sábado, maio 05, 2007

Pecado Original 10



Jessica Alba.

P.S.: O ênfase no crucifixo nao é, obviamente, da minha responsabilidade. Mas um olhar tao perfeito seguramente sobrepoe-se a essas imperfeitudes.

Do Amor

Nos primeiros anos de consciência feminina julgo que o Amor é mais uma atracçao (passada a física) pelas virtudes de uma mulher. À medida que o tempo passa, e a atracçao física requer ainda o seu primado, o Amor passa talvez a ser uma atracçao pelos defeitos. Como se soubessemos que sao os nossos, como se os sentíssemos familiares, diabos conhecidos. E, afinal, para as virtudes sempre em nós há a convicçao, talvez masculina, que sao perfeitamente trabalháveis. Basta-lhes uma força de vontade, um trabalho em comum, uma resposta às circunstâncias.

Suponho que é uma boa maneira de avaliar a nossa idade psicológica, a nossa capacidade de compromisso a uma paixao: Que amamos nós mais neste momento (depois do físico)? As virtudes ou os defeitos?

Do Perdao

Ele gabava-se de ter a capacidade de perdoar quase todos. E lembrava-se desse dito francês: "compreender tudo é perdoar tudo". Sentia-se magnânimo e humano. Mas por alguma razao grassava nele o desassossego. Afinal, de nada serve podermos perdoar os outros se nao nos pudermos perdoar a nós mesmos, se nos nao compreendermos também.

Emprestado

Num programa de rádio ele, luso-descendente francês, mestre de hip-hop, diz-se sentir antes de mais português. Ela pergunta-lhe entao se ele será talvez "uma alma lusa emprestada ao mundo".

quinta-feira, maio 03, 2007

Re-Esclarecimento

A propósito dos recentes posts, que se assemelham vagamente a poesia, volto a reiterar o expresso anteriormente. Obrigado pela atençao.

quarta-feira, maio 02, 2007

Subserviências

O jornalismo desportivo português está ( sempre foi?) cada vez mais subserviente. Impregnado de verdades inelutáves, de dogmas e de falta de coragem, caminha-se neste campo a passos acelerados para pensamentos únicos e dominantes com uma dose pouco salutar de censura... a racionalidade escasseia. O mundo está cada vez mais em permanente transformação, mas parece, que as mundanças tardam em chegar ao jornalismo desportivo/ futebolístico. Os jornalistas de hoje em dia são na sua maioria proletários que apenas nos relatam os treinos, as lesões e (invariavelmente mal) as futuras constituições das equipas para o Domingo seguinte.

Dogma nº1- Não se pode falar do Apito Dourado nos jornais desportivos. Não se pode sequer tocar no nome de Pinto da Costa nem de Valentim Loureiro quando ligados a este caso.

Dogma nº2- Não se pode dizer que o Chelsea joga um futebol miserável e que foi eliminado com justiça da Champions. Mourinho é o melhor dos melhores, ele só não ganha porque tem 2 jogadores lesionados e sistematicamente há uns gajos que o querem tramar, seja um russo, sejam os árbitros que o perseguem... O seu adversário directo Man. United, joga sem defesa titular e sem 5 ou 6 jogadores importantes e nem piam... mas com Mourinho o discurso desculpabilizador/legitimador é o que melhor serve. Joaquins Ritas passam 20 minutos dos jogos a justificar a pobreza do futebol apresentado com lesões episódicas, mas falar de contratações milionárias (discurso oficial, Mourinho já sabia que eram maus e não os queria, foi obrigado a levar com eles, coitadinho!!!), e de um futebol já não visto há 20 anos nas ilhas britânicas, pontapé para a frente e seja o que Deus quiser, é quase segredo de estado ( valha-nos o Luis Freitas Lobo que ainda tem coragem de comentar o que vê e não o que se é forçado a dizer).

Dogma nº3 - Não se pode dizer mal da Direcção do Benfica que, alimentando o desejo de querer ganhar tudo, em Dezembro, em vez de reforçar o plantel ainda conseguiu vender jogadores. O discurso já está oficializado, a culpa é do treinador! Não importa que este, estatisticamente, seja o melhor Benfica dos últimos 14 anos, o treinador é culpado e não se fala mais nisso. Já encontraram a explicação: não rodou jogadores, nem se diga que não tinha ninguem para rodar, porque o pouco que tinha foi vendido em Dezembro, ou quando tinha um jogador com um castigo a expirar foi novamente condenado por teimosia/estupidez directiva, afinal, ele sempre tinha os Manus que são praticamente Maradonas... e se não são, a culpa é do treinador porque não fez deles Bolas de Ouro.

Programas televisivos - Os treinadores são todos maus até terem a coragem de lá ir dizer umas balelas sobre futebol. A partir daí, passam a ser altamente qualificados e, apesar de pouco ganharem, certamente, é porque a conjuntura não os favoreceu.

PS: Para eclarecer o PDuarte sobre o meu último post. Se fosse francês também votaria em Sarkozy. O intuito do post não era manifestar qualquer preferência por um dos candidatos, mas apenas, realçar uma curiosidade.

terça-feira, maio 01, 2007

Alea jacta est

E pronto. O Chelsea de Mourinho foi novamente eliminado pelo Liverpool. É certo que por penalties, e nao menos certo que o Liverpool está concentrado nesta competiçao. Mas seria preciso mais como justificaçao.

Pessoalmente, congratulo-me com a eliminaçao do Chelsea. Comecemos talvez por esquecer uma certa "solidariedade lusitana" para com Mourinho. Ele próprio nao a tem quando vem jogar com um clube português (nem sequer poupou uma linha na sua cartilha 'mindgame' quando jogou com o Porto), e pelos vistos nao a tem também nas recentes polémicas com Ronaldo. Para quem esteja desactualizado, Mourinho respondeu às acusaçoes de mentiroso de Ronaldo rementendo para "uma infância difícil, sem educação apropriada". Bonito.

Esquecido esse "lip service" a Mourinho (o que, reconheço, é difícil, porque, adeptos de futebol e portugueses, há sempre um orgulho residual), avancemos. Deparamo-nos entao com um técnico excêntrico (está na pátria dos excêntricos, nada a assinalar) e uma equipa com uma abordagem ao futebol que nao posso senao classificar de tecnocrata. Vejamos: está ali uma aplicaçao científica do futebol: teoria psicológica avançada (Mourinho chama pressao para a evitar sobre os jogadores), esquemas tácticos elaboradíssimos (diz quem sabe), espionagem ao adversário, licenciaturas, mestrados, carga física programada, velocidade, pressao alta, 2-3-toques-bola-na-área, músculo, trabalho de equipa, dinheiro, organizaçao, calendarizaçao, ajuntos de adjuntos de adjuntos, directores de directores de directores. Tanta ciência, tanto state-of-the-art para cair ali em Anfield.

É que nao tem qualquer mal cair ali em Anfield. Isso é normal. Ridículo é pensar que se pode cientificar totalmente o futebol. Ainda bem que nao. Ainda bem que há um limite de incerteza, cada vez maior pelo equilíbrio das equipas, pela carga de jogos, pela harmonizaçao das variáveis.

