Ainda estão algo longínquos os 'Olivus Awards' deste ano, mas posso já atribuir o meu singelo prémio: 'música a ouvir no carro em altos berros, com janelas abertas, e todo o estrilho, quando se regressa enfim a casa'.
terça-feira, outubro 21, 2008
Dez Anos de Depressão
Que nos digam que estamos em crise como nos afecta, portugueses jovens? É que, afinal, nós andamos aqui em crise há - atenção - dez anos. Há pelo menos dez anos que esta geração vive sobre a ameaça castradora de uma crise económica. Caramba. É demais.
Não cem anos de solidão, como no título de García Márquez, mas dez anos de depressão. Eis a história resumida de uma geração.
Não cem anos de solidão, como no título de García Márquez, mas dez anos de depressão. Eis a história resumida de uma geração.
Inteligência e Ética
Tudo Certo
Excelente a entrevista de Manuela Ferreira Leite, ontem na TVI. Tudo certo. Até que enfim!
Ah, e para alguns de vocês por aí: deslumbrado com a possível reabilitação de Santana. Absolutamente deslumbrado. Era bonito o Pacheco Pereira ainda ter que o engolir outra vez.
Ah, e para alguns de vocês por aí: deslumbrado com a possível reabilitação de Santana. Absolutamente deslumbrado. Era bonito o Pacheco Pereira ainda ter que o engolir outra vez.
Andaram todos convencidos estes anos que o problema era Santana. O problema, afinal não era Santana, e em 2004 foi o próprio Durão Barroso que andou a perguntar pelos amigos quem não se importava de ficar com o País, como Morais Sarmento. Santana, claro, foi o que aceitou, o que cedeu à tentação. Mas deixá-lo tentar-se, esse sim, foi o pecado original.
Imediatamente
Ainda não tive bem a oportunidade de utilizar uma linha que me recordo de 'cartoons', e que os Gato Fedorento ainda não se souberam apropriar.
Imaginem que alguém vos diz: 'Tens que fazer isto, é urgente.', com uma certa presunção. Qual é deve ser a vossa resposta? Esta: 'Ok - vou começar a ignorá-lo imediatamente!'.
Imaginem que alguém vos diz: 'Tens que fazer isto, é urgente.', com uma certa presunção. Qual é deve ser a vossa resposta? Esta: 'Ok - vou começar a ignorá-lo imediatamente!'.
segunda-feira, outubro 20, 2008
Motivos
Um dia, na sala de aula, o menino Joãozinho decidiu fazer uma pergunta ao senhor professor (nesta escola os miúdos não têm Magalhães, mas usam 'senhor professor').
'- Senhor professor?'
'- Diga Joãozinho.'
'- É o seguinte. Queria fazer-lhe uma pergunta. O que é que faz andar o mundo?'
'- Como assim?'
'- Quer dizer, do que é que andam os adultos, os homens crescidos atrás?'
'- Hum...' o senhor professor sorria. 'Digamos que andam atrás de somente duas coisas, invariavelmente.'
'- E quais são?'
'- Pois então considera que parte dos homens crescidos andam todos atrás de dinheiro.'
'- Senhor professor?'
'- Diga Joãozinho.'
'- É o seguinte. Queria fazer-lhe uma pergunta. O que é que faz andar o mundo?'
'- Como assim?'
'- Quer dizer, do que é que andam os adultos, os homens crescidos atrás?'
'- Hum...' o senhor professor sorria. 'Digamos que andam atrás de somente duas coisas, invariavelmente.'
'- E quais são?'
'- Pois então considera que parte dos homens crescidos andam todos atrás de dinheiro.'
'- Então e a outra parte deles anda à procura do quê?'
O professor hesitou um segundo, mas sorriu ligeiramente e respondeu:
'- De mulheres, Joãozinho. De mulheres.'
'- Está bem... Mas então não há homens que não têm dinheiro nem mulheres? O que é que esses fazem?'
