segunda-feira, junho 02, 2008

Time Travel: Melrose Place

Deste ainda me lembro menos. A não ser, claro, da Heather Locklear. E não sabia que lá estavam já a Marcia Cross e a Kristin Davis. As coisas que um escarafunchador lusitano descobre. Desta série lembro-me sempre do meu espanto perante aquela vida de condomínios fechados. É verdade - éramos assim tolos naqueles anos, como diria o Eça. Agora, que havia ali muita... qualidade feminina, havia concerteza. Revendo os genéricos, os homens parecem todos iguais, maxilar quadrado, "all-american", excepto aquele com cara de cavalo, mas que eu acho que ficava sempre bem servido. Era o "sensível", apanhado em ataques românticos de uma vizinha quando ia inocentemente despejar o seu saco de lixo. Será que existem condomínios destes em Portugal? Deve ser em Ermesinde. Tenho que insistir: Heather Locklear, Marcia Cross e Kristin Davis juntas. Já viram bem? Bonito serviço.


Time Travel: Beverly Hills 90210

Ok. Desta não me lembro tão bem. Mas lembro-me muito bem da Jennie Garth, como da Tiffany Amber Thyssen, que veio depois. E isso vale ouvir de novo a música do genérico. Honestamente, eu via pouco disto. Mas basta-me o que me lembro.


Time Travel: Parker Lewis

Pergunto-me se o Parker Lewis dava na TV de manhã ou à tarde. Alguém se lembra? Julgo que era de manhã. Se calhar esteve nos dois horários. Surpreende-me pensar que seria difícil, hoje em dia, reproduzir algo como este programa juvenil: com qualidade, mas sem cruzar a linha. Havia uma certa... moralidade? Com o universo da net, e as magras esperanças de um futuro, as novas gerações estão mais ácidas e sabidonas que a minha. Pode ser que eu esteja enganado nisso, quem sabe. Agora, que havia mais "estilo" e vida juvenil, maior separação entre jovens e adultos, havia. E, no entanto, os últimos anos têm sido tão confusos: não são somente os jovens a fazer de adultos, são também os adultos a fazer de jovens. Só para o caso de a coisa dar para o torto, ou não, vamos recordando o estilo "cool" de Parker Lewis, dessas primeiras juventudes, que parecem nunca ter sido experimentadas pela Humanidade antes.


Nota: As minhas desculpas pela insuficientes qualidade do vídeo acima, mas foi o único genérico da série que encontrei. Tentarei não repetir a desfaçatez.

domingo, junho 01, 2008

Time Travel: A Minha Geração No Campo, No Écran, No Coração





Agora que eles vão deixar os relvados, a homenagem aos dois melhores futebolistas portugueses da minha geração: Luís Figo e Rui Costa. Qual deles o melhor? Difícil dizer. Figo teve uma melhor carreira, do ponto de vista objectivo. Rui Costa, contudo, manteve melhor a essência do jogo. Estou ainda para saber qual deles tem razão na sua abordagem, ao jogo e à vida: a 'realpolitik', o pragmatismo desapaixonado, o individualismo de Luís Figo, ou o espírito de grupo, a nobreza, no sentido mais antigo, de Rui Costa. Talvez Figo seja mais um "women's man" e Rui Costa um "men's man". Quem sabe. E talvez, também, este país, esta equipa, seja feita, às vezes, da soma dessas diferentes virtudes - como desses diferentes defeitos - num relvado. Diz que então surge essa coisa antiga de "poesia".

Estiveram ambos na melhor equipa nacional de que me lembro: a do Europeu de 2000. E o jogo do 3-2 contra Inglaterra terá sido, talvez, o que mais me marcou de todos os da selecção.

Foram enormes, cada um a seu jeito. Enfrentaram as dificuldades da vida (quem se lembra delas?) de maneira diferente - e venceram. Menos exuberantes ou explosivos, estes foram dos últimos genuínos "lusitanos". Tiveram que respeitar mais regras, mais tempos. Olhem para Cristiano Ronaldo: é quase um jogador brasileiro... Quem sabe isso seja bom. Quem sabe, a partir de determinado ponto de desenvolvimento, os dois países estejam mais parecidos. E no entanto, algo se perde. Há sempre algo que se perde.

