quinta-feira, junho 21, 2007

I'll Be Watching You

Definitivamente, uma grande música. Com esse (excelente) gosto eu certamente que nao discuto, caro PGuerra.

Para agradecer, uma contribuiçao para o 'scouting' de talentos futebolísticos: Alexandre Pato, já conhecido pelo "novo Kaká". Talvez corra o risco de estar perante uma afirmaçao, e nao uma promessa - ele pode vir já este defeso para a Europa, e nao por poucos patacos. De qualquer forma, deve interessar ao PGuerra no pormenor de, tal como o Kaká, ser sociologicamente "de cima", proveniente de boas famílias. Será que estamos a assistir ao fim do 'pibe' e ao começo do 'menino-bem' no futebol? Raios... se isto um dia chega à classe média ainda temos que tentar a nossa sorte!


Estrelas de Futuro 3


Depois das minhas duas anteriores recomendações, fica uma terceira.
Fran Mérida.Mais um grande jogador que vai dar que falar. Curiosamente, também é da cantera blaugrana. Já não tão surpreendente é o facto de com apenas 17 anos já lá não estar. Já está nas escolas do Arsenal, sim porque o Wenger tem olho e é um grande treinador... mais um que vai espalhar magia nos relvados das ilhas britânicas.

A Essência

De tanto ler os textos intimistas do PDuarte, abateu-se sobre mim um certo sentimentalismo... Uma das melhores musicas de sempre... e não admito discussões... apesar de saber que os gostos... discutem-se.



quarta-feira, junho 20, 2007

Deliberada(mente)

Santos: o Natal é quando um homem quiser. E a deliberada também.


Police - O regresso

Derrota E(leito)ral

Eu sempre disse aos meus amigos que andar com raparigas do curso é o beijo da morte. Nunca se anda com pessoas com quem trabalhamos. Que o diga Ségolène: "...et je lui ai souhaité d'être heureux"

Embora, convenhamos, chegar a disputar eleiçoes com o marido é o extremo.

terça-feira, junho 19, 2007

Via Rápida Para o Inferno

O Vaticano passa a considerar a ultrapassagem perigosa um pecado. Ainda bem que já fiz o Código.

segunda-feira, junho 18, 2007

Risky Business

Final do exame. Matéria difusa, difícil de distinguir o trigo do joio (já nem peço o luxo de vislumbre de utilidade futura), professor ainda mais impenetrável... O que quererá aquele homem com a cadeira? Passar os alunos? Ou reserva-se um critério de correcçao, neste ano sobrelotado, imprevisível, e diverso do anterior? Tudo é possível, e chateia-me nao distinguir claramente as suas intençoes.

Mais nao fosse ficou com o meu exame quando me fui embora. Para quê? Para o ler logo? Porque nao podia eu colocá-lo com os outros, como os outros? Tudo bem. Nao vou perder tempo com isso. Estou em fase pós-exame, num limbo a tentar limpar a interferência causada pela revisao obsessiva, só quero sair da sala. Lá fora nem sequer tenho um minuto para respirar. Por instinto, vagueio até ao placard onde se concentram os colegas. Mas espera, eu acabei de sair, ainda só tive tempo de me queixar do exame a uma pessoa (adoro queixar-me), porquê esta agitaçao? Ah, sai essa nota. Tudo bem. Espera - tudo mal. Esse teste nao me tinha corrido bem. Danças de cortesia, desvios em frente do vidro, que se congratula por aquela agitaçao face à monotonia do seu dia. E lá está - a confirmaçao desse medo. Péssima nota. Ups... a estratégia falhou algures. Mas enfim, é este o problema de gostar de risky business - e eu gosto. Às vezes perdemos. Salvo por haver sempre uma pequena alegria, que contrabalança no universo uma pequena (porque é pequena) tristeza: Finito. È stato un piacere.

O certo é que entre a matéria e o modus operandi nausaeante de Cosmetologia, o céu plúmbeo, um calor ligeiramente tropical, as pessoas aglomeradas, o barulho, e o choque de uma má nota, fiquei com a cabeça a andar à roda. Meio perdido naquele corredor, para onde ir?, com quem falar? A bússola gira desordenada. Tensao em baixo, agonia. Terapia, Métodos, Exame, Parreira, BIF... e para que é que aquele sacana queria o meu exame?

Este enjoo de marinheiro de água doce no mar agreste da realidade (dizem os experientes que ondas mais altas esperam) fez-me lembrar algo. Mas o quê? Quando cheguei a casa lembrei-me. Distinta na minha mente aquela cena do "Lock, Stock and Two Smoking Barrels", em que o ingénuo e talentoso Eddy perde tudo, mesmo tudo, perante a manha de camionista de Hatchet Harry. Tudo começa a girar em seu redor, numa cena brilhante, que, por nao ter encontrado, apenas sugiro com a do jogo anterior. A propósito, brilhante tembém a música (Shotor, se ler este post a referência para a Mula é Castaways - Liar, liar).


sexta-feira, junho 15, 2007

Il Giocco Più Bello

O Anúncio da minha geraçao... Aquele corte do Maldini...


quinta-feira, junho 14, 2007

Dores de Crescimento

Hoje no metro um homem veio-me pedir dinheiro, quando eu ia comprar o bilhete, como de costume. Subira as escadas, duas, como de costume. E já sabia que algum deles andaria por lá, como de costume.

Mas assim que ele se dirigiu a mim, vociferei logo um "Nao, nao. Nao me chateie", gesticulando e afastando-me. Foi uma reacçao epidérmica e assertiva, muito 'alpha-male'. E isso em mim nao é nada costume. Seria talvez o stress por ter saído de um exame? Seria o tempo?

Por melhor que seja a nossa natureza, todos temos um limite, a partir do qual o 'saco tá cheio'. Calhou a este em sorte o meu limite. Nao tenho qualquer pena, cada vez detesto mais os profissionais da esmola, estou mais crescido, mais empedernido talvez. Ou entao reconheço-os melhor, muitos dias a andar de metro, sao sempre os mesmos... Nao sei. O certo é que nem sequer notei na resposta "Vá, se vais ser assim um agarrado..." que ele deu, tal foi a minha absoluta surpresa... comigo mesmo.

Full Blown Addiction

Também conhecida pelo nome de época de exames... O café é uma paixao. Ninguém vive sem um vício, sejamos honestos, e este nem é dos piores.



quarta-feira, junho 13, 2007

Nunca é tarde

Requisito obrigatório ter mais de 85 anos... The Zimmers.

Mainstream

Ele há coisas... Há uns anos nem estrada alcatroada tinha. Agora, que já nem se lembra desses tempos de poeira e gravilha, já anda alegremente pela auto-estrada da informaçao.

segunda-feira, junho 11, 2007

Adenda

A propósito do "Englishman in New York" deste post, o pormenor destas duas estrofes (bold meu):

(...)

Takes more than combat gear to make a man
Takes more than a license for a gun
Confront your enemies, avoid them when you can
A gentleman will walk but never run

If, "Manners maketh man" as someone said
Then he's the hero of the day
It takes a man to suffer ignorance and smile
Be yourself no matter what they say

(...)

quinta-feira, junho 07, 2007

O Fim de um Era

E o muro foi finalmente abaixo... É verdade, acabaram os trabalhos de grupo, os esquemas de produçao soviética na universidade. Eis a era do individualismo. Sempre com colaboraçao, 'teamwork', amizade - mas sem politiquices. Correu bastante bem, e dou os parabéns aos meus colegas. Acabou por ser menos duro com eles. O problema é mesmo de regime.

terça-feira, junho 05, 2007

Alien

No metro: entra uma senhora, estou sentado. Levanto-me, nao me levanto? Nem distingo bem a idade da senhora. É claro que o correcto será levantar-me, mas isso também geralmente cria uma espiral de constrangimentos: "Nao, nao, sente-se. Deixe estar". Voz da experiência. Acabo por resolver o dilema levantando-me como se fora sair na próxima paragem. Nao tem muita galhardia, ou quando muito nao a exibo, mas evito a minha consciência e a dança do "sente-se" num gesto.

