sábado, maio 02, 2009
Curto Bué o Teu Léxico
Chuck Norris Facts XX
Ui - não acabava mais. Precisadíssimos. Houvesse somente o capital para o contratar.
Chuck Norris Facts XIX
"Chuck Norris is currently suing NBC, claiming Law and Order are trademarked names for his left and right legs."
"Chuck Norris once roundhouse-kicked a ten dollar bill into 200 nickels."
Chuck Norris Facts XVIII
«Most people know that Descarte said, "I think, therefore I am." What most people don't know is that that quote continues, "...afraid of Chuck Norris."»
"Chuck Norris knows the last digit of pi."
Chuck Norris Facts XVII
"To be or not to be? That is the question. The answer? Chuck Norris."
"When Chuck Norris plays Monopoly, it affects the actual world economy."
Chuck Norris Facts XVI
"When Bruce Banner gets mad, he turns into the Hulk. When the Hulk gets mad, he turns into Chuck Norris."
Chuck Norris Facts XV
"Chuck Norris can judge a book by its cover."
"Nothing can escape the gravity of a black hole, except for Chuck Norris. Chuck Norris eats black holes. They taste like chicken."
Chuck Norris Facts XIV
«Fear is not the only emotion Chuck Norris can smell. He can also detect hope, as in "I hope I don't get a roundhouse kick from Chuck Norris."»
"Most boots are made for walkin'. Chuck Norris' boots ain't that merciful."
Chuck Norris Facts XIII
"Chuck Norris is the reason why Waldo [Wally] is hiding."
"Chuck Norris counted to infinity - twice."
Chuck Norris Facts XII
"When Chuck Norris does a pushup, he isn’t lifting himself up, he’s pushing the Earth down."
"Chuck Norris’ hand is the only hand that can beat a Royal Flush."
Chuck Norris Facts XI
"Outer space exists because it's afraid to be on the same planet with Chuck Norris."
"Chuck Norris does not sleep. He waits."
Chuck Norris Facts X
"Chuck Norris is the only human being to display the Heisenberg uncertainty principle -- you can never know both exactly where and how quickly he will roundhouse-kick you in the face."
Chuck Norris Facts IX
"Chuck Norris did in fact, build Rome in a day."
"According to Einstein's theory of relativity, Chuck Norris can actually roundhouse kick you yesterday."
Chuck Norris Facts VIII
"Some people wear Superman pajamas. Superman wears Chuck Norris pajamas."
"When Chuck Norris does a pushup, he isn't lifting himself up, he's pushing the Earth down."
Chuck Norris Facts VII
Chuck Norris Facts VI
"Chuck Norris doesn't bowl strikes, he just knocks down one pin and the other nine faint."
"It takes Chuck Norris 20 minutes to watch 60 Minutes."
Chuck Norris Facts V
"Chuck Norris has the greatest Poker-Face of all time. He won the 1983 World Series of Poker, despite holding only a Joker, a Get out of Jail Free Monopoloy card, a 2 of clubs, 7 of spades and a green #4 card from the game UNO."
"In the beginning there was nothing... then Chuck Norris Roundhouse kicked that nothing in the face and said "Get a job". That is the story of the universe."
Chuck Norris Facts IV
Chuck Norris Facts III
Chuck Norris Facts II
"Chuck Norris can eat just one Lay's potato chip."
"Chuck Norris is suing Myspace for taking the name of what he calls everything around you."
Chuck Norris Facts I
"If you have five dollars and Chuck Norris has five dollars, Chuck Norris has more money than you."
"There is no 'ctrl' button on Chuck Norris's computer. Chuck Norris is always in control."
"Apple pays Chuck Norris 99 cents every time he listens to a song."
Special Uan
Tem algumas de qualidade. Obviamente que também há ali parvoíce, despeito e má-fé. Mais bem, vale a pena ler o original - 'Chuck Norris Facts'.
quinta-feira, abril 30, 2009
O Velho
E ninguém o escuta.
