terça-feira, julho 31, 2007
Trabalhos Na Estrada
Prometido
Adenda
Os Meus Prazeres 5
Como exemplo, por entre a grande escolha no YouTube, escolhi o "Fórum Filosofia". Definitivamente entre os meus favoritos, nao é uma das primeiras escolhas da legiao de fas. Mas eu acho que traduz muito bem a capacidade de travestir a cultura popular com a erudiçao. Duas culturas totalmente diferentes: o futebol, popular e terreno, e a filosofia, elitista e divina. Deve ser por causa destas misturas que Umberto Eco escreveu o Nome da Rosa em torno do riso e do facto de ser transversal e desconcertante na sociedade. Neste "Forum Filosofia" o espírito do extinto programa "Bancada Central" de Fernando Correia na TSF é brilhantemente capturado, os tiques e os timbres dos participantes reproduzidos na perfeiçao. Esta frase dita por um participante resume aquilo que quero dizer:
*Por nao estar versado nas escolas alemas de filosofia (perguntem-me pelas moldavas), desconheço se este é o termo correcto. Nunca se sabe, pode estar um wermasiano a ler este blog.
segunda-feira, julho 30, 2007
Lugares
Os Meus Prazeres 4
Bissectrizes 2: Do Sol
Luz do sol, luz da razão
por Antero de Quental
Tu, sol, é que me alegras!
A mim e ao mundo. A mim…
Que eu não sou mais que o mundo,
Nem mais que o céu sem fim…
Nem fecho os olhos baços
Só porque os fere a luz…
Ergo-os acima - e embora
Cegue, recebo-a a flux!
Crepúsculos são sonhos…
E sonhos é morrer…
Sonhar é para a noite:
Mas, para o dia, ver!
Sim, ver com os olhos ambos,
Com ambos devassar
Os astros n’essa altura,
E os deuses sobre o altar!
Ver onde os pés firmamos,
E erguemos nossas mãos!
E quer nos montes altos,
Quer nos terrenos chãos,
É sempre amiga a terra
E é sempre bom viver,
Se a terra à luz da aurora
E a vida ao amor se erguer!
Em toda a parte as ondas
D’esse infinito mar,
Por mais que andemos longe,
Nos podem embalar!
Em toda a parte o peito
Sente brotar a flux,
E sempre e à farta, a vida…
Vida - calor e luz!
Nos seixos d’essas praias,
Se o sol lá lhes bater,
N’um átomo de areia,
Deus pode aparecer!
Bata-lhe o sol de chapa,
E um deus se vê também
No pó, tornado um astro
Como esses que o céu tem!
Desprezos para a terra?!
Também a terra é céu!
Também no céu a impele
O amor que a suspendeu…
E quem lá d’esse espaço
Brilhar ao longe a vir
Dirá que é paraíso
E um éden a sorrir!
Em baixo! O que é em baixo?
Em baixo estar que tem?
Ninguém à eterna sombra
Nos condenou! Ninguém!
Se até nos surdos antros,
Nas covas dos chacais,
Penetra o sol, vestindo-os
Com raios triunfais
Se ao céu até se viram
As bocas dos vulcões…
E têm os próprios cegos
Um céu… nos corações!
Não! não há céu e inferno:
Divino é quanto é!
Para que a rocha brilhe,
Basta que o sol lhe dê…
Basta que o sol lhe beije
As chagas que ela tem,
E a morta d’essa altura,
A lua, é sol também!
E as trevas da nossa alma,
A nossa cerração,
Oh! como se desbarata
A aurora da razão!
Mas se a razão, surgindo,
Nossa alma esclareceu,
Também tu, sol, no espaço
Surges, razão do céu…
Por isso é que me alegras,
Ó luz, o coração!
Por isso vos estimo…
Tu, sol, e tu, razão!
Close Enough
Émmerdant
Bissectrizes 1
Os Meus Prazeres 3
C'est un ruban de soleil
Qui s'enroule sur ta main
Et caresse mon épaule
C'est le souffle de la mer
Et la plage qui attend
C'est l'oiseau qui a chanté
Sur la branche du figuier
Le premier chagrin du jour
C'est la porte qui se ferme
La voiture qui s'en va
Le silence qui s'installe
Mais bien vite tu reviens
Et ma vie reprend son cours
Le dernier bonheur du jour
C'est la lampe qui s'éteint
Os Meus Prazeres 2
Os Meus Prazeres 1


quarta-feira, julho 25, 2007
Da Juventude e da Renascença
Sempre achei que os jovens que conheci que nunca tiveram essas ambiçoes de conhecimento e reconhecimento (já nem falo de conceitos arcaicos como honra) nunca chegaram realmente a ser jovens. Que nunca tiveram qualquer sede de conhecimento, o prazer íntimo da descoberta, a riqueza do saber acumulado. No fundo, que nunca tiveram sonho. Que se perderam cedo demais nas maneiras cínicas do mundo. Que tiveram medo de falhar demasiado cedo. Que deixaram de tentar ser honestos demasiado cedo. Ou que se perderam nos prazeres adultos. E têm razao, claro que têm, mas esse sabor ingénuo a sonho, nunca o saberao, é algo de único na vida. E eles nao sao realmente mais que jovens adultos, nada mais que isso.
Perante a imperfeiçao humana, suponho que é difícil estar do lado, generoso, da Renascença. Mas quando ela triunfa por entre a rotina e mesmo às vezes o desespero (fome, doença) é a coisa mais bela que a Humanidade cria. Exercício mental para exemplificar: recordam-se da euforia nos anos 90, com o advento da "Terceira Via", do PC, da Internet, Genética, Biotecnologia, Globalizaçao? Quantas vidas dedicadas à Ciência, génio e trabalho, nao estiveram na sua origem? Conseguiram confundir um pouco a estrutura social - havia algo ali realmente novo na história do ser humano. Mas, alas, depois voltamos, temos que voltar, ao mesmo de sempre.
terça-feira, julho 24, 2007
Pecado Original 15