Outros virão. Melhores, piores - quem sabe? Estes foram os que marcaram a minha geração - e por isso são insuperáveis.

Time Travel: Tutti Frutti

E desta? Quem é que se lembra desta? Pois é, meus amigos: o "Água na Boca". O que é que disseram? Pois é. É bem verdade. E vocês pensavam que o Damon Albarn estava a olhar para onde?

Time Travel: It's a Century's Remedy

Ainda se lembram desta, meus caros? Ah, aqueles serenos anos 90', entre a queda do Muro e o começo da era terrorista. Definitivamente, uma das melhores décadas da Humanidade. Vale a pena recordar algumas coisas.


quinta-feira, maio 29, 2008

Atrás do Balcão da Farmácia: 3 Ps + 1

Paroxismo, Provação, Preserverança: são palavras exageradas para situação, mas as que ocorrem à mente. É o que ocorre quando as pernas gritam abafadas, suas dores de um dia em pé, onde sobre elas são gizados raciocínios complexos, esforços de diplomacia, de civilidade, de educação. Onde sobre elas, sobre o esforço físico, é erigido o esforço psicológico. Esforço - eis outra maneira de hiperbolizar. Ah, soubéssemos nós o que é o esforço. E soubéssemos nós o que são dificuldades. E soubéssemos nós o quão a vida é difícil.

Há as velhas irritantes, demasiado à vontade com elas mesmas, e que portanto não vêm qualquer problema em consumir o nosso precioso e intenso tempo de vida, ou tossir para cima de nós, ou reclamar egoisticamente algo mais. São as "Jaba The Hut" com que há que lidar. Há as pessoas que desconfiam, "borderline" confissão, da inexperiência que "cheiram". E há as que, raras, não resistem a mandar as duas pedras que têm em cada mão. Felizmente, as poucas que se afoitaram escolheram o novato errado. Valem, por isso, as pessoas de coração, de doçura e cortesia, de paciência. As que percebem que a mais básica premissa na nossa mente é mesmo a sua Saúde, o seu dinheiro, que tudo seja realmente feito "como deve ser".

Mas, além dos 3 Ps que, acima, compõem o tripé de uma hipérbole, há ainda um novo. Houve um P que, ontem, iluminou o meu dia, de novato em farmácia suburbana, como eu nunca julgara possível. O nome que a senhora desejava na factura tinha os três primeiros banais. Mas depois havia o apelido, e a senhora, preparada que estava para o ter mal-entendido, repetiu-o, soletrou-o. E eu, de cada vez, não podia acreditar. "Pratt: pê, erre, à, tê, tê". Não podia ser... Não podia ser, aquele apelido, ali, tão fora do contexto de onde eu o conhecia. Como podia haver algo remotamente relacionado com Hugo Pratt naquela farmácia, plantada num caótico subúrbio lusitano? Não podia ser. E eu não podia resistir. "É da nossa família. Somos descendentes". O quê??? Família do Hugo Pratt, o criador de Corto Maltese e um dos nomes primeiríssimos de toda a BD mundial??? E lá me confessei, lá perguntei algo mais, lá continuei a impressão da factura e o processo do troco, parvo no meu deslumbre.



Das duas uma: ou me pregaram a mais refinada e malévola peta (mas não é que as feições da senhora até têm algo de parecido?), ou houve ali um raio de Sol, desse a que só os que gostam de cultura, e admiram a inteligência conseguem sentir na pele, a irromper sobre a rotina, o amadorismo, o "casting" para uma profissão, o tactear pela natureza humana ao balcão. Eu vou acreditar na primeira e repetir: extraordinário. Simplesmente fabuloso.



O Trigo e o Joio

Eles falavam do "O.C.", e acho que devo ter gostado moderadamente da primeira época. Como fiz para esse mito que, para mim, é o "House". Também falavam dele, aliás. E do "Lost". E do "24". Se me permitem: blaargh... Nem pensar, meus caros. "Sopranos"? Reconheço que tinha qualidade, como reconheço um tema que não me interessa, um excesso de violência gráfica e verbal - nunca fui fã. "Donas de Casa Desesperadas"? Não brinquemos... "Grey's Anatomy"? Simplesmente enjoativo. "Prison Break": talvez mais 'give me a break'. "CSI"? Nem me meti nisso. "Dexter"? Não vi, mas o conceito está muito, muito longe do meu estilo.