Fala… baixo, a espaços
Sobre um qualquer país,
Mas todos passam demasiado rápido -
Ninguém percebe o que diz.
Fala de um Portugal,
E, no seu fim, de um futuro…
Que ver a vida assim,
O mata antes do duro momento.
E diz que… somos nós
Quem morremos,
Por consentimento,
Por já não querermos
Acreditar na vida,
A que ele se apega
Em sofreguidão.
No meio da nossa solidão
O velho arrasta-se, devagar
Olha atentamente quando fala
A cada palavra que embala -
Demasiado esforço para mentir...
Mas fala em lágrimas o pobre velho,
E todos passam,
Sem ninguém ouvir.
Pedro Oliveira
quarta-feira, abril 29, 2009
terça-feira, abril 28, 2009
segunda-feira, abril 27, 2009
O Super-Lelo
Mas um dia... o gang do Custódio Junco, mais conhecido por 'Lambreta' começou a vender as camisas Doce e Gabana abaixo do preço das outras bancas. Depois vieram as camisas da Grant, e os ténis da Rebook.
Era preciso trazer de novo à existência - o Super-Lelo.
Justamente no momento em que ia falar de forma mais veemente com Custódio Junco, os homens do gang andavam outra vez a meter-se com as suas irmãs. Enfurecido, o Super-Lelo deixou todos os anteriores planos para trás.
'Custódio: isto acaba aqui - e agora.'
domingo, abril 26, 2009
You Said Nobody Was Going To Be Here
Vem aí o calor. Talvez demasiado, talvez demasiado cedo. Mas vem aí.
Aproveitem-no da melhor forma possível.
Na Penitenciária
E há a mesma pena diária
A cumprir –
Por um crime que devia ter cometido.
Comprometido,
Assinado
Um qualquer tratado,
Um pacto acertado
De silêncio,
E os pecados a cometer,
Ficariam escondidos
Do mundo -
Sem ninguém saber;
Continuaríamos a dizer-lhe
A melhor forma de existir
(E então seria dele a prisão
De somente intuir…).
Pudesse eu.
E dizer que não sabia,
Conseguir perdoar,
Ver a jusante de mim
Um futuro elegante,
Por entre os tremores do passado;
Assassinos, meliantes…
Mas eu é que fui condenado.
E finjo não saber
Dessa dor,
Tenho medo que me deixe -
É a única amiga
Verdadeira
Entre estas paredes frias.
Tenho ainda pena a cumprir –
Disseram-me naquele dia -
Por não me saber encobrir,
Nem encobrir ninguém.
A ingenuidade
E um louco amor à verdade
São delitos
De se achar melhor.
A prisão terminava lá fora.
Mas eles calaram-se,
As transgressões foram consentidas -
E as paredes construídas.
Mas que me interessa
Ser o cárcere ampliado?
Eu
Não mereço estar condenado.
Como o amanhecer na prisão…
Que este sol ainda tem
Um pouco de calor,
E esqueço-me dos gritos,
Da dor,
Por um momento.
Esqueço-me de não saber
De uma história,
De um bom fim a este tormento.
Pedro Oliveira
The 90s Called - They Want You Back XII
Calma, home!
Trempe
Ti Zé Godinho*
Lá vem o Ti Zé Godinho
a cavalo no burrinho
o burrinho é fraco
a cavalo no macaco
o macaco é valente
a cavalo num trempe
a trempe é de ferro
a cavalo num martelo
o martelo bate sola
a cavalo numa bola
a bola é vermelha
a cavalo numa telha
a telha é de barro
a cavalo num cocharro
o cocharro é de cortiça
a cavalo numa chouriça
a chouriça é preta
a cavalo numa borboleta
a borboleta foi-se
o burrinho deu um coice
e acabou-se a papa doce.
in "Eu bem vi nascer o sol" - Antologia da Poesia Popular Portuguesa, de Alice Vieira
*título original: "Lá Vem..."
