995 "Afirma Pereira", com Marcelo Mastroianni, de que faz parte o seguinte excerto.Kilometragem em italiano: 214 páginas.
quinta-feira, setembro 25, 2008
Ah...Italia...
A Fuga Das Galinhas
E quem se lixa são os franganotes.
Treinador Dona-de-Casa
Taxista Voador
Está tudo bem - voltei do mar seguro, é o que mais importa.
Esquizofrenia Bizantina
Que se discuta tão apaixonadamente, como no Abrupto do Pacheco Pereira, uma perfeita 'merdazeca' que não interessa para nada, a não ser expor a mentira a um governo que se sabe já mentiroso é, realmente, um sinal dos tempos. Um sinal de esquizofrenia bizantina. Tudo o que é importante, grande, passa ao lado deste miserável, mesquinho e acobardado 'mainstream' de opinião.
Se a seguir a isto vier algum período virtuoso, quem me dera fazer 'fast-forward'...
quarta-feira, setembro 24, 2008
À Espera da Cavalaria
O problema é que, tantas são as bizarrias humanas, que surge a necessidade de as entender, de as explicar. Fica demasiado curta a manta a quem pensar somente "maluco", "pervertido", "assassino", etc. Se tantas são as variações e tanta a miséria humana como a entender? E, sobretudo, como a entender e sair... com a sanidade mental intacta?
Tentamos talvez fazer um qualquer 'upgrade'. Aquilo que considerávamos 'bizarro' antes está num âmbito mais reduzido. Fomos aceitando - talvez demais - certas coisas. Porque não podíamos, por regras de sociabilidade, confrontar as pessoas com isso, porque a sociedade não funciona para as castigar, pelo que seja. Fomos aceitando. De tal forma somos confinados pelo bizarro que estamos em pequenos fortes, vendo os índios lá fora, e estamos amargurados de ter que sair para esse mundo, que já não conhecemos, não sabemos o que andam os outros realmente a fazer, se são desses índios de que nos fala a televisão, se não.
Nós estamos cada vez mais confinados. Eles, os índios, estão à vontade, claro. Aquela terra já era deles antes - conhecem-na bem, não têm medo. Nós, que tínhamos - e temos - princípios, vemo-los aproximar e não sabemos, realmente, qual será a próxima cena do filme. Sem o confessar, pela trivalidade dos dias, desejamos ardentemente que venha aí a cavalaria. Para acabar com a desordem destes índios.
O problema que está por resolver - e que queremos afastar da nossa mente - é que podemos ter que ser nós a fazermo-nos cavalaria. Quem sabe.
You Are Now Leaving 'Dignidade'
Desde logo deprime, como sociedade, o facto de o próprio país estar mal. De os outros portugueses poderem estar mal. E de não haver (donde se pede a Manuela Ferreira Leite que começe a fazer o seu acto, a fazer oposição - pelo menos isso) luz ao fundo do túnel. Só mais do mesmo. Nada mais que isso.
Face a esta sociedade violenta para alguns jovens, a sua inserção no mundo laboral - sobretudo - exige uma série de cedências, naquilo que consideramos como certo, correcto, em prol de um bem maior. No caso, a própria sobrevivência, futuro. Leia-se dinheiro, salário. Eu não sou marxista, não falarei de 'prostituição', palavra demasiado forte. Mas o certo é que há jovens que se sujeitam a ambientes de trabalho insalubres, e não digo que sejam explorados, mas são ignorados, instrumentalizados, elementos na engrenagem do cinismo. Há uma noção clara que as coisas não deviam ser assim, mas tudo é aceite. Os silêncios, as omissões, as pequenas e insinuantes crueldades. Às vezes à verdadeiras 'obscenidades por omissão' (acreditem que eu sei do que falo), face a coisas gravíssimas (estou-me a lembrar, por exemplo, da certificação quanto à segurança e integridade física de um jovem) e depois, no dia seguinte, há que sorrir, falar, beber café como se nada fosse. Não - é preciso dizer não. Não se pode ter medo de impôr limites quando eles têm que ser impostos.
A verdadeira questão, no fundo, é a mesma de sempre. A noção subsconsciente de que este é um país pequeno, de que 'what goes arround' pode bem 'come arround', faz com que se calem verdadeiras bestialidades. De novo, eu sei bem daquilo que falo.
Há um pormenor, no entanto, que convém reter para própria protecção. Lembro-me de, há alguns dias, ter ouvido ao treinador do Manchester United, a propósito de não sei que situação, esta frase: 'There's nothing wrong in getting mad for the right reasons'. Se a Justiça (e o esforço sincero) estiver do vosso lado, não hesitem em clamar - contra qualquer opressor que seja. A Justiça é o único motivo que pode justificar todo e qualquer berro. O problema de sempre é ter a certeza de que ela está connosco.
Vida 'By Proxy'
É um estilo de vida destes tempos - 'by proxy'.