De todas estas séries se tem falado nos últimos anos, e todas achei, contra a corrente, medíocres. Alguém há-de me perdoar este pedantismo. Agora... há provas de que não é o meu gosto refinado em excesso.



Californication. Simplesmente genial - já tem uma prateleira à sua espera. Ele há qualidade que emerge, de tempos a tempos, pela rotina. Por mais popular que seja a rotina. Mas, lá está, eu detesto a rotina. Como, não por mera coincidência, o detesta Hank Moody.

Se mais não valesse, é o regresso do grande David Duchovny. Como dizia um anúncio à série: "de X a XXX-Files".

domingo, maio 25, 2008

De Corpo e Alma








Acho mal os treinos de Portugal estarem cheios de jornalismos da treta e barraquinhas de aldeia e não terem estas coisas. Quer dizer, há lá melhor maneira de concentrar os jogadores que mandar uma miúda em biquini pelo treino? Eu digo que não. É certo que tenho assistido a poucos treinos, mas se houvesse miúdas de biquini assim certamente teria assistido a mais. Só mesmo o Gattuso para ficar impávido e sereno perante a coisa.

Desde logo, acho que os italianos têm aqui uma vantagem injusta sobre nós. Caramba, nós devemos ter jornalistas portuguesas que podiam fazer isto pelos nossos jogadores. Depois queixem-se do rendimento. Ninguém duvida que existe talento, mas falha sempre a concretização...

Fim-De-Semana

E pronto: mais um belo fim-de-semana. Mal posso esperar pelo próximo.


quinta-feira, maio 22, 2008

Nerd To The Bone 1

Diz ele ao passar por alguém, em tom de alguém conhecido, numa rua conhecida. “- É X!”. Olha. É X. E quem é este X que espanta, e assim provoca este deslumbre de reconhecimento?

Cláudia Vieira? Cristiano Ronaldo? José Mourinho? Vanessa Fernandes? Cavaco Silva? Belmiro de Azevedo? Rita Andrade? Liliana Queirós? Raquel Strada? Isabel Figueira? (Espera… estou-me a perder aqui para o final).

Não, meus amigos. X era o Nuno Crato, professor universitário de Matemática, colunista de Ciência no Expresso e participante na mesa do 4xCiência na RTP-N. É triste? Discordo. A questão não é que eu o reconheça (que desde logo o merece). A questão é que eu também reconheço os outros (ou, mais importante, talvez – as outras).

Ainda assim, reminescências da costela “nerd”. And proud of it.

A Ler



Eis a nova revista Ler, de novo sob a direcção de Francisco José Viegas. Agora com periodicidade mensal.

Leiam-na, é o meu tão simples conselho. Vale a pena. Relembro que vos fala um desencantado com a imprensa portuguesa contemporânea.

Best of Santana

Anteontem, passei, no zapping, pela entrevista de Santana Lopes na Sic Notícias. E, olhando para o homem e para os argumentos, lembrei-me de que já lhe pretendia dedicar uma música aqui no Generosità. Uma música que podia, justamente, ser cantada por ele. E que, apesar do requinte sacanita de Eric Burdon, dos The Animals, sempre lhe ficava melhor que o "Menino Guerreiro".



"But I'm just a soul whose intentions are good
Oh Lord, please don't let me be misunderstood..."

segunda-feira, maio 19, 2008

Is There a Doctor In House?

Uma das coisas engraçadas de trabalhar no ramo da Saúde é comprovar na prática a teoria de House: toda a gente mente. Toda a gente mesmo. Há um aproveitamento do stress especial que rodeia a assistência, um princípio de dúvida especial - a Saúde é um bem supremo, qualquer erro é fatal, e a ponderação de um pode ser a oportunidade de outro. Que pena ser assim. E eu nem gostava muito da série. Sempre achei aquilo uma folia do diagnóstico diferencial levado ao extremo. Sempre achei aquilo uma perversão da profissão, da arte clínica. Mas eis-me outra vez nos saudosismos do artesanal. Raios - sempre de volta ao mesmo queixume.