Nao me venham dizer que o futebol é uma questao só de trabalho, como insinua Mourinho. Ou de talento do treinador, como ele também pode supor. Continua a ter algo de extraordinário e irracional - e do domínio somente dos jogadores e das variáveis extrínsecas. Por exemplo, quem tenha visto os penalties facilmente descortina uma capacidade técnica superior na execuçao dos jogadores do Liverpool. Os jogadores do Chelsea pareciam-me todos iguais, a bola lançada para o mesmo lado, à mesma altura, com a mesma força. Tristes soldados, homens feitos a dar pontapés, nem um átomo do sonho de criança: ser jogador de bola (à excepçao talvez de Lampard e Robben).

A verdade é que sempre achei que muito da galáxia Mourinho era só palha para a manjedoura dos comentadores do jogo. Em especial os da televisao, que puderam deixar de dizer só "Néné passa para Niquinha" e "4 minutos de compensaçao", para entrarem em consideraçoes sobre a "pressao alta", e "o célebre losango do meio-campo". Para aqueles que, como eu, esqueceram grande parte da sua Geometria Euclidiana, soa a banha-da-cobra.

Nao venho dizer tudo isto porque Mourinho perdeu. Já o havia dito antes, diria igualmente se tivesse ido à final, acreditem. Eu pelo-me por um bota-abaixozinho sempre que vejo pirâmides de Quéops no futebol. Já provei o doce sabor de estar certo com o Real Madrid, espero ainda pela confirmaçao no Chelsea.

Às vezes, gostemos ou nao, é tudo uma questao de sorte. Essa grande justiceira.

Pecado Original 9


Cláudia Vieira. Veni, Vedi, Vinci, já dizia Júlio César. Há sempre no homem aquela necessidade de... triunfo (passe a publicidade às bolachas). Mas talvez seja mais correcto citar Marco Aurélio: "Um pouco de carne, um pouco de fôlego e uma Razao para governar todos - assim sou eu." É que, enfim, quanto à carne tudo dito ou tudo visto. Definitivamente falta-nos o fôlego e uma Razao (nao há racionalidade que se aguente). É por isso que nao acabamos a dirigir um império, meus caros.

Aquele "Je Ne Sais Quoi"

À atençao do P.Guerra, a propósito do seu post sobre Segolène. "É uma parisiense de mais de 40 anos, o que não é pouco. Mas só isso."

Eis porque eu, comunhando embora da admiraçao pela beleza (digamos que já me conhecem nesse capítulo), teria que votar Sarko, fosse eu francês (Deus nos livre).

Saudade

Para aqueles que começam (há sempre alguém que começa) no seu amor pela Língua Portuguesa, uma mera nota de rodapé (nesta era de ruído é o que se pode arranjar) sobre dois mitos eternos. Lembremo-nos ainda de Zeca Afonso, o último dos trovadores portugueses, herdeiro de um país mítico, para sempre perdido no tempo. E, claro, de Sophia, e a mais pura forma do Português em poema que conheci. Une-os esses amor, misterioso, português, do princípio dos tempos, a uma língua que naturalmente aspira à perfeiçao, porque funde Atlântico e Mediterrâneo.





Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

(25 de Abril)


Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo

(Pátria)

Sem Extremos

Excertos da entrevista de José Augusto à revista Sábado nas bancas:

"O meu pai foi um grande jogador do Barreirense. Chamava-se Alexandre Almeida. Foi ele que me ensinou algumas coisas, embora tenha morrido aos 39 anos, vítima de tuberculose, quando eu tinha 13."

"O futebol de rua tinha um aspecto muito importante: ensinava-nos a enganar o adversário."


"O Sporting foi o primeiro clube a contactar-me."

"Já nao há clubes a fazer sede com mao-de-obra do associado. O estádio da Luz foi construído pelos sócios."

"Quando ele [Eusébio] começou a treinar, dissemos logo: 'Há um que tem que sair'."

"[Fiquei como treinador do Benfica] até ao fim do ano (...). Tenho a convicçao de que o treinador do Benfica tem que ser estrangeiro (...). O Benfica é o clube do povo, um clube de amor e ódio. Um estrangeiro tem mais tempo para mostrar o que vale."

"Para mim, um clube grande é só o Benfica. Embora tenha todo o respeito pelo Sporting."

"[Trapattoni disse-me] 'Nunca tive tanta sorte na vida como ganhar este campeonato' (...). Aqueles jogadores nao tinham valor - como esta equipa nao tem - em relaçao à grandeza do clube."

segunda-feira, abril 30, 2007

A Bela e as Outras

Será que Segolene vai ganhar? Não sei.
Mas pela primeira vez uma mulher bela e feminina pode chegar à presidência de um grande país como a França.
Bem sei que já há outras que ocupam lugares cimeiros, mas esta foto, diferencia bem quem é quem.
Merkel, Hillary Clinton, Thatcher, ou Ferreira Leite... nunca seriam assim retratadas... são outro estilo... a que poderiamos chamar de masculinizado. Segolone é diferente, e é não só, mas também, esse um dos desafios que se coloca aos franceses nestas eleições, eleger uma mulher que, acima de tudo, é mulher!

quinta-feira, abril 26, 2007

Serviço Público

Esta ideia das etiquetas nos posts é estupenda. Nao?

quarta-feira, abril 25, 2007

Pecado Original 8


Antonella Mosetti (esq.) e Federica Ridolfi (dir.), rivais na luta pelo segundo lugar de apresentadora (capo- schedine) do "Quelli che il calcio" (Rai2). Pergunta: porque nao temos em Portugal temas de discussao similares? Caramba, fazemos hoje 33 anos de Democracia, 15 anos de televisao privada. Nao era já altura de termos despiques de "prima-donna" do género? Seria bem mais interessante que andar a discutir doentiamente um diploma do primeiro-ministro. Mas enfim, suponho que só teremos "showgirls" deste calibre em Portugal quando se ultrapassar o complexo do "nao sejas mauzinho", e o ego tomar as rédeas da vida. Será esse luxo individualista alguma vez possível num pequeno país, geneticamente habituado a estar à defesa? Espero ainda responder num longíquo 25 de Abril futuro.

P.S.: Para aqueles que me acusam de italiofilia ou italiomania, relembrar apenas que 25 de Abril é tao bem o dia da libertaçao em Itália. Suponho somente que alguns se libertam mais que outros, ou que sao mais honestos nesse particular.

Early Bird

A música para se ouvir depois de uma bela noite, quando o sol nasce além da nossa janela, ao sabor de um café perfeito. Sorrimos interiormente, porque, afinal, a vida nao é assim tao má. Talvez nos queixemos demasiado, talvez nos tenhamos esquecido de como já estivemos pior. Talvez deixemos de conseguir vislumbrar a beleza que existe nas triviais coisas do dia-a-dia. Afinal, insatisfeitos embora, já provámos algum do mais doce mel de estar vivo. Já provámos tanto que tantos outros, ao longo da História, nunca sequer sonharam conseguir. Há grande sabedoria em perceber essa tao simples verdade.