'- Fazem blogs Joãozinho. Fazem blogs...'
'- Fazem blogs Joãozinho. Fazem blogs...'
domingo, outubro 19, 2008
Do Ulme a Ülm: A Última Barreira
Estou a cumprir o último ano do meu singelo curso. É um curso agradável, não é certamente o tema dos meus sonhos, mas é um curso muito interessante. Aprendi a gostar e a respeitar Farmácia - embora ache que o meio (tal como outros) padece de grande... corporativismo. Terá algumas perspectivas de empregabilidade - e essa escolha parece hoje mais inteligente.
Não fiz um curso brilhante, creio. Fiz dois anos de excelentes notas, para depois entrar numa certa mediania. Posso encontrar várias razões para o justificar (próprias e alheias), mas da mesma forma que isso não me perturba por aí além (porquanto sempre tenha gostado de ser bom aluno), acho que não vale a pena invocá-las. Quando a dança das cadeiras começa, pouco importa se eu tinha média de 18 no meu secundário. Quem lê, lê curso científico em universidade privada, de 'segunda linha' e essa é uma realidade com a qual eu tenho que lidar.
As pessoas não têm tempo para o cinzento, para a história completa, para as justificações, para os pudores, para os pequenos sacrifícios. Julgam num instante, e nesse instante lê-se: 'curso com empregabilidade, média aceitável, universidade de pouco/médio prestígio'. Ponto. É assim o preconceito - é assim que eu, e os meus colegas, temos que trabalhar com ele, mesmo que não corresponda à realidade.
Mas estou a acabá-lo, o meu curso, e este ano tenho que produzir um relatório final e acabar três cadeiras em atraso. Eis porque decidi aproveitar o tempo para algo que, sim, me dá um infinito prazer: aprender línguas. E, tendo já estudado inglês, francês, espanhol e italiano, faltava-me uma grande língua, naturalmente,: o alemão.
Comecei assim, a estudar para ultrapassar essa última barreira. Porque gosto de ler, e falta-me essa língua para ler. Porque gosto de viajar, e falta-me essa língua para me desenrascar por essa Europa fora. Porque acho que isso pode enriquecer um currículo - em qualquer área que seja. E também porque eu tenho a 'minha', e vou continuar a tê-la - por mais piores sentimentos, pior sociedade, piores alturas na vida das pessoas que conheço.
Eu tenho a 'minha'. E bem pode tudo andar em alvoroço, que eu, cumprindo as regras da sociedade, não desisto dela. Nem que chovam picaretas. Por isso, conheci tantos ao longo desta vida que preferem ofender, exibir, vegetar, maldizer, invejar. Eu cá é mesmo ler, e conhecer coisas novas e estimulantes. Mesmo em tempo de crise - que há dez anos andamos nós em crise.
Mas sente-se já uma grande pressão social para começar a trabalhar, por mais que eu me defenda a dizer que até nunca fui um gajo de excessos, que escolhi racionalmente uma profissão, e que agora, se faz favor, gostava só de acabar o meu curso como deve ser. Ainda no próprio dia do curso me perguntavam 'Profissão?'. E eu lá disse 'estudante', mas com bastante vergonha. Não é que o não seja, mas... caramba. Não se está a falar de um estudante brilhante na sua pretensa área, e ainda por cima um que está agora em 'pousio laboral', para produzir a sua tese de mestrado, como eles chamam à coisa. É como se... tivesse que dizer 'estudante' para não dizer 'aspirante a político', ou 'ventríloquo', ou 'adorador de Satã'. Só para dizer que a rufia, delinquente não se chega.
Por isso vou agora tentar abraçar um novo idioma, que me faz muita falta. Só pelas aulas dá para perceber que tem, realmente, uma dinâmica muito própria, muito especial, muito característica. Talvez, quem sabe, seja um idioma que primeiro se estranha, e depois se entranha.
Só para que eu, ribatejano, possa, um dia, poder viajar do Ulme até Ülm, sabendo falar todas as línguas pelo caminho. Era bonito. E eles dizem que os sonhos não existem.
