sexta-feira, janeiro 11, 2008
Windmills of Your Mind
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Querer e Poder
Seguem atrás deles as palavras interditas, às vezes só pensadas. Alguém me terá dito um dia que devemos sempre ter a ambição de ter um bom carro, se pudermos. Não é para ir atrás deles (embora hajam sempre "vibes"...). É antes para, em último caso, dizermos a nós mesmos: "Ok, este gajo ultrapassou-me à fuinha. Mas eu tenho um carro melhor que ele, tenho a capacidade, sei fazer. Não vou atrás dele, não lhe dou essa lição porque não quero." Nunca porque não posso.
Comments
O Homem Pobre
Dou comigo a pensar em como alguém um dia vai convidar aquela miúda a sair, de como alguém, quem sabe do seu círculo, vai namorar com ela. E ele verá talvez as suas esperanças desfeitas. Pergunto-me como irá ele reagir, que vê nela o único capital da sua vida (mesmo que não o possua realmente). Que, homem pobre, vislumbra nessa obsessão a sua riqueza. Terá pouco mais. Como reagirá se outro a conquistar? Nunca se deve mexer com a única riqueza de um homem pobre - essa é uma regra básica. Será que os outros a irão respeitar?
Correcção
Shot 9
PS: Não resisto a constatar um facto. O PDuarte sabe tão bem como eu, que defendia a continuidade de Santana não apenas numa mera prespectiva de estabilidade e de evitar potênciais efeitos económicos nefastos para o país. O PDuarte tinha esperanças... e acreditava nele.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Países Verticais
Ser do Povo
O que é o famoso “ser do povo”? Passa por pertencer a uma classe com posses a menos para poder ter luxos, veleidades, etc.? Talvez uma interpretação mais correcta do “ser do povo” seja o não poder ser romântico, estúpido, sonhador, contemplativo. Como estando acordado para a realidade das coisas - sabendo lidar com ela. “Ser do povo” é, no fundo, ser minimamente inteligente. E eu sou dos que acha o povo português um povo inteligente. “Ser do povo” tem grandes defeitos – mas é também o caminho geralmente mais saudável e sincero. Não é o único, é certo. O que eu acho falacioso é dizerem que “ser do povo”, nessa acepção intuitiva, tem a ver com classe sócio-económica. Há pessoas pouco recomendáveis em todas as classes, bem como homens e mulheres “feitos”, seguros, do "povo" em todas as classes.
Fico-me Aqui Pelo Restelo
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- "Mas um velho d'aspeito venerando,
- Que ficava nas praias, entre a gente,
- Postos em nós os olhos, meneando
- Três vezes a cabeça, descontente,
- A voz pesada um pouco alevantando,
- Que nós no mar ouvimos claramente,
- C'um saber só de experiências feito,
- Tais palavras tirou do experto peito:
- - "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
- Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
- Ó fraudulento gosto, que se atiça
- C'uma aura popular, que honra se chama!
- Que castigo tamanho e que justiça
- Fazes no peito vão que muito te ama!
- Que mortes, que perigos, que tormentas,
- Que crueldades neles experimentas!
- - "Dura inquietação d'alma e da vida,
- Fonte de desamparos e adultérios,
- Sagaz consumidora conhecida
- De fazendas, de reinos e de impérios:
- Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
- Sendo dina de infames vitupérios;
- Chamam-te Fama e Glória soberana,
- Nomes com quem se o povo néscio engana!
- - "A que novos desastres determinas
- De levar estes reinos e esta gente?
- Que perigos, que mortes lhe destinas
- Debaixo dalgum nome preminente?
- Que promessas de reinos, e de minas
- D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
- Que famas lhe prometerás? que histórias?
- Que triunfos, que palmas, que vitórias?"

Habitat Natural
O Símbolo e o Mistério
Imagens
Se vamos ser invadidos por imagens, mais vale que sejam por imagens destas, com retoques de arte. E com Adriana Lima.