Diz (com) Respeito ao Farmacêutico

Contributo para a reflexao acerca da profissao farmacêutica. Pharmacy respect.

terça-feira, abril 24, 2007

Preciosos Pormenores

De um amigo agente da PSP.

"O Sócrates trata mal os seguranças. Fala-lhes mesmo à pedrada. Eu sei que o Portas também é um tipo em que, enfim, estamos sempre de pé atrás, mas o certo é que ele trata muito bem as pessoas. Quando vao a um restaurante o Sócrates diz aos seguranças 'Vá, vao-se embora', ao passo que o Portas pede uma mesa para eles."

Scudetto

Até que enfim um título conquistado com suor, sem secretarias à mistura, inteiro. A dedicatória a esse malogrado clube, neste seu momento de glória, ideal para eu ir ao meu caminho e descobrir em Itália um clube mais simples, mais sportinguista (nada de Juves ou Miloes). Mas nao me arrependo da escolha de um adepto ingénuo, talvez naquele entao mais motivada por Ronaldo e pela cor das camisolas. Agora um clube que gasta da maneira que o Inter gasta nunca pode racionalmente ter algo a ver com a minha concepçao de futebol. Ele há ciclos, é certo, mas eu sou sportinguista. E para fé basta-me. Lá fora dou-me ao luxo de nao me comprometer. Até sempre.


P.S.: E daí nao sei se consigo livrar-me do Inter... Old habits die hard...

domingo, abril 22, 2007

Novas Oportunidades

Este foi o Pina Moura que chumbou anos na Faculdade de Engenharia do Porto para assegurar o burgo ao PC. E que depois se filiou no PS. E que depois foi ministro inefável, por saber tanto do mester como eu das intricâncias do fabrico de alguidares. E que depois capitalizou a experiência política ao serviço dos seus interesses, e de interesses espanhóis.

E que está em vias de ser tornar o próximo Miguel de Vasconcelos.

Aprendam com El Pina, o Cardeal.

O sonho comanda a vida.

P.S.: Ironias da vida, nasceu o homem na Loriga, terra de Viriato.

Darwinismo Político

Os militantes do CDS-PP foram pouco originais na escolha: o mais forte venceu o mais fraco... A sobrevivência acima de tudo. Quer dizer, podia alguém lembrar-se de dizer que seria uma canalhice pura. Donde diz bem Pedrito de Portugal (esse sábio) na Sábado desta sexta: falta aos portugueses verguenza torera. Será só deste tempo histórico ou sempre assim foi? Eis a questao, a grande questao.

Ribeiro e Castro é fraco, no mais puro sentido do termo. Inspira simpatia, pessoa afável concerteza. Mal colocado como líder político embora, custa vê-lo trucidado indefeso por um tubarao. A mera ingenuidade de um slogan perdedor-à-partida como "Eu Acredito", basta, suponho, como premoniçao.

Mistérios da Vida Portuguesa 2

Por falar em olhos, já alguém reparou no pormenor de que os olhos das pessoas nas fotos sao retocados no jornal "Sol"? Será que também sao o espelho da alma quando numa foto? E precisarao de lustro? Definitivamente, toque do Arq. Saraiva.

Mistérios da Vida Portuguesa 1

Como pode um personagem com o perfil e o talento (nomeadamente a sua falta) de Pedro Abrunhosa ter o relevo que tem na vida portuguesa? Falo de anúncios de bancos, que o vao buscar incessantemente à escuridao esquecida, onde para mim é confortável que ele se mantenha. Para mais bancos com ligaçoes a instituiçoes católicas (vá, eu digo, é o BCP). Quer dizer... há coisas que estao na cara. Ou nos olhos.

terça-feira, abril 17, 2007

Ti regalerò una rosa

Costumo chamar-lhe sorte. Acontece-me com frequência ver um filme, notícia ou jogo de futebol somente nos momentos que depois discuto em conversa com outras pessoas. Gosto do zapping frenético, da leitura transversal, simplesmente porque permite absorver muito mais informaçao. Vem isto a propósito de ter visto somente en passant o festival de San Remo na Rai. Nao acho que seja algo de especial, mas tinha curiosidade pelo lastro histórico. Nao tenho muita paciência para o registo, ainda para mais. Ou/vi somente umas três músicas. Mas houve uma que me acompanhou, pela sonoridade, nos dias seguintes. Ficou no ouvido, até me sugeria um pastiche português (ser português é saber fazer pastiche). Venho mais tarde a descobrir que tinha ganho o festival. Estao a ver como a coisa funciona?

A ver, pois, se há ou nao uma sonoridade curiosa nesta música de Simone Cristicchi, cantautore a puxar para o nerdy-noir (mais um neo-pastiche para acabar).

P.S.: E esta estudante universitária também tem o seu interesse. Suponho somente que a repetiçao da sua seja fatal para Cristicchi, o torne aborrecido. Eis o preço a pagar por boas letras.

segunda-feira, abril 16, 2007

Double-shift

Por onde pára a Arte Pharmaceutica?

domingo, abril 15, 2007

hello and welcome




enigma . hello and welcome

Boas vindas ao nosso mais recente companheiro de escrita.

Adenda


What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind
(...)

"Ode on Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood", William Wordsworth (1770-1850)

sexta-feira, abril 13, 2007

é oficial (ou assim parece)

o meu telemóvel tem pouca afinidade para com líquidos, particularmente a água(achei importante partilhar este facto, não houvesse, ora pois claro uma consequência do mais agradável que há, proveniente deste mesmo), a revelação: uma verdadeira esquizofrenia após um banho totalmente involuntário da minha parte, e agora vivo neste verdadeiro limbo do: ora liga, ora desliga, imagem nem vê la, sons do outro mundo, enfim verdadeiras embirrações, legítimas depois de tanto maltrato da minha parte.
Estes telemóveis agora acham se na vanguarda da tecnologia (3G, bluetooth, e outras que tais), e pensamm se bons o suficiente para um bom pedido desculpas não ser suficiente, meus amigos isto é gente que não interessa a ninguém., isto é gente a quem a fama e o status tecnológico subiu à cabeça.
Já lhe prometi um secador para usar após o próximo banho involuntário, como bom uso do factor motivador psicológico, mas ele não cede, recusa se veemente a dar sinais de vida.

Mas adiante, a confirmar esta notícia, recuperar contactos vai ser uma tarefa, mas uma senhora tarefa digna de um esforço hercúleo.

