segunda-feira, julho 30, 2007

Close Enough

Título do Expresso deste fim-de-semana: "Novo líder do PSD nas maos de Jardim". Hate to say I told you so, but... I told you so. Ok, sejamos rigorosos, é uma questao de número de almas com as quotas pagas, mais que do apoio do "barao da ilha". Ainda assim, close enough.

Émmerdant

Sem ser um especialista na língua, "émmerdant" é das palavras com que mais me divirto no francês falado. Na "mouche" para descrever o aborrecimento e a estupidificaçao, perfeita para esta altura: les vacances c'est émmerdant, mes amis. Vous ne trouvez pas?

Bissectrizes 1

Françoise Hardy e Splendor in The Grass: eis o esplendor da melancolia pequeno-burguesa. Uma questao de sentimento. Eu, claro, adoro.

Os Meus Prazeres 3

Virar naquela saída, que nao seguir pelo caminho planeado. Percorrer uma estrada desconhecida, uma nova paisagem portuguesa, cheia de novos pormenores. No rádio, a voz melíflua de Françoise Hardy, as suas melhores cançoes. Com a doçura da luz do sol, nao muito forte, através da janela, continuo nesse prazer de criança que é a descoberta. E depois retomo o caminho original.



Le premier bonheur du jour
C'est un ruban de soleil
Qui s'enroule sur ta main
Et caresse mon épaule

C'est le souffle de la mer
Et la plage qui attend
C'est l'oiseau qui a chanté
Sur la branche du figuier

Le premier chagrin du jour
C'est la porte qui se ferme
La voiture qui s'en va
Le silence qui s'installe

Mais bien vite tu reviens
Et ma vie reprend son cours
Le dernier bonheur du jour
C'est la lampe qui s'éteint

Os Meus Prazeres 2

Sugestao para o Verao, a acompanhar um belo peixe assado: Varanda do Conde 2006 fresquíssimo. Tem um toque acre que adoro, mistura delicada de casta Alvarinho e Trajadura, e a leveza de um gasoso ligeiro. Nao me recordo do preço, mas é barato, à confiança. Vinho verde branco, vinho jovem, ideal para um almoço de amigos.

Os Meus Prazeres 1



My Name is Earl. Excelente série, reúne conjunto de bons actores, com boa "química" (grande desempenho de Jason Lee). Excelente humor. Comprei a série toda e já nao me ria tanto sozinho há algum tempo. Cruzamento de drama existencial com o mundo mítico do "white trash" e "trailer park" americano, na sua vertente "castiça" (e portanto suportável). Embora nao simpatize com o homem, devo concordar com Tarantino: as séries devem ser vistas todas de uma vez, quando temos a season nas nossas maos; se vamos ser indulgentes connosco, mais vale que o façamos com a melhor televisao e em dose reforçada.

quarta-feira, julho 25, 2007

Da Juventude e da Renascença

Gostemos ou nao, a juventude é uma época caracterizada pelo conhecimento e pelo reconhecimento. Há todo um mundo, uma multitude de pessoas a conhecer e talentos a desenvolver. Esse espírito faz parte do mistério da estupidez: refiro-me à sua virtude. Sim, a estupidez tem a sua virtude. Vejamos: é óbvio que o mundo nao nasceu connosco, que somos sempre precedidos por um passado. E que, com as melhores liçoes do passado poupamos tempo, e ganhamos serenidade para a jornada. Mas a vantagem de alguns (a maioria) serem absolutamente alheios à sua história permite-lhes uma vida de aprendizagem por tentativa e erro, e de exploraçao livre da sua juventude. É por isso que o egotismo e a vaidade de um físico brilhante, podendo ser considerados ofensivos porque desprezam um trabalho de minúcia que o precede, sao tolerados pelo avanço que a sua inteligência pode trazer à sociedade. O ideal, no entanto, seria ter pessoas mais velhas a jusante que motivassem os mais novos a montante. Mas esse é um ideal católico, e difícil de colocar em prática, ao que parece. Agora que todos sao livres, os mais velhos sao-no para incorrer em parvoíces impróprias e serôdias, os mais novos para esquecerem qualquer dever de gratidao. De qualquer forma, o certo é que, com a juventude, há uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de um talento - que provavelmente nao voltará.

Sempre achei que os jovens que conheci que nunca tiveram essas ambiçoes de conhecimento e reconhecimento (já nem falo de conceitos arcaicos como honra) nunca chegaram realmente a ser jovens. Que nunca tiveram qualquer sede de conhecimento, o prazer íntimo da descoberta, a riqueza do saber acumulado. No fundo, que nunca tiveram sonho. Que se perderam cedo demais nas maneiras cínicas do mundo. Que tiveram medo de falhar demasiado cedo. Que deixaram de tentar ser honestos demasiado cedo. Ou que se perderam nos prazeres adultos. E têm razao, claro que têm, mas esse sabor ingénuo a sonho, nunca o saberao, é algo de único na vida. E eles nao sao realmente mais que jovens adultos, nada mais que isso.

Perante a imperfeiçao humana, suponho que é difícil estar do lado, generoso, da Renascença. Mas quando ela triunfa por entre a rotina e mesmo às vezes o desespero (fome, doença) é a coisa mais bela que a Humanidade cria. Exercício mental para exemplificar: recordam-se da euforia nos anos 90, com o advento da "Terceira Via", do PC, da Internet, Genética, Biotecnologia, Globalizaçao? Quantas vidas dedicadas à Ciência, génio e trabalho, nao estiveram na sua origem? Conseguiram confundir um pouco a estrutura social - havia algo ali realmente novo na história do ser humano. Mas, alas, depois voltamos, temos que voltar, ao mesmo de sempre.

terça-feira, julho 24, 2007

Pecado Original 15



Elena Santarelli. Ainda nao La Santarelli, como a imagem de baixo poderia fazer prever, porque ainda é sua essa doçura de ragazza, patente na foto de cima. Mas lá chegará. Namora um obscuro (para mim) Bernardo Corradi, avançado do Manchester City, e queixa-se da cidade, ou nao fosse ela (como se dúvidas houvesse) natural de Latina.

segunda-feira, julho 23, 2007

That Thing

É quando somos subitamente perturbados por uma voz feminina no rádio que perdebemos esse facto inelutável: é Verao.

quinta-feira, julho 19, 2007

O Meu Problema ou A Origem da Preguiça I

Se há uma parte de mim que diz "tudo o que há a fazer vale a pena ser bem feito", a outra diz "e onde está a diversao nisso?". O melhor mesmo é abster-me de fazer.

On The Road

Quando às vezes sou surpreendido pela conduçao automóvel de algumas pessoas (às tantas também surpreendo outros com a minha), lembro-me do que escrevia Agustina Bessa-Luís sobre esse tema predilecto que é "o português": "É preferível, para o português, ser delinquente a ser depressivo (...) A delinquência, até nos aspectos mais violentos, é um recurso contra a depressao."