Não fiz um curso brilhante, creio. Fiz dois anos de excelentes notas, para depois entrar numa certa mediania. Posso encontrar várias razões para o justificar (próprias e alheias), mas da mesma forma que isso não me perturba por aí além (porquanto sempre tenha gostado de ser bom aluno), acho que não vale a pena invocá-las. Quando a dança das cadeiras começa, pouco importa se eu tinha média de 18 no meu secundário. Quem lê, lê curso científico em universidade privada, de 'segunda linha' e essa é uma realidade com a qual eu tenho que lidar.
As pessoas não têm tempo para o cinzento, para a história completa, para as justificações, para os pudores, para os pequenos sacrifícios. Julgam num instante, e nesse instante lê-se: 'curso com empregabilidade, média aceitável, universidade de pouco/médio prestígio'. Ponto. É assim o preconceito - é assim que eu, e os meus colegas, temos que trabalhar com ele, mesmo que não corresponda à realidade.
Mas estou a acabá-lo, o meu curso, e este ano tenho que produzir um relatório final e acabar três cadeiras em atraso. Eis porque decidi aproveitar o tempo para algo que, sim, me dá um infinito prazer: aprender línguas. E, tendo já estudado inglês, francês, espanhol e italiano, faltava-me uma grande língua, naturalmente,: o alemão.
Comecei assim, a estudar para ultrapassar essa última barreira. Porque gosto de ler, e falta-me essa língua para ler. Porque gosto de viajar, e falta-me essa língua para me desenrascar por essa Europa fora. Porque acho que isso pode enriquecer um currículo - em qualquer área que seja. E também porque eu tenho a 'minha', e vou continuar a tê-la - por mais piores sentimentos, pior sociedade, piores alturas na vida das pessoas que conheço.
Eu tenho a 'minha'. E bem pode tudo andar em alvoroço, que eu, cumprindo as regras da sociedade, não desisto dela. Nem que chovam picaretas. Por isso, conheci tantos ao longo desta vida que preferem ofender, exibir, vegetar, maldizer, invejar. Eu cá é mesmo ler, e conhecer coisas novas e estimulantes. Mesmo em tempo de crise - que há dez anos andamos nós em crise.
Mas sente-se já uma grande pressão social para começar a trabalhar, por mais que eu me defenda a dizer que até nunca fui um gajo de excessos, que escolhi racionalmente uma profissão, e que agora, se faz favor, gostava só de acabar o meu curso como deve ser. Ainda no próprio dia do curso me perguntavam 'Profissão?'. E eu lá disse 'estudante', mas com bastante vergonha. Não é que o não seja, mas... caramba. Não se está a falar de um estudante brilhante na sua pretensa área, e ainda por cima um que está agora em 'pousio laboral', para produzir a sua tese de mestrado, como eles chamam à coisa. É como se... tivesse que dizer 'estudante' para não dizer 'aspirante a político', ou 'ventríloquo', ou 'adorador de Satã'. Só para dizer que a rufia, delinquente não se chega.
Por isso vou agora tentar abraçar um novo idioma, que me faz muita falta. Só pelas aulas dá para perceber que tem, realmente, uma dinâmica muito própria, muito especial, muito característica. Talvez, quem sabe, seja um idioma que primeiro se estranha, e depois se entranha.
Só para que eu, ribatejano, possa, um dia, poder viajar do Ulme até Ülm, sabendo falar todas as línguas pelo caminho. Era bonito. E eles dizem que os sonhos não existem.
O Zé Conseguido e o Rui Conforto
Oiço pessoas da minha idade a dizerem-me que vão procurar casa. Fico sempre na dúvida sobre a inteligência dessa opção. É por isso que gosto de ouvir o que dizem os especialistas.