Requiem Para Um Jogo

Talvez o meu problema com o futebol, tal como ele está, decorra essencialmente desta necessidade que seja o sorvedouro das paixões da sociedade. Tanta pressão é posta sobre o jogo, que o jogo é cada vez mais uma indústria. Há já alguns anos a esta parte, assistem-se a vencedores absurdos da Liga dos Campeões, a futebol enlatado - como o do Chelsea de Mourinho - glorificado como arte, a falta de tempo, falta de paciência. Não me revejo nesse jogo. Não é aquele que eu gostava de ver e jogar. Tão distante está do artesanal que não possui um átomo de arte. Mas isso, afinal, é o paradigma dos tempos modernos.

Vejam por exemplo a recente vitória do Sporting ao Benfica na Taça. É certo que foi um jogo justo, e até eu me chateei com benfiquistas que inventaram arbitragens ou penaltys num jogo, ímpar no Sporting, em que não houve uma expulsão, um penalty, um livre - só golos corridos. Agora, escapa aqui o fundamental - como sempre. Se a vitória fosse do Benfica o mecanismo de reacção seria exactamente o mesmo. Ou ainda ninguém percebeu, de uma vez por todas, que numa sociedade deprimida, quando uma metade ganha assim um jogo entra em euforia parva, e a outra metade entra em depressão hipersensível? Eis como um epifenómeno no futebol revela a energia social insana que sobre o jogo é depositada.

E é justamente isso que o assassina.

Afinal o Mal é De Família

Notícia "fait-diver" do La Vanguardia. Parece que o mal também ataca os "hermanos". E depois diz o Pacheco Pereira que a coisa é um problema português. Está mais bem internacionalizado. Não faz mal. Mais fica para aqueles que, como eu, cada vez se sentem mais divorciados do futebol. E sem pena nenhuma disso.

Pero Que Lo Hay, Lo Hay

Isto da verdade é uma coisa que dói um bocado. Mas vale sempre mais essa dor que viver a mentira. Ora leiam lá estas declarações. Diz exactamente a verdade, Carod-Rovira. Existe paternalismo do estado espanhol em relação a Portugal. E eu estou perfeitamente à vontade para o dizer, gostando sinceramente do país vizinho. Pero que lo hay - lo hay. É mesmo assim. E a culpa, realmente, é dos nossos políticos, que se "ajeitam". E depois chamam à coisa "diplomacia". Curioso. Meus caros, vejam se acordam e cheiram o café. A sorte é a coisa não ter, por enquanto, problemas. Quando o "empurrãozinho" se tornar "cotovelada" basta ver para onde é que a Espanha vai. Aí é que a verdade irrompe violentamente por um surpreso "afinal...". Fica aqui o aviso.

P.S.1: o facto de que Saramago negue esse paternalismo só o confirma

P.S.2: Está enganado Carod-Rovira ao considerar que hoje, não fossem as vicissitudes da História, poderia ser a Catalunha independente e Portugal região espanhola. Há mais tomates nessa salada. E a coisa de dar jeito a Portugal que Espanha se fragmente... meu caro, não vá por aí. Não deixar que a Espanha seja paternalista, é uma ajuda, puxar-nos para essa carroça já não nos interessa. Amigos, amigos, nações à parte.

P.S.3: Assumir esta postura é, curiosamente, a que mais me diverte. Chateia os políticos portugueses, metade deles subservientes, outra metade com uma diplomacia de "raposão" que não se sabe bem no que resulta (eu digo que em nada). E depois, claro, chateia os políticos espanhóis, que vêm assim lixadas as suas contas para este lado. Dava para tomar uma "copa" com o Carod-Rovira. E já ando com saudades daqueles "bocadillos" de presunto.