O Putismo

Tenho-me queixado a amigos, que nao se apercebem, de como o "putismo" mina a língua portuguesa. Eu explico: em grande parte da juventude, mais bem masculina, as interpelaçoes do discurso sao feitas, geralmente, por meio de: "puto", "miúdo", "rapaz", mesmo de "chaval". É um código somente juvenil, e o tempo refinar-nos-á (mea culpa: embora nao use estes termos, suponho que o meu português, por mais amor que tenha à língua, é muito melhor escrito que falado). Mas recordo somente que, há nao muito tempo, o bom domínio das língua era exactamente, uma das ambiçoes de um jovem, porque permitia distinçao (e a juventude é a procura de algum tipo de distinçao). Hoje há outras formas de arte juvenil: carros, futebol, computadores, telemóveis. A meu ver, é pena. Mas enfim, eu estou (sempre?) em contraciclo - espero somente que se ganhe mais do que se perde.

1888...

...terá que ser, definitivamente, um dos meus anos favoritos na História do país: nele coincidiram a publicaçao de "Os Maias", o nascimento de Fernando Pessoa e o primeiro jogo de futebol realizado em Portugal. Bela colheita.

Da Estupidez

Passo a reproduzir humildemente aquilo que disse Aristófanes, e que descobri através do filme "The Emperor's Club" (único pormenor a salvar um filme bastante pobre): "A juventude envelhece, a imaturidade é ultrapassada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa - mas a estupidez dura para sempre."

Da Loucura

Difícil de definir, a loucura. Volto, algo surpreendentemente, a Cristicchi e a esta cançao, que tem uma ou outra frase interessantes. Eu, no entanto, atrever-me-ia a dizer que toda a loucura provém, antes de mais, da solidao. E a solidao nestes dias é algo que, secreta e assutadoramente, se vai tornando epidémica.

"I matti sono apostoli di un Dio che non li vuole
(...)
I matti siamo noi quando nessuno ci capisce
Quando pure il tuo migliore amico ti tradisce"

(Os loucos sao apóstolos de um Deus que os nao quer
(...)
Os loucos somos nós quando ninguém nos compreende
Quando mesmo o teu melhor amigo te trai)

terça-feira, julho 10, 2007

Pecado Original 14







Sophie Marceau. Inesquecível em Braveheart, contraponto feminino perfeito à nobreza masculina de Wallace/Gibson. E volto novamente ao que dizia Ferreira Fernandes sobre as parisienses aos 40.

Da Causa

Tenho por regra desconfiar sempre de quem se dedica a uma causa, qualquer que seja. Sempre achei que por detrás dessa dedicaçao, ou está um grande amor e idealismo (por vezes espírito religioso), ou, maior parte das vezes, uma espécie de redençao à sociedade, ao colectivo. Sao necessários à sociedade, é certo, mas penso duas vezes antes de aceitar a sua superioridade moral. Nao me refiro a voluntariado comum e anónimo, esse sim virtuoso, mas antes às causas mediáticas, aos arautos de partidos, movimentos ecologistas, clubes de futebol, mesmo do país.

segunda-feira, julho 09, 2007

Lisboa Cidade Mistério


Ainda a propósito do "Sentimento de um Ocidental", o poema de David Mourao- Ferreira, tao simples quanto belo, sobre as varinas desta cidade que nos captura (e falta-me ler ainda o que dela escreveu José Cardoso Pires, que também se rendeu aos seus encantos), com a sua luz centrípta e às vezes, estupidamente, parece ser o centro - o centro do mundo.

Maria Lisboa

É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata;
na canastra, a caravela,
no coração, a fragata.

Em vez de corvos no chaile,
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile com o mar.

É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira,
e nas velas o latido
do motor duma traineira.

Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria;
seu apelido: Lisboa.

Adenda

Cesário: brilhante, mas mundano. Nao sao dele as epopeias e os impérios, somente os cantos da casa - e da vida.

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve conta à botica!
Mal ganha para sopas...

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redacção, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
Vale um desdém solene.

Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho
Diverte-se na lama.

Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.

Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.

Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua coterie;
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.

A adulação repugna aos sentimento finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exactos,
Os meus alexandrinos...

E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!

Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!

Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?

Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a réclame, a intriga, o anúncio, a blague,
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras...

E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe a luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!

O Eterno Duelo, a Minha Escolha

Que escolher: a perfeiçao de Pessoa ou a hombridade de Camoes? Pessoa é vários e nao é nenhum, um perfeito fingidor, mas há sempre aquele que somos em Pessoa. Camoes pode reclamar a suprema nobreza de ter cantado aquilo que viveu, de ter feito forma de poesia os seus sentimentos, genuínos. Talvez preferir Pessoa quando somos jovens e Camoes na idade adulta, pode ser uma soluçao. Ou entao, minha sugestao, ficarmos por Cesário, pela sua poesia melancólica, olfactiva - lisboeta.

Para mim, é um poeta de uma honestidade muito singela e tocante, com a capacidade de apreensao sensorial quase como a de uma criança. Vagueia num deslumbramento pacífico pela vida, sentindo cada pormenor. E, depois, desde a primeira vez que o li, entendi e nao pude senao admirar as referências que faz na sua poesia ao próprio acto de a escrever. Nao há maior honestidade que essa.


O Sentimento de um Ocidental


Avé-Marias

Nas nossas ruas, ao anoitecer,

Há tal soturnidade, há tal melancolia,

Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia

Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,

O gás extravasado enjoa-me, perturba-me;

E os edifícios, com as chaminés, e a turba

Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,

Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!

Ocorrem-me em revista, exposições, países:

Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,

As edificações somente emadeiradas:

Como morcegos, ao cair das badaladas,

Saltam de viga em viga, os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,

De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos,

Embrenho-me a cismar, por boqueirões, por becos,

Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:

Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado

Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!

Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

De um couraçado inglês vogam os escaleres;

E em terra num tinido de louças e talheres

Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;

Um trôpego arlequim braceja numas andas;

Os querubins do lar flutuam nas varandas;

Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;

Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;

E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,

Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!

Seus troncos varonis recordam-me pilastras;

E algumas, à cabeça, embalam nas canastras

Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,

Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;

E apinham-se num bairro aonde miam gatas,

E o peixe podre gera os focos de infecção!

Dinheiro Sujo

Na última Sábado, entrevista a Telmo Correia:

"Conhece o benemérito do CDS, um financiador com o estranho nome de Jacinto Leite Capelo Rego?

Nao conheço. (...) Aparentemente trata-se de uma brincadeira de mau gosto."

Flashback para os tempos de CMB em que o Chico usava o nome como parte do registo humorístico.

Só mesmo um partido como o CDS, liderado por um personagem como Portas, para ter patrocinadores com um sentido de humor tao... especial.

Sabedoria Brasileira

Ditados de um executivo brasileiro para o mundo do trabalho:

"Para ter sorte é preciso acordar cedo"

"Quem nao muda vira poste"

"Jacaré distraído vira mala de madame"

terça-feira, junho 26, 2007

A acentuar a já pronunciada falta de tempo, notam se os demais efeitos do começo de uma nova época de exames. O nervosismo, o calor, a ansiedade. Enfim haja um telefone, e um bom amigo a quem telefonar, nos momentos de maior escuridão.

Aqui fica, a propósito da conversa de ontem shotor:






"There is no pain, you are receding
A distant ship's smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but i can's hear what you're saying
When i was a child
I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown
The dream is gone
And i have become
Comfortably numb."