Duas raparigas giras (e giras no caso é um eufemismo) passam pela carruagem. Olha-se? Nao se olha? Discretamente, é certo. Mas sim ou nao? Saudável atençao ou insuportável instrusao? Tantos anos passados ainda a dúvida. Ambas reacçoes existem, às vezes na mesma rapariga.

Passa das 12h. Bom dia? Boa tarde? Bom dia... ou Boa tarde! (risos esperançosos recebidos com indiferença).

Turistas espanhóis perdidos. Ajudo? Nao ajudo? Interpelo? Espero?

Nao, nao, faça favor...

Desculpe...

Posso pedir-lhe só uma coisa...

Paredes, cantos, mundos. Cidades invisíveis, coreografias de educaçao e sociabilidade, numa Lisboa de que gosto sempre... mas nao demais.

Tenho sempre algo de imigrante, de estrangeiro. Escorrego e tropeço naquela pista de dança. Sou sempre ainda alheio... Still somewhat of an alien.

Pecado Original 13


Kirsten Dunst. Bom, vejamos, esta nao é muito complicada, pois nao?... Direito ao ponto: é mesmo de perder a cabeça. Nada como aquela meiga frivolidade de 'girl next door' de Kirsten (uma Mary Jane aceitável, ao contrário do incubido de Homem-Aranha - nao podia deixar passar) para representar um ícone da frivolidade da História. E a quem achar que nao, que lhes dizer? Pois que comam bolos, nao molestem a realeza s.f.f..

Pardon, Mademoiselle. Comment fait-on pour aller à Versailles?

segunda-feira, junho 04, 2007

"Wir wollen raus"

Setembro de 1989. Surgem demonstraçoes de protesto dos alemaes do Este, que gritam "Wir wollen raus" - "Queremos ir embora", vidas marcadas pela eterna promessa do Oeste, onde se podia ser livre, da Stasi, de tudo. Livre para trabalhar e progredir.

Na retina, a frase de Reagan, proferida 2 anos antes:




Dia 6 de Junho o Muro volta a cair.

Noticiário Séx. XXI

No noticiário da TSF: "E hoje, Vítor Hugo, um dos maiores nomes..."

...da Literatura Mundial?

...do romance do séc. XIX?

...da cultura francesa?


Nao. Do hóquei em patins. Sim, esse. Aos 44 anos voltou à sua grande paixao, para ingressar no Pasteleira. E, facto notável, na última jornada deu 5-4 ao Marinhanense. Citando esse outro grande poeta da contemporaneidade, o memorável Net (Custódio da Silva) Cabo, nas palavras da sua personagem Teresinha: "Há coisas fantásticas, nao há?".

2 Dias Numa Vida

Fim-de-semana estupendo. Bati o meu recorde de toques na bola: 1095. É verdade - sempre fui um craque a jogar sozinho... Mas, em abono da verdade, tenho que dizer que só foram possíveis com uns belos ténis de futebol de salao, em relvado. Ainda assim, 1095. Nao volto lá tao depressa. Mais umas corridas, e eis os tiques de intelectual saudavelmente engavetados.

Voltei hoje, segunda-feira, a Lisboa, completando a minha segunda ida-e-volta à aldeia, algo de épico para mim. Belíssima viagem. Eis quando cometo o erro fatal de levar o carro de tarde para ir à Lusófona. "I should have known better...". Camiao parado, trânsito infernal, calor super-infernal. Pára-arranca, metros e metros de progresso falsamente manso, escondendo mil nervosismos, mil palavroes, mil desejos de ultrapassar a 230 km/h todos os outros - "parvalhoes". Mil anseios de 5ª sob o desalento de uma 1ª. Todo o universo, toda a história da Humanidade, ali concentradas naquele Fiat que nao arranca ou naquele VW que entra "à chico-esperto", sem fazer sinal. Por cima dos condutores, misturadas na névoa difusa dos gases ao calor, as almas daqueles condutores travam batalhas violentas, onde há desumanidade, agressao pura, violência da mais primeva. Mas só um pouco acima, raramente essa guerra desce ao solo, cá em baixo, onde as regras de civilidade geram úlceras nervosas sob o calor desafiador, que se ri.

Chego atrasado à aula (2 vezes, com o lanche ao intervalo), jeito desajeitado, apologético, ao entrar. Aula passada, objectivos mínimos cumpridos. Voltar a casa: uma fila ainda pior. Nem a redescoberta do "Gran Turismo", dos Cardigans, no leitor de CDs salva a minha alma... É assim que se criam assassinos em série, é assim que se criam terroristas, é assim que se criam pessoas inimagináveis como a Odete Santos. "11 de Setembro? Terrorismo? Meu caro, já alguma vez fizeste a Calçada de Carriche em hora de ponta ao calor do Verao? Pois é. Isso sim, é terrorismo."

Metro: volta, estás perdoado! Traz o teu cheiro a sovaco, os teus pedintes cegos ("tenha a bondade de m'auxiliar..."), os teus romenos a tocar acordeao, as tuas suburbanas a discutir gajos enquanto mascam pastilha, os teus chungas, os teus pretos ameaçadores com as cuecas de fora e calças 3 tamanhos acima (interrupçao politicamente correcta: nem todos os negros sao ladroes, a maior parte sao cidadaos normais e bons pais de família). A sério, estás perdoado. Amanha reencontramo-nos, amore mio!

Dificuldades no Arranque

Eis a minha conduçao automóvel - metáfora da minha vida.

Mas ainda penso que é melhor do que ser eternamente passageiro.

Do Luxo, Da Virtude, Da Sabedoria e Do Talento

Talvez um dos maiores luxos possíveis em sociedade é o de nao ter que ter paciência para a estupidez (é certamente o luxo do empreendedor, do patrao).

Talvez uma das maiores virtudes esteja em ter paciência para a estupidez mesmo que a tal nao se seja obrigado.

Talvez a sabedoria esteja em relativizar a estupidez: há sempre algo em que nós somos superiores à outra pessoa, há sempre algo em que a outra pessoa é superior a nós.

Talvez seja uma questao de talento utilizar essa sabedoria para obter resultados.

sábado, junho 02, 2007

Mistérios da Vida Portuguesa 3

Como pode um país conciliar uma grande cultura de individualismo (patente no trato por você, no Dr., etc.) com o facto de ser pequeno e de, historicamente, se ter "safado" sempre por um esforço em equipa, com uma notável cultura de País?

Ar de Intelectual

Ontem cheguei ao Instituto para fazer o exame de italiano, do segundo nível, A2. Distraído, subia a rua, franzindo o sobrolho sob o calor, ansiando pela porta sob a bandeira, nessa Rua do Salitre em que sinto História e histórias por descobrir. Pouco faltava para a meta, vejo dois colegas do outro lado da rua, uma rapariga que fumava e um rapaz, resguardados sob a sombra. Primeiras frases que escuto: "Entao, estudaste muito?", "Já sabes tudo...". E eu "Porquê, mas porquê?", gesticulando e sorrindo levemente - transmitindo justamente a estupefaccçao de me elegerem para essas previsoes, que eu, suopersticioso, detesto. "Ah, é que tens esse ar de intelectual...".

Depois do dever cumprido ontem (exame que suponho passado, sem previsao de nota excepcional), vou hoje, conduzindo, de novo para a aldeia, trabalhar e fazer algum desporto. A ver se sacudo um pouco esse tal "ar de intelectual", porque sê-lo nao está nas minhas aspiraçoes... leia-se o post anterior.

Do Intelectual

Aron enganou-se quando disse que "o marxismo é o ópio dos intelectuais". É-o somente dos intelectuais de esquerda, já lá vai o seu tempo. Mas, para mim, o verdadeiro ópio de todo e qualquer intelectual é a análise. Sem a análise, constante tentativa de encaixar numa "teoria de tudo" todos os outros e todos os fenómenos, o intelectual nao é ninguém. A análise é sempre uma postura defensiva, é necessário coragem para adquirir um saber por experiência.

O intelectual será talvez o herdeiro dos profetas da Antiguidade. E a sua reputaçao depende igualmente da certeza das suas previsoes.