Momentos 18
Aquando da sua passagem pelo Departamento de Estupefaccientes, o seu rigor na composição dos elementos foi também aplicado na apresentação à imprensa dos resultados das apreensões da polícia. Fazia questão de apresentar as drogas por ordem alfabética, alinhava os pacotes, e dispunha as armas de acordo com princípios muito estrictos, e que os sucessores na função viriam a reproduzir.
Havia alguma paz de espírito na visão de estupefaccientes e armas assim ordenadas. Como se de alguma forma transmitissem a inevitabilidade da Ordem, a inexorabilidade da rectificação dos elementos - o castigo do Crime.
A sua técnica rapidamente se espalhou e tornou popular um pouco por todo o mundo. Foi baptizada de 'Feng Chuí' - e ainda hoje continua a ser desenvolvida.
Monstros vs. Aliens
Boa Acção do Dia 25
"Returning from picking up a prescription at a local grocery store, I told my husband that our new pharmacist longed to be a poet."
Aqui.
O Mesmo Nada
Porque só parece
Uma mulher bonita,
Que nunca conhecemos -
A mesma
História que quase esquecemos.
A vida irrita
Mais do que ensina,
Nessa teima de guardar
O que destina -
E quanto o queremos saber
Antes de dar
O primeiro passo.
Rua acima,
Segue essa mulher
De contornos vivazes no ar,
Chama a vida a provocar
Com o jogo do costume,
E passa perante nós o tudo
Que ao mesmo nada
(Ainda)
Se resume.
Pedro Oliveira
Sistemática Lúbrica
Além de uma relação discreta com a sexualidade, nas raparigas mais... curiosas pelo fenómeno do seu corpo, existiriam, segundo ele, mas por meio da minha Sistemática, as subespécies: 'porca' e 'ninfomaníaca'.
Não olhem para mim assim. Eu sou tão somente um ecrã com palavras aleatoriamente compostas. Onde está 'porca' poderia igualmente estar 'economia do Zimbabwe'.
Hei - também há os homens 'porcos'. Bem mais, até. Não tem nenhum mal (hum... embora...). Nós (os que filosofávamos, não confundir com a subespécie masculina anteriormente descrita) é que somos 'snobs' e 'copos de leite' para ir buscar essas distinções.
Mas acho que estão a perder a beleza da coisa. Que está, justamente, em considerar que 'porca' é a extremófila, a 'outliner' (considerando no meio da curva de Gauss a mulher com quem o sexo tem um valor não demasiado importante para a realização pessoal), a extremófila, dizia, sem ... 'sex-appeal'.
Porque o que ele não estava a conseguir expôr claramente é uma certa... discriminação. A 'porca', coitada, seria uma prazenteria sem 'finesse', onde a ninfomaníaca 'sabia o que fazia...' no que respeita ao sexo. Temos, pois, uma diferença de domínio do mester. Há quem tenha jeito industrial, há quem tenha jeito artesanal - embora, em ambos os casos, em grande escala.
Como classificaria Lineu estas duas subespécies? Hum? Sugestão: simplicius porcini e sabidonia ninfomani.
E pronto, srs. telespectadores. Por hoje é tudo. Despeço-me com amizade.
You Say Goodbye, I Say Have A Nice Weekend
Onde é que está aqui o problema? Existe um. É que eu não conhecia ninguém naquele respeitável estabelecimento comercial. E dou comigo a pensar que o 'bom fim-de-semana' exige uma certa familiaridade. Se os não conheço - porque me apoquenta assim a sua felicidade domingueira, hum?
Dizes que são preocupações da treta. Entendo. Mas eu chamo-lhe 'dramas da vida surreal', ou 'amizade com a vacuidade'. Mas o Seinfeld fez uma pipa de massa com isso - e eu estou aqui a lançar-me.
A questão é que um 'boa-tarde', mesmo um abrangente, equívoco 'bom-dia' teriam bastado. E eu ando a esbanjar cumprimentos. Nesta economia, não dá.
Mas bom, sempre é um motivo simples para reparar que falta Beatles a este blog.
sexta-feira, abril 24, 2009
Do Destino, De Enganar
Fugindo ao corrupio
À incerteza.