Diz o Zé Conseguido: 'Tens que sair da casa de teus pais para te realizares enquanto pessoa. Ganhares o teu dinheiro, ires onde quiseres, quando quiseres, sem dares justificações. Sabes aquele sentimento em que tu nem sais de casa porque isso vai preocupar, aborrecer a tua mãe? Essa capacidade de te limitares a ti mesmo? Isso desaparece tudo. Vais ver que estás num mundo novo, que nem podes agora conceber. Sentes-te livre. E depois trabalhas, envolves-te com outras pessoas - evoluis. Em casa dos teus pais desleixas-te, habituas-te, entras em vícios domésticos. Depois olhas para trás, quando tens 30 anos e pensas que erraste seriamente nas tuas escolhas, que desperdiçaste uma parte da tua juventude - e da tua vida.'
Diz o Rui Conforto: 'Mas para que queres tu deixar a casa dos teus pais para te meteres num apartamento pior, com vizinhos barulhentos? Para além de que, nesse caso, vais precisar mesmo a sério do dinheiro que ganhares. E ganhá-lo, como deves perceber, não anda mesmo nada fácil nestes dias. Tens que ceder o teu projecto pessoal, agarrar um emprego que será difícil, quem sabe com um patrão menos agradável. Se calhar passas a comer pior que em tua casa, a ter até menos dinheiro disponível, a amaldiçoar a tua vida. Para quê? Para poderes ir ao Lux sem que os teus pais te chateiem? Se calhar tu, com inteligência, até os ajudavas em qualquer coisa, e terias mais liberdade. E, quem sabe, conhecias mais gente, até podias namorar mais. Não vás nessa ilusão de sair para escapar a regras - vais apenas cumprir regras diferentes, nada mais.'
E agora? Quem tem razão? O Zé Conseguido ou o Rui Conforto? Eis a questão.
Diz o Zé Conseguido: 'Tens que sair da casa de teus pais para te realizares enquanto pessoa. Ganhares o teu dinheiro, ires onde quiseres, quando quiseres, sem dares justificações. Sabes aquele sentimento em que tu nem sais de casa porque isso vai preocupar, aborrecer a tua mãe? Essa capacidade de te limitares a ti mesmo? Isso desaparece tudo. Vais ver que estás num mundo novo, que nem podes agora conceber. Sentes-te livre. E depois trabalhas, envolves-te com outras pessoas - evoluis. Em casa dos teus pais desleixas-te, habituas-te, entras em vícios domésticos. Depois olhas para trás, quando tens 30 anos e pensas que erraste seriamente nas tuas escolhas, que desperdiçaste uma parte da tua juventude - e da tua vida.'
Diz o Rui Conforto: 'Mas para que queres tu deixar a casa dos teus pais para te meteres num apartamento pior, com vizinhos barulhentos? Para além de que, nesse caso, vais precisar mesmo a sério do dinheiro que ganhares. E ganhá-lo, como deves perceber, não anda mesmo nada fácil nestes dias. Tens que ceder o teu projecto pessoal, agarrar um emprego que será difícil, quem sabe com um patrão menos agradável. Se calhar passas a comer pior que em tua casa, a ter até menos dinheiro disponível, a amaldiçoar a tua vida. Para quê? Para poderes ir ao Lux sem que os teus pais te chateiem? Se calhar tu, com inteligência, até os ajudavas em qualquer coisa, e terias mais liberdade. E, quem sabe, conhecias mais gente, até podias namorar mais. Não vás nessa ilusão de sair para escapar a regras - vais apenas cumprir regras diferentes, nada mais.'
E agora? Quem tem razão? O Zé Conseguido ou o Rui Conforto? Eis a questão.
Injecção de Verdade
E se, de repente, os governos anunciassem uma injecção de Verdade no sistema? Para restaurar a confiança, para dar solidez (já não liquidez) às instituições? Isso, sim, seria uma revolução.