Da Ambiçao

Por mais que nao gostemos, a ambiçao é um elemento fundamental da natureza humana. Quando muito, podemos ter uma comunidade de pessoas que, em conjunto, a renegam - como na religiao católica (mas depois aí surge o outro pecado - da inveja). Mas eu acho mais curiosa a ambiçao na juventude, porque, em alguma juventude, há a tentativa de "ir a todas". Conseguir tudo: prestígio intelectual, independência financeira, cumprir os parâmetros que a sociedade impoe, Amor, sexo, experiência. E, por mais que ouçam os antigos dizer que "nao se pode ter sol na eira e chuva no nabal", ou "quem tudo quer, tudo perde", a ambiçao é mesmo assim - estúpida. Como cantavam os Queen:

It ain't much Im asking
If you want the truth
Heres to the future
Hear the cry of youth (hear the cry hear the cry of youth)
I want it all
I want it all
I want it all
And I want it now

"In Sicily, women are more dangerous than shotguns"

"O Padrinho" é, para mim, uma obra-prima da Arte, e pode ser analisado sob uma miríade de aspectos. Mas, deixando todo o universo pictórico, se nos concentrarmos só no detalhe da música, há todo um mundo a descobrir. Esta é uma música que ainda vem do fim dos tempos, antes das revoluçoes burguesas, de um tempo sem imagem, e que tem, simplesmente, a capacidade de suspender um homem. Por segundos, ele esquece-se de tudo, e há um prazer intenso e interior que prova, e o surpreende - provém de outra idade. Com efeito, esta música transporta-nos de novo à infância - é na infância, ou no contacto com ela que reside o espírito da Arte, da perfeiçao - e tao bem o da vingança face aqueles que nao no-la permitem alcançar. Vem muito antes da era do perdao - cronológica e psicológica. Mexe com um imenso poder, e usa o instrumento da Memória, com M grande (quase obsoleto na cadência imediatista dos nossos dias). Um perigo, esta música. Um doce, doce, perigo.


sexta-feira, junho 01, 2007

Da Bola

Eis a grande liçao brasileira: se na vida nao tivermos a sorte de ter um grande Amor, ao menos tenhamos sempre connosco uma amante fiel.

quinta-feira, maio 31, 2007

Da Voz

A voz é dos mais perigosos instrumentos, o seu poder encantatório fácil de dominar. Há idades em que nao estamos preparados para certas vozes. Temos que, como Ulisses, satisfazer a curiosidade muito bem prevenidos, por mais que custe.


Adenda


Pecado Original 12


Nina Persson. Fizeram bem, os Manic Street Preachers, em trazer de novo a voz de Nina para o mainstream com o excelente "Your Love Alone is Not Enough". Já tinha saudades de ou vir a voz de "Erase/Rewind" ou dos pioneiros "Lovefool" e "My Favourite Game". É, para mim, uma das vozes mais sensuais que alguma vez passou pela pop. Nao de uma sensualidade enérgica, emocionante, mais bem próxima de um romantismo obsessivo. Mas é desconcertante, toca teclas esquecidas. Eu adoro - afinal, ainda me lembro de gostar de Pessoa, Cesário ou Sá-Carneiro. Talvez ainda reste algo desse Portugal longíquo, de paixao doentia. Talvez mais para o Inverno, reconheço que este post vem algo fora de época. Ou quem sabe nao, dado o tempo bizarro dos últimos dias.

quarta-feira, maio 30, 2007

Flashback: Futebol CM

5 milhoes de contos pelo Nani, mais 5 milhoes pelo Anderson. Ambos jogadores que ainda nao jogaram para ter tal preço, ambos muito jovens. Suponho que estarao nos planos de renovaçao, de fabrico de uma nova equipa do Manchester. Que também, sendo jovens, na cultura do clube, serao mesmo talvez um bom investimento. Veja-se a longevidade de um Giggs. Quem sabe um dia cheguem a esse nível.

De qualquer forma, estas transferências, de montantes surpreendentes e repentinas, fazem-me lembrar um passado de primeira juventude.

Estas transferências sao tipicamente transferências a la CM (Championship Manager), e o estilo pode vir a definir uma idade do futebol mundial, mais a par com a velocidade do mundo de hoje.

Bem-vindos, pois, à era do futebol CM.

Da Beleza

Talvez tanto a beleza como a mentira sejam índices de Civilizaçao. A mentira, claro está, é a condiçao da sociabilidade pacífica. Definitivamente, seria mais fácil ao ser humano ser honesto, mas isso seria profundamente anit-social.

A beleza surge entao, para mim, como o contraponto natural da mentira. Qualquer homem socialmente hábil, e portanto, mentiroso (talvez também possa ser sonhador), aspira à redençao de uma mulher bela. E o mesmo é válido para uma mulher. É para mim misteriosa esta ligaçao, mas eu arriscaria dizer que há algo de puro, imaculado, na beleza verdadeira. Essa pureza será talvez o maior bem de um hipócrita, que, por imposiçao social, há tanto tempo delapida a sua.

Acabo sempre estas reflexoes com o exemplo do homem italiano. Invejavelmente sociável num 'setting' moderno, a fronteira nele entre verdade e mentira é notavelmente indistinta. E surge, claro, essa segunda moralidade "fra il bello e il brutto". Como se salva ele de si mesmo? Creio que a resposta é óbvia...

Liberdade à Vista

"General Secretary Gorbachev, if you seek peace, if you seek prosperity for the Soviet Union and Eastern Europe, if you seek liberalization, come here to this gate. Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall!"
(Ronald Reagan)

Está quase, quase a cair o Muro de Berlim. Data marcada para 6 de Junho.

terça-feira, maio 29, 2007

FRASES

"Maquiavel dizia que na política não há moral.
Socrates não leu, mas aprendeu de ouvido."
Baptista Bastos in DN

domingo, maio 27, 2007

Adenda 2

Ou mesmo deste, borderline patológico, nao fosse cantado por pessoas que ensaiavam fado em aulas de Tecnologia Farmacêutica...

Adenda

Ou entao também pode ser deste calibre (Bloodhound - Bad Touch)... o que já pode ser preocupante. A temática, contudo, nao anda assim tao distante... e daí talvez me engane.



Rigoletto - La Donna è Mobile

O trabalho em grupo, sobretudo quando físico, faz surgir em nós a música. É quase algo campesino, fraternal, e surpreende-nos, a nós que nos julgávamos iluminados. Enquanto for deste calibre, tudo bem.

La Donna È Mobile (Giuseppe Verdi)

La donna è mobile
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensiero

Sempre un'amabile
Leggiadro viso
In pianto o in riso
È menzognero

La donna è mobil
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensier
E di pensier
E di pensier

È sempre misero
Chi a lei s'affida
Chi le confida
Mal cauto il core

Pur mai non sentesi
Felice appieno
Chi su quel seno
Non liba amore

La donna è mobil
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensier
E di pensier
E di pensier...


Bem verdade... Temperamentais, mas é sempre "misero" quem no seu seio nao bebe amor.
Ainda sao das melhores coisas à face da Terra.

sexta-feira, maio 25, 2007

lambretta 125 LD


Já não é segredo algum, esta minha paixão por história, épocas perdidas, e seus esplendores.
Mais uma vez a minha especial e particular admiração pelas scooters dos anos 50 e 60.
Ps. após a leitura do seu mail shotor, está finalmente resolvido o mistério, lol.

factos

poucas coisas me deixam tão feliz como um amigo que me revela que pensa ter encontrado a mulher da sua vida, que me diz estar feliz, de uma forma quase inabalável.
talvez porque também sonho com o dia, sem querer ser egoísta e virar o assunto para a minha uma esfera pessoal, mas também anseio com o dia em que direi isto a um amigo meu, já houveram situações em que o disse e me enganei redondamente, mas muito que me custe, não desisto.
agora e afastando a ponta de melancolia que acabei de sentir, acho que às vezes as pessoas não percebem o quão difícil e solitária pode ser a experiência de crescer, o quão difícil pode ser encontrar, já nem refiro a palavra amigos, mas uma relação de confiança, sem segundas intenções ou pretensões camufladas, o quão difícil que é poder fazer revelações destas a alguém nos dias que correm, tanto que é quase uma benção, ter alguém de confiança com quem partilhar a nossa felicidade e os nossos estados de espírito, alguém que fique feliz por nós, em vez de dominado de inveja.
quando me premeiam com atitudes, quando me acham digno dessa confiança, sinto me preenchido, sinto me feliz.
e ser feliz é isto mesmo, reconhecer o mérito, o sucesso a felicidade no seu mais profundo, no próximo, no amigo e sentir aquele sorriso interior, que não há dinheiro nenhum no mundo que pague, sentir a felicidade fora de nós, sem o egoísmo de sentir inveja, apreciando a altruístamente, e sendo feliz com isso. porque a felicidade tem esse dom, esse poder único, para bem dos nossos males, de se espalhar tão fácilmente.

e ainda bem :)

RAP


sarcástico e mordaz como sempre.

quarta-feira, maio 23, 2007

Pecado Original 11


Sienna Miller. Depois de uma noite em discoteca, atípica, e um sono desencontrado, a esperança de um despertar redentor.