Só os contactos, vá lá podemos negociar ? Clique no botão de ligar e a resposta do mais agradável que pode haver:

eeeerrrrrrrrgrrrrrrrrrrrheeeeeeeeeerrrrrrr (ruído inimaginável)

Assim sim, vale a pena a diplomacia!

terça-feira, abril 10, 2007

Primeira Vez

Esta é a minha primeira intervenção neste blog. Após algumas reticências da minha parte, lá acabei por aceitar o convite do PDuarte. Não sei bem se a minha escrita se enquadra na linha que veio a ser seguida até aqui. Vou tentar. No máximo o que me pode acontecer é ser mandado embora, contudo, como o blog tem este nome tão sugestivo ( generosità) pode ser que me aguente...

domingo, abril 08, 2007

O Esplendor na Relva

A minha bissectriz pelos anos 60: Deanie Loomis/Natalie Wood (61) e Eusébio (66). O belo canto da junventude, melífluo e eterno, esplendoroso. Sobre a relva.


Eu sei que deanie loomis nao existe
Mas entre as mais essa mulher caminha
E a sua evoluçao segue uma linha
Que à imaginaçao pura resiste


A vida passa e em passar consiste
E embora eu nao tenha a que tenha

Ao começar há pouco esta minha
Evocaçao de deanie loomis desiste

Na flor que dentro em breve há-de murchar
(E aquele que no auge a nao olhar)
Que saiba que passou e que jamais


Lhe será dado ver o que ela era
Mas em deanie prossegue a primavera
E vejo que caminha entre as mais


(Ruy Belo)



Eusébio
Havia nele a máxima tensao.
Como um clássico ordenava a própria força
sabia a conteçao e era explosao
havia nele o touro e havia a corça

Nao era só instinto era ciência
magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
do puro jogo e sua matemática.

Buscava o golo mais que golo: só palavra
Abstracçao. Ponto no espaço. Teorema
Despido do supérfluo rematava
e entao nao era golo: era poema.

(Manuel Alegre)

sexta-feira, abril 06, 2007

Pecado Original 7


Adriana Lima. Como podes ver, Fred, nao ando esquecido. Tardo, mas tudo o que vale a pena toma o seu tempo.

Back In Business

Cordiais desculpas pela ausência. Alguns affaires por resolver tomaram demasiado tempo. Eis, pois, o fim de exames vários, preocupaçoes sortidas, cartas de conduçao surpreendentemente penosas. O fim, isso mesmo. De muito? Pouco? À luz do que julgar? Já nao sei, já nem me interessa. Basta somente ser meu. Suado, sofrido, honesto. Sem presunçoes, mas seguramente à minha maneira. E, nas palavras do grande profeta MC Hammer, ninguém pode tocar nisso.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

the smashing pumpkins . tonight

Após 15 dias sem tocar na xixa, que é como quem diz sem internet nem telefone, publico aqui só para citar o meu caro amigo e colega Pedro:
"Épa, foi tanto tempo que já nem tinha saudades!"

e não tinha, de facto. A vida é tão mais do que isto, do que somente isto. É só aprender a vivê la, o resto vem por acréscimo.




um videoclip soberbo, para uma música sublime.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

"Blessed are the forgetfull, for they get the better even of their blunders"

Friedrich Nietzsthe
~

estive durante alguns minutos, sensivelmente cerca de muitos, a lutar contra esta insaciável vontade de vir aqui escrever, mas como se pode constatar perdi claramente essa batalha.
o ser humano é tão ou mais fraco do que imagina, tanto que é força aquilo que vê, mas constantemente fraqueza o que o domina.
os sentidos atraiçoam nos e gera se uma incompatível vontade interior de atribuir um significado especial ao que se sente, mas que não se processa devidamente no escritório do coração e cabeça. estamos tão desprendidos do sentido, que este se aplica quase desmensuradamente, já ninguém usa as palavras somente quando elas são necessárias e propositadas, somos incoerentes, tão desprendidos do sentido, e tão apegados a este no domínio material, no domínio hipócrita da crítica ao alheio, sem (qualquer selecção ou) critério, a não ser só porque não foi feito por nós. sim porque a merda quando é feita só cheira mal a quem não a fez. quem a um dado ponto está associado à crítica no alheio, de tudo o que inconsciente e fútilmente condena, ou pensa que condena, é apanhado nas redes que lança mais tarde ou mais cedo.e quando tudo o que condena e as acções que critica no outros se tornam as suas, encontra sempre um mecanismo, de fazer os erros por mais intratáveis, desprezíveis e indesculpáveis que sejam, valerem a pena, através de infinitas e diversificadas manobras mentais, atribuindo um significado especial, místico e quase mágico, para desculpar o que não tem desculpa, como se isso tornasse esse alguém diferente e até mesmo superior a tudo o resto. Qual forma suja de limpar o cadastro, fazendo com que tudo o que se abomina, critica e quase causa repúdio em outrém, nessa pessoa seja simplemente algo que aconteçeu por um dado motivo, ou por uma circunstância que no sujeito objecto se torna uma conjectura, um mecanismo mental, para não se sentir igual ou pior ao alvo de todas as suas críticas de repúdio, do género: fiz igual ou pior do que as acções e os alvos que critico, mas quando o fiz pelo menos tinha as unhas dois milímetros mais pequenas, logo tenho desculpa, acções iguais sim, mas imcomparáveis de fundo ideológico e motivacional. a memória humana é curta, mas não a das minha palavras.
às vezes envergonho me de pertencer a esta estirpe a que todos orgulhosamente chamam de humana.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Va' Pensiero


quinta-feira, janeiro 25, 2007

Definiçao

nefelibata - adj. 1. que nao tem sentido das realidades; 2. (escritor) que cultiva a forma em demasia; s.2gén. 1. pessoa que anda nas nuvens, longe da realidade; 2. escritor que cultiva exageradamente a forma, fugindo aos processos literários simples e conhecidos. (Do gr. nephele, "nuvem" + bátes "que anda")

in Dicionário da Língua Portuguesa 2003, Porto Editora.

sábado, janeiro 20, 2007

"without music, there is only noise"




Madredeus . A Vaca De Fogo

terça-feira, janeiro 09, 2007

Música: (Pequeno) Elogio da Anarquia

A propósito de momentos musicais, nao podia faltar no nosso blog, a antecipar o Verao, uma pequena espreitadela mesmo antes dos exames. Mas só uma espreitadela, porque, nao esqueçamos, foi com a música que começou a indisciplina. A doce, doce, indisciplina.


domingo, janeiro 07, 2007

Sonho

Por agora, é todos os dias, uma pequena grande semente da minha imaginação.
Espero um dia vir a conseguir concretizá lo.

sábado, janeiro 06, 2007

Números

1 500 000 de euros é a quantia total (despesas referentes à deslocação e estadia não incluídas) que o Sport Lisboa & Benfica poderá encaixar a nível financeiro com a ida ao Dubai, para disputar um torneio futebolístico juntamente com Bayern de Munique, Lazio e Marselha. (coitados, não se faz a ninguém).

78 000 000 de euros é o primeiro prémio de mais um chorudo jackpot, do já famoso euromilhões, que esta semana contemplou dois vencedores (a sorte deles é que eu não jogo).