Amanhã,
Uma bala, voz, verdade
Seca e lesa,
Matou todos os outros planos
(Suspeito à noite).
Tentado
De novo, por já tentado,
Fracassado -
Sem saber de ter escapado,
Mas o caminho tão esquecido…
O prazer
É só um adiar fingido,
Dessa manhã,
E a noite (di-la-ão malsã),
A noite está em nós
Por ninguém sabe
Se a luz virá.
Há
Uma fuga dos sentidos,
Em atalhos repetidos –
Mas porque não me lembra enfim?
Quanto esses caminhos
Me alontanaram de mim.
Mas a noite (di-la-ão verdade),
E aos dias,
Circunstâncias -
Impostos de realidade,
Gritos escondidos pela novidade
De alguém gritar.
Não, já o disse –
Estou farto de andar
Por aí;
Sei que fui destinado -
Ainda antes de o amar -
A estar sozinho,
E é por isso que erro no caminho:
Todos sabem onde estar
E eu…
Não me posso abandonar.
Pedro Oliveira
quinta-feira, abril 23, 2009
As Imagens Transbordam
As imagens transbordam fugitivas
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
O impulso que há em nós, interminável,
De tudo ser e em cada flor florir?
Sophia de Mello Breyner Adresen (1919-2004)
quarta-feira, abril 22, 2009
Boa Acção do Dia 23
Boa Acção do Dia 22
Que sonho, que sonho - se pudesse ser tornado realidade. Leiam aqui.
"Pilot gasification plants are being set up at various sites in the US, Canada, France, the UK and Portugal, most of them using the plasma technique."
(bold meu)
terça-feira, abril 21, 2009
Moutinho
segunda-feira, abril 20, 2009
O Tsunami Vem Do Outro Lado
Como de costume, porém, não faltam futilidades, amíude por pessoas que não percebem o que se passa em torno do país.
É que o problema é interno - mas não é só interno! Tanta preocupação com o cá dentro - se o tsunami pode estar aqui ao lado.
Vale a pena ler o artigo. Vejam bem que os americanos (!) se preocupam sobre se a deflação espanhola os pode afectar. Os americanos. E nós? Bom - se amanhã jogar o Benfica ou o Sporting não é problema. Voltamos à autarcia - porque não?
Tempos houve em que alguns portugueses estiveram incomodados com o sucesso da Espanha de Aznar. Pois aí têm um país longe da glória, pleno de sinais alarmantes.
"Be careful what you wish for".
Baby Got Back
Cadeia de Montagem
Se a montagem só fascina,
E não o produto
Que a montagem determina.
Cadeia, nova sequência
Dos actos de uma prisão
Para os olhos -
A essência
Escapa à fascinação.
Escrita está
A solução
Para quem não queira
O destino de tanto olhar,
Para quem queira criar
E viver:
A cadeia de montagem
Só tem sobre nós vantagem,
Esquecido o fundamental:
A vida é uma viagem
Única -
Sem nada de industrial.
Pedro Oliveira
Pecado Original 33
O mais curioso porém, é o outro 'record' - como mulher: se não bastassem os atributos femininos, diria que inelutáveis, aparentemente, Ana é tão bem despretensiosa e inteligente - sendo, para além de modelo, empresária. Esteve, aliás, recentemente em Portugal a promover a sua marca de óculos. A propósito - faltou essa outra virtude: usa óculos.
Porque é que se riem, pois, quando eu digo que gosto de mulheres inteligentes? Hum?
domingo, abril 19, 2009
Velho Gasolineiro
Está o velho gasolineiro,
E ele – é estranho – não me julga
Se eu não tiver dinheiro
No cartão.
Desculpa-me a confusão,
Toma o plástico,
E dá-me o papel na mão
Com tempo.
O velho gasolineiro
Não teme a desconfiança,
A maldade, a desilusão;
Eu sei que ele gostava apenas
Que a vida tivesse menos
Artes de antecipação.