Zeitgeist: A Última Década e o Imperialismo da Imagem
1) Os nossos tempos não estão "certos", não estão de acordo com a natureza das coisas. E, por isso, não podem durar muito. A década de Guterres a Sócrates, que me coube a mim viver, e à minha geração, foram anos sem referências, sem sonhos, sem alma. Não está aqui em causa os próprios protagonistas - as circunstâncias ultrapassaram-nos. Começou com a desilusão na nova esperança de Guterres, passou pela tragédia de Entre-os-Rios, pelo 11 de Setembro, pela Guerra do Iraque, pelo escândalo Casa Pia, pelo drama dos incêndios, pela fuga indigna de Durão Barroso, pela subida de Santana Lopes ao poder, pela eleição de Sócrates. De repente, Portugal ficou mais árido, mais seco, mais triste. De repente as pessoas desconfiaram mais. Depois veio a indústria em peso do lazer individual: DVDs, livros, PC, TVCabo, etc. Não para todos, é certo, mas para muita gente, apesar de tudo. O aumento do lazer individual torna as pessoas mais ensimesmadas, mais solipsistas, menos generosas. Parece ser tudo uma questão de dinheiro, de prazer, do "eu".
Foram anos medíocres, vazios, chocos, mantidos por aqueles que não se quiseram esforçar mais sem ser obrigados, e aqueles que não estiveram para se esforçar sem serem glorificados. Faltou espírito. Houve pouco sentido de País, de comunidade, das nossas virtudes colectivas, do nosso melhor. Em retrospectiva, uma péssima escola de vida. Às vezes posso até ter a tentação de a invocar se não atingir alguns objectivos "maiores" durante a vida, como bode expiatório. Mas não quero.
Olhem em vosso redor para esse "medo de existir". Como diz Pacheco Pereira, o preferir o remediado, com medo da pobreza. Quentinhos à lareira com o "diabo que conhecemos", que esse "diabo que não conhecemos" diz que pode ser pior. Onde estão os bons alunos? Onde os portugueses jovens brilhantes? É preciso chegarem aos 40 como Mourinho (e no futebol, de que eu gosto, mas que é inútil)? E a gerontocracia narcoléptica da nossa sociedade (qualquer dia estamos como os italianos)? E o sonho de infância? E a virtude, o "eu nunca farei"? E os empresários que conseguiram? E os priveligiados que tiveram classe, que quiseram desenvolver a sociedade? E o nosso imenso património intelectual, a nossa cultura? A literária, digo eu, mas a outra também, porque não? E o esforço em equipa de pessoas inteligentes e motivadas? Onde estão as ideias? Onde está a força de vencer? Onde está o génio, a criatividade? O talento? Onde estão os jovens que querer quebrar barreiras impossíveis, e os mais velhos que os ajudam?
2) A outra ideia fundamental: a imagem, a invasão da imagem, a sua omnipresença e a subjugação do conteúdo. Tal como diz Pacheco Pereira, ela ocupa os outros meios. É como se houvesse uma espécie de "imperialismo da imagem": ela invade os outros meios; deixa-os viver, é certo, mas está sempre lá.
Na música parece que a Internet asfixiou a indústria discográfica: há menos produção nacional (como é que é possível fazer carreira em música?). A leitura, o livro, passou a ser só um "hobbie", uma vertente de "entretenimento", uma escolha diferente do DVD, da Internet, da televisão. Nada mais que um "meio".