24 000 euros é o vencimento mensal do senhor honorário da tutela da Direcção Geral dos Impostos, cerca de 4 vezes mais do que o Primeiro Ministro (tudo pela boa saúde da regulação fiscal e das contas públicas, do nosso querido país, inclusivé estou a pensar vender três pares das minhas melhores meias para engordar um pouquinho mais o mísero vencimento deste senhor, tudo por Portugal, tudo).


Não perguntem, simplesmente apeteçeu me explanar estes factos sem razão ou motivo aparente, a não ser a falta de melhores ideias, e pior do que isso do tempo necessário para as desenvolver.
E após este pequeno momento meramente informativo e saciante para a curiosidade, passamos ao momento musical do dia :)





~
Radiohead . High & Dry

Ps. mais uma do seu futuro cd caro shotor :)

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Impressões de Roma 4


A vista do Vittoriano ao final da tarde.

Impressões de Roma 3

O Vittoriano foi erigido em honra de Vittorio Emanuele II, primeio rei de Itália e obreiro da unificaçao no séc. XIX (manteve o II por ser, antes de mais, II de Sabóia, o que veio a ser impopular para muito italiano de outros reinos que nao o de Sardenha-Piemonte/Sabóia). Depois da República foi convertido num monumento ao soldado desconhecido, morto na Primeira Grande Guerra. À primeira vista, além da janela do táxi, nunca tendo dele ouvido sequer, pareceu-me majestoso. No entanto, e à medida que conhecemos Roma, confirmamos um contraste que levou o delicado gosto romano a chamá-lo de "bolo de noiva" ou "máquina de escrever". É bem mais agradável à luz da noite. Ainda assim, interessante e com uma vista sobre Roma imperdível. Aqui ficam as minhas fotos, de ingénuo deslumbramento.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Machinha

Já há algum tempo que não te escutava...

"Já tenho uma machinha deles.", disseram-me hoje. Eles os anos, porque purguntara a idade.

Machinha... Machinha: uma mão cheiinha...

sábado, dezembro 16, 2006

To Do Good, Not To Do Well

Antes que o ano acabe, antes que deixe o governo no ano que vem, antes que começem os mil artigos retrospectivos, cínicos ou panegíricos, aqui fica a minha dedicatória àquele que, creio, direi um dia ter sido o melhor líder político da minha geração: Anthony Charles Lynton Blair. Apesar de diferenças pontuais, mesmo até ideológicas, mas no final, tudo pesado, um homem que marcou pelo melhor o meu tempo.

"Sometimes I hear people describe "choice" as a Tory word.

It reminds me of when I first used to knock on doors as a canvasser and was told if they owned their own home they were Tories.

Choice a Tory word?

Tell that to 50 per cent of heart patients who have exercised it to get swifter operations and help bring cardiac deaths down 16,000 since we came to power.

(...)

Choice is not a Tory word.

Choice dependent on wealth; those are the Tory words.

The right to demand the best and refuse the worst and do so not by virtue of your wealth but your equal status as a citizen, that's precisely what the modern Labour Party should stand for."

A ler também o seu discurso no Congresso do Partido em Setembro deste ano.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Livros de Roma 2



Estes bem mais legíveis.

Impressões de Roma 2


E, depois, a profundidade.

Impressões de Roma 1


A verticalidade, tão presente na obsessão pelo cipreste, alto, elegante, distinto. Mas a oliveira está sempre lá, só pode estar, ela é fonte de vida.

Livros de Roma 1

Sem muito tempo, parando apenas na famosa Feltrinelli, alguns volumes interessantes, para desafiar a compreensão da língua:



A ler com preserverança.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Impressões de Roma

A minha contribuição para a série "Deve haver poucas coisas tão frustrantes como..." vai para chegar a Roma com uma máquina digital de €200 comprada no dia anterior, que só permite tirar 15 fotos, porque não está munida de cartão-memória. Mas, ainda assim, nos próximos dias pretendo partilhar algumas impressões sobre Roma no Generosità. Ao menos a minha memória não sofre os ditames da modernidade.

Saudades

domingo, dezembro 10, 2006

Pecado Original 6


A propósito de Roma, Ilary Blasi, apresentadora italiana, casada com o ícone da(e) Roma, Francesco Totti.

Eccomi qua


É assim Roma: andamos a cada segundo esmagados pela monumentalidade, entra pela nossa janela adentro, nao se lhe pode escapar. O convívio com Arte é tao intenso que se percebe desde logo a força centrípta que esta cidade exercicia, de onde poucos queriam já sair para lutar por um Império. Impressiona, antes de mais, a verticalidade, tudo é alto, aspira ao céu: os edifícios, as torres, as igrejas, as pessoas, a organizaçao social. Mas impressiona depois a enorme profundidade, sentimos a vertigem de mil histórias, segredos, manhas, sofrimentos e prazeres. Esta cidade já viu de tudo, já viu tudo. Nada se ensina a Roma, ela nao acredita noutra maneira de ser humano. Nao nos permite inocências: escolha-se o céu ou o inferno, a virtude ou o pecado, desde que sejam supremos. O importante é viver.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Esclarecimento

Convém fazer um pequeno esclarecimento a alguns amigos que visitam avidamente este blog (cerca de 2). Reservo-me o direito, enquanto co-autor, de publicar no Generosità a poesia medíocre que faça. Simplesmente porque às vezes os dias não são perfeitos, mas são os nossos dias, e passamos por eles como podemos. Em todo um novo dia há um poema, e nem todos os dias são Pessoa, são mais vezes Aleixo. Recorrendo a Rui Veloso, eu diria que às vezes a poesia que eu pensava saber à flor do jasmim, sabe a chicle de mentol. E, curioso, eu até gosto dela assim.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

L'ombelico del Mondo


Em estágio para a Cidade Eterna, com Mega Ferreira:

Pecado Original 5






Melissa Theuriau, a pivot que dá aos franceses (imagine-se) as notícias da manhã. Tenho para mim que qualquer bom português, perante o profissionalismo que certamente é apanágio de Melissa, acabaria o telejornal, novas sanguinárias ou de boa esperança, igualmente a semi-sorrir e a coçar o queixo: "Isto tá bonito, tá...".

A Agenda Necrológica

Creio que nunca a vida pública portuguesa foi culturalmente profícua. Ou antes, foi-o quando a "vida pública", no sentido de partilha intelectual, era apenas acedida por uma pequena percentagem da população.

Durante o Estado Novo, a censura, naquilo que exactamente a definia como moralista, filtrava o boçal, o bizarro*. Havia um bas-fond que a maior parte do país não sabia sequer existir. No grande palco do Estado Novo, a censura foi um alçapão, que nunca se soube estar lá, e que, de repente, se abriu violentamente. Escondeu sempre uma forma de ser português, de ser humano**. Se essa face que ocultou é a regra ou a excepção, é todo um outro debate.