Off-Shores e Confiança
A questão dos off-shores, para mim, é que está verdadeiramente na raíz da falta de confiança na sociedade. Porque perverte a maneira 'limpa' de ganhar dinheiro. Portanto esses sábios económicos, que tanto elaboram sobre a necessidade de confiança, e em coerência lançam dinheiro no sistema, para a restaurar, poderiam pensar se, talvez, a existência de um circuito de dinheiro que escapa à sociedade em geral, de contornos imorais, não diminui, justamente, essa confiança.
Felicidade
Espero que o post anterior não soe demasiado moralista, ou 'padreca'. Eu sou a favor da as pessoas serem livres para fazerem o que quiserem. É só uma comparação.
Não pretendo criticar comportamentos - apenas ajuizar certos fenómenos de acordo com o que eu acho que é uma sociedade a funcionar, de acordo com o que eu acho que é o patamar dessa coisa a que chamam... felicidade.
Não pretendo criticar comportamentos - apenas ajuizar certos fenómenos de acordo com o que eu acho que é uma sociedade a funcionar, de acordo com o que eu acho que é o patamar dessa coisa a que chamam... felicidade.
A Bolsa e A Consciência
A propósito do que levou à actual crise dou comigo a pensar que a economia financeira está para a economia real, para o capitalismo, como a pornografia está para o sexo: é a idealização da coisa como ela é - mas nunca deixa de não ser a coisa como ela é. É o mais simples, primário, darwiniano - é o modelo que produz o deslumbre juvenil da coisa. Mas não é a coisa.
É uma ilusão que tem a capacidade de criar muitos seguidores, que acreditam que é essa a via para vencer na vida, ou que acreditam que é essa a via para o sexo como ele é. E não faltam histórias daqueles que triunfaram por essas vias - são motivo de inveja. Foram mais espertos - não tiveram que trabalhar ou 'aturar' mulheres (ou elas 'aturar' homens - sim, que isto toca aos dois sexos).
Nesta ilusão juvenil estará algum do problema do nosso tempo. É a ilusão do fácil. E tem muitíssimos seguidores. Mas continua a ser uma ilusão, uma esquizofrenia da realidade. Da mesma forma que o dinheiro raramente se cria assim, o sexo raramente se faz assim.
O problema é haver uma sociedade que permita vitórias pelo fácil. Porque quem se habitua ao fácil, num ápice esquece as razões do difícil. E num ápice passa à perversão.
Mas é sempre o instinto humano ir para o fácil, e a tentação de ser mais esperto é inevitável. E é por isso que anda tanta gente a tentar seguir esses dois modelos. E por isso um dia a bolsa rebenta, e por isso um dia a consciência rebenta.
É uma ilusão que tem a capacidade de criar muitos seguidores, que acreditam que é essa a via para vencer na vida, ou que acreditam que é essa a via para o sexo como ele é. E não faltam histórias daqueles que triunfaram por essas vias - são motivo de inveja. Foram mais espertos - não tiveram que trabalhar ou 'aturar' mulheres (ou elas 'aturar' homens - sim, que isto toca aos dois sexos).
Nesta ilusão juvenil estará algum do problema do nosso tempo. É a ilusão do fácil. E tem muitíssimos seguidores. Mas continua a ser uma ilusão, uma esquizofrenia da realidade. Da mesma forma que o dinheiro raramente se cria assim, o sexo raramente se faz assim.
O problema é haver uma sociedade que permita vitórias pelo fácil. Porque quem se habitua ao fácil, num ápice esquece as razões do difícil. E num ápice passa à perversão.
Mas é sempre o instinto humano ir para o fácil, e a tentação de ser mais esperto é inevitável. E é por isso que anda tanta gente a tentar seguir esses dois modelos. E por isso um dia a bolsa rebenta, e por isso um dia a consciência rebenta.