Nem lhe custa o perdoar,
Mas dói-lhe na alma saber
Que outros não costumam deixar
A uma alma distraída,
E às outras, uma saída,
Se Inferno súbito chegar.
Ainda tenho dinheiro
No cartão,
E mais um dia inteiro
Para gastar sem ambição.
Suspeito, dar-me-ia
Tudo mais o meu dinheiro,
Se eu lhe pudesse remendar
Estarmos
Sem saldo de amanhã,
Sem futuro para gastar.
Já não tenho dessa moeda,
Roubaram-me todo o capital,
Já o esqueci –
Não está bem,
Não está mal.
Velho gasolineiro,
Que antes sequer de dinheiro
Com que pagar,
Ofereci tudo o que tinha -
Ninguém o quis aceitar.
Que ter dinheiro no cartão,
E este nosso coração,
Velho gasolineiro,
Vai continuar só moeda
Fora de circulação -
Quer o queiramos,
Quer não.
Pedro Oliveira
Os Fundamentais 6
Hei - e não digam que há melhores exemplos. Não sejam elitistas. Afinal, quem é que não gosta de 'Barenaked Ladies', hum? Ainda por cima um vocalista com barriga e óculos? É ouro.
sábado, abril 18, 2009
Enciclopédia
Latitudes,
Crimes e júbilos,
Mercenários e nobre gente,
Verdades reais, equivocadas;
Sem ordem aparente, misturadas
São entradas
Desta enciclopédia.
Quase a fragância se sente
À vida antes de a viver,
E como o poderíamos saber
De outra forma?
Dela vamos informados,
Seus amores - e transgressores
Estão classificados
Pelo melhor dos tratados.
Que própria vida ainda
Se não pode ler:
A enciclopédia
Não ensina a esquecer,
Nem também a recordar;
Não escolhe as melhores lições -
Somente por citações.
Pedro Oliveira
A Minha Vida: Para Sempre Um Garoto
What All The Stink Is About
Para não me 'xingarem' ainda mais, nem sequer vou incorporar o vídeo. Mas continua a ser um facto que eu não consigo parar de rir com este anúncio.
sexta-feira, abril 17, 2009
Didn't Need To Hear That
Quando se vive no absurdo, quando não há regras ou limites distintos, a estupidez momentânea - essa que passa pela mente num 'vibe' - sente-se em casa. Dorothy: estamos definitivamente no Kansas.
Dei comigo a pensar nisto no outro dia quando ouvi uma rapariga dizer um palavrão de camionista. Ou de puto rebelde que quer chocar os pais. Não é que eu não diga palavrões, ou seja sexista - e daí talvez eu seja um bocado sexista nesse aspecto. Mas o chocante ali foi a gratuitidade e o 'out of the blue' da coisa. Enquanto os demais cumprem regras de convivência e civilidade, há quem as fure, e deite cá para fora o que não deve. Uma espécie de incontinência verbal.
Esta incontinência, parece-me, está muito em voga, em virtude justamente desse 'normal absurdo', e vai além do palavrão gratuito e chocante, para chegar à excentricidade repetida da falta de lógica, ou de moralidade básicas (mesmo para humor). Tem, assim, outro sinal patognomónico - a boutade. Em suma, delicia-se com este deserto de lucidez que se tornou Portugal.
Um dos temas favoritos da boutade é, nesse mantra de 'espantar o burguês', a sexualidade. Nomeadamente das formas de perversão da sexualidade*. Clássico: dar a entender (levando nós uma 'sheltered life') que certas realidades chocantes existem bem vívidas, e que nós nos cruzamos com elas todos os dias.
Se alguém perguntar por factos - não há. 'Fact-checking' é só um estrangeirismo manhoso usado por indivíduos de óculos que perdem tempo com blogs. Se alguém aprofundar a conversa (uma surpresa, aliás, dado que o tema é supostamente 'para não mexer ainda mais', a não ser por uma espécie de desejo necrófilo), é-se sempre desviado, sobretudo com a justificação subentendida de 'não nos perturbar mais' com a dura realidade - quando o maquiavelismo está, exactamente, em deixar tudo suspenso, difuso, ambíguo. À boa maneira portuguesa, o subjectivo é senhor do objectivo.