Mal ou bem, a censura permitiu uma plataforma, calando as massas, para o desenvolvimento de temas intelectualmente exigentes, que diríamos hoje eruditos, elitistas, afectos somente à especialidade. Por isso se discutia Ciência, Literatura, Arte, em jornais generalistas, com grande profundidade. As geraçoes de hoje são, claro, indignas dessa herança porque a desconhecem primeiro, e depois porque a não poderiam apreciar. Embora, convenhamos, as geraçoes actuais estejam sujeitas a outras solicitaçoes, o mundo da Imagem que se criou trouxe consigo muitos novos Tântalos, também conhecidos por "consumidores". E o lazer é mais plural, naquele tempo era mais fácil gostar dessas áreas do Saber, amantes caprichosas e exigentes mas sempre intensas. A própria organização social mudou radicalmente, e há algo de excelência intelectual que está inevitavelmente ligado a uma sociedade paternalista, gostemos ou não.

No entanto, consideradas as diferenças, chegamos ainda assim à conclusão de que os nossos media estão cheios de pseudo-factos. De pseudo-protagonistas, de ruído. Não se compadecem dessa História, Ciência, Arte. Não há tempo para mais que a tradução dos mesmos factóides internacionais. Só esporádicamente há uma subida de nível cultural na situação concreta da morte de alguém famoso. Aí sim, surgem protagonistas, histórias, perspectivas, desenterram-se grandezas e guerrilhas. Limpa-se o pó aos móveis da sala nobre da nossa história.

Há, assim, uma agenda necrológica a dominar os media. Está aí, perante os nossos olhos, uma cadência de marcos cronológicos que estão centrados na morte de um personagem. O último foi Cesariny. Pergunto-me quem virá a seguir.

*veja-se a série que Pacheco Pereira tem vindo a publicar no Abrupto.
**leia-se Fernando Dacosta: "Máscaras de Salazar" e "Nascido no Estado Novo".

domingo, dezembro 03, 2006

Pecado Original 4


Gisele Bündchen

sábado, dezembro 02, 2006

Esadof!

Para quem lê o Abrupto, e conhece o estilo jot-down do autor, uma pequena ajuda para perceber de que fala JPP no post Esadof!, sobre o Millenium BCP: aqui.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Best Of



Visto e revisto, mas nao posso deixar de o incluir no blog, em dedicatória ao(s) companheiro(s) ziba(s) de laboratório, desse extenuante 3º ano.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga


P.s. À falta de disponibilidade para o desenvolvimento das minhas ideias deixo aqui uma súplica, neste caso a súplica pelo tempo que não tenho.

Pedaço de Arte




Barçelona - Villareal (25/11/2006)

domingo, novembro 26, 2006

E o Tempo Parou

De súbito, o cavaleiro deteve-se. Durante aqueles minutos, tudo esqueceu, todo o mundo parou. Só ouvia aquela voz que lhe parecia a sua, secreta e íntima, mas agora fora do seu própio corpo. Naquele momento mágico, encontrou-se consigo fora de si. Depois, tentou recuperar a consciência, teve um momento de hesitaçao e seguiu em frente. Exigiu-o a si mesmo. Havia que seguir em frente. Se alguma vez ouviria outra vez aquela voz nao sabia, talvez houvesse mais encanto em nao saber.


O Grande Complexo da Política Portuguesa

Nao é que admire o regime (admiro mais talvez o tempo histórico) porque foi mantido à custa de brutalidades e falsas mansidoes, sobretudo na fase final, mas a queda do Estado Novo criou na direcçao política do País um enorme complexo: a de que o Estado nao deve ser gerido como uma empresa. E eu acho que deve. Empresa no sentido lato do termo, com outro tamanho, outros objectivos (já se sabe que se perde dinheiro, mais vale que seja o menos possível e onde interessa), outros meios. Empresa no sentido de cadeia de comando com responsabilidades diferentes, no sentido pró-activo do termo. E para tal é fundamental outro elemento que escasseia entre nós: a liderança. Nao nos organizamos para os acomodar, nem queremos ser, líderes, antes criamos estruturas complexas com um capo que a representa e constitui um lobby. É a natureza do nosso povo, tem virtudes e defeitos. Pode ser que mude com uma geraçao mais internacionalizada. E daí talvez nao, diria Eça de Queirós na pessoa do seu Carlos da Maia.

Pecado Original 3


Scarlett Johansson

Ready, Aim... Steady

Marques Mendes faz-me lembrar um general que comanda os seus homens numa trincheira, e lhes comanda: "Preparar, Apontar... Aguentar... Aguentar... ". Vendo que nunca mais chega o momento decisivo e catártico do "Disparar", começam a surgir dúvidas entre os soldados. "Teremos realmente muniçoes suficientes?", "Será que nao temos quaquer hipótese, estaremos condenados?". E, depois, pequena mas segura (à imagem de Mendes), vai surgindo neles essa terrível pergunta: será Mendes um general brilhante, e a sua estratégia de um calculismo e contençao com resultados surpreendentes, ou será antes, o rei vai nu, um acto falhado?

Tempestades...

...lá fora lembram-me as tempestades de dentro.

Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui?"
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada
O que mais faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismo, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio [Vila do Conde, 1901-1969]

sexta-feira, novembro 24, 2006

Rajadas de Vento, Trombas de Água

Quando o Atlântico fala, ouvimos e calamos. Como sempre foi.

quinta-feira, novembro 23, 2006

E Recordar é Viver

A ler, hoje no Público, o artigo de Pacheco Pereira (suponho que em breve também no seu blog): "O labirinto solitário de Mário Sottomayor Cardia". Aliás, os seus artigos têm tido um nível excelente nos últimos tempos, talvez a provar que o Outono e Inverno sao as suas estaçoes, as estaçoes do homem-formiga, nunca as do homem-cigarra. Cito somente deste: "Ficarao para os seus amigos as recordaçoes do homem, um gesto, um acto, um escrito, um exemplo, uma pena, uma preocupaçao. Nestes tempos é o que fica. Nestes e nos outros." Há tanto de nós que só é nos outros...

Pecado Original 2

Angela Tuccia, a professoressa de desconcertantes olhos verdes, que desperta, no interessante L'eredità da Rai1, um genuíno desejo de aprender.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Les petits bonheurs de la vie

Passou despercebido...

Corriere della Sera: "Fatima, c'è un «quarto segreto» da rivelare"

Pequenos grandes actos de coragem

Ir ao Colombo em época de Natal e quando o Benfica joga em casa para a Champions.

terça-feira, novembro 21, 2006

Pecado Original 1


Monica Bellucci

segunda-feira, novembro 20, 2006

O Eterno Esquecimento

Folheio um livro branco lá em baixo, no escritório. Comprámo-lo há pouco tempo. “Fotobiografia de Ernesto Roma”. Descubro que aquele pequeno e sorridente homem, notável médico, fundou a APDP (Associação Protectora dos Diabéticos Pobres), em 1926. Foi a primeira associação de diabéticos do mundo. Ernesto Roma geriu-a habilmente, com o sentido de missão de quem se agita para aliviar o sofrimento dos mais carenciados. Fecho o livro, e, ainda olhando para a sua foto, tento enquadrar o facto de que a maior parte dos portugueses não ou viu nem ouvirá algum dia o seu nome. E não consigo.