Pink Floyd . Comfortably Numb

quinta-feira, junho 21, 2007

I'll Be Watching You

Definitivamente, uma grande música. Com esse (excelente) gosto eu certamente que nao discuto, caro PGuerra.

Para agradecer, uma contribuiçao para o 'scouting' de talentos futebolísticos: Alexandre Pato, já conhecido pelo "novo Kaká". Talvez corra o risco de estar perante uma afirmaçao, e nao uma promessa - ele pode vir já este defeso para a Europa, e nao por poucos patacos. De qualquer forma, deve interessar ao PGuerra no pormenor de, tal como o Kaká, ser sociologicamente "de cima", proveniente de boas famílias. Será que estamos a assistir ao fim do 'pibe' e ao começo do 'menino-bem' no futebol? Raios... se isto um dia chega à classe média ainda temos que tentar a nossa sorte!


Estrelas de Futuro 3


Depois das minhas duas anteriores recomendações, fica uma terceira.
Fran Mérida.Mais um grande jogador que vai dar que falar. Curiosamente, também é da cantera blaugrana. Já não tão surpreendente é o facto de com apenas 17 anos já lá não estar. Já está nas escolas do Arsenal, sim porque o Wenger tem olho e é um grande treinador... mais um que vai espalhar magia nos relvados das ilhas britânicas.

A Essência

De tanto ler os textos intimistas do PDuarte, abateu-se sobre mim um certo sentimentalismo... Uma das melhores musicas de sempre... e não admito discussões... apesar de saber que os gostos... discutem-se.



quarta-feira, junho 20, 2007

Deliberada(mente)

Santos: o Natal é quando um homem quiser. E a deliberada também.


Police - O regresso

Derrota E(leito)ral

Eu sempre disse aos meus amigos que andar com raparigas do curso é o beijo da morte. Nunca se anda com pessoas com quem trabalhamos. Que o diga Ségolène: "...et je lui ai souhaité d'être heureux"

Embora, convenhamos, chegar a disputar eleiçoes com o marido é o extremo.

terça-feira, junho 19, 2007

Via Rápida Para o Inferno

O Vaticano passa a considerar a ultrapassagem perigosa um pecado. Ainda bem que já fiz o Código.

segunda-feira, junho 18, 2007

Risky Business

Final do exame. Matéria difusa, difícil de distinguir o trigo do joio (já nem peço o luxo de vislumbre de utilidade futura), professor ainda mais impenetrável... O que quererá aquele homem com a cadeira? Passar os alunos? Ou reserva-se um critério de correcçao, neste ano sobrelotado, imprevisível, e diverso do anterior? Tudo é possível, e chateia-me nao distinguir claramente as suas intençoes.

Mais nao fosse ficou com o meu exame quando me fui embora. Para quê? Para o ler logo? Porque nao podia eu colocá-lo com os outros, como os outros? Tudo bem. Nao vou perder tempo com isso. Estou em fase pós-exame, num limbo a tentar limpar a interferência causada pela revisao obsessiva, só quero sair da sala. Lá fora nem sequer tenho um minuto para respirar. Por instinto, vagueio até ao placard onde se concentram os colegas. Mas espera, eu acabei de sair, ainda só tive tempo de me queixar do exame a uma pessoa (adoro queixar-me), porquê esta agitaçao? Ah, sai essa nota. Tudo bem. Espera - tudo mal. Esse teste nao me tinha corrido bem. Danças de cortesia, desvios em frente do vidro, que se congratula por aquela agitaçao face à monotonia do seu dia. E lá está - a confirmaçao desse medo. Péssima nota. Ups... a estratégia falhou algures. Mas enfim, é este o problema de gostar de risky business - e eu gosto. Às vezes perdemos. Salvo por haver sempre uma pequena alegria, que contrabalança no universo uma pequena (porque é pequena) tristeza: Finito. È stato un piacere.

O certo é que entre a matéria e o modus operandi nausaeante de Cosmetologia, o céu plúmbeo, um calor ligeiramente tropical, as pessoas aglomeradas, o barulho, e o choque de uma má nota, fiquei com a cabeça a andar à roda. Meio perdido naquele corredor, para onde ir?, com quem falar? A bússola gira desordenada. Tensao em baixo, agonia. Terapia, Métodos, Exame, Parreira, BIF... e para que é que aquele sacana queria o meu exame?

Este enjoo de marinheiro de água doce no mar agreste da realidade (dizem os experientes que ondas mais altas esperam) fez-me lembrar algo. Mas o quê? Quando cheguei a casa lembrei-me. Distinta na minha mente aquela cena do "Lock, Stock and Two Smoking Barrels", em que o ingénuo e talentoso Eddy perde tudo, mesmo tudo, perante a manha de camionista de Hatchet Harry. Tudo começa a girar em seu redor, numa cena brilhante, que, por nao ter encontrado, apenas sugiro com a do jogo anterior. A propósito, brilhante tembém a música (Shotor, se ler este post a referência para a Mula é Castaways - Liar, liar).


sexta-feira, junho 15, 2007

Il Giocco Più Bello

O Anúncio da minha geraçao... Aquele corte do Maldini...


quinta-feira, junho 14, 2007

Dores de Crescimento

Hoje no metro um homem veio-me pedir dinheiro, quando eu ia comprar o bilhete, como de costume. Subira as escadas, duas, como de costume. E já sabia que algum deles andaria por lá, como de costume.

Mas assim que ele se dirigiu a mim, vociferei logo um "Nao, nao. Nao me chateie", gesticulando e afastando-me. Foi uma reacçao epidérmica e assertiva, muito 'alpha-male'. E isso em mim nao é nada costume. Seria talvez o stress por ter saído de um exame? Seria o tempo?

Por melhor que seja a nossa natureza, todos temos um limite, a partir do qual o 'saco tá cheio'. Calhou a este em sorte o meu limite. Nao tenho qualquer pena, cada vez detesto mais os profissionais da esmola, estou mais crescido, mais empedernido talvez. Ou entao reconheço-os melhor, muitos dias a andar de metro, sao sempre os mesmos... Nao sei. O certo é que nem sequer notei na resposta "Vá, se vais ser assim um agarrado..." que ele deu, tal foi a minha absoluta surpresa... comigo mesmo.

Full Blown Addiction

Também conhecida pelo nome de época de exames... O café é uma paixao. Ninguém vive sem um vício, sejamos honestos, e este nem é dos piores.



quarta-feira, junho 13, 2007

Nunca é tarde

Requisito obrigatório ter mais de 85 anos... The Zimmers.

Mainstream

Ele há coisas... Há uns anos nem estrada alcatroada tinha. Agora, que já nem se lembra desses tempos de poeira e gravilha, já anda alegremente pela auto-estrada da informaçao.

segunda-feira, junho 11, 2007

Adenda

A propósito do "Englishman in New York" deste post, o pormenor destas duas estrofes (bold meu):

(...)