Seja pelo palavrão gratuito, seja pela boutade de conteúdo explícito, perverso, incompleto, configura-se na sociedade portuguesa, no microcosmos de uma conversa aquilo a que eu gosto de chamar o 'movimento streaker'.
Tens um pensamento perturbador? Conheces uma notícia sórdida? Então manda cá para fora, quando as pessoas estiverem a comer ou a pensar em coisas sérias! É despires tudo e mostrar 'your stuff' para o público. São os teus quinze minutos de fama, a libertação! Uuuuiiiiii! Bora lá.
A gente tira logo o preconceito do civismo e mostra a realidade nua e crua aos olhos preservadinhos desses copos de leite! Nem interessa se sabemos da coisa, ou se ela é verdade! Estamos com a coisa a roer na mente. Os jornais e a televisão também não seguram as cuecas - porque haveríamos de o fazer? Interessa é que fica na retina essa corrida em pêlo pela falsa moralidade! Está cá fora... Uff... Que alívio!
Ah, todos os 'streakers' portugueses fossem como este senhora, com o perfil ideal para a primeira 'streaker' de Wimbledon...
Na verdade, a metáfora mais ajustada seriam aqueles senhores barrigudos em meias, fugindo de outros senhores fluorescentes, com "ultra-mega-über-casino.com" toscamente pintado nas costas. Urghhh... "didn't need to see that".
E o mesmo se aplica na perfeição aos 'streakers' tugas hodiernos: urghh... "didn't need to hear that".
quinta-feira, abril 16, 2009
Os Fundamentais 5
Faites vos jeaux, mes amis. Mais les jeaux... ils ne sont jaimais faits.
Os Fundamentais 4
quarta-feira, abril 15, 2009
Nerd-Wannabe
Foi a propósito de uns cartoons 'nerdy' (famosos, embora) que eu conhecia e esta simpática americana não, e lá lhe disse: 'Well, I'm a nerd... You've probably caught up on that'.
A verdade, porém, é que eu não sei se ainda sou um 'nerd'. Já fui, sabia imenso de imensas coisas - mas depois parece que me desleixei. Mas porque é que eu fui jogar à bola?...
Fiquei a modos que um 'pseudo-nerd', um 'nerd-wannabe' (so sad...). Mas... sei lá. Ela pareceu aceitar a coisa, fazia-lhe sentido. Toma lá: 'certified nerd'. I hereby state that Zé Júlio... etc, etc.
Riam-se, riam-se. O certo é que se eu um dia for ao Kentucky tenho uma amiga. Pode acontecer - porque não?
terça-feira, abril 14, 2009
Boa Acção do Dia 20
Mas a realidade desafia esse limiar. Parece que há porcos que ainda voam mais alto. E a seguir ainda mais porcos, ainda mais alto.
A notícia do Correio da Manhã, que refere a acorrência de crianças subnutridas ao Hospital Amadora-Sintra é mais um novo 'sub-zero'. Eu já nem vou usar o chavão 3º mundo, porque me ocorre melhor algo como 'Twilight Zone', 'Quinta Dimensão'.
Crianças. Sem alimentação. Por causa de uma crise que, aparentemente, não impede grossas reformas de continuarem, programas estatais de toda a sorte. Crianças com fome? Mas há Jaguares num Portugal com crianças com fome? Achas populista o comentário? Concedo, mas da discussão à volta disso estamos todos, aí sim, de barriga farta.
Nesse outro ponto terás mais razão... São os pais que não prescindem do acessório - eles não enganam. Pode ser. E já acontecia antes desta crise. Até, no limite dos limites (hei - estamos na Twilight Zone, não há regras) se pode fazer um ensaio sobre maquiavelismo infantil (vive la folie!)...