Aqui e ali, em artigos, costumo ler referências à teoria do Eterno Retorno. Investiguei: a sua tese é a da natureza cíclica da História. A História seria doentiamente cíclica porque repetimos todas as situações e sentimentos humanos, desde os primórdios; os elementos basilares do ser humano não mudaram nem mudarão.

Embora algo nela soe fundamentalmente verdadeiro, acho que há mais no ser humano para além da sociedade do Antigo Testamento. A diferença individual, genética, e a evolução da sociedade são factores igualmente importantes que os nossos desejos primitivos. Mas reconheço que é para mim uma aventura tentar abordar esse tema, e tento registar apenas o essencial.

Concordo, sobretudo, que é demasiado humana a assumpção de que vamos ser algo que o mundo nunca viu, e ter mais coragem, mais inteligência do que os nossos antepassados. Pensamos neles (se chegarmos a pensar) mergulhados num profundo obscurantismo. Há um desrespeito generalizado pelo Passado, e nunca se pode compreender o que se não respeita. Só não sei se esse desrepeito é intrínseco à natureza humana, ou se estará antes relacionado com a evolução dos tempos.

Choca-me sobretudo o vil esquecimento da Medicina, e os esforços que os intérpretes dessa arte fizeram ao longo da História para que nós mais facilmente a pudéssemos esquecer. Damo-nos o luxo de viver em função do imediato, porque autênticos heróis devotaram a sua vida à anestesia, assépssia, vacinação, transplantação, etc. Quantas vezes nos lembramos do sofrimento humano evitado? Quantas vezes nos lembramos dos olhares de desespero e angústia, dos gritos e gemidos pela noite, da indignidade? Pois é. Longe da vista, longe do coração. E a vista lá se vai fixando naquele carro, naquela mulher, naquela oportunidade de enriquecer, naquela experiência ousada.

Não só esquecida, a Medicina tem vindo a ser instrumentalizada e mesmo traída pelos seus intérpretes. Simplesmente porque quem a pratica são... seres humanos. E como o mercado, mais do que o sonho, comanda a vida, nem se lhes é exigido que tenham uma cultura humana compatível com tão especial mester. Se a cirurgia plástica evolui mais que a cura para a malária e um cirurgião não o é sem um Porsche, é pena, mas é coisa humana.

Sempre achei que os verdadeiros médicos eram, como Ernesto Roma, príncipes do povo. Emergem pelo bem comum, e trabalham pela sua comunidade, sem maior prazer na vida que esse. São povo e não o são ao mesmo tempo. E o povo inequívoco também sempre lhes foi grato, e deles guardava memória.

Talvez esse povo já não exista. Ainda bem, porque isso significa, para usar a popular expressão, que subimos de vida. Agora já a podemos carregar de aspirações que nos elevam ou deprimem, consoante as cumpramos ou não. Mas talvez por já não haver esse povo, menos sejam aqueles que se lhe dedicam a vida. Podíamos ao menos lembrar os que o fizeram no passado.

Vox Popoli, Vox Dei: Piratage



Na aldeia, diz o bom Ti Jaquim: "Naquele tempo nao havia essa piratage que há praí agora, nao". Terá razao, ou todos vemos com benevolência o nosso passado?

Nota: por uma questao de rigor, referir somente que o bom do Ti Jaquim tinha já tomado um ou dois "comprimidos" (a que na gíria urbana nos referiríamos prosaicamente como "copos de vinho")

domingo, novembro 19, 2006

Quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré*

No domingo passado morreu Fernando Caiado, aos 81 anos. Eu também nao conhecia o nome, mas soube depois que tinha sido adjunto de Bela Guttmann. Segundo José Augusto, terá sido um dos grandes responsáveis pela carreira desse Benfica mítico, porque impunha autoridade no balneário, cobrindo a retaguarda do técnico brasileiro. “É algo que nunca foi relevado, mas deve-se a ele, Caiado, grande parte dos êxitos do Benfica na década de 60, que culminaram com a conquista de dois títulos europeus. Dentro e fora do campo era com ele que os jogadores mais lidavam. Tinha um forte carácter, aplicava a disciplina com mão-de-ferro, mas foi dessa forma que o Benfica cresceu e se fez o grande clube que hoje é. Marcou um tempo”. Esses homens que tratam dos pequenos pormenores sao esquecidos com demasiada frequencia, até porque têm demasiada importancia.

Foi a enterrar segunda-feira no Porto, o seu caixao coberto com a bandeira do Boavista, clube em que também havia jogado. Do Benfica nao houve bandeira porque Sílvio Cervan, o seu enviado, dela se esqueceu... Pergunto eu: Quem é Vieira? Um presidente digno do Benfica ou um moralista de 3 vinténs, sem conteúdo que suporte as afirmaçoes chocantes que faz? Peço desculpa pelo ênfase da segunda opçao, eu nunca tive dúvidas... Bem pode ele exigir aos jogadores do Benfica que nao joguem como "rapazinhos". Tem autoridade moral para o fazer... Haja algum sócio benfiquista que se revolte, por favor! Já nem falo do Sporting, que acho melhor na gestao da sua memória, mas por quais dirigentes também me nao compremeto. Digo simplesmente que com Pinto da Costa nunca tal aconteceria. É bem verdade o ditado: "Quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré".

*para os iluminados leitores da Sábado, sim, este é o título da crónica de Pacheco Pereira. O seu a seu dono.

As Boas-Vindas



Ao camarada Edu, a emprestar talento a este modesto blog.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Hoje vi o mundo