Off-Moral
Seria interessante se, de uma vez, os líderes internacionais se concentrassem em produzir uma boa justificação para a existência de off-shores. Não me refiro - atenção - ao acto de enfim os suprimirem. Mas antes ao facto de que, tendo eles que gerir sociedades com base numa Moral, conseguirem justificar minimamente a existência dessas aberrações, que não servem senão para dar prazer perverso a yuppies, ou manter pequenos estados.
segunda-feira, outubro 13, 2008
Ajuda a Escorregar (a Realidade)
E já agora, para voltarmos ao mundo, ao nosso mundo, fazê-lo da melhor maneira. Com o humor de Herman José, no mítico skecth da 'Cerveja Ribamar', inspirado, justamente, no anterior anúncio de Martini. Pode ser que, para os demais fantasistas e oníricos desse lado do blog, ajude a escorregar o mundano.
Martini Woman II
Mas segue a saga Martini, com o não menos célebre anúncio do anel. E quem será esta actriz, que assim se desfaz do anel, da fidelidade, num gole de prazer?
Aquele Mágico Fio de Lã
Não era um mau nome, em alternativa ao 'Pecado Original', esse de 'Aquele Mágico Fio de Lã'. Afinal, como escrevi, é como se o estivéssemos a seguir há anos. É uma espécie de onírico feminino, de Olimpo epicurista. Ou, no meu dicionário: casa.
Martini Woman (Em Retrospectiva)
Mas quem diria que era a Charlize Theron que neste anúncio participava - com uma actuação soberba, muito expressiva... Neste anúncio, talvez icónico para a minha geração. Quem diria que era o seu bel sedere. Charlize estava destinada a ir longe - podemos hoje afirmá-lo em retrospectiva.
Já agora, e porque não, apreciem a versão completa, menos frequente nos nossos ecrãs, e nos recuerdos de adolescentes.
E é como se a mente tivesse seguido sempre ao longo dos anos, inebriada pelo mais puro Martini, ao sol tão afável, e prazenteiro, sob a benção de Apolo e de Baco, aquele mágico fio de lã.
domingo, outubro 12, 2008
Mas Tu Queres Ver...
E afinal eu era um homem rico e não fazia ideia. Sim, rico: porque esta é a tal 'economia do conhecimento', e ele não sabia quem era a 'Bar Rafaeli'. Afinal havia alguém que não sabia.
Na minha mente: 'Ok, é menos um a fazer-se a ela. Já só sobram os outros 2,999... biliões de homens! É possível.'
Na minha mente: 'Ok, é menos um a fazer-se a ela. Já só sobram os outros 2,999... biliões de homens! É possível.'
Quebranto
Detesto este tempo de Setembro/Outubro. Como se o ar estivesse cheio de uma qualquer electricidade estática nociva. A produzir quebranto, esse de que gozava o Eça. A mexer com alguns temperamentos. Horrível.
Desperdício Tóxico
Alguém me diz, a propósito do plano Paulson, não perceber o sentido da compra de activos tóxicos por parte do Estado americano. Afinal de contas, o dinheiro dos contribuintes serve para comprar todo o lixo, deixando de parte os melhores activos e - sobretudo - não adquirindo as empresas. Quer isto dizer, portanto, que se deixa lá a mesma gestão que criou os problemas.
Olhando para Espanha, lemos que o governo espanhol invistirá dinheiro no sistema sim - mas em activos não tóxicos. Isto é, garante liquidez às empresas, mas resguarda a sua posição. Provavelmente, obriga-las-á a um maior esforço de melhoria, em comparação com a compra de activos tóxicos.
À luz de um não especialista, parece muito mais inteligente a estratégia espanhola que a americana. Esperemos - por ser mais premente a resolução do caso americano - que assim não seja, necessariamente.
Olhando para Espanha, lemos que o governo espanhol invistirá dinheiro no sistema sim - mas em activos não tóxicos. Isto é, garante liquidez às empresas, mas resguarda a sua posição. Provavelmente, obriga-las-á a um maior esforço de melhoria, em comparação com a compra de activos tóxicos.
À luz de um não especialista, parece muito mais inteligente a estratégia espanhola que a americana. Esperemos - por ser mais premente a resolução do caso americano - que assim não seja, necessariamente.
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