domingo, maio 18, 2008

Ele Há Coisas Simples

Há coisas que eu, realmente, não percebo em José Pacheco Pereira (JPP), por muito que faça questão de o elogiar em vários domínios. Ora, neste texto, volta JPP a criticar o... onanismo emocional (perdoem a força da expressão), a exploração dos sentimentos mais básicos, por parte da televisão. Mas, afinal, o que é que queria JPP? A sociedade é livre nesse sentido, como ele sempre reclamou, e bem. É livre e popular. E isso a prazo significava sempre que iria ser açambarcada por e, sobretudo, para o homem-massa de Ortega y Gasset. Onde é que está a surpresa, caramba? Qual o espanto? Como quer JPP que por lá seja veiculada hoje a "virtude"? É a lei do dinheiro, da quantidade, do "scaling-up". E ele conhece-a muito bem. Estava à espera de algum código de conduta por parte dos "media"? É sempre residual. Basta atentar no modelo americano, que tantas vezes elege, para perceber - de uma vez por todas - que a coisa, quando muito, tem tendência somente para piorar.

Ele há coisas simples, verdadeiramente simples, a que parecem cegos alguns homens inteligentes.

sábado, maio 17, 2008

Pedro e o Logro II

Para demonstrar a minha solidariedade - homónima - para com Pedro Passos Coelho, é à volta com fitas para amigos, vou publicar aqui no Generosità uma explicação para esses excêntricos portugueses que são os Pedros.

"Pedros nem vê-los, mas sempre é bom na terra havê-los”

Um dia, estava Deus a criar o mundo. Como já tinha criado o sol, estava um belo dia.


Depois do seu café matinal, decidiu ver como iam os trabalhos. Passando pelo atelier, perguntou: “- Oiçam lá, quem é que está encarregue do departamento dos humanos?”. Responderam-lhe prontamente: “- É o eng. Adão”.

Chegado ao seu escritório, disse-lhe Deus: “- Ó eng. Adão, importa-se que eu o interrompa só para perguntar uma coisa?”.
O eng. Adão não se importou.
“- É o seguinte: andei ali a ver os planos para os humanos e gostei. Como é que isso está a andar?.”
“- Está bem, bastante bem. É um sistema nervoso um bocado complexo, mas estamos quase lá”.
“- Óptimo. Eu também acho que vocês têm feito um excelente trabalho. E para o recompensar vou deixá-lo dar o seu nome ao primeiro deles que criar”.
“- Muito obrigado”, disse o eng. Adão, entusiasmado.
“- Só gostava de discutir consigo aqui uns pormenores. É o seguinte: eu acho que está tudo muito bem estruturado, mas eu preferia que houvesse um certo elemento de variação”.
“- Estou a ver”.
“- Quer dizer, você podia juntar às personalidades que tem aí um tipo de pessoa assim especial. Estava a pensar num perfil teimoso, rezingão, com a mania que sabe tudo. Uns indivíduos inflexíveis, mesmo na parvoíce. Teimosos como pedras. Já inventámos as pedras?”
“- Já sim, isso está feito”.
“- Então é isso – inclua-me aí uns tipos teimosos como a pedra".
“- Certo. Até lhes podia chamar Pedro”.
“- Excelente ideia”, disse Deus. “- Vai ver que as coisas com eles vão ser muito mais interessantes”.

Foi assim que surgiram os Pedros. E, por alguma razão, eu vou teimar nesta história.

Pedro e o Logro I

Volto a dizer que simpatizo com Pedro Passos Coelho. Como pessoa, claro. O tempo corre contra ele. Eventualmente, virá o fim da época estival e as pessoas vão perguntar-se: "mas que profundidade é que este tipo tem, afinal? Ele diz que é liberal, mas alguma vez teria "caparro" para exigir isso ao povo português, para o justificar? Alguma vez teria experiência, dureza, para abarcar convulsões sociais?". Não digo que a resposta seja necessariamente negativa, mas... acho que o tempo corre contra ele. Ainda não, é certo. Ainda pode exercer esse efeito surpresa. Volto a dizer que é agora que surpreende pela positiva. É aproveitar, porque assim que tiver uma vantagem clara sobre Santana Lopes, vai receber o seu apoio - e, receio bem, capitular.

Agora, o que não o ajuda nada é, na legenda do écran na RTP1, aquando da sua entrevista ontem, aparecer a indicação: "Liga dos Últimos". Isso é maldade, mesmo.