Contemporaneidades
É, contudo, necessário perceber o quão justa, creio eu, é a palavra "revanche" nesta situação: é que o humor deste grupo parece-me menos jovial, mais realista, que o dos Gato Fedorento. Há um Markl que, seguramente, se sente um pouco revoltado por não ter sido apanhado na onda dos Gato Fedorento, e que quer recuperar tempo perdido. E depois há um conjunto de humoristas que, certamente, se rebelam contra a hegemonia eu eucalíptica dos Gato Fedorento nos últimos tempos (que pode estar para acabar) e que querem expressar o seu talento, recorrendo a maior... violência humorística, se necessário.
De qualquer forma, a evolução tem sido espantosa. No último episódio dei comigo a rir como um perdido com alguns dos sketches. Dos disponíveis no YouTube, tomei a liberdade de seleccionar alguns para vocês.
A Tesoura Está Na Mão Deles
- Devias ver os tipos que eu deixo cortarem-me o cabelo..."
terça-feira, setembro 23, 2008
Pecado Original 30
Terramoto BCP
segunda-feira, setembro 22, 2008
As Cadeiras Meninas do Papá Tirano (Deixem-nos Só Dar Uma Volta...)
Nós somos os rapazes que vamos lá a casa (à sala de exame) cantar a canção do bandido, que, por muito bem que cantemos, só queremos mesmo é dar uma voltinha, 'curtir' com ela. Mas não - o pai-professor protege a filha dilecta de todas as pretensões, das luxúrias dos alunos. Se querem 'levar' a filha (o passe à cadeira) têm que casar com ela! Têm que a conhecer de trás para a frente. Saber quais são os seus sabores de gelado preferidos. Saber quantos anos tem a sua cadela. Saber todas as equações, derivações, aplicações.
Mas se nós só queremos dar uma voltinha, fazer a nossa cadeira e ir à vida... Com toda a gente feliz, claro. Temos os nossos mínimos - somos gente decente. Porque vêm estes idiotas pais tiranos assim a reclamar que a filha deles 'não é dessas', dessas cadeiras fáceis, oferecidas sem perguntas rebuscadas e traiçoeiras. Que em vez de distinguirem a vileza do gentil desejo, pretendem secar toda a luxúria, reclamar todos os sacrifícios - exigir desse pretendente a marido quase a santidade!
Que grandes empata-f****! (como diz o povo, sabiamente).
sábado, setembro 20, 2008
Voz da Cidade: Quando A Estética É Uma Ética
Curiosamente - ou talvez não - foram entrevistar somente portugueses urbanos, citadinos. Entre vários deles perpassava uma assumida vergonha por ver algo assim na televisão. Por verem portugueses que eles consideram indigentes, nesse submundo que é 'a província'. Há um resíduo de razão na crítica: alguns repórteres são obviamente sacanitas, e gozam mansamente das pessoas que entrevistam, por as acharem 'cromos'. Mas, meus caros, fossemos a avaliar as reais razões porque fazemos tanta coisa na vida, sobretudo um projecto artístico como é um programa temático de televisão e ficaríamos seriamente desiludidos.
Na minha opinião o programa é brilhante. É fresco no panorama televisivo. É bem feito. É certo que captura a gente de aldeia. Mas são perfeitamente ignorantes os portugeses urbanos que os consideram indigentes, e que têm mesmo repulsa em os verem (pergunto-me se o problema será eles existirem ou serem vistos) na televisão. Percebam de uma vez: as pessoas do Campo não se exibem tanto como as da Cidade. Não são tão presumidos. É certo que há pobreza também. Mas sobretudo não há necessidade de qualquer pseudo-estética que seja.
A verdade é que, entre aquela gente que tão brutamente fala, e tão mal veste, há portugueses que, em vários casos, vivem melhor que os urbanos que perturbam pela sua presença na televisão. E que têm mais dignidade que eles - sim: mais dignidade. Porque é mais digno uma vida rural que uma vida de funcionário em teias de hipocrisias, controles mútuos, contagens de quem é que come quem, de quem faz menos, e a quem toca a responsabilidade.
Eu gosto daquela gente. Conheço-a desde pequeno. Há de tudo, como em todo o lado. Eu não estou aqui em defensor dos oprimidos, mas sinto alguma ofensa. Não quero fazer de moralista com os outros, mas não posso admitir que eles o façam por outros meios. É fina a barreira entre a genuína preocupação social e o pequeno nojo travestido de caridade.
Apesar de tudo, prefiro os sacanitas que fazem o programa. Podem achá-los cromos e rir-se deles por dentro, mas não os desprezam assim. Vou continuar a ver o programa e a rir-me com el (ver aqui). A estética, meus caros, não é uma ética.
Zé Chunga
"-Diz-me, qual é a tua profissão?"
"-Sou jovem. A minha profissão, sou jovem. E acumulo - com arrumador de carros."
"-Ah... um melómeno."
-E pah. Pisa. Aonde? E pah, pisa que isso deixa gosma!"
Quantas vezes não repeti este sketch. Falta do Boião também o "um rato, um rato!", do "vocês não explicam... a malta irrita-se".
Mexillone
Splendido Splendente
Cuidado que a Rettore está quase a sair do ecrã.