Nuestros Verdaderos Hermanos

No outro dia falava a alguém de como achava que, se um dia fizesse a viagem, tinha a convicçao de descobrir a Argentina mais similar a Portugal em muitos aspectos que o próprio Brasil. Falei de algo como um espírito "latino-depressivo", que convém dizer que em Portugal era algo salazarista, o que nao é verdade. Eis uma pequena prova, uma cançao argentina, quase fado.


sábado, maio 19, 2007

la bell'époque (2)


O companheirismo.

la bell'époque



O fascínio, o apelo e inolvidável esplendor, a beleza de um tempo que não é o nosso, que nos transcende e almeja ao eterno, pela sua genuinidade, transparente nas fotografias.


Um tempo característico, marcado, com traços de modéstia e moderação, mas coincidentemente pela, hoje "old fashion" generosidade, a emancipação ingénua e discreta, a boa rebeldia, o fasear dos degraus, sem pressas, precipitações. O prazer nas coisas simples, o prazer de viver.


Um tempo, pessoalmente muito belo, e que não se encontra tão distante, tão perdido quanto às vezes julgamos.

post scriptum

Entre os demais assuntos que me tomam o tempo, destaque para a dedicação a uma missão quase devota, em trazer de volta ao esplendor de outros tempos a beleza alemã de nome Heinkel 103 A1.





Já por algumas vezes passei a fronteira da paciência, mas a esperança, num futuro, como o abaixo ilustrado, essa mantém se.

sexta-feira, maio 18, 2007

A MAGIA



o Mito e o aprendiz. Foi preciso esperar 20 anos para a magia se repetir. A beleza e a arte do país das Pampas. Para ver e rever, ao pormenor.

quarta-feira, maio 16, 2007

Estrelas de Futuro 2

Este menino não engana. Mais um nome de futuro Giovanni dos Santos.



segunda-feira, maio 14, 2007

Estrelas de Futuro

Retenham este nome BOJAN KRKIC. Dentro de não muito tempo vai ser uma das estrelas do futebol mundial... Descontando alguma imodéstia... não me costumo enganar!

domingo, maio 13, 2007

O Paradoxo do Engate

Tenho vindo a concluir, por análise dos casais que conheço, que geralmente numa relaçao existe sempre domínio de um elemento. É certo que é difícil dsitinguir em alguns casos, sobretudo quando o Amor é juvenil, mas, face a pressao, há sempre um dos membros que se assume líder. Eu diria, pois, que a maior parte dos casais têm um "conquistador" e um "conquistável". Nao há correspondência directa com "homem" e " mulher". Se alguma vez o houve, já lá vai o tempo.

Ser "conquistador" ou "conquistável", deverá corresponder a traços de carácter distintos, nao sei especificar ao certo quais. Mas nao será talvez assim tao difícil distinguir o membro mais activo do mais passivo. A complementaridade resulta numa boa equipa. Mas, é claro que nem todas as histórias acabam nesse final - e para as excepçoes eu diria que nao há sexo como entre "conquistadores", nem Amor como entre "conquistáveis".

Tem mais a ver com este último caso - o de Amor, e de aproximaçao tácita entre duas pessoas "conquistáveis", que pensei no paradoxo do engate. Gostaria de usar a palavra "engate" desprovida de uma certa carga negativa (tipicamente "conquistadora"), mas nao me lembro de outra palavra igualmente exacta. O engate é aquilo, o acto, a formaçao de pares, nada mais simples. E nada mais complicado.

Um dia estava num café de Lisboa, o Galeto, sentado na esplanada. Além da minha mesa estavam sentadas 2 raparigas, creio que uma loira, outra morena. Exemplarmente bem vestidas, com uma ligeireza, frescura e elegância que combinavam maravilhosamente com o sol desse dia. E eu, claro, perdido na pintura, imaginando como seria bom ser assim o mundo. Entretanto, vieram sentar-se na mesa ao lado 2 rapazes, bebendo qualquer coisa fresca, porque também estava quente aquela tarde. Nem sequer borraram um pouco a pintura. Também eles estavam elegantes, calças beige, camisas simples, sapatos de vela. Enfim, o que se convencionava chamar de BCBG (bon chic, bon genre). A cena parecia quase recortada de um café florentino.

A certa altura, inevitável, os rapazes reparam nas raparigas vizinhas. Olham para elas um segundo, elas para eles. Pequenos movimentos (dedos que se movem, comichoes nos pescoços, olhares fixos no lado contrário), de parte a parte, denunciam a mesma vontade de... deixar o destino acabar a obra. Faltava ali uma voz, um link, uma ponte. Todos os espectadores do filme o pediam, certamente.

Eis senao quando, de repente... tudo fica exactamente na mesma. Eles a olhar o horizonte, elas também. Nada feito. Fui-me embora algum tempo depois, e nao me pareceu que algo fosse mudar.

Há aqui 3 críticas que um analista honesto deve fazer:

1. É pena que na nossa sociedade seja já heterodoxo dirigir a palavra a uma rapariga (ou rapaz) para conhecimento mútuo sem ser sob o ruído ensurdecedor de uma discoteca (suponho que o discurso fique facilitado nesse 'setting' - o importante é gritar para atingir o mínimo de ser ouvido)

2. O senso-comum diria que competiria, apesar de tudo, aos rapazes, o primeiro passo. Será?

3. Estamos em Portugal - dizem que aqui as pessoas sao muito mais serenas nessas abordagens.

Considerados estes 3 factores, persiste ainda um problema. Vejamos o caso da perspectiva dos rapazes, por ser mais tradicional, e, já agora, por me facilitar a mim a explicaçao. Perante uma rapariga que lhe interesse, se partirmos de um rapaz com uma certa sensibilidade e educaçao ("conquistável", portanto), este tem 2 hipóteses:

1. Abordar a rapariga, directamente, reclamando um golpe de asa que nem sabia possuir;

2. Nao abordar a rapariga. Ter fé no futuro.

Para uma rapariga sensível, "amável", essa abordagem vai inevitavelmente estragar qualquer boa primeira impressao. Mais nao seja porque o rapaz faz algo em contra do seu temperamento. Essa transcendência ser-lhe-á fatal na produçao de uma linha adequada. Será demasiado agressivo ou demasiado tímido. Definitivamente, falta-lhe experiência. E depois há as amigas ao lado atentas, as outras pessoas, enfim, um sem número de variáveis a prejudicá-lo.

A verdade é que, dos rapazes que abordam com naturalidade, estas raparigas nao gostam. Destes até gostariam, mas ficam com a impressao contrária. Só conhecerao pelo acaso de uma casamenteira, amigo comum, curso comum, etc.

Eis, pois, como as duas hipóteses que se apresentam ao rapaz resultam num falhanço total. É este o paradoxo do engate - ser fiel à sua natureza ou contrariá-la resulta exactamente no mesmo. Enganar-me-ei nos casos em que uma destas abordagens "out of the blue", com este tipo de pessoas, resulta. Mas arrisco dizer que a estatística é muito desfavorável.

É assim difícil o relacionamente no Paraíso... Mas dizem que vale a pena.

Do Palavrao

Uma das coisas a que alguém que gosta de palavras é mais sensível é o palavrao. Mais nao fosse, é uma forma preguiçosa de falar - nao requer qualquer esforço de expressao. Por vezes até passa por apanágio dos "puros", que nao estao com meias-tintas. Nao é a minha opiniao.