Mas... e depois? Quanta falta de lucidez neste país autofágico e demitido impede de ver, onde nunca tal deveria acontecer, crianças com fome? Ponto. E de o dizer - não é admissível. Ponto. Por nenhuma teoria ou justificação. Não é para isso que milhares são gastos em assistência social, não é para isso que impostos são pagos, cargos são ocupados.
Há uma emergência, todos o podemos perceber. Mas antigamente poderíamos também dizer que há inocentes, e que há culpados. Antigamente.
Momentos 17
Um dia porém, Elícito pensou em deixar de uma vez a sua aldeia. Teve uma ideia. 'Tenho uma ideia, mulher!', disse ela à mulher Joaquina. 'Vou ficar rico! Vais ver!'. E partiu para a Cidade.
Na volta, Vergílio vinha, de facto, mudado. Conduzia um carro de alta cilindrada, e vestia fato de bom corte. Bateu à porta e chamou Joaquina 'Viste, mulher? Eu não te disse que ia ficar rico?'. 'Oh homem!, ai valha-te Deus', disse Joaquina, com ambas mãos na face.
A mudança da sorte de Vergílio - ocorrida somente em dois meses e meio - levantou muitas perguntas na aldeia. Ninguém sabia ao certo que negócio fantástico tinha sido aquele. Havia conversa de venda de vinho a martelo, ou mesmo da venda dos direitos para um 'reality show' campesino. Ninguém sabia ao certo - e ele escusava-se a esclarecer os curiosos. 'Cá coisas minhas, compadre!', costumava responder à pergunta certeira.
E desde esse dia ficou cunhado na aldeia, em referência a riqueza de origem não inteiramente clara, o termo 'enriquecimento Elícito'.
segunda-feira, abril 13, 2009
sábado, abril 11, 2009
Os Faróis Ligados, Metáfora e Desconforto
Mas não. Depois de sair da bomba de gasolina é que eu percebi esta inusitada atenção. Eram os faróis, Zé Júlio! Estavam ligados, home. Méképossível...? É - comigo até é. Mas aquele olhar a criticar o desleixo alheio - o meu, no caso - lembrou-me uma metáfora genial: os faróis ligados na altura errada são a 'berguilha aberta' de um condutor. 'Ehhh... que vergonha! Fecha isso, pá!'. O quê? 'Os faróis, pá! Os faróis! Então levas essa m**** ligada ao meio-dia?! Fecha isso, pá. Hoje não é dia de enevoamento! [risos]'.
É um desleixo juvenil que ninguém gosta de ver. 'Que vergonha!'. A não ser que seja numa estrela de rock excêntrica, que faça disso um 'fashion statement'. Ainda assim, duvido que possa andar com os faróis sempre ligados.
Dor de Cavaleiro Andante
Dor de cavaleiro andante,
Às vezes quase bastante
Para um copo cheio…
Copo que tenho diante.
Que a dor é ainda um meio,
Filante, em líquido anseio
Pelo concreto fim.
Sei o sabor do que pode,
E sigo estrada, rio-me enfim.
Pedro Oliveira
Suave Pergunta
De não querer saber.
Ira que desponta,
Rugido a roer,
Vida que remonta
Entre a placidez,
Vida, vida tonta
Pergunta que afronta
Ainda outra vez.
Pedro Oliveira
quinta-feira, abril 09, 2009
Atrás de Mim Virá Quem Bom de Mim Fará
Orgulho Nacional
Depois de um Sporting que era preferível não ter ido à Champions, e de um Benfica que nem ao menos foi, os parabéns ao Porto. De baixo, a mostrar aos gabarolas como é que as coisas são. Orgulho nacional, sim - com todas as letras. Dito por um sportinguista.
Vazio
Um homem vazio
E sem coração,
Não tem mais vida,
Não tem mais senão
Que a sua teoria,
E consolação.
Generosidade,
É um homem velho
De qualquer idade,
A quem a morte pediu -
E ele assentiu -
A cumplicidade.