Takes more than combat gear to make a man
Takes more than a license for a gun
Confront your enemies, avoid them when you can
A gentleman will walk but never run

If, "Manners maketh man" as someone said
Then he's the hero of the day
It takes a man to suffer ignorance and smile
Be yourself no matter what they say

(...)

quinta-feira, junho 07, 2007

O Fim de um Era

E o muro foi finalmente abaixo... É verdade, acabaram os trabalhos de grupo, os esquemas de produçao soviética na universidade. Eis a era do individualismo. Sempre com colaboraçao, 'teamwork', amizade - mas sem politiquices. Correu bastante bem, e dou os parabéns aos meus colegas. Acabou por ser menos duro com eles. O problema é mesmo de regime.

terça-feira, junho 05, 2007

Alien

No metro: entra uma senhora, estou sentado. Levanto-me, nao me levanto? Nem distingo bem a idade da senhora. É claro que o correcto será levantar-me, mas isso também geralmente cria uma espiral de constrangimentos: "Nao, nao, sente-se. Deixe estar". Voz da experiência. Acabo por resolver o dilema levantando-me como se fora sair na próxima paragem. Nao tem muita galhardia, ou quando muito nao a exibo, mas evito a minha consciência e a dança do "sente-se" num gesto.

Duas raparigas giras (e giras no caso é um eufemismo) passam pela carruagem. Olha-se? Nao se olha? Discretamente, é certo. Mas sim ou nao? Saudável atençao ou insuportável instrusao? Tantos anos passados ainda a dúvida. Ambas reacçoes existem, às vezes na mesma rapariga.

Passa das 12h. Bom dia? Boa tarde? Bom dia... ou Boa tarde! (risos esperançosos recebidos com indiferença).

Turistas espanhóis perdidos. Ajudo? Nao ajudo? Interpelo? Espero?

Nao, nao, faça favor...

Desculpe...

Posso pedir-lhe só uma coisa...

Paredes, cantos, mundos. Cidades invisíveis, coreografias de educaçao e sociabilidade, numa Lisboa de que gosto sempre... mas nao demais.

Tenho sempre algo de imigrante, de estrangeiro. Escorrego e tropeço naquela pista de dança. Sou sempre ainda alheio... Still somewhat of an alien.

Pecado Original 13


Kirsten Dunst. Bom, vejamos, esta nao é muito complicada, pois nao?... Direito ao ponto: é mesmo de perder a cabeça. Nada como aquela meiga frivolidade de 'girl next door' de Kirsten (uma Mary Jane aceitável, ao contrário do incubido de Homem-Aranha - nao podia deixar passar) para representar um ícone da frivolidade da História. E a quem achar que nao, que lhes dizer? Pois que comam bolos, nao molestem a realeza s.f.f..

Pardon, Mademoiselle. Comment fait-on pour aller à Versailles?

segunda-feira, junho 04, 2007

"Wir wollen raus"

Setembro de 1989. Surgem demonstraçoes de protesto dos alemaes do Este, que gritam "Wir wollen raus" - "Queremos ir embora", vidas marcadas pela eterna promessa do Oeste, onde se podia ser livre, da Stasi, de tudo. Livre para trabalhar e progredir.

Na retina, a frase de Reagan, proferida 2 anos antes:




Dia 6 de Junho o Muro volta a cair.

Noticiário Séx. XXI

No noticiário da TSF: "E hoje, Vítor Hugo, um dos maiores nomes..."

...da Literatura Mundial?

...do romance do séc. XIX?

...da cultura francesa?


Nao. Do hóquei em patins. Sim, esse. Aos 44 anos voltou à sua grande paixao, para ingressar no Pasteleira. E, facto notável, na última jornada deu 5-4 ao Marinhanense. Citando esse outro grande poeta da contemporaneidade, o memorável Net (Custódio da Silva) Cabo, nas palavras da sua personagem Teresinha: "Há coisas fantásticas, nao há?".

2 Dias Numa Vida

Fim-de-semana estupendo. Bati o meu recorde de toques na bola: 1095. É verdade - sempre fui um craque a jogar sozinho... Mas, em abono da verdade, tenho que dizer que só foram possíveis com uns belos ténis de futebol de salao, em relvado. Ainda assim, 1095. Nao volto lá tao depressa. Mais umas corridas, e eis os tiques de intelectual saudavelmente engavetados.

Voltei hoje, segunda-feira, a Lisboa, completando a minha segunda ida-e-volta à aldeia, algo de épico para mim. Belíssima viagem. Eis quando cometo o erro fatal de levar o carro de tarde para ir à Lusófona. "I should have known better...". Camiao parado, trânsito infernal, calor super-infernal. Pára-arranca, metros e metros de progresso falsamente manso, escondendo mil nervosismos, mil palavroes, mil desejos de ultrapassar a 230 km/h todos os outros - "parvalhoes". Mil anseios de 5ª sob o desalento de uma 1ª. Todo o universo, toda a história da Humanidade, ali concentradas naquele Fiat que nao arranca ou naquele VW que entra "à chico-esperto", sem fazer sinal. Por cima dos condutores, misturadas na névoa difusa dos gases ao calor, as almas daqueles condutores travam batalhas violentas, onde há desumanidade, agressao pura, violência da mais primeva. Mas só um pouco acima, raramente essa guerra desce ao solo, cá em baixo, onde as regras de civilidade geram úlceras nervosas sob o calor desafiador, que se ri.

Chego atrasado à aula (2 vezes, com o lanche ao intervalo), jeito desajeitado, apologético, ao entrar. Aula passada, objectivos mínimos cumpridos. Voltar a casa: uma fila ainda pior. Nem a redescoberta do "Gran Turismo", dos Cardigans, no leitor de CDs salva a minha alma... É assim que se criam assassinos em série, é assim que se criam terroristas, é assim que se criam pessoas inimagináveis como a Odete Santos. "11 de Setembro? Terrorismo? Meu caro, já alguma vez fizeste a Calçada de Carriche em hora de ponta ao calor do Verao? Pois é. Isso sim, é terrorismo."

Metro: volta, estás perdoado! Traz o teu cheiro a sovaco, os teus pedintes cegos ("tenha a bondade de m'auxiliar..."), os teus romenos a tocar acordeao, as tuas suburbanas a discutir gajos enquanto mascam pastilha, os teus chungas, os teus pretos ameaçadores com as cuecas de fora e calças 3 tamanhos acima (interrupçao politicamente correcta: nem todos os negros sao ladroes, a maior parte sao cidadaos normais e bons pais de família). A sério, estás perdoado. Amanha reencontramo-nos, amore mio!

Dificuldades no Arranque

Eis a minha conduçao automóvel - metáfora da minha vida.

Mas ainda penso que é melhor do que ser eternamente passageiro.

Do Luxo, Da Virtude, Da Sabedoria e Do Talento

Talvez um dos maiores luxos possíveis em sociedade é o de nao ter que ter paciência para a estupidez (é certamente o luxo do empreendedor, do patrao).

Talvez uma das maiores virtudes esteja em ter paciência para a estupidez mesmo que a tal nao se seja obrigado.

Talvez a sabedoria esteja em relativizar a estupidez: há sempre algo em que nós somos superiores à outra pessoa, há sempre algo em que a outra pessoa é superior a nós.

Talvez seja uma questao de talento utilizar essa sabedoria para obter resultados.

sábado, junho 02, 2007

Mistérios da Vida Portuguesa 3

Como pode um país conciliar uma grande cultura de individualismo (patente no trato por você, no Dr., etc.) com o facto de ser pequeno e de, historicamente, se ter "safado" sempre por um esforço em equipa, com uma notável cultura de País?