Mas enfim, o palavrao existe e de alguma forma é bom que exista. Suponho que existe alguma área do nosso cérebro que sabe o palavrao interdito na sociedade; vai entao buscar essa interdiçao para a quebrar em situaçoes-limite - por exemplo, em situaçoes de dor. O prazer dessa quebra de interdiçao social (assim é o ser humano...), de alguma forma compensa a agressao que o organismo sofre. É tudo uma questao de débito e de crédito.

Escandaloso é, para mim, o uso gratuito do palavrao, porque se tornou hábito, mera indulgência. É que a auto-indulgência, diziam os antigos, nunca é bom caminho. Devemo-nos perdoar a nós mesmos - mas nao demais.

Da Eloquência

Para mim, a prova máxima de eloquência seria alguém que conseguir mandar outro a um sítio "onde o sol nao brilha", de tal forma que o outro ainda lhe agradece.

quinta-feira, maio 10, 2007

Esquerda? Direita? Volver?

Um teste interessante para descobrir a nossa sensibilidade política. Moral Politics.

Preciosos Pormenores 2


Algo que sempre me intrigou foi a falta de curiosidade, de classe mesmo, nos estudantes da minha geraçao. Nao há uma cultura do profissional liberal (ou aspirante) trocar impressoes, teorias, falar do seu corpo de conhecimento, do seu métier livremente. A informaçao tornou-se propriedade, resultado de trabalho, de esforço. Estamos comprimidos pelo espartilho do egoísmo, nao há muita paixao por ideias, teorias. Parte da responsabilidade é a massificaçao do ensino universitário e das profissoes liberais. Outra parte decorre da miríade de solicitaçoes que caiem sobre as pessoas, jovens e adultos. Tudo subprodutos da evoluçao do país.

Mas é pena que nao se troquem saberes. Até porque grande parte da "Civilizaçao" tem a ver com a percepçao do ser humano que nao há só ganhar-perder, há tao bem ganho mútuo ('win-win'). Daí houve burguesia.

É pena também porque acabamos por desperdiçar uma época de ouro, e nossos talentos, para mais tarde vir a descobrir com é belo e mais fácil aprender de modo interactivo, ligando fontes.

Quanto mais ricos seríamos, houvesse um mais de generosidade... Assim, restam só os homens-massa de Gasset. E nao julguem que os licenciados nao sao também homens-massa. Sao-no hoje mais do que nunca.

quarta-feira, maio 09, 2007

SARKOZY

No passado Domindo a França elegeu Nicolas Sarkozy como seu presidente. Não obstante ser da UMP, o mesmo partido do presidente cessante Chirac, Sarkozy é muito mais que " uma evolução na continuidade". Sarkozy representa uma verdadeira mundança não só no estilo mas também nas ideias. Curiosamente, Segolene, embora de esquerda, seria muito mais seguidora do que até aqui vinha sendo feito por Chirac, do que vai ser Sarkozy.
Segolene prometeu muito inicialmente, não apenas pela frescura mediática com que aparecia mas também ao nível das propostas. Propagandeou um renascer patriótico ( colocando-se mesmo à direita de Sarkozy), queria júris populares a controlar a classe política, e puxou a esquerda francesa, anquilosada e imobilista, para um centro-direita a nível económico. Parecia que o tabuleiro político iria cada vez mais ser arrastado para o extremo ( no caso, o extremo direito/a), mas não foi isso que aconteceu. Sarkozy segurou a direita e partiu para o centro. Segolene recuou para causas cara à esquerda, como o ambiente ou a manutenção de um establishment social ultrapassado e terminou perdida no meio do nada (como ficou demonstrado no debate final).
Sarkozy é a mudança. Admira Aznar e quer ser como Blair ( convenhamos que não tem mau gosto...). Ambicioso, pretende fazer ressurgir o monstro francês e já percebeu que não vai lá só com a putativa influência que a França ainda tem na " Velha Europa". Ao contrário de Chirac (péssimo presidente) que se entretinha a fazer querer que mandava na UE, com a conivência de um apagado Schroeder, Sarkozy tem não só a nivel interno mas também a nivel internacional um discurso e uma acção que pretendem fazer com que a França volte a ser um player activo e decisivo na cena internacional. Para mim, Sarkozy vai começar por surpreender. Acusam-no de extremista e ele é capaz de nomear uma filha de imigrantes magrebinos para a Justiça, Interior ou até para a Imigração. Nesta primeira fase vai ser mais integrista que divisor.
A nível internacional aproximar-se-á do aliado americano e forçará, com Merkel, um novo dinamismo europeu que fará com que a Europa saia de alguns ( não todos) impasses em que caíu.
Mas a sua maior força surge a nível interno. Procurará um liberalismo económico no país onde o estado social é sagrado. Baixará impostos, fomentará o crescimento, mais trabalho com o fim da lei das 35 horas ( já a pensar nisso nomeará, provavelmente, Fillon como PM), e fará assentar a dialética Estado/cidadão numa premissa simples mas que hoje em dia é cada vez mais ousada, mais direitos sim, mas só se eles corresponderem a mais deveres.
Sarkozy por detrás do seu olhar maquiavélico emana força, coragem, determinação, empreendorismo que, certamente, se transmitirá à sociedade. A França será mais trabalho e menos lazer. Mais economia e menos cultura. Mais pragmatismo e menos saudosismo.
Esta talvez seja uma visão optimista mas como dizia o outro " isto vai levar uma ganda volta!".
Contudo, o esquerdismo da nossa comunicação social não permite revelar todos os méritos e procura muitas vezes distorcer a realidade. Quiseram fazer de Sarkozy um extremista ( não foram os únicos) e na noite da eleições procuraram limitar ao minimo os holofotes do vencedor. Tudo serviu, ora porque uns quantos miliatantes de extrema esquerda ( o que faria se fossem de extrema- direita!!!) incendiaram mais uns carros, ora porque Sarkozy não aparecia com a mulher Cecilia. Tudo foi pretexto para a minimização, mas o certo, é que a partir de 15 de Maio de 2007, vamos pela primeira vez desde há muito tempo, contar com uma nova e INFLUENTE França.

terça-feira, maio 08, 2007

Senza Fretta



So che questo cielo si dimentica...
Sarebbe bello che durasse almeno mezz'ora...

"Annus Mirabilis"

Sexual intercourse began
In nineteen sixty-three
(Which was rather late for me) -
Between the end of the Chatterley ban
And the Beatles’ first LP.

Philip Larkin (poeta britânico, 1922-1985)

Eis como um poeta, por sinal um dos melhores entre os britânicos da 2ª metade do séc. XX (embora polémico), celebrou aquilo que será um "personal landmark". Tempos tao distantes esses, em que o decoro torcia o nariz a' "O Amante de Lady Chatterley", e a era dos Beatles começava. E ainda assim, há coisas que nunca mudam.

A Vingança de Alberto Joao

A expressiva vitória de Jardim na Madeira, facto óbvio, confere-lhe uma grande legitimidade política.

A opiniao vigente diz que esse capital pode ser usado contra Sócrates. Nao partilho essa visao.

Dificilmente Jardim terá poder de negociaçao com Sócrates: o estilo do seu governo nao se vai alterar. Surgirá sempre uma argumentaçao-cassete a respaldar as decisoes do governo para a Madeira, sejam justas ou nao.

O seu capital político existe, é certo, mas noutro "setting". Concretamente, dentro do PSD. Para o partido, Jardim fica na retina como tendo afrontado e vencido Sócrates, e mantido a chama do partido numa altura de vacas magras. E isso pode fazer dele, por muito estranho que soe, a pedra de toque para qualquer nova liderança. Ou capaz de certificar a existente, como julgo que Marques Mendes percebeu.


E Jardim apoiará certamente uma liderança do PSD que sirva os interesses da ilha. O derradeiro capítulo joga-se em 2009. Se Sócrates obtiver um bom resultado, morre o élan destas eleiçoes - menor será a capacidade de reivindicaçao de Jardim. Se, pelo contrário, for o PSD a ganhar, entao certamente sê-lo-á com uma liderança próxima de si.

Nao se despeçam já de Jardim. Ele está aí para durar.