Doseia o Diabo,
E a dor nos outros,
Escuta o seu pedido -
Só mais um bocado,
Sem a tentação
De si oferecer,
Sem avaliação,
Sem que o possam ver
Da vida esconder
Sua traição.
Só deixa aos demais
Aquilo que não pode
Por arte jamais
Um dia esconder –
A sua lição:
O desenho que é só rascunho
De sobreviver.
Pedro Oliveira
Os Fundamentais 2
Não existe pecado do lado de baixo do Equador
Vamos fazer um pecado, rasgado, suado a todo vapor
(...)"
da canção "Não existe pecado do lado de baixo do Equador", de Chico Buarque.
terça-feira, abril 07, 2009
segunda-feira, abril 06, 2009
Filho de Ulisses
Desculpa se não sou quem procuras,
Ou não quero ser,
E podes ser tu quem quiseres
Tentar enquanto o não disseres,
Mas nunca, nunca convencer -
Em ti o deves saber.
Diferente,
Que estou certo de encontrar.
Ah, e tu dirás
Que gente é essa
Com que teimo em sonhar…?
Mas esse sonho tem que existir,
Essa ilha perdida no oceano
E navegarei, sempre a sorrir,
Filho de Ulisses,
Nunca na rota
Do teu engano.
Pedro Oliveira
domingo, abril 05, 2009
Boa Acção do Dia 19
A propósito do Ano Internacional da Astronomia, de que tomei conhecimento nos posts de José Pacheco Pereira no Abrupto, e de uma sugestão, do Edu, acerca de um anúncio muito especial, a vós de reflectirem o quão insignificantes somos realmente, neste mundo. Vale a pena ler e escutar, por ele mesmo lido, todo o texto de Carl Sagan.
E é por tudo isto que eu, tolerante com todas as pessoas, só não tenho paciência para quem não tem o mínimo de humildade na sua existência - ou finge ter. Mas nesse aspecto, basta recordar Einstein: "Two things are infinite: the universe and human stupidity; and I'm not sure about the the universe".
"From this distant vantage point the earth might not seem of any particular interest. But for us it's different.
Consider again at that dot. That's here. That's home. That's us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every "superstar," every "supreme leader," every saint and sinner in the history of our species lived there--on a mote of dust suspended in a sunbeam.
The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner, how frequent their misunderstandings, how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds.
Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the Universe, are challenged by this point of pale light. Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity, in all this vastness, there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves.
The Earth is the only world known so far to harbor life. There is nowhere else, at least in the near future, to which our species could migrate. Visit, yes. Settle, not yet. Like it or not, for the moment the Earth is where we make our stand.
It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. To me, it underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the pale blue dot, the only home we've ever known."
É que, para além da nossa - relutante - insignificância... "el tiempo corre muy deprisa".
sábado, abril 04, 2009
Homem Livre do Mundo
Que livre, enfim, seria
Se nesta prisão quisesse
Da liberdade, o dia.
A vida a cada manhã
A vida que à rede calha
Maré, após maré,
Na busca
Do meu leviatã.
A dor alheia, mas nunca estranha,
Eu sou o homem que escolhi -
Se a vida nunca se ganha,
Eu jamais a perdi.
Que espera, e nunca desiste
E não sou homem que me gabe,
Amo só aquilo que existe,
Temo só que o pouco acabe.
Pedro Oliveira
domingo, março 29, 2009
Boa Acção do Dia 18
Que me perdoem quebrar a regra de somente elogiar gratuitamente outro português quando haja morrido, mas as referências de FJV a outros blogs - sempre de grande qualidade - merecem a tal arcaica distinção de 'classe pessoal'.
E depois, claro, quem tenha lido as crónicas de António Sousa Homem (a mais bela 'faena' literária contemporânea de que me recordo enquanto leitor), ou, como eu, considere a revista 'Ler' provavelmente a melhor revista portuguesa neste momento (apesar de temática), tem mesmo que, face ao panorama de aridez consentida na sociedade portuguesa, elogiar FJV.



