Escrevo este texto, após um dos momentos que na passada semana mais assolaram os media e toda a comunicação social no contexto da actualidade mundial. E sem motivo para menos: a conclusão do julgamento e consequente condenação de Saddam Hussein à pena de morte por enforcamento. E estou aqui neste momento a escrever sem qualquer fundamento moral, no que respeita à justiça ou não do resultado final deste já longo processo. Isto é não vou aplicar aqui uma doutrina moralista sobre se a pena é ou não adequada às acusações pendentes sobre o acusado, e muito menos entrar por um campo muito controverso, que é normal neste tipo de divagação, e ao qual é quase impossível fugir nestas situações: a pena de morte.
Pessoalmente sou mais contra do que a favor, mas existem muitas condicionantes, e como tal não tenho uma opinião absoluta que se possa afirmar como íntegra, inabalável e irrefutável, perante factos e ideias externos que quase todos os dias colocam as minhas à prova. Especialmente quando são as minhas próprias ideias que colocam as minhas teses à prova, estas têm de ser alvo de mais reflexão, sabedoria e experiência que só o tempo nos proporciona, e o crescimento como indivíduos que somos.
Mas não vou escrever sobre o indivíduo e todas as múltiplas vertentes do seu carácter e personalidade, vou escrever sobre "um indivíduo" que para mim tomou uma das atitudes mais bárbaras e sanguinárias, precipito me a dizer, que o estado de democracia permite: o do regozijo e celebração da morte de um indivíduo.
Hoje vi George W. Bush fazer disso um motivo de manifestação pública num congresso, cujo ambiente de festejo e congratulação, era contagioso a todos os que ouviam o discurso eleitoralista que Bush proferia. Cada palavra minimamente pensada num discurso totalmente virado para despertar o entusiasmo numa plateia que celebrando efusivamente com palmas e toadas bárbaras e primitivas se iam esquecendo da política miserável do seu presidente camuflando temporariamente o que acabaria por suceder mais tarde, a vitória dos democratas, tanto no senado como na câmara dos representantes.
Hoje vi o líder de uma grande nação aproximar-se mais um passo na direcção da inconsciência e da animalidade, do terror subjacente à expressão " afinal quem é que manda aqui ?" celebrando a morte de um homem, que merecendo ou não, não é essa a questão de que aqui se trata. Entenda se aqui claramente que não estou a discutir a legitimidade nem o quanto esta sentença é, ou não adequada nos cânones da justiça iraquiana, mundial, e humana, pois para quem comete crimes da dimensão bárbara de que Saddam é acusado, não há pena possível nas dimensões do humano a aplicar por forma a possibilitar a rebilitação de alguém e sua consequente re-inserção na sociedade. Não há, ponto.
Acho simplesmente, que um indivíduo que se encontra na posição que ocupa o Presidente dos Estados Unidos, não deveria dar a uma nação eleitora, que toma o líder do seu país como um modelo (a seguir ou não) estas mostras completamente primitivas "do ser mais forte", da mostra de poder exacerbado por uma posição e um status hierarquicamente mais elevado, comparável a uma cadeia alimentar em que todos os outros ficam abaixo, submissos à hegemonia dos mais fortes.
Abrir uma janela destas, é escancarar totalmente uma porta, sem precedentes a um mundo muito pior sem carácter humanitário onde ele é mais preciso, no respeito pela vida e morte dos indivíduos, e repito mais uma vez, quer estes o mereçam ou não, à luz da justiça óbviamente. Estou só a tentar desenvolver aqui uma ideia que é pouco comum nos dias de egoísmo que se vivem actualmente, a de que nestas questões que implicam a vida e a morte não somos ninguém para julgar, e quanto a mim, o facto que é condenável em toda esta situação, ainda pior que o valor atribuído a esta condenação (repito mais uma vez, justa ou não), é a celebração desse facto.
Os Estados Unidos marcaram a sua posição neste conflito estratégico que decorreu sobre a égide de uma premissa falsa (a do pseudo armamento químico do Iraque), mais uma questão à qual não me vou referir sequer, tal é o transtorno que me causa sequer pensar que legitimidade e autoridade terá um indivíduo que usa um argumento falso para criar uma guerra, com todas as consequências que esse facto envolve, de se congratular com a morte de outro homem.
"What goes around comes around", they say, mas quando um dos homens mais poderosos do planeta, atravessa a ténue linha que nos torna humanos e deambula no mundo vingatório da manipulação e abuso de poderes, nada impede as mentes mais influenciáveis e moldáveis de seguirem estes comportamentos da falta de noção humanística da realidade.
Não tenho absolutamente nada contra os Estados Unidos (a não serem os factos que já referi anteriormente), entenda-se e sinceramente acredito que o mundo seria um local mais hostil e conturbado, sem a sua posição de respeito hegemónico, invariavelmente decorrente de décadas de história que só são necessárias para um mundo melhor se foram para proporcionar a liberdade, a quem esta não se constitui como um direito essencial nos dias que correm. Tenho apenas problemas e medo em relação a certas políticas manipulatórias de um nível barato e bacoco, de manipulação e alteração de factos, informação e documentação afim de interesses próprios, e sem querer entrar numa toada conspiraccionista, acho que os caminhos actuais de política externa dos estados unidos se encontram de alguma maneira apontados nessa direcção.
Não vou sequer referenciar acontecimentos actuais, pois estes estão à luz de qualquer pessoa que se informe minimamente e se mostre interesse nestas questões da actualidade.
Estados Unidos: sim. Políticas totalitárias, manipulatórias e imoralismos: não, obrigado.
Hoje vi o mundo afastar se um passo mais da moralidade e bom senso.

Hoje vi o mundo ...

e não gostei do que vi

Obrigado

Antes do mais quero em primeiro lugar, agradecer aqui publicamente o convite que me foi dirigido pelo meu caro amigo e colega Pedro Oliveira, para integrar este local de reflexão, pensamento e discussão de todos os assuntos merecedores de tal privilégio. Era um projecto há muito pensado e idealizado, embora quase sempre remetido a um segundo plano devido ao sempre conturbado pragmatismo proveniente das circustâncias das nossas vidas. Mas a oportunidade surgiu, ousou pulsar e despertar em nós a vontade que poucos têm e se orgulham dela: o empreendedorismo generoso de pegar nas coisas boas que ainda restam neste mundo e fazer delas um motivo de reflexão constante por forma a sentir a vida de todas as maneiras possíveis e imaginárias, sempre de uma forma fundamentada pela análise das pressões de todos os mundos que nos envolvem, pressões estas, referidas pelo meu caro amigo Pedro numa analogia genial ao segredo do Zé sobre a condução em Lisboa .
Muito sinceramente e remetendo o assunto ao seu excelente texto travar/respirar fundo, é incrível como me revejo mais vezes do que as que seriam desejáveis nas suas palavras caro amigo, especialmente em dias conturbados de depressão e ansiedade proporcionada pelo stress de dar 150% de mim em todas as situações, e o consequente medo de ser completamente absorvido pelas circunstâncias, não me sobrando espaço para a generosidade genuína de ter e dar sem esperar retorno, de não me sobrar espaço para um dos últimos sentimentos verdadeiramente altruístas do ser humano, e que tão necessário é actualmente, não só a quem é alvo, mas também a quem o pratica.


"Chi e' generoso e' sempre forte".

quinta-feira, novembro 16, 2006

As minhas aulas de conduçao

Com alguns atropelos, mas felizmente ainda sem quaisquer atropelamentos.

Metro



Quilómetros e quil
ómetros de espaço
Comprimido
Por entre olhares desviados
(Corpos cansados...),
Que não podem buscar senão
Humanidade
Por entre o fluxo do vazio,
Perante a escuridão lá fora
E c
á dentro.

Nossa é a luz
Que ilumina o caminho.
Mas será, na verdade, nossa?
Não... Nada é nosso,
Mais do que o saber estar sozinho.

Assim viajamos nós,
Quilómetros e quilómetros de espaço,
Interdito
À mais pequena emoção.
E empurramos pensamentos (risos, cantos, histórias, almas)
Por entre fal
sas calmas
Até à próxima estação.

Pedro Oliveira

Vozes do Passado, Ecos no Presente

[...]
Homem de um só parecer,
De um só rosto e de uma fé,
De antes quebrar que volver,
Outra coisa pode ser,
Mas da Corte homem não é.
[...]

"Carta a El-Rei D. João III", Sá de Miranda (Coimbra, 1481-1558)