A Propósito das Eleiçoes Francesas

Será o despertar de um gigante aquilo a que assistiremos? Ainda é cedo... a seu tempo se verá. Mas certamente que a eleiçao de Sarkozy é, desde já, um duro golpe no politicamente correcto. E, tao somente por isso, é de saudar.

segunda-feira, maio 07, 2007

Do Valor

Ouve-se com frequência que é necessário fomentar valores na sociedade, que esta tem perdido valores, que os valores fazem parte da Civilizaçao, valores de esquerda, valores de direita, valores isto, valores aquilo...

O que é realmente um valor?

Eu diria que a noçao de valor está ligada a outra, que parece desaparecida da nossa vivência (mera ilusao): a de finitude do ser humano. Essa seria talvez a grande funçao da religiao, ou mesmo explicará também uma certa cultura rural (onde vida e morte sao fenómenos naturais): lembrar-nos, desde o primeiro dia, que estamos destinados a morrer. Por mais que haja diversao, fugas para a frente, novidades, esse é o fim inexorável. Donde, um valor é uma questao de coerência: chegar ao fim da vida dizendo que "eu nunca fiz isto" ou "eu sempre fiz aquilo".

Suponho que um valor é somente isso: poder usar as palavras "nunca" e "sempre".

Da Vida

Gosto de antecipar perguntas difíceis. Se me perguntassem qual o meu objectivo na vida, acho que só teria uma resposta possível.

Suponho que Pessoa estava certo: primeiro estranhamos, depois entranhamos. Este adágio é particularmente aplicável aos portugueses. Quantas vezes nao o fizemos na nossa vida? Quantas vezes nao nos adaptámos, quantas vezes nao cedemos em muito daquilo que pensávamos ser o que seria correcto, ou simplesmente, do que nos apetecia?

Face a essa verdade, creio que o meu objectivo na vida é nunca perder a capacidade de estranhar. Nunca perder a capacidade de uma outra perspectiva, um outro ângulo da questao. Nunca ser um escravo do hábito, da vulgarizaçao, procurar sempre o novo. Assim a minha circunstância o permita.

Fauna

Hoje, visita de estudo a uma vacaria. Imagine-se, num curso de Ciências Farmacêuticas, andar a incomodar a rotina de serenos bovinos... Enfim, tempo de recordar Catao.

sábado, maio 05, 2007

Pecado Original 10



Jessica Alba.

P.S.: O ênfase no crucifixo nao é, obviamente, da minha responsabilidade. Mas um olhar tao perfeito seguramente sobrepoe-se a essas imperfeitudes.

Do Amor

Nos primeiros anos de consciência feminina julgo que o Amor é mais uma atracçao (passada a física) pelas virtudes de uma mulher. À medida que o tempo passa, e a atracçao física requer ainda o seu primado, o Amor passa talvez a ser uma atracçao pelos defeitos. Como se soubessemos que sao os nossos, como se os sentíssemos familiares, diabos conhecidos. E, afinal, para as virtudes sempre em nós há a convicçao, talvez masculina, que sao perfeitamente trabalháveis. Basta-lhes uma força de vontade, um trabalho em comum, uma resposta às circunstâncias.

Suponho que é uma boa maneira de avaliar a nossa idade psicológica, a nossa capacidade de compromisso a uma paixao: Que amamos nós mais neste momento (depois do físico)? As virtudes ou os defeitos?

Do Perdao

Ele gabava-se de ter a capacidade de perdoar quase todos. E lembrava-se desse dito francês: "compreender tudo é perdoar tudo". Sentia-se magnânimo e humano. Mas por alguma razao grassava nele o desassossego. Afinal, de nada serve podermos perdoar os outros se nao nos pudermos perdoar a nós mesmos, se nos nao compreendermos também.

Emprestado

Num programa de rádio ele, luso-descendente francês, mestre de hip-hop, diz-se sentir antes de mais português. Ela pergunta-lhe entao se ele será talvez "uma alma lusa emprestada ao mundo".

quinta-feira, maio 03, 2007

Re-Esclarecimento

A propósito dos recentes posts, que se assemelham vagamente a poesia, volto a reiterar o expresso anteriormente. Obrigado pela atençao.

quarta-feira, maio 02, 2007

Subserviências

O jornalismo desportivo português está ( sempre foi?) cada vez mais subserviente. Impregnado de verdades inelutáves, de dogmas e de falta de coragem, caminha-se neste campo a passos acelerados para pensamentos únicos e dominantes com uma dose pouco salutar de censura... a racionalidade escasseia. O mundo está cada vez mais em permanente transformação, mas parece, que as mundanças tardam em chegar ao jornalismo desportivo/ futebolístico. Os jornalistas de hoje em dia são na sua maioria proletários que apenas nos relatam os treinos, as lesões e (invariavelmente mal) as futuras constituições das equipas para o Domingo seguinte.

Dogma nº1- Não se pode falar do Apito Dourado nos jornais desportivos. Não se pode sequer tocar no nome de Pinto da Costa nem de Valentim Loureiro quando ligados a este caso.

Dogma nº2- Não se pode dizer que o Chelsea joga um futebol miserável e que foi eliminado com justiça da Champions. Mourinho é o melhor dos melhores, ele só não ganha porque tem 2 jogadores lesionados e sistematicamente há uns gajos que o querem tramar, seja um russo, sejam os árbitros que o perseguem... O seu adversário directo Man. United, joga sem defesa titular e sem 5 ou 6 jogadores importantes e nem piam... mas com Mourinho o discurso desculpabilizador/legitimador é o que melhor serve. Joaquins Ritas passam 20 minutos dos jogos a justificar a pobreza do futebol apresentado com lesões episódicas, mas falar de contratações milionárias (discurso oficial, Mourinho já sabia que eram maus e não os queria, foi obrigado a levar com eles, coitadinho!!!), e de um futebol já não visto há 20 anos nas ilhas britânicas, pontapé para a frente e seja o que Deus quiser, é quase segredo de estado ( valha-nos o Luis Freitas Lobo que ainda tem coragem de comentar o que vê e não o que se é forçado a dizer).

Dogma nº3 - Não se pode dizer mal da Direcção do Benfica que, alimentando o desejo de querer ganhar tudo, em Dezembro, em vez de reforçar o plantel ainda conseguiu vender jogadores. O discurso já está oficializado, a culpa é do treinador! Não importa que este, estatisticamente, seja o melhor Benfica dos últimos 14 anos, o treinador é culpado e não se fala mais nisso. Já encontraram a explicação: não rodou jogadores, nem se diga que não tinha ninguem para rodar, porque o pouco que tinha foi vendido em Dezembro, ou quando tinha um jogador com um castigo a expirar foi novamente condenado por teimosia/estupidez directiva, afinal, ele sempre tinha os Manus que são praticamente Maradonas... e se não são, a culpa é do treinador porque não fez deles Bolas de Ouro.

Programas televisivos - Os treinadores são todos maus até terem a coragem de lá ir dizer umas balelas sobre futebol. A partir daí, passam a ser altamente qualificados e, apesar de pouco ganharem, certamente, é porque a conjuntura não os favoreceu.

PS: Para eclarecer o PDuarte sobre o meu último post. Se fosse francês também votaria em Sarkozy. O intuito do post não era manifestar qualquer preferência por um dos candidatos, mas apenas, realçar uma curiosidade.

terça-feira, maio 01, 2007

Alea jacta est

E pronto. O Chelsea de Mourinho foi novamente eliminado pelo Liverpool. É certo que por penalties, e nao menos certo que o Liverpool está concentrado nesta competiçao. Mas seria preciso mais como justificaçao.

Pessoalmente, congratulo-me com a eliminaçao do Chelsea. Comecemos talvez por esquecer uma certa "solidariedade lusitana" para com Mourinho. Ele próprio nao a tem quando vem jogar com um clube português (nem sequer poupou uma linha na sua cartilha 'mindgame' quando jogou com o Porto), e pelos vistos nao a tem também nas recentes polémicas com Ronaldo. Para quem esteja desactualizado, Mourinho respondeu às acusaçoes de mentiroso de Ronaldo rementendo para "uma infância difícil, sem educação apropriada". Bonito.