Vidas Inteiras, Como as Palavras
Perdido nesta impressão, a velhota olha para ele e diz-lhe, tão simplesmente: "De condução é o problema do trânsito. Aqui é sempre esta merda."
Ainda pensei estar no meio de um filme. Será que o Stifler estava escondido em algum sítio?
Há alturas em que eu gosto muito, muito de ter um blog.
sexta-feira, setembro 19, 2008
La Casa Sarebbe Dove C'é Quella Donna E Varebbe La Pena
Colocado por Pedro Mexia no seu Estado Civil - far and away, o melhor blog nacional.
"(...)
Val la pena esser solo, per essere sempre più solo?
Solamente girarle, le piazze e le strade
sono vuote. Bisogna fermare una donna
e parlarle e deciderla a vivere insieme.
Altrimenti, uno parla da solo. (...)"
Há tanto Cesare Pavese que falta ler.
segunda-feira, setembro 15, 2008
Hate To Say I Told You So...
E há mais:
"Poteva evitare di dire ciò che ha detto e rispondergli sarebbe troppo facile. Dico solo che noi non siamo un popolo che si può imbonire con le chiacchiere e quindi Mourinho la smetta di fare il chiacchierone. Mourinho farebbe bene a guardare i suoi problemi, a quanto costa lui e la sua squadra alla sua società. Mi auguro che vinca perché se non vince, si deve prendere la sua bella valigetta e andarsene via al suo paese".
Basicamente: 'não te armes em chico-esperto, Mourinho, ou então pega na mala e andor para o teu país'. Nada meiguinho, hein? Mas, de novo, Mourinho foi avisado por este blogger.
P.S.1: A primeira reacção é a de ir lá defender o Zé. Mas Mourinho está - tenho-o repetido várias vezes - a ser estúpido. Aquele estilo vai muito mal com Itália. Agora, há uma diferença fundamental: é que Mourinho tem o direito a ser estúpido, mas ninguém - ninguém em nenhum país que seja - tem o direito a ameaçar a sua integridade física. É uma ligeira diferença.
P.S.2: Quando Mourinho regressou ao Porto, há algum tempo, depois de ter ido para o Chelsea, muniu-se de guarda-costas. Na altura terá dito qualquer coisa do género 'quando se vai a Palermo é preciso protecção'. Irónica, esta vida. Quem sabe não tenha que ir agora à verdadeira Palermo, com verdadeira protecção.
Mou: Fino Adesso
Vamos crer que não. Que tudo vai resultar bem. Que o Inter vai ganhar, jogar bem, que Mourinho vai ser inteligente o suficiente para ser mais 'mellow', mais diplomático, menos cortante. Mas que ele foi avisado neste blog há já bastante tempo - lá isso foi.
P.S.1: E que Scolari lhe está a dar, no Chelsea uma chapada de luva branca, a ele e a muita gente (incluindo este modesto 'opinion-maker'), lá isso está.
P.S.2: Quem sabe se, na verdade, esses fenómenos Mourinho e Ronaldo dependeram muitíssimo mais das suas equipas Chelsea e Manchester United para o seu sucesso que aquilo que pensam? Ui... E se o fenómeno da selecção portuguesa dos últimos tempos dependeu muitíssimo de Scolari (Ui!: 'Eles fartavam-se de dizer mal do homem, mas o certo é que...').
sábado, setembro 13, 2008
Reading List 4
"On Art and Life", de John Ruskin (1819-1900). Este livro está, na realidade, composto por duas reflexões em separado, que são, de facto, dois capítulos de outros dois livros, aqui coligidos ao abrigo desta colecção "Penguin Great Ideas". "The Nature of Gothic" fazia originalmente parte do livro "The Stones of Venice", vol. 2,, publicado em 1853 e "The Work of Iron in Nature, Art and Policy", um seu 'lecture', foi publicado no "The Two Paths", em 1859.Como terão facilmente depreendido, o primeiro é uma reflexão sobre o estilo gótico, ao passo que o segundo versa sobre o ferro, como material essencial para uma sociedade, uma nação, nos três domínios que a caracterizam: o Arado, a Corrente, e a Espada (o Pão, a Lei e a Guerra). Devo dizer que achei particularmente interessante a sua visão da beleza que existe no estilo gótico, por natureza imperfeita, em oposição à beleza clássica, grega, de necessária perfeição.
De qualquer forma, a princípio, e durante uma boa parte do livro, parecia estar perante um desilusão. Havia ali considerações sobre um estilo arquitectónico e uma matéria-prima que aborreciam bastante. Percebi, contudo, que era em apartes, considerações mais abrangentes, que Ruskin mereceu ter estes dois capítulos sob a égide do 'Great Ideas'. Atentemos nestas duas passagens, a primeira relativa ao primeiro capítulo, de 1853:
"It is verily the degradation of the operative into a machine, which, more than any other evil of the times, is leading the mass of nations everywhere into vain, incoherent, destructive struggling for a freedom of which they cannot explain the nature to themselves. Their universal outcry against nobility, is not forced from them either by the pressure of famine, or the sting of mortified pride. These do much, and have done much in all ages; but the foundations of society were never yet shaken as they are this day. It is not that men are ill fed, but that they have no pleasure in the work by which they make their bread, and therefore look to wealth as the only means of pleasure. It is not that men are pained by the scorn of the upper classes, but they cannot endure their own; for they feel that the kind of labour to which they are condemned is verily a degrading one, and makes them less than men."
e a segunda retirada do segundo capítulo (1859):
"By far the greater part of the suffering and crime which exist at this moment in civilized Europe, arises simply from people not understanding this truism - not knowing that produce or wealth is eternally connected by the laws of heaven and earth with resolute labour; but hoping in some way to cheat or abrogate this ever-lasting law of life, and to feed where they have not furrowed, and to be warm where they have not woven. (...) The law of nature is that a certain quantity of work is necessary to produce a certain quantity of good, of any kind whatever. But men do not acknowledge this law; or strive to evade it, hoping to get their knowledge, and food, and pleasure for nothing: and in this effort they either fail of getting them, and remain ignorant and miserable, or they obtain them by making other men work for their benefit; and then they are tyrants and robbers."
Segunda metade do séc. XIX. Pois é.
Kilometragem em língua inglesa: 402 páginas (inclui 'Reading List 2', de novo por picuinhice; "On Art and Life" tem 98 páginas).
sexta-feira, setembro 12, 2008
Rigth Here, Right Now 1
Não há nada como receber os nossos amigos em férias. Hoje ao almoço revi esses, de longa data, que vão pelo nome de Trincadeira e Aragonês. É sempre um prazer estar com eles.
quinta-feira, setembro 11, 2008
On Hold
Mas o chocante, realmente, é como as pessoas investem as suas vidas nestas expectativas de integração nas estruturas não-privadas da sociedade, assim se escusando a trabalhar verdadeiramente. E é chocante também como os portugueses que pagam essa factura (não me posso incluir, por ora) toleram isso. É que nada nestas estruturas estatais e partidárias é movido pelo mérito pessoal, antes por uma história de dedicação, amor ou pseudo-amor à camisola, e, no fundo, a mais simples e lusitana ambição de todas: a de um posto pouco exigente, que dê pouco trabalho, que exponha e responsabilize pouco, confortável, o mais duradouro possível e o mais bem pago possível.
Disclosure: Esta crítica, faço-a não estando eu próprio inserido no mercado de trabalho, o que sei me retirar legitimidade. A motivação que me anima, mais que justiceira (embora em parte também seja) é a de retratar. E a de permitir atentar, a quem leia o texto, nesse facto singelo, que é o de uma pessoa investir a sua vida em pequenas acções à espera que se lembrem delas, quando tudo pode mudar de repente. E isso a todos deve dar que pensar.
O Tamanho do Capricho
Every Move You Make
Depois, viver sozinho é duro. Tem o seu encanto inicial, de liberdade, mas, sobretudo se se trabalha para poder viver sozinho, a certa altura há uma erosão. Somos animais gregários, quanto a isso nada há a fazer.
Também não desdenhamos os seus conselhos. E eles têm muitos dos defeitos e virtudes que teremos nós próprios no futuro. Estamos sempre a aprender, embora os mais inteligentes de nós se recusem a ser cópias.
Mas, caramba, há grandes desvantagens também. Nomeadamente, o escrutínio constante, e o ser chamado à pedra pelas coisas mais exasperantes. Algumas delas passam o limite do respeito pela privacidade, pelo indivíduo que nos consideramos já. São as coisas mais pequenas, mais insignificantes. Faz tudo parte de um registo, de hábitos, de gastos, de frases, de saídas e entradas. Mas porquê? Porque não se interessam eles por outros temas - infinitamente mais apaixonantes - que os próprios filhos, nesta idade em que eles dão mais que bem conta de si?
Aliás, até temos para nós que somos os maiores. Que já andámos por sítios, vimos gentes que lhes provocariam pele de galinha, que já passámos por experiências que, no tempo deles, seriam impossíveis. E que, mercê da era tecno em que fomos criados, já vimos coisas, sites, filmes, etc. que lhes fariam lavar os olhos mil vezes se com tal se deparassem. Somos os maiores, realmente.
O ideal, suponho, seriam pais muito protectores no início da vida, e depois uns pais ultra-liberais (e já agora, ricos e generosos) para mais tarde. Mas não, geralemente os pais possessivos não deixam de o ser e os pais ausentes também não. Não há meio termo. E quem se lixa somos nós, os filhos.
O Doping da Palavra
Já há bastante tempo que eu próprio - sem muita cultura de 'Calcio' - sabia que a comparação com o HH aí viria, mais dia menos dia. Para quem não se lembrar, Helenio Herrera, argentino, e histórico treinador de Barça e Inter, é tido como o criador do 'catenaccio'. Chegou, também, por curiosidade, a treinar o Belenenses, numa altura em que o clube teria outro patamar.
Mundo Cão
Et Semper Idem
Detesto, abomino assumir esta postura mais pessimista, mas seria desonestidade intelectual não o fazer: esta é uma guerra que não nos dará paz tão depressa. Em todos os sentidos da expressão.
Intoxi-Lição
Queirosiano
A propósito, foi uma bela derrota. Fazem tão bem esses banhos de humildade... "Princípios do Leva-Trombismo" é um livro que recomendo às gentes da selecção, de vez em quando. Diz que é do Masoch, mas eu, por acaso, nunca li.
Agora, eu também não gostava de Scolari. Que vos dizer? Sou um gajo exigente. E até Monica Bellucci não se lembrar de responder às mensagens, também não me vou comprometer com ninguém.
Bom, mas falando do Queirós. Digo, falando mal do Queirós. O homem - e eis o problema - é difícil de prescrutar. O que motiva Queirós? Não será uma fé religiosa, suponho. Também não um amor a algo que o levante da cama todos os dias. Mais bem parece, entre o sorriso mal-consentido, com espécie de ira sempre pronta, que o homem tem um ajuste de contas de algum tipo a fazer. Digamos que um ressentimento antigo. Com o quê não sei - não me perguntem. Mas é o que eu diria. Basicamente, não deslindo em Queirós os ânimos certos para comandar... o que valeria 'peanuts', caso o homem fosse bom naquilo e ganhasse. Mas... com todo o respeito, sr. prof., não parece ser isso que está - ou vá - acontecer pois não?
Não responde, não é? Eu cá, que me desculpem, Queirós continuo com o Eça de, não Carlos.
La Isla Bonita
Gollum Nutrido
quarta-feira, setembro 10, 2008
Realidade Nacional
Ninguém sente a selecção até ao osso, como ainda há pouco tempo acontecia. Todos querem é brilhar mais, um pouco mais, se tanto. Não há um maestro, um capitão. Que Cristiano Ronaldo seja feito capitão, passe a sua qualidade, é para mim uma piada.
Mas enfim, é a selecção que temos. No livro que falei, no post 'Reading List 3', a autora termina com uma frase que lhe terá dito o 'capitão da indústria' António Champalimaud: "para quê defender o capital nacional, se o país vai acabar?". Supondo que, em vez de catastrofismos, Champalimuad se referrisse argutamente a esta era globalizada, em que o dinheiro, poder e contactos só mudam de língua e os países se parecem distinguir por meros centros regionais, legislativos e executivos, para quê querer uma selecção de futebol, se o país já não existe?
O Cliente Que Tem Sempre Educação
terça-feira, setembro 09, 2008
Reading List 3
Surpreendente na profundidade, não só das intrigas e enredos, mas também no arguto perfil psicológico dos intervenientes (entre as várias considerações sobre o célebre comendador escolho esta, acerca dos 'amigos': "(...) tem da amizade uma ideia paternalista"), e mesmo não intervenientes ("Marcelo Rebelo de Sousa acima de tudo é um vendedor de ideias, algumas certas, nem todas. Mas é tolerável que quem seja chamado a falar sobre tudo, com o tom crítico que lhe é esperado, dê, de vez em quando, uns tropeções. Depois é inteligente demais para se levar a si próprio a sério, o que explica que ponha a generosidade à frente da honestidade intelectual.").
Para quem tem interesse em conhecer o maquiavelismo do mundo financeiro português - e eu sei que há alguns de vocês que têm - leitura fundamental.
Kilometragem em língua portuguesa: 418 páginas.*
*Contagem que inclui, por picuinhice, o livro 'Reading List 1' ('Terramoto BCP' tem 222 páginas)
domingo, setembro 07, 2008
Terra de Cegos
Porquê? Porque meus caros, fintar é a satisfação imediata - é a vitória logo ali. Muitíssimo mais complexo é vencer noutros campos de batalha. Difícil é ser como nós, estudantes de algo, mal ensinado por uma sociedade a quem não interessa que os jovens saibam demais, para ir disputar lugares contados, em estruturas laborais espartilhadas por corporações. Não, que me desculpem. O que o Cristiano Ronaldo faz, tendo qualidade pessoal, é fácil. Difícil é preserverar como nós, andar a tolerar tudo aquilo que nos parece fundamentalmente errado, lançar garrafas para o oceano, sem saber se alguém as ler, lançar os nossos esoforços e dores no futuro sem saber se valerão de algo.
Difícil é ter uma profissão simples nesta sociedade 'cuidado onde pisas'. Fintar não: fintou, está passado, vitória, ponto. Há a satisfação logo ali. Nós... nós temos que adiar a satisfação demasiado tempo. E alguns não aguentam mesmo, essa mera promessa de alegria, face às pressões e dores do presente. Cedem.
Não, o que o Cristiano Ronaldo faz é cagativo. Jogar à bola é cagativo. Sendo bom, claro. Ter qualidade, potencial, e investí-lo numa profissão intelectualmente exigente, numa sociedade desconfiada e castradora, isso sim, é difícil. Fintar idiotas até eu consigo fazer. Ter o nosso ego, euto-estima, dependente de coisas muito menos imediatas é que custa. E eu não aceito a estupidez de um mundo, de um Portugal que não percebe puto de nada, que não percebe a diferença.
OPAsedelo
Todos vocês já viram, devido à crise recente, imagens das reuniões das assembleias do BCP. Há ali uma reunião solene de solenidades, de homens com ar monásticos, misturados com homens de inteligência muito reflectida, muito epicuristas, muito raposos. Há por ali muita conaissance, muita ironia, finura.
Tudo aquilo se junta num ambiente certamente difícil de se estar à vontade. Como que bacteriologicamente puro. Há ali uma guerra tácita de sensibilidades no píncaro, um jogo – exigente – de pormenores, e muito olho para o pormenor. Suponho que essa capacidade de jogar o jogo psicológico faz parte do que na banca se chama ‘trabalho duro’.
Pois bem, perante essa assépssia eu às vezes consigo ver além da porta que se vai fechar, de entre em breve. Depois do disparar dos flashes, das filmagens para a televisão, tudo sob o olhar vigilante de Paulo Teixeira Pinto, os jornalistas são informados que devem sair. ‘Meus senhores…’ – alguém dirá. ‘Por favor…’.
Mesmo antes que a porta se feche um deles acabou de beber água do seu copo. E, ainda com a mesa impecavelmente composta, poisa o copo, com receio que escorra uma gota, e que algum dos outros note. Se tivesse mais que um som abafado ao encontrar a mesa, seria ainda sumido pelo da porta, que se fechou naquele preciso instante.
“Porra. Tava a ver que os gajos nunca mais iam embora. António: bota aí a música, caraças.”, diz Paulo, em jeito de alívio.
“Falas bem, puto. Falas bem. Tenho aqui um granda som. Escuta isto.” António coloca um CD numa qualquer entrada, oculta à mesa, e clica no rato. Ao olhar concentrado segue-se um semi-sorriso.
Paulo reconhece de imediato a melodia. “Royalistic… Granda som, chaval. Deixa-me cá mas é desapertar a gravata, que isto está a asfixiar-me. E vou tirar estes óculos. Olhem lá, o que é que a gente tem que decidir hoje?”
“Acho que é aquela cena de expandir os balcões na Polónia.” Responde-lhe António.
“Ui. Não podemos decidir isso prá semana, Toni?”
“E pah, convinha ser já hoje, que depois os gajos dos económicos metem essa notícia ao lado dos nossos maus resultados do trimestre.”
“Pois é, tens razão. Então mas isso o deve ser ali o Zé e o Pipo Pinhal a decidir, não?” Paulo envia um olhar para os dois, que falavam, perto do móvel com a televisão, do outro lado da mesa, para onde se tinham levantado.
“Nem mais.”
“Ouviram?” Paulo chama-os ao fundo da sala. “O que é que vocês tão a fazer?”.
“Tamos aqui a começar o processo de decisão. Eu digo para expandir, mas o Pipo é contra. Só há uma maneira de tirar teimas: melhor de 3 jogos de PES.”, responde José.
“Ok, boa.”
“Shotgun no Messi!” grita de repente Filipe Pinhal.
“Fogo, Pipo. Ficas sempre com o gajo. Fica lá com o Cristiano desta vez.”, protesta José.
“Não. Shotgun é shotgun.” Não há grande prazer de vitória sequer em Filipe – aquela era a regra, e nada mais havia a dizer.
“Ok, pronto. Bora lá”, anui José.
Paulo ri-se, uma outra pessoa, agora sem os óculos ovais: “Estes gajos… Enfim. Viste-me ali a dardejar olhares para os gajos, Toni? Adoro fazer aquilo. Parece que sou o Ciclops, a mandar raios. É para manter tudo na ordem. Como quem diz [mão aponta para o espaço]: ‘hei – eu estou atento’”
“Brilhante, Paulo. Brilhante.”
“E pah… Mas que cheiro é este” interrompe Paulo de repente, transfigurando-se. “Alípio, és tu?”. Alípio é o único perto deles, naquele topo da mesa, e está comprometedoramente calado. “Não me faças essa cara de santo. Até parece que era aprimeira vez!” Alípio esboça uma pequena alteração facial, mas depois continua a jogar Minesweeper no seu PC.
“Olha pró Christopher.” Paulo voltou-se novamente para António. Olham agora os dois para Christopher, que dedilha o telemóvel. “Deve ser outra vez a namorada… Christopher! Deixa lá a gaja um segundo, meu. Fogo. Granda melga.” Paulo sorri. “Aquele gajo com as miúdas…” Christopher continuou, andando e teclando, até responder “Isso é só dor de cotovelo.”
“O que é que vocês estão aí a ver no PC?” Paulo dirige-se agora ao grupo de cinco administradores concentrados em frente a um dos écrans, em que suspiros, silêncios e pequenos risos se misturam de forma suspeita com os olhares fixos no écran – sem no entanto haver um silêncio que seja longo demais. Até que se riem todos, e desviam o olhar enfim. “Mete o outro, mete o outro”, alguém diz. “Não me encharquem o sistema de vírus, hã?!” avisa Paulo.
De repente, entra pela porta adentro João Baião. “Olha quem ele é. Tás bom João?”, é cumprimentado.
“Tudo na maior.” Responde efusivamente João Baião. “Vamos lá animar isto.” Veste um estranho fraque branco, brilhante.
De repente entra um macaco falso e uma série de bailarinas pela sala. Nenhum dos administradores estranha o facto.
João Baião tem na mão um microfone. Começa a cantar: “O Big Show está no ar…” Há uma música aos berros a que dançam todos.
“Ueh, ueh!”, gritam ritmadamente. “Venha cá.” João Baião dirige-se a alguém. Seria a mim? “Sim, você, pequeno accionista. Venha cá.” A cara de João Baião parece agora maior. “Não saia daí. Ainda não está a hora de ir à cada de banho mandar a sua mais-valia e a credibilidade da CMVM pelo cano abaixo. Não saia daí!”. “Ueh! Ueh!” gritam todos na sala agora diferente, toda branca e fortemente iluminada.
Acordo de repente. Que sonho estranho... Deve ter sido dos amendoins. Nunca se deve misturar amendoins com OPAs. Fica-me de lição.
sábado, setembro 06, 2008
The Web Revolution Continues
A Google aproveitou, ou forçou, se quisermos, uma altura de síntese, de redução, de eliminação da areia na engrenagem muito necessitada. Deixaram de haver motores de busca - passou a haver o Google. Criou o Gmail, o Google Earth, etc. Não só "limpou" toda a confusão que havia antes - a reduziu a uma fonte - como teve a estupenda capacidade de criar aplicações nunca antes vista, com um espírito "user-frindly" que não estupidificava - apenas simplificava. Havia respeito pelo utilizador. Havia um caminho totalmente oposto ao da agressividade Miscrosfotiana. Brilhante. Mil vezes os meus cumprimentos. Nunca esquecerei o meu espanto ao ver no Google, desde logo, um motor insuperavelmente eficaz, desde logo, mas também - tanto tempo para chegarem lá - com anúncios discretos. Elegante - suma tecnologia com sumo bom-senso.
Eis porque já não se diz "search the web", só "google it". Os meus parabéns à Google por manter vivo o espírito dos pioneiros da Web - e só podem agradecê-lo aqueles que sentem que foi a Web, antes de tudo o mais, a dar-lhes liberdade.
Tempera-Prandial
Depois de almoço, a voz era serena, já não rugido. Depois de almoço soltava-se a racionalidade, a erudição mesmo. Havia uma placidez de acordo com a idade, enfim. Uma antítese.
Antes de almoço ele era Antigo Testamento, depois de almoço era Novo Testamento. Era, no fundo, tempera-prandial.
sexta-feira, setembro 05, 2008
They Can't Take That Away From You IV: Zihuatanejo
terça-feira, agosto 26, 2008
Inspiração
Antecipação da Sorte
Veja-se que na época passada, o seu mau começo foi compensado, na lotaria da Champions, com uma eliminatória contra o Sporting. Justamente o que o médico prescreveria: 'Cristiano, você tem que arranjar assim uns gajos com quem esteja mais que à vontade para os mandar abaixo e recuperar a auto-estima. Mas olhe - não se esqueça de lhes pedir desculpa pelos golos que marcar!'. São estes médicos que me lixam.
Este ano está-se mesmo a ver o que acontece: o Manchester quebra, o Ronaldo, mesmo que entre em força, provavelmente também, recebe críticas sobre ter pensado no Madrid (embora no caso dele as críticas sejam um bom estímulo), e depois de uns meses em decréscimo, surge a notícia que o vai levantar outra vez para o resto da época: ser considerado o melhor jogador do mundo.
Lucky bastard.
Moagem Especial - Lote Diavolo
segunda-feira, agosto 25, 2008
Sexy É Desafio
Morenas Fora de Horas
Cultivar-se A Bordo do Titanic
Web Generation
Surpresa Menos Que Desagradável
25 de Abril (Ao Quadrado)
Não sei porquê, estou-me a lembrar do 'Animal Farm' do Orwell. Não sei porquê.
Sometimes There's Nobody Left To Talk, And He's Always Around
Pergunto-me se esta coisa dos euros tem afectado as almas. Às tantas, até ele se queixa da inflação.
Please allow me to introduce myself
I'm a man of wealth and taste
I've been around for long, long years
Stole many man's soul and faith
And I was 'round when Jesus Christ
Had his moment of doubt and pain
Made damn sure that Pilate
Washed his hands and sealed his fate
Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what's puzzling you
Is the nature of my game
I stuck around St. Petersburg
When I saw it was a time for a change
Killed the Czar and his ministers
Anastasia screamed in vain
I rode a tank
Held a general's rank
When the blitzkrieg raged
And the bodies stank
Pleased to meet you
Hope you guess my name, oh yeah
Ah, what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah
(woo woo, woo woo)
I watched with glee
While your kings and queens
Fought for ten decades
For the gods they made
(woo woo, woo woo)
I shouted out,
"Who killed the Kennedys?"
When after all
It was you and me
(who who, who who)
Let me please introduce myself
I'm a man of wealth and taste
And I laid traps for troubadours
Who get killed before they reached Bombay
(woo woo, who who)
Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah, get down, baby
(who who, who who)
Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
But what's confusing you
Is just the nature of my game
(woo woo, who who)
Just as every cop is a criminal
And all the sinners saints
As heads is tails
Just call me Lucifer
'Cause I'm in need of some restraint
(who who, who who)
So if you meet me
Have some courtesy
Have some sympathy, and some taste
(woo woo)
Use all your well-learned politesse
Or I'll lay your soul to waste, um yeah
(woo woo, woo woo)
Pleased to meet you
Hope you guessed my name, um yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, um mean it, get down
(woo woo, woo woo)
Woo, who
Oh yeah, get on down
Oh yeah
Oh yeah!
(woo woo)
Tell me baby, what's my name
Tell me honey, can ya guess my name
Tell me baby, what's my name
I tell you one time, you're to blame
Oh, who
woo, woo
Woo, who
Woo, woo
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah
What's my name
Tell me, baby, what's my name
Tell me, sweetie, what's my name
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah
Woo woo
Woo woo
quinta-feira, agosto 21, 2008
Bolero
Mas aqui está em traje de gala, com Karajan e tudo. Favor respeitar, saborear.
quarta-feira, agosto 20, 2008
Sensatez
Falta de Comunicação
É como se nos olhos delas, que se comprometem, houvesse a dúvida, sobre se aquele é realmente melhor parceiro, o parceiro ideal, aquele a quem prestar uma fidelidade... inata. Que é coisa mais delas do que deles. E se, por acaso, depois encontra? E se, por acaso, depois se depara com a dor de perder essa inegualável felicidade a dois - na idade certa?
Falta de coragem ou desespero suficiente. Falta de comunicação.
terça-feira, agosto 19, 2008
Eclipse Eclesiástico
(Fora da televisão, fora do coração.)
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segunda-feira, agosto 18, 2008
Femina/Ego
Mas, desde logo, gostar de livros é uma condição importante para se gostar de mulheres. Bilhar grande? Não - sigam este raciocínio.
Ora, se só pode amar a leitura quem sente prazer intelectual, temos que considerar inteligentes as pessoas dotadas dessa capacidade. Todos até aqui? Ok. Continua: se são pessoas inteligentes as que lêem livros, a sua curiosidade quanto ao sexo oposto (e só vou considerar aqueles que, lendo livros, preferem o sexo oposto), logicamente, recai também em pessoas inteligentes. É que a inteligência, e o prazer intelectual têm um problema simples: a impaciência - para com a estupidez.
Inteligência busca inteligência. E, pergunto eu, que homem que se diga gostar verdadeiramente de mulheres não as diz inteligentes? Não, estão enganados. Esses não gostam de mulheres - gostam de corpos, do prazer sensual - necessariamente transitório. Esses têm um desassossego sexual constante, não chegam quase a saborear. Homem que ama mulheres - como pessoas - ama mulheres inteligentes. O que é difícil, claro. É muito mais fácil a estupidez. Mas isso não é amar mulheres - é amor-próprio.
domingo, agosto 17, 2008
Séc. XXI
Subitamente, todos fazem contas de cabeça: quantas são as superpotências deste mundo, séc. XXI? EUA (por quanto tempo mais não se sabe), Rússia e China.
Eu diria que é fazer figas para que Rússia e China não se encontrem nos seus interesses, que tenham suspeita epidérmica de parte a parte. Porque... enquanto os 'two wrongs' fizerem 'one right' não há problema maior. Alguém mediará a coisa de maneira sensata.
Mas a China é diferente da Rússia: o seu modelo proto-capitalista faz com que a noção de trocas comerciais e interdependência com o mundo a limitem. Agora a Rússia, mercê do maldito petróleo, continua isolada para o que quiser e bem lhe apetecer.
Eis como a busca de uma solução alternativa para o petróleo será, por tantas razões, o Graal do séx. XXI. Não pode deixar de ser de outra maneira.
sábado, agosto 16, 2008
Urbanização
Gente que antes era verdadeira e simples fica postiça, lisboeta. Porque em Lisboa ninguém nos dá margem de manobra, ninguém dá benefício da dúvida. Com o tempo, começamos também nós a não dar aos outros. Mas, caramba... fora da urbe poder-se-ia desbobinar essa postura - não?
Enfim - tiques de ex-capital de Império. Como se mantivesse um Império por mero truque mental. Quem saiba - talvez resulte.
Sacana do Velho
Deve ser por isso que cada vez se ouve menos 'O sr. X é muito simpático' para ouvir antes 'sacana do velho...'.
terça-feira, agosto 12, 2008
Non Mollare Mai: Descobertas
S.O.S. Music
Apolítico
O poema está aí por eu o ter encontrado depois de ler uma menção a ele no blog de Pedro Mexia, Estado Civil.