Um exemplo muito simples na nossa prática laboral são os slides de PowerPoint (sim, servem bem como exemplo). Podem até ter conteúdo, mas está incorporada a ideia de que isso nada vale sem imagem. Não há paciência para o conteúdo sem imagem. Às vezes nem para o conteúdo com imagem. Há razões profundas que estão por detrás desta paixão do ser humano. Este complexo de corvo é muitas vezes o que nos engana. Mas também o que nos faz feliz. Quer-se a imagem, a beleza, como posse, capital. Nunca houve tanto desse capital como hoje. Mas é um capital fictício, não dá para nada - só entretem o nosso "comboio de corda".
domingo, janeiro 06, 2008
Pecado Original 25


*fotos roubadas a um blog amigo
(Micro-) Mecenato do Bom
Olivus 2007: Livro do Ano

Nunca antes este absoluto clássico da literatura mundial fora integralmente traduzido para português. A sua versão final data de 1532, e tem 46 cantos e cerca de 40.000 versos rimados. Rimas - e aí esta tradução torna-se impressionante - que esta tradutora conseguiu manter na passagem para português. Leio numa entrevista que o fez ao longo de um ano inteiro, em regime quase monástico. Já várias vezes eu ouvira referências a este clássico, do qual Camões chegou a copiar frases (sim - pensam que o luso plágio é de agora?). Um conselho pessoal, e generoso (conferir nome deste blog): comprem-no. É preciso saber reconhecer ouro quando se o vê à nossa frente. E quem sabe quando volta a oportunidade.
Mas informações sobre esta obra aqui.
sábado, janeiro 05, 2008
Espírito de Aventura

sexta-feira, janeiro 04, 2008
quarta-feira, janeiro 02, 2008
2007
Uma vez que já temos os Olivus Awards, vou só deixar umas pequenas pinceladas sobre as figuras que (me) marcaram mais em 2007. Obviamente, que esta pequena reflexão não pretende contraditar as análises do PDuarte, é tão só uma visão ligeira e diferente.
Figuras- Na TV -Gato Fedorento - para mim, são brilhantes. Não partilho a visão Vasco Pulidiana. Ser consensual está longe de significar que buscam consensos. Para mim, é certo, também já em 2006 tinham sido grandes figuras. Em 2007 continuaram a sê-lo. Para mim, o seu sucesso não é dificil de explicar. Comumgam de um background de experiências e gostos que são os do mainstream e exploram-no com inegável piada. Claro que, o Herman nunca o poderia fazer. Não tem o dominío da escrita que eles têm, nem, principalmente, a capacidade e argúcia de observação que o quarteto apresenta. Herman também capta tudo, só que vagueia por uma realidade diferente. O seu mainstream é próprio. Não vê futebol, não deve ser grande espectador de telejornais e, não " absorve" os sentidos e sentires da "rua" porque não passa por ela. Herman vive no seu mundo, o das Ibizas, da Chanel, da 5th Avenue, que não coincide com a maior parte do mundo dos portugueses. Para se fazer rir sobre actualidade é preciso fazer parte dela, e é por isso que Herman entrou em declínio. A realiade dele é outra, e quem lhe descrevia a realidade nos textos que interpretava (sempre bem, diga-se), são agora as estrelas que o ofuscam.
Figura Desportiva - Cristiano Ronaldo. Eu pessoalmente não gosto dele. Não gosto de Cristianos Reeinaldos. O seu estilo irrita-me. Mas não lhe retiro o mérito. Joga bem e é(quase)sempre decisivo.
Figura Política - Sarkozy - Comungo da visão do PDuarte. Passe a imodéstia, podem ler um artigo que escrevi neste blog aquando da sua eleição. Não me enganei em nada.
Figuras da Imprensa - Bem... para mim a imprensa portuguesa é miserável, claro que os que nela contribuem têm uma grande quota de responsabilidade nesse facto.
Que saudades de outrora... Talvez tirando o artigo sobre o BCP, o MST continua mau. O Vasco Pulido Valente só escreve sobre o que quer, o que significa que 95% do que escreve não me interessa... Tudo somado dá quase nada.
Bem, de momento ( há sempre esperança), só me dou ao trabalho de seguir 3 colunistas, para mim os melhores: José Pacheco Pereira, Domingos Amaral e Pedro Guerreiro.