Esquecido esse "lip service" a Mourinho (o que, reconheço, é difícil, porque, adeptos de futebol e portugueses, há sempre um orgulho residual), avancemos. Deparamo-nos entao com um técnico excêntrico (está na pátria dos excêntricos, nada a assinalar) e uma equipa com uma abordagem ao futebol que nao posso senao classificar de tecnocrata. Vejamos: está ali uma aplicaçao científica do futebol: teoria psicológica avançada (Mourinho chama pressao para a evitar sobre os jogadores), esquemas tácticos elaboradíssimos (diz quem sabe), espionagem ao adversário, licenciaturas, mestrados, carga física programada, velocidade, pressao alta, 2-3-toques-bola-na-área, músculo, trabalho de equipa, dinheiro, organizaçao, calendarizaçao, ajuntos de adjuntos de adjuntos, directores de directores de directores. Tanta ciência, tanto state-of-the-art para cair ali em Anfield.

É que nao tem qualquer mal cair ali em Anfield. Isso é normal. Ridículo é pensar que se pode cientificar totalmente o futebol. Ainda bem que nao. Ainda bem que há um limite de incerteza, cada vez maior pelo equilíbrio das equipas, pela carga de jogos, pela harmonizaçao das variáveis.

Nao me venham dizer que o futebol é uma questao só de trabalho, como insinua Mourinho. Ou de talento do treinador, como ele também pode supor. Continua a ter algo de extraordinário e irracional - e do domínio somente dos jogadores e das variáveis extrínsecas. Por exemplo, quem tenha visto os penalties facilmente descortina uma capacidade técnica superior na execuçao dos jogadores do Liverpool. Os jogadores do Chelsea pareciam-me todos iguais, a bola lançada para o mesmo lado, à mesma altura, com a mesma força. Tristes soldados, homens feitos a dar pontapés, nem um átomo do sonho de criança: ser jogador de bola (à excepçao talvez de Lampard e Robben).

A verdade é que sempre achei que muito da galáxia Mourinho era só palha para a manjedoura dos comentadores do jogo. Em especial os da televisao, que puderam deixar de dizer só "Néné passa para Niquinha" e "4 minutos de compensaçao", para entrarem em consideraçoes sobre a "pressao alta", e "o célebre losango do meio-campo". Para aqueles que, como eu, esqueceram grande parte da sua Geometria Euclidiana, soa a banha-da-cobra.

Nao venho dizer tudo isto porque Mourinho perdeu. Já o havia dito antes, diria igualmente se tivesse ido à final, acreditem. Eu pelo-me por um bota-abaixozinho sempre que vejo pirâmides de Quéops no futebol. Já provei o doce sabor de estar certo com o Real Madrid, espero ainda pela confirmaçao no Chelsea.

Às vezes, gostemos ou nao, é tudo uma questao de sorte. Essa grande justiceira.

Pecado Original 9


Cláudia Vieira. Veni, Vedi, Vinci, já dizia Júlio César. Há sempre no homem aquela necessidade de... triunfo (passe a publicidade às bolachas). Mas talvez seja mais correcto citar Marco Aurélio: "Um pouco de carne, um pouco de fôlego e uma Razao para governar todos - assim sou eu." É que, enfim, quanto à carne tudo dito ou tudo visto. Definitivamente falta-nos o fôlego e uma Razao (nao há racionalidade que se aguente). É por isso que nao acabamos a dirigir um império, meus caros.

Aquele "Je Ne Sais Quoi"

À atençao do P.Guerra, a propósito do seu post sobre Segolène. "É uma parisiense de mais de 40 anos, o que não é pouco. Mas só isso."

Eis porque eu, comunhando embora da admiraçao pela beleza (digamos que já me conhecem nesse capítulo), teria que votar Sarko, fosse eu francês (Deus nos livre).

Saudade

Para aqueles que começam (há sempre alguém que começa) no seu amor pela Língua Portuguesa, uma mera nota de rodapé (nesta era de ruído é o que se pode arranjar) sobre dois mitos eternos. Lembremo-nos ainda de Zeca Afonso, o último dos trovadores portugueses, herdeiro de um país mítico, para sempre perdido no tempo. E, claro, de Sophia, e a mais pura forma do Português em poema que conheci. Une-os esses amor, misterioso, português, do princípio dos tempos, a uma língua que naturalmente aspira à perfeiçao, porque funde Atlântico e Mediterrâneo.





Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

(25 de Abril)


Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo

(Pátria)

Sem Extremos

Excertos da entrevista de José Augusto à revista Sábado nas bancas:

"O meu pai foi um grande jogador do Barreirense. Chamava-se Alexandre Almeida. Foi ele que me ensinou algumas coisas, embora tenha morrido aos 39 anos, vítima de tuberculose, quando eu tinha 13."

"O futebol de rua tinha um aspecto muito importante: ensinava-nos a enganar o adversário."


"O Sporting foi o primeiro clube a contactar-me."

"Já nao há clubes a fazer sede com mao-de-obra do associado. O estádio da Luz foi construído pelos sócios."

"Quando ele [Eusébio] começou a treinar, dissemos logo: 'Há um que tem que sair'."

"[Fiquei como treinador do Benfica] até ao fim do ano (...). Tenho a convicçao de que o treinador do Benfica tem que ser estrangeiro (...). O Benfica é o clube do povo, um clube de amor e ódio. Um estrangeiro tem mais tempo para mostrar o que vale."

"Para mim, um clube grande é só o Benfica. Embora tenha todo o respeito pelo Sporting."

"[Trapattoni disse-me] 'Nunca tive tanta sorte na vida como ganhar este campeonato' (...). Aqueles jogadores nao tinham valor - como esta equipa nao tem - em relaçao à grandeza do clube."

segunda-feira, abril 30, 2007

A Bela e as Outras

Será que Segolene vai ganhar? Não sei.
Mas pela primeira vez uma mulher bela e feminina pode chegar à presidência de um grande país como a França.
Bem sei que já há outras que ocupam lugares cimeiros, mas esta foto, diferencia bem quem é quem.
Merkel, Hillary Clinton, Thatcher, ou Ferreira Leite... nunca seriam assim retratadas... são outro estilo... a que poderiamos chamar de masculinizado. Segolone é diferente, e é não só, mas também, esse um dos desafios que se coloca aos franceses nestas eleições, eleger uma mulher que, acima de tudo, é mulher!

quinta-feira, abril 26, 2007

Serviço Público

Esta ideia das etiquetas nos posts é estupenda. Nao?

quarta-feira, abril 25, 2007

Pecado Original 8


Antonella Mosetti (esq.) e Federica Ridolfi (dir.), rivais na luta pelo segundo lugar de apresentadora (capo- schedine) do "Quelli che il calcio" (Rai2). Pergunta: porque nao temos em Portugal temas de discussao similares? Caramba, fazemos hoje 33 anos de Democracia, 15 anos de televisao privada. Nao era já altura de termos despiques de "prima-donna" do género? Seria bem mais interessante que andar a discutir doentiamente um diploma do primeiro-ministro. Mas enfim, suponho que só teremos "showgirls" deste calibre em Portugal quando se ultrapassar o complexo do "nao sejas mauzinho", e o ego tomar as rédeas da vida. Será esse luxo individualista alguma vez possível num pequeno país, geneticamente habituado a estar à defesa? Espero ainda responder num longíquo 25 de Abril futuro.

P.S.: Para aqueles que me acusam de italiofilia ou italiomania, relembrar apenas que 25 de Abril é tao bem o dia da libertaçao em Itália. Suponho somente que alguns se libertam mais que outros, ou que sao mais honestos nesse particular.

Early Bird

A música para se ouvir depois de uma bela noite, quando o sol nasce além da nossa janela, ao sabor de um café perfeito. Sorrimos interiormente, porque, afinal, a vida nao é assim tao má. Talvez nos queixemos demasiado, talvez nos tenhamos esquecido de como já estivemos pior. Talvez deixemos de conseguir vislumbrar a beleza que existe nas triviais coisas do dia-a-dia. Afinal, insatisfeitos embora, já provámos algum do mais doce mel de estar vivo. Já provámos tanto que tantos outros, ao longo da História, nunca sequer sonharam conseguir. Há grande sabedoria em perceber essa tao simples verdade.


Diz (com) Respeito ao Farmacêutico

Contributo para a reflexao acerca da profissao farmacêutica. Pharmacy respect.

terça-feira, abril 24, 2007

Preciosos Pormenores

De um amigo agente da PSP.