Ar de Intelectual

Ontem cheguei ao Instituto para fazer o exame de italiano, do segundo nível, A2. Distraído, subia a rua, franzindo o sobrolho sob o calor, ansiando pela porta sob a bandeira, nessa Rua do Salitre em que sinto História e histórias por descobrir. Pouco faltava para a meta, vejo dois colegas do outro lado da rua, uma rapariga que fumava e um rapaz, resguardados sob a sombra. Primeiras frases que escuto: "Entao, estudaste muito?", "Já sabes tudo...". E eu "Porquê, mas porquê?", gesticulando e sorrindo levemente - transmitindo justamente a estupefaccçao de me elegerem para essas previsoes, que eu, suopersticioso, detesto. "Ah, é que tens esse ar de intelectual...".

Depois do dever cumprido ontem (exame que suponho passado, sem previsao de nota excepcional), vou hoje, conduzindo, de novo para a aldeia, trabalhar e fazer algum desporto. A ver se sacudo um pouco esse tal "ar de intelectual", porque sê-lo nao está nas minhas aspiraçoes... leia-se o post anterior.

Do Intelectual

Aron enganou-se quando disse que "o marxismo é o ópio dos intelectuais". É-o somente dos intelectuais de esquerda, já lá vai o seu tempo. Mas, para mim, o verdadeiro ópio de todo e qualquer intelectual é a análise. Sem a análise, constante tentativa de encaixar numa "teoria de tudo" todos os outros e todos os fenómenos, o intelectual nao é ninguém. A análise é sempre uma postura defensiva, é necessário coragem para adquirir um saber por experiência.

O intelectual será talvez o herdeiro dos profetas da Antiguidade. E a sua reputaçao depende igualmente da certeza das suas previsoes.

Da Ambiçao

Por mais que nao gostemos, a ambiçao é um elemento fundamental da natureza humana. Quando muito, podemos ter uma comunidade de pessoas que, em conjunto, a renegam - como na religiao católica (mas depois aí surge o outro pecado - da inveja). Mas eu acho mais curiosa a ambiçao na juventude, porque, em alguma juventude, há a tentativa de "ir a todas". Conseguir tudo: prestígio intelectual, independência financeira, cumprir os parâmetros que a sociedade impoe, Amor, sexo, experiência. E, por mais que ouçam os antigos dizer que "nao se pode ter sol na eira e chuva no nabal", ou "quem tudo quer, tudo perde", a ambiçao é mesmo assim - estúpida. Como cantavam os Queen:

It ain't much Im asking
If you want the truth
Heres to the future
Hear the cry of youth (hear the cry hear the cry of youth)
I want it all
I want it all
I want it all
And I want it now

"In Sicily, women are more dangerous than shotguns"

"O Padrinho" é, para mim, uma obra-prima da Arte, e pode ser analisado sob uma miríade de aspectos. Mas, deixando todo o universo pictórico, se nos concentrarmos só no detalhe da música, há todo um mundo a descobrir. Esta é uma música que ainda vem do fim dos tempos, antes das revoluçoes burguesas, de um tempo sem imagem, e que tem, simplesmente, a capacidade de suspender um homem. Por segundos, ele esquece-se de tudo, e há um prazer intenso e interior que prova, e o surpreende - provém de outra idade. Com efeito, esta música transporta-nos de novo à infância - é na infância, ou no contacto com ela que reside o espírito da Arte, da perfeiçao - e tao bem o da vingança face aqueles que nao no-la permitem alcançar. Vem muito antes da era do perdao - cronológica e psicológica. Mexe com um imenso poder, e usa o instrumento da Memória, com M grande (quase obsoleto na cadência imediatista dos nossos dias). Um perigo, esta música. Um doce, doce, perigo.


sexta-feira, junho 01, 2007

Da Bola

Eis a grande liçao brasileira: se na vida nao tivermos a sorte de ter um grande Amor, ao menos tenhamos sempre connosco uma amante fiel.

quinta-feira, maio 31, 2007

Da Voz

A voz é dos mais perigosos instrumentos, o seu poder encantatório fácil de dominar. Há idades em que nao estamos preparados para certas vozes. Temos que, como Ulisses, satisfazer a curiosidade muito bem prevenidos, por mais que custe.


Adenda


Pecado Original 12


Nina Persson. Fizeram bem, os Manic Street Preachers, em trazer de novo a voz de Nina para o mainstream com o excelente "Your Love Alone is Not Enough". Já tinha saudades de ou vir a voz de "Erase/Rewind" ou dos pioneiros "Lovefool" e "My Favourite Game". É, para mim, uma das vozes mais sensuais que alguma vez passou pela pop. Nao de uma sensualidade enérgica, emocionante, mais bem próxima de um romantismo obsessivo. Mas é desconcertante, toca teclas esquecidas. Eu adoro - afinal, ainda me lembro de gostar de Pessoa, Cesário ou Sá-Carneiro. Talvez ainda reste algo desse Portugal longíquo, de paixao doentia. Talvez mais para o Inverno, reconheço que este post vem algo fora de época. Ou quem sabe nao, dado o tempo bizarro dos últimos dias.

quarta-feira, maio 30, 2007

Flashback: Futebol CM

5 milhoes de contos pelo Nani, mais 5 milhoes pelo Anderson. Ambos jogadores que ainda nao jogaram para ter tal preço, ambos muito jovens. Suponho que estarao nos planos de renovaçao, de fabrico de uma nova equipa do Manchester. Que também, sendo jovens, na cultura do clube, serao mesmo talvez um bom investimento. Veja-se a longevidade de um Giggs. Quem sabe um dia cheguem a esse nível.

De qualquer forma, estas transferências, de montantes surpreendentes e repentinas, fazem-me lembrar um passado de primeira juventude.

Estas transferências sao tipicamente transferências a la CM (Championship Manager), e o estilo pode vir a definir uma idade do futebol mundial, mais a par com a velocidade do mundo de hoje.

Bem-vindos, pois, à era do futebol CM.

Da Beleza

Talvez tanto a beleza como a mentira sejam índices de Civilizaçao. A mentira, claro está, é a condiçao da sociabilidade pacífica. Definitivamente, seria mais fácil ao ser humano ser honesto, mas isso seria profundamente anit-social.

A beleza surge entao, para mim, como o contraponto natural da mentira. Qualquer homem socialmente hábil, e portanto, mentiroso (talvez também possa ser sonhador), aspira à redençao de uma mulher bela. E o mesmo é válido para uma mulher. É para mim misteriosa esta ligaçao, mas eu arriscaria dizer que há algo de puro, imaculado, na beleza verdadeira. Essa pureza será talvez o maior bem de um hipócrita, que, por imposiçao social, há tanto tempo delapida a sua.

Acabo sempre estas reflexoes com o exemplo do homem italiano. Invejavelmente sociável num 'setting' moderno, a fronteira nele entre verdade e mentira é notavelmente indistinta. E surge, claro, essa segunda moralidade "fra il bello e il brutto". Como se salva ele de si mesmo? Creio que a resposta é óbvia...

Liberdade à Vista

"General Secretary Gorbachev, if you seek peace, if you seek prosperity for the Soviet Union and Eastern Europe, if you seek liberalization, come here to this gate. Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall!"
(Ronald Reagan)

Está quase, quase a cair o Muro de Berlim. Data marcada para 6 de Junho.

terça-feira, maio 29, 2007

FRASES

"Maquiavel dizia que na política não há moral.
Socrates não leu, mas aprendeu de ouvido."
Baptista Bastos in DN

domingo, maio 27, 2007

Adenda 2

Ou mesmo deste, borderline patológico, nao fosse cantado por pessoas que ensaiavam fado em aulas de Tecnologia Farmacêutica...

Adenda

Ou entao também pode ser deste calibre (Bloodhound - Bad Touch)... o que já pode ser preocupante. A temática, contudo, nao anda assim tao distante... e daí talvez me engane.



Rigoletto - La Donna è Mobile

O trabalho em grupo, sobretudo quando físico, faz surgir em nós a música. É quase algo campesino, fraternal, e surpreende-nos, a nós que nos julgávamos iluminados. Enquanto for deste calibre, tudo bem.

La Donna È Mobile (Giuseppe Verdi)

La donna è mobile
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensiero

Sempre un'amabile
Leggiadro viso
In pianto o in riso
È menzognero

La donna è mobil
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensier
E di pensier
E di pensier

È sempre misero
Chi a lei s'affida
Chi le confida
Mal cauto il core

Pur mai non sentesi
Felice appieno
Chi su quel seno
Non liba amore

La donna è mobil
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensier
E di pensier
E di pensier...


Bem verdade... Temperamentais, mas é sempre "misero" quem no seu seio nao bebe amor.
Ainda sao das melhores coisas à face da Terra.

sexta-feira, maio 25, 2007

lambretta 125 LD


Já não é segredo algum, esta minha paixão por história, épocas perdidas, e seus esplendores.
Mais uma vez a minha especial e particular admiração pelas scooters dos anos 50 e 60.
Ps. após a leitura do seu mail shotor, está finalmente resolvido o mistério, lol.

factos

poucas coisas me deixam tão feliz como um amigo que me revela que pensa ter encontrado a mulher da sua vida, que me diz estar feliz, de uma forma quase inabalável.
talvez porque também sonho com o dia, sem querer ser egoísta e virar o assunto para a minha uma esfera pessoal, mas também anseio com o dia em que direi isto a um amigo meu, já houveram situações em que o disse e me enganei redondamente, mas muito que me custe, não desisto.
agora e afastando a ponta de melancolia que acabei de sentir, acho que às vezes as pessoas não percebem o quão difícil e solitária pode ser a experiência de crescer, o quão difícil pode ser encontrar, já nem refiro a palavra amigos, mas uma relação de confiança, sem segundas intenções ou pretensões camufladas, o quão difícil que é poder fazer revelações destas a alguém nos dias que correm, tanto que é quase uma benção, ter alguém de confiança com quem partilhar a nossa felicidade e os nossos estados de espírito, alguém que fique feliz por nós, em vez de dominado de inveja.
quando me premeiam com atitudes, quando me acham digno dessa confiança, sinto me preenchido, sinto me feliz.
e ser feliz é isto mesmo, reconhecer o mérito, o sucesso a felicidade no seu mais profundo, no próximo, no amigo e sentir aquele sorriso interior, que não há dinheiro nenhum no mundo que pague, sentir a felicidade fora de nós, sem o egoísmo de sentir inveja, apreciando a altruístamente, e sendo feliz com isso. porque a felicidade tem esse dom, esse poder único, para bem dos nossos males, de se espalhar tão fácilmente.

e ainda bem :)

RAP


sarcástico e mordaz como sempre.

quarta-feira, maio 23, 2007

Pecado Original 11


Sienna Miller. Depois de uma noite em discoteca, atípica, e um sono desencontrado, a esperança de um despertar redentor.

Nuestros Verdaderos Hermanos

No outro dia falava a alguém de como achava que, se um dia fizesse a viagem, tinha a convicçao de descobrir a Argentina mais similar a Portugal em muitos aspectos que o próprio Brasil. Falei de algo como um espírito "latino-depressivo", que convém dizer que em Portugal era algo salazarista, o que nao é verdade. Eis uma pequena prova, uma cançao argentina, quase fado.


sábado, maio 19, 2007

la bell'époque (2)


O companheirismo.

la bell'époque



O fascínio, o apelo e inolvidável esplendor, a beleza de um tempo que não é o nosso, que nos transcende e almeja ao eterno, pela sua genuinidade, transparente nas fotografias.


Um tempo característico, marcado, com traços de modéstia e moderação, mas coincidentemente pela, hoje "old fashion" generosidade, a emancipação ingénua e discreta, a boa rebeldia, o fasear dos degraus, sem pressas, precipitações. O prazer nas coisas simples, o prazer de viver.


Um tempo, pessoalmente muito belo, e que não se encontra tão distante, tão perdido quanto às vezes julgamos.

post scriptum

Entre os demais assuntos que me tomam o tempo, destaque para a dedicação a uma missão quase devota, em trazer de volta ao esplendor de outros tempos a beleza alemã de nome Heinkel 103 A1.





Já por algumas vezes passei a fronteira da paciência, mas a esperança, num futuro, como o abaixo ilustrado, essa mantém se.

sexta-feira, maio 18, 2007

A MAGIA



o Mito e o aprendiz. Foi preciso esperar 20 anos para a magia se repetir. A beleza e a arte do país das Pampas. Para ver e rever, ao pormenor.

quarta-feira, maio 16, 2007

Estrelas de Futuro 2

Este menino não engana. Mais um nome de futuro Giovanni dos Santos.



segunda-feira, maio 14, 2007

Estrelas de Futuro

Retenham este nome BOJAN KRKIC. Dentro de não muito tempo vai ser uma das estrelas do futebol mundial... Descontando alguma imodéstia... não me costumo enganar!

domingo, maio 13, 2007

O Paradoxo do Engate

Tenho vindo a concluir, por análise dos casais que conheço, que geralmente numa relaçao existe sempre domínio de um elemento. É certo que é difícil dsitinguir em alguns casos, sobretudo quando o Amor é juvenil, mas, face a pressao, há sempre um dos membros que se assume líder. Eu diria, pois, que a maior parte dos casais têm um "conquistador" e um "conquistável". Nao há correspondência directa com "homem" e " mulher". Se alguma vez o houve, já lá vai o tempo.

Ser "conquistador" ou "conquistável", deverá corresponder a traços de carácter distintos, nao sei especificar ao certo quais. Mas nao será talvez assim tao difícil distinguir o membro mais activo do mais passivo. A complementaridade resulta numa boa equipa. Mas, é claro que nem todas as histórias acabam nesse final - e para as excepçoes eu diria que nao há sexo como entre "conquistadores", nem Amor como entre "conquistáveis".

Tem mais a ver com este último caso - o de Amor, e de aproximaçao tácita entre duas pessoas "conquistáveis", que pensei no paradoxo do engate. Gostaria de usar a palavra "engate" desprovida de uma certa carga negativa (tipicamente "conquistadora"), mas nao me lembro de outra palavra igualmente exacta. O engate é aquilo, o acto, a formaçao de pares, nada mais simples. E nada mais complicado.

Um dia estava num café de Lisboa, o Galeto, sentado na esplanada. Além da minha mesa estavam sentadas 2 raparigas, creio que uma loira, outra morena. Exemplarmente bem vestidas, com uma ligeireza, frescura e elegância que combinavam maravilhosamente com o sol desse dia. E eu, claro, perdido na pintura, imaginando como seria bom ser assim o mundo. Entretanto, vieram sentar-se na mesa ao lado 2 rapazes, bebendo qualquer coisa fresca, porque também estava quente aquela tarde. Nem sequer borraram um pouco a pintura. Também eles estavam elegantes, calças beige, camisas simples, sapatos de vela. Enfim, o que se convencionava chamar de BCBG (bon chic, bon genre). A cena parecia quase recortada de um café florentino.

A certa altura, inevitável, os rapazes reparam nas raparigas vizinhas. Olham para elas um segundo, elas para eles. Pequenos movimentos (dedos que se movem, comichoes nos pescoços, olhares fixos no lado contrário), de parte a parte, denunciam a mesma vontade de... deixar o destino acabar a obra. Faltava ali uma voz, um link, uma ponte. Todos os espectadores do filme o pediam, certamente.

Eis senao quando, de repente... tudo fica exactamente na mesma. Eles a olhar o horizonte, elas também. Nada feito. Fui-me embora algum tempo depois, e nao me pareceu que algo fosse mudar.

Há aqui 3 críticas que um analista honesto deve fazer:

1. É pena que na nossa sociedade seja já heterodoxo dirigir a palavra a uma rapariga (ou rapaz) para conhecimento mútuo sem ser sob o ruído ensurdecedor de uma discoteca (suponho que o discurso fique facilitado nesse 'setting' - o importante é gritar para atingir o mínimo de ser ouvido)

2. O senso-comum diria que competiria, apesar de tudo, aos rapazes, o primeiro passo. Será?

3. Estamos em Portugal - dizem que aqui as pessoas sao muito mais serenas nessas abordagens.

Considerados estes 3 factores, persiste ainda um problema. Vejamos o caso da perspectiva dos rapazes, por ser mais tradicional, e, já agora, por me facilitar a mim a explicaçao. Perante uma rapariga que lhe interesse, se partirmos de um rapaz com uma certa sensibilidade e educaçao ("conquistável", portanto), este tem 2 hipóteses:

1. Abordar a rapariga, directamente, reclamando um golpe de asa que nem sabia possuir;

2. Nao abordar a rapariga. Ter fé no futuro.

Para uma rapariga sensível, "amável", essa abordagem vai inevitavelmente estragar qualquer boa primeira impressao. Mais nao seja porque o rapaz faz algo em contra do seu temperamento. Essa transcendência ser-lhe-á fatal na produçao de uma linha adequada. Será demasiado agressivo ou demasiado tímido. Definitivamente, falta-lhe experiência. E depois há as amigas ao lado atentas, as outras pessoas, enfim, um sem número de variáveis a prejudicá-lo.

A verdade é que, dos rapazes que abordam com naturalidade, estas raparigas nao gostam. Destes até gostariam, mas ficam com a impressao contrária. Só conhecerao pelo acaso de uma casamenteira, amigo comum, curso comum, etc.

Eis, pois, como as duas hipóteses que se apresentam ao rapaz resultam num falhanço total. É este o paradoxo do engate - ser fiel à sua natureza ou contrariá-la resulta exactamente no mesmo. Enganar-me-ei nos casos em que uma destas abordagens "out of the blue", com este tipo de pessoas, resulta. Mas arrisco dizer que a estatística é muito desfavorável.

É assim difícil o relacionamente no Paraíso... Mas dizem que vale a pena.

Do Palavrao

Uma das coisas a que alguém que gosta de palavras é mais sensível é o palavrao. Mais nao fosse, é uma forma preguiçosa de falar - nao requer qualquer esforço de expressao. Por vezes até passa por apanágio dos "puros", que nao estao com meias-tintas. Nao é a minha opiniao.

Mas enfim, o palavrao existe e de alguma forma é bom que exista. Suponho que existe alguma área do nosso cérebro que sabe o palavrao interdito na sociedade; vai entao buscar essa interdiçao para a quebrar em situaçoes-limite - por exemplo, em situaçoes de dor. O prazer dessa quebra de interdiçao social (assim é o ser humano...), de alguma forma compensa a agressao que o organismo sofre. É tudo uma questao de débito e de crédito.

Escandaloso é, para mim, o uso gratuito do palavrao, porque se tornou hábito, mera indulgência. É que a auto-indulgência, diziam os antigos, nunca é bom caminho. Devemo-nos perdoar a nós mesmos - mas nao demais.

Da Eloquência

Para mim, a prova máxima de eloquência seria alguém que conseguir mandar outro a um sítio "onde o sol nao brilha", de tal forma que o outro ainda lhe agradece.

quinta-feira, maio 10, 2007

Esquerda? Direita? Volver?

Um teste interessante para descobrir a nossa sensibilidade política. Moral Politics.

Preciosos Pormenores 2


Algo que sempre me intrigou foi a falta de curiosidade, de classe mesmo, nos estudantes da minha geraçao. Nao há uma cultura do profissional liberal (ou aspirante) trocar impressoes, teorias, falar do seu corpo de conhecimento, do seu métier livremente. A informaçao tornou-se propriedade, resultado de trabalho, de esforço. Estamos comprimidos pelo espartilho do egoísmo, nao há muita paixao por ideias, teorias. Parte da responsabilidade é a massificaçao do ensino universitário e das profissoes liberais. Outra parte decorre da miríade de solicitaçoes que caiem sobre as pessoas, jovens e adultos. Tudo subprodutos da evoluçao do país.

Mas é pena que nao se troquem saberes. Até porque grande parte da "Civilizaçao" tem a ver com a percepçao do ser humano que nao há só ganhar-perder, há tao bem ganho mútuo ('win-win'). Daí houve burguesia.

É pena também porque acabamos por desperdiçar uma época de ouro, e nossos talentos, para mais tarde vir a descobrir com é belo e mais fácil aprender de modo interactivo, ligando fontes.

Quanto mais ricos seríamos, houvesse um mais de generosidade... Assim, restam só os homens-massa de Gasset. E nao julguem que os licenciados nao sao também homens-massa. Sao-no hoje mais do que nunca.

quarta-feira, maio 09, 2007

SARKOZY

No passado Domindo a França elegeu Nicolas Sarkozy como seu presidente. Não obstante ser da UMP, o mesmo partido do presidente cessante Chirac, Sarkozy é muito mais que " uma evolução na continuidade". Sarkozy representa uma verdadeira mundança não só no estilo mas também nas ideias. Curiosamente, Segolene, embora de esquerda, seria muito mais seguidora do que até aqui vinha sendo feito por Chirac, do que vai ser Sarkozy.
Segolene prometeu muito inicialmente, não apenas pela frescura mediática com que aparecia mas também ao nível das propostas. Propagandeou um renascer patriótico ( colocando-se mesmo à direita de Sarkozy), queria júris populares a controlar a classe política, e puxou a esquerda francesa, anquilosada e imobilista, para um centro-direita a nível económico. Parecia que o tabuleiro político iria cada vez mais ser arrastado para o extremo ( no caso, o extremo direito/a), mas não foi isso que aconteceu. Sarkozy segurou a direita e partiu para o centro. Segolene recuou para causas cara à esquerda, como o ambiente ou a manutenção de um establishment social ultrapassado e terminou perdida no meio do nada (como ficou demonstrado no debate final).
Sarkozy é a mudança. Admira Aznar e quer ser como Blair ( convenhamos que não tem mau gosto...). Ambicioso, pretende fazer ressurgir o monstro francês e já percebeu que não vai lá só com a putativa influência que a França ainda tem na " Velha Europa". Ao contrário de Chirac (péssimo presidente) que se entretinha a fazer querer que mandava na UE, com a conivência de um apagado Schroeder, Sarkozy tem não só a nivel interno mas também a nivel internacional um discurso e uma acção que pretendem fazer com que a França volte a ser um player activo e decisivo na cena internacional. Para mim, Sarkozy vai começar por surpreender. Acusam-no de extremista e ele é capaz de nomear uma filha de imigrantes magrebinos para a Justiça, Interior ou até para a Imigração. Nesta primeira fase vai ser mais integrista que divisor.
A nível internacional aproximar-se-á do aliado americano e forçará, com Merkel, um novo dinamismo europeu que fará com que a Europa saia de alguns ( não todos) impasses em que caíu.
Mas a sua maior força surge a nível interno. Procurará um liberalismo económico no país onde o estado social é sagrado. Baixará impostos, fomentará o crescimento, mais trabalho com o fim da lei das 35 horas ( já a pensar nisso nomeará, provavelmente, Fillon como PM), e fará assentar a dialética Estado/cidadão numa premissa simples mas que hoje em dia é cada vez mais ousada, mais direitos sim, mas só se eles corresponderem a mais deveres.
Sarkozy por detrás do seu olhar maquiavélico emana força, coragem, determinação, empreendorismo que, certamente, se transmitirá à sociedade. A França será mais trabalho e menos lazer. Mais economia e menos cultura. Mais pragmatismo e menos saudosismo.
Esta talvez seja uma visão optimista mas como dizia o outro " isto vai levar uma ganda volta!".
Contudo, o esquerdismo da nossa comunicação social não permite revelar todos os méritos e procura muitas vezes distorcer a realidade. Quiseram fazer de Sarkozy um extremista ( não foram os únicos) e na noite da eleições procuraram limitar ao minimo os holofotes do vencedor. Tudo serviu, ora porque uns quantos miliatantes de extrema esquerda ( o que faria se fossem de extrema- direita!!!) incendiaram mais uns carros, ora porque Sarkozy não aparecia com a mulher Cecilia. Tudo foi pretexto para a minimização, mas o certo, é que a partir de 15 de Maio de 2007, vamos pela primeira vez desde há muito tempo, contar com uma nova e INFLUENTE França.

terça-feira, maio 08, 2007

Senza Fretta



So che questo cielo si dimentica...
Sarebbe bello che durasse almeno mezz'ora...

"Annus Mirabilis"

Sexual intercourse began
In nineteen sixty-three
(Which was rather late for me) -
Between the end of the Chatterley ban
And the Beatles’ first LP.

Philip Larkin (poeta britânico, 1922-1985)

Eis como um poeta, por sinal um dos melhores entre os britânicos da 2ª metade do séc. XX (embora polémico), celebrou aquilo que será um "personal landmark". Tempos tao distantes esses, em que o decoro torcia o nariz a' "O Amante de Lady Chatterley", e a era dos Beatles começava. E ainda assim, há coisas que nunca mudam.

A Vingança de Alberto Joao

A expressiva vitória de Jardim na Madeira, facto óbvio, confere-lhe uma grande legitimidade política.

A opiniao vigente diz que esse capital pode ser usado contra Sócrates. Nao partilho essa visao.

Dificilmente Jardim terá poder de negociaçao com Sócrates: o estilo do seu governo nao se vai alterar. Surgirá sempre uma argumentaçao-cassete a respaldar as decisoes do governo para a Madeira, sejam justas ou nao.

O seu capital político existe, é certo, mas noutro "setting". Concretamente, dentro do PSD. Para o partido, Jardim fica na retina como tendo afrontado e vencido Sócrates, e mantido a chama do partido numa altura de vacas magras. E isso pode fazer dele, por muito estranho que soe, a pedra de toque para qualquer nova liderança. Ou capaz de certificar a existente, como julgo que Marques Mendes percebeu.


E Jardim apoiará certamente uma liderança do PSD que sirva os interesses da ilha. O derradeiro capítulo joga-se em 2009. Se Sócrates obtiver um bom resultado, morre o élan destas eleiçoes - menor será a capacidade de reivindicaçao de Jardim. Se, pelo contrário, for o PSD a ganhar, entao certamente sê-lo-á com uma liderança próxima de si.

Nao se despeçam já de Jardim. Ele está aí para durar.

A Propósito das Eleiçoes Francesas

Será o despertar de um gigante aquilo a que assistiremos? Ainda é cedo... a seu tempo se verá. Mas certamente que a eleiçao de Sarkozy é, desde já, um duro golpe no politicamente correcto. E, tao somente por isso, é de saudar.

segunda-feira, maio 07, 2007

Do Valor

Ouve-se com frequência que é necessário fomentar valores na sociedade, que esta tem perdido valores, que os valores fazem parte da Civilizaçao, valores de esquerda, valores de direita, valores isto, valores aquilo...

O que é realmente um valor?

Eu diria que a noçao de valor está ligada a outra, que parece desaparecida da nossa vivência (mera ilusao): a de finitude do ser humano. Essa seria talvez a grande funçao da religiao, ou mesmo explicará também uma certa cultura rural (onde vida e morte sao fenómenos naturais): lembrar-nos, desde o primeiro dia, que estamos destinados a morrer. Por mais que haja diversao, fugas para a frente, novidades, esse é o fim inexorável. Donde, um valor é uma questao de coerência: chegar ao fim da vida dizendo que "eu nunca fiz isto" ou "eu sempre fiz aquilo".

Suponho que um valor é somente isso: poder usar as palavras "nunca" e "sempre".

Da Vida

Gosto de antecipar perguntas difíceis. Se me perguntassem qual o meu objectivo na vida, acho que só teria uma resposta possível.

Suponho que Pessoa estava certo: primeiro estranhamos, depois entranhamos. Este adágio é particularmente aplicável aos portugueses. Quantas vezes nao o fizemos na nossa vida? Quantas vezes nao nos adaptámos, quantas vezes nao cedemos em muito daquilo que pensávamos ser o que seria correcto, ou simplesmente, do que nos apetecia?

Face a essa verdade, creio que o meu objectivo na vida é nunca perder a capacidade de estranhar. Nunca perder a capacidade de uma outra perspectiva, um outro ângulo da questao. Nunca ser um escravo do hábito, da vulgarizaçao, procurar sempre o novo. Assim a minha circunstância o permita.

Fauna

Hoje, visita de estudo a uma vacaria. Imagine-se, num curso de Ciências Farmacêuticas, andar a incomodar a rotina de serenos bovinos... Enfim, tempo de recordar Catao.