"O Sócrates trata mal os seguranças. Fala-lhes mesmo à pedrada. Eu sei que o Portas também é um tipo em que, enfim, estamos sempre de pé atrás, mas o certo é que ele trata muito bem as pessoas. Quando vao a um restaurante o Sócrates diz aos seguranças 'Vá, vao-se embora', ao passo que o Portas pede uma mesa para eles."

Scudetto

Até que enfim um título conquistado com suor, sem secretarias à mistura, inteiro. A dedicatória a esse malogrado clube, neste seu momento de glória, ideal para eu ir ao meu caminho e descobrir em Itália um clube mais simples, mais sportinguista (nada de Juves ou Miloes). Mas nao me arrependo da escolha de um adepto ingénuo, talvez naquele entao mais motivada por Ronaldo e pela cor das camisolas. Agora um clube que gasta da maneira que o Inter gasta nunca pode racionalmente ter algo a ver com a minha concepçao de futebol. Ele há ciclos, é certo, mas eu sou sportinguista. E para fé basta-me. Lá fora dou-me ao luxo de nao me comprometer. Até sempre.


P.S.: E daí nao sei se consigo livrar-me do Inter... Old habits die hard...

domingo, abril 22, 2007

Novas Oportunidades

Este foi o Pina Moura que chumbou anos na Faculdade de Engenharia do Porto para assegurar o burgo ao PC. E que depois se filiou no PS. E que depois foi ministro inefável, por saber tanto do mester como eu das intricâncias do fabrico de alguidares. E que depois capitalizou a experiência política ao serviço dos seus interesses, e de interesses espanhóis.

E que está em vias de ser tornar o próximo Miguel de Vasconcelos.

Aprendam com El Pina, o Cardeal.

O sonho comanda a vida.

P.S.: Ironias da vida, nasceu o homem na Loriga, terra de Viriato.

Darwinismo Político

Os militantes do CDS-PP foram pouco originais na escolha: o mais forte venceu o mais fraco... A sobrevivência acima de tudo. Quer dizer, podia alguém lembrar-se de dizer que seria uma canalhice pura. Donde diz bem Pedrito de Portugal (esse sábio) na Sábado desta sexta: falta aos portugueses verguenza torera. Será só deste tempo histórico ou sempre assim foi? Eis a questao, a grande questao.

Ribeiro e Castro é fraco, no mais puro sentido do termo. Inspira simpatia, pessoa afável concerteza. Mal colocado como líder político embora, custa vê-lo trucidado indefeso por um tubarao. A mera ingenuidade de um slogan perdedor-à-partida como "Eu Acredito", basta, suponho, como premoniçao.

Mistérios da Vida Portuguesa 2

Por falar em olhos, já alguém reparou no pormenor de que os olhos das pessoas nas fotos sao retocados no jornal "Sol"? Será que também sao o espelho da alma quando numa foto? E precisarao de lustro? Definitivamente, toque do Arq. Saraiva.

Mistérios da Vida Portuguesa 1

Como pode um personagem com o perfil e o talento (nomeadamente a sua falta) de Pedro Abrunhosa ter o relevo que tem na vida portuguesa? Falo de anúncios de bancos, que o vao buscar incessantemente à escuridao esquecida, onde para mim é confortável que ele se mantenha. Para mais bancos com ligaçoes a instituiçoes católicas (vá, eu digo, é o BCP). Quer dizer... há coisas que estao na cara. Ou nos olhos.

terça-feira, abril 17, 2007

Ti regalerò una rosa

Costumo chamar-lhe sorte. Acontece-me com frequência ver um filme, notícia ou jogo de futebol somente nos momentos que depois discuto em conversa com outras pessoas. Gosto do zapping frenético, da leitura transversal, simplesmente porque permite absorver muito mais informaçao. Vem isto a propósito de ter visto somente en passant o festival de San Remo na Rai. Nao acho que seja algo de especial, mas tinha curiosidade pelo lastro histórico. Nao tenho muita paciência para o registo, ainda para mais. Ou/vi somente umas três músicas. Mas houve uma que me acompanhou, pela sonoridade, nos dias seguintes. Ficou no ouvido, até me sugeria um pastiche português (ser português é saber fazer pastiche). Venho mais tarde a descobrir que tinha ganho o festival. Estao a ver como a coisa funciona?

A ver, pois, se há ou nao uma sonoridade curiosa nesta música de Simone Cristicchi, cantautore a puxar para o nerdy-noir (mais um neo-pastiche para acabar).

P.S.: E esta estudante universitária também tem o seu interesse. Suponho somente que a repetiçao da sua seja fatal para Cristicchi, o torne aborrecido. Eis o preço a pagar por boas letras.

segunda-feira, abril 16, 2007

Double-shift

Por onde pára a Arte Pharmaceutica?

domingo, abril 15, 2007

hello and welcome




enigma . hello and welcome

Boas vindas ao nosso mais recente companheiro de escrita.

Adenda


What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind
(...)

"Ode on Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood", William Wordsworth (1770-1850)

sexta-feira, abril 13, 2007

é oficial (ou assim parece)

o meu telemóvel tem pouca afinidade para com líquidos, particularmente a água(achei importante partilhar este facto, não houvesse, ora pois claro uma consequência do mais agradável que há, proveniente deste mesmo), a revelação: uma verdadeira esquizofrenia após um banho totalmente involuntário da minha parte, e agora vivo neste verdadeiro limbo do: ora liga, ora desliga, imagem nem vê la, sons do outro mundo, enfim verdadeiras embirrações, legítimas depois de tanto maltrato da minha parte.
Estes telemóveis agora acham se na vanguarda da tecnologia (3G, bluetooth, e outras que tais), e pensamm se bons o suficiente para um bom pedido desculpas não ser suficiente, meus amigos isto é gente que não interessa a ninguém., isto é gente a quem a fama e o status tecnológico subiu à cabeça.
Já lhe prometi um secador para usar após o próximo banho involuntário, como bom uso do factor motivador psicológico, mas ele não cede, recusa se veemente a dar sinais de vida.

Mas adiante, a confirmar esta notícia, recuperar contactos vai ser uma tarefa, mas uma senhora tarefa digna de um esforço hercúleo.

Só os contactos, vá lá podemos negociar ? Clique no botão de ligar e a resposta do mais agradável que pode haver:

eeeerrrrrrrrgrrrrrrrrrrrheeeeeeeeeerrrrrrr (ruído inimaginável)

Assim sim, vale a pena a diplomacia!

terça-feira, abril 10, 2007

Primeira Vez

Esta é a minha primeira intervenção neste blog. Após algumas reticências da minha parte, lá acabei por aceitar o convite do PDuarte. Não sei bem se a minha escrita se enquadra na linha que veio a ser seguida até aqui. Vou tentar. No máximo o que me pode acontecer é ser mandado embora, contudo, como o blog tem este nome tão sugestivo ( generosità) pode ser que me aguente...

domingo, abril 08, 2007

O Esplendor na Relva

A minha bissectriz pelos anos 60: Deanie Loomis/Natalie Wood (61) e Eusébio (66). O belo canto da junventude, melífluo e eterno, esplendoroso. Sobre a relva.


Eu sei que deanie loomis nao existe
Mas entre as mais essa mulher caminha
E a sua evoluçao segue uma linha
Que à imaginaçao pura resiste


A vida passa e em passar consiste
E embora eu nao tenha a que tenha

Ao começar há pouco esta minha
Evocaçao de deanie loomis desiste

Na flor que dentro em breve há-de murchar
(E aquele que no auge a nao olhar)
Que saiba que passou e que jamais


Lhe será dado ver o que ela era
Mas em deanie prossegue a primavera
E vejo que caminha entre as mais


(Ruy Belo)



Eusébio
Havia nele a máxima tensao.
Como um clássico ordenava a própria força
sabia a conteçao e era explosao
havia nele o touro e havia a corça

Nao era só instinto era ciência
magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
do puro jogo e sua matemática.

Buscava o golo mais que golo: só palavra
Abstracçao. Ponto no espaço. Teorema
Despido do supérfluo rematava
e entao nao era golo: era poema.

(Manuel